domingo, 3 de junho de 2018

Redação - Tema 2018N24 - Apropriação cultural (UFU, Uniube, Enem, Fuvest, Vunesp, Unicamp e demais vestibulares.)


Tema de redação 2018N24

Texto 01.
“Turbante, dreadlocks, cocar, desenhos tradicionais. Símbolos culturais e estéticos que, se por um lado ajudam a compor o imaginário de nação miscigenada, também carregam seu valor simbólico de resistência dentro da comunidade na qual estão inseridos. No palco dos sincretismos, diversos atores e culturas se misturam, não sem provocar polêmica e discussões que muitas vezes não arranham mais que a superfície da questão.
Enquadra-se aí o debate sobre “apropriação cultural”, tema que vem dividindo opiniões desde que sites e jornais repercutiram o caso de uma garota branca que teria sido repreendida por duas mulheres negras porque usava um turbante.
A educadora e pesquisadora de dinâmicas raciais Suzane Jardim afirma que, toda vez que emerge, essa discussão é erroneamente deslocada para o âmbito do “purismo cultural”, na qual apenas os responsáveis pela criação de um determinado elemento teriam autorização de utilizá-lo.
Longe disso, o que está em jogo segunda ela é a forma como se dá a interação entre grupos historicamente marginalizados e seus antagonistas – relação que seria marcada por “preconceito, exclusão, etnocentrismo, poder e capitalismo”.
“Vemos a diferença sistêmica entre os que usam esses elementos como adorno e os que usam por princípio, religião ou resgate de uma identidade”, diz Jardim. “Quando falam em cultura, os negros se referem muito mais a resistência e racismo do que à origem dos elementos, propriamente”.
Pesquisadora e ex-Secretária Adjunta da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres de São Paulo, Juliana Borges afirma que ‘dizer que apropriação cultural se resume a usar ou não turbante, comer ou não sushi’ é, na melhor das hipóteses, uma grande desonestidade intelectual, além de escancarar a face racista ‘ainda tão presente na sociedade brasileira’.
A discussão, primordialmente, tem a ver com questões estruturais e estruturantes da sociedade brasileira, segundo Borges, e passa pelo esvaziamento histórico e cultural de etnias sequestradas do continente africano para serem escravizadas por aqui.”

Texto 02.
“Num contexto capitalista, a apropriação cultural transpassa o desrespeito às culturas alheias, invisibilizadas diante da imposição da cultura europeia e norte-americana, e se torna lucrativa. Um exemplo disso foi publicado no site Fashion Forward, quando a grife francesa Isabel Marant usou em sua coleção de verão 2015 um bordado feito pela comunidade mexicana Sant-Maria Tlahuitoltepec (província de Oaxaca). Esse bordado é feito há 600 anos, sendo esse um símbolo da identidade dessa comunidade. A marca se apropriou do bordado, produzindo-o em larga escala, e passou a vender a peça que identificava como “tribal” pelo equivalente a R$ 1.000,00. Vale ressaltar que a peça original, feita por mulheres da comunidade, custava aproximadamente R$ 65,00. Vale apontar ainda que o enorme lucro obtido pela maison nem chegará proximo à comunidade, algo que, se distribuído, poderia ter possibilitado mais independência ou cobrir as necessidades desse povo.”

Texto 03.
“...o conceito de “apropriação cultural” me parece uma cobra que se come pelo rabo posto que para haver apropriação, é preciso que haja um proprietário. Apropriar-se de algo é roubar, e você só rouba algo que tem um dono. Só que cultura não tem dono.
Cultura é, segundo a definição antropológica, o conjunto de conhecimentos, éticas, crenças, artes, moral, leis e costumes de uma sociedade. Se tem um dono (e esse dono pode até ser um grupo), você exclui quem não é dono. Excluir alguém do direito a uma cultura é excluir alguém de uma sociedade. Quer dizer, é o oposto da lógica inclusiva da qual nós deveríamos estar nos ocupando.
Mesmo que seja uma sociedade da qual o coleguinha não faça parte, a sociedade tem o dever humanitário de se abrir para quem se interessa por ela. Imaginar que, por exemplo, uma pessoa branca, oriental ou negra deve ser impedida de usar vestes indígenas é o mesmo que imaginar que um índio deve ser impedido de usar roupas. E o mesmo se aplica a Anitta. E o mesmo se aplica ao caso célebre da menina branca que foi massacrada por usar turbante.”

Proposta de redação 2018N24-A - Dissertação (USP, Unesp, Uniube, etc.)
Faça uma dissertação sobre a relação entre apropriação cultural, multiculturalismo e preconceito.

Instruções para a dissertação:
1. Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
2. A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
3. Dê um título a sua redação.

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Proposta de redação 2018N24-B – Outros gêneros textuais – Verbete (UFU, Unicamp, UEL, etc.)
Faça um verbete sobre apropriação cultural com ao menos três exemplos dessa prática.

Instruções gerais:
1. Se for o caso do gênero textual em questão, dê um título para sua redação. Esse título deverá deixar claro o aspecto da situação escolhida que você pretende abordar.
3. Se a estrutura do gênero selecionado exigir assinatura, escreva, no lugar da assinatura: José ou Josefa. Em hipótese alguma escreva seu nome, pseudônimo, apelido, etc. na folha de prova.
4. Não copie trechos dos textos motivadores ao fazer sua redação.
5. Quanto ao número mínimo e máximo de linhas e outras especificidades, informe qual o vestibular que você irá prestar para que possamos adequar a correção às exigências do concurso escolhido.

Proposta de redação 2018N24-C - Carta argumentativa (UFU, Unicamp, UEL, etc.)
Escreva uma carta argumentativa para uma pessoa famosa acusada de ter se beneficiado de um processo de apropriação cultural com sua opinião a respeito disso.

Proposta de redação 2018N24-D – Artigo de opinião (UFU, Unicamp, UEL, etc.)
Faça um artigo de opinião em que se compare a ideia de apropriação cultural no Brasil com a de outra país de sua escolha.

Proposta de redação 2018N24-E – Editorial (UFU, Unicamp, UEL, etc.)
Escreva um editorial sobre a relação entre apropriação cultural, meios de comunicação de massa e globalização.

Instruções UFU:
1. Após a escolha de uma das situações, assinale sua opção no alto da folha de resposta e, ao redigir seu texto, obedeça às normas do gênero selecionado.
2. Se for o caso, dê um título para sua redação. Esse título deverá deixar claro o aspecto da situação escolhida que você pretende abordar.
3. Se a estrutura do gênero selecionado exigir assinatura, escreva, no lugar da assinatura: JOSÉ OU JOSEFA. Em hipótese alguma escreva seu nome, pseudônimo, apelido, etc. na folha de prova.
4. Utilize trechos dos textos motivadores (da situação que você selecionou) e parafraseie-os.
5. Não copie trechos dos textos motivadores, ao fazer sua redação.
6. Mínimo de 25 e máximo de 30 linhas.
7. ATENÇÃO: se você não seguir as instruções da orientação geral e as relativas ao tema que escolheu, sua redação será penalizada.

Proposta de redação 2018N24-F - Dissertação (Enem)
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “o desafio do multiculturalismo e da apropriação cultural no Brasil”, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Instruções Enem:
1. O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.
2. O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em até 30 linhas.
3. A redação com até 7 (sete) linhas escritas será considerada “insuficiente” e receberá nota zero.
4. A redação que fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo receberá nota zero.
5. A redação que apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos receberá nota zero.
6. A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeito de correção.