quarta-feira, 30 de maio de 2018

Códigos e Linguagens - Intertextualidades, por Estéfani Martins (v.6)

Resultado de imagem para creative commons
O trabalho Opera10 de Estéfani Martins está licenciado com uma Licença 
Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual CC BY-NC-SA.
Baseado no trabalho disponível em www.opera10.com.br.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais às concedidas no âmbito desta licença em www.opera10.com.br.

“...escrever, pois, é sempre reescrever, não difere de citar. A citação, graças à confusão metonímica a que preside, é leitura e escrita, une o ato de leitura ao de escrita. Ler ou escrever é realizar um ato de citação.”
(Antoine Compagnon)

“Se todo texto é só uma série de citações anônimas, não susceptíveis de atribuições, por que então assinar um texto defendendo essa intertextualidade absoluta? Se o texto moderno, segundo Barthes, essa ‘citação sem aspas’, por que deveria ficar ligado a um nome, uma vez que esse nome não poderia, de modo algum, atestar ou indicar a origem?”
(Michel Schneider)

A intertextualidade, como a própria palavra já denuncia, é a relação estabelecida ou dialogicidade entre textos diferentes com o intuito de compor matéria “nova” a partir de conhecimento anterior, ou seja, texto novo a partir da íntegra ou de parte de outro pré-existente. Essa prática é inerente a qualquer produção linguística humana, visto que o homem produz linguagem a partir de referências, modelos e padrões que precedem a enunciação ou criação textual, os quais são em diversos sentidos formadores da experiência dos usuários de uma dada linguagem.
Dessa forma, é impossível afirmar que algum texto nasce alheio a referências constituintes e anteriores tanto na forma quanto no conteúdo, ou seja, não há de fato autonomia ou originalidade textual integral no tocante ao possível produção de um texto "inédito" em todas as suas peculiaridades linguísticas, estéticas e formais. Isso seria se não impossível, irrealizável, já que ele se tornaria incompreensível. Sobre essa questão, Juan Bordenave, bem define e amplia o debate quando afirma que “A intertextualidade tornou-se, hoje, um conceito operatório indispensável para a compreensão da literatura. Ele caracteriza o romance moderno como dialógico, isto é, como um tipo de texto em que as diversas vozes da sociedade estão presentes e se entrecruzam, relativizando o poder de uma única voz condutora. Mikhail Bakhtin compara a intertextualidade à língua, dizendo que esta ‘não é propriedade de algum indivíduo em particular, nem é, por outro lado, um objeto independente da existência dos indivíduos’. Exatamente no espaço dos intercâmbios, dos conflitos, das vozes que se propagam e se influenciam sem cessar situa-se a linguagem como processo social. A linguagem, em qualquer de suas manifestações, teria uma base relacional, interacional, ao processar-se entre os indivíduos de uma sociedade.”
Além disso, pode-se até dizer que a intertextualidade realiza-se também no exercício da leitura, porque parte das interações ou diálogos entre textos comunicados conscientemente ou não pelo autor de uma obra também podem ou não ser entendidas pelo leitor, visto que, para reconhecê-las, é fundamental o conhecimento do leitor sobre tais referências. Além disso, o leitor pode atribuir ao texto padrões de intertextualidade que mesmo o autor dele desconhece ou não percebe conscientemente, o que confere a qualquer forma de comunicação humana o título de obra sempre inacabada ou aberta, dependente do olhar temporal, espacial e circunstancial em relação ao outro e ao dinamismo entre o que se fala ou escreve e o que se ouve ou lê. Michel de Montaigne bem definiu essa relação no famoso aforismo: “A palavra é metade de quem a pronuncia e metade de quem a escuta.”
A intertextualidade está, portanto, presente tanto na produção como na recepção da vasta experiência cultural humana da qual somos ao mesmo tempo assunto, meio, emissor, receptor e analista. Tal multifacetado processo faz crer na onipresença dele próprio como formador de discursos e como auxiliar na interpretação deles, daí pode-se afirmar a existência de diálogos velados entre textos diferentes (intertextualidade implícita), os quais para serem percebidos exigem não só mais atenção quanto mais conhecimento dos interlocutores, tal como nos muitos momentos que indivíduos educados no Ocidente podem sem mesmo eles perceberem ser socráticos, cristãos, platônicos em suas próprias afirmações, indagações e formas de pensar. Por outro lado, há momentos que se quer declarar ou elucidar as intertextualidades que servem a inúmeras intenções (intertextualidade explícita), quando, por meio de citações, paráfrases, bricolagens, epígrafes, etc., são estabelecidos diálogos entre textos com o intuito de emprestar prestígio, autoridade, compreensão, erudição, etc., a uma enunciação de ideia, posicionamento,  narrativa, etc.
Eis a prática, por muitas vezes arte, de poemas serem precedidos de aforismos, de propagandas apropriarem-se de músicas famosas, de filmes dialogarem com outras películas, de obras de arte serem inspiradas em outras manifestações artísticas, de músicas serem feitas de outras, etc., ou seja, dos textos estabelecerem relações entre si, por serem construídos por uma rede de associações mútuas, constantes e inesgotáveis, daí emerge a clareza e a razoabilidade da afirmação da pensadora Julia Kristeva quando ela escreve que “...todo texto se constrói como mosaico de citações, todo texto é absorção e transformação de um outro texto.”

Texto 01.


Para ter acesso ao restante do material teórico, clique no link abaixo.

Redação-Códigos e Linguagens - Tipologias textuais, por Estéfani Martins (v.3)

Resultado de imagem para creative commons
O trabalho Opera10 de Estéfani Martins está licenciado com uma Licença 
Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual CC BY-NC-SA.
Baseado no trabalho disponível em www.opera10.com.br.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais às concedidas no âmbito desta licença em www.opera10.com.br.

“Os textos também podem ser classificados levando-se em consideração o caráter da interação entre autor e leitor, pois o autor se propõe a fazer algo, e quando essa intenção está materialmente presente no texto, através das marcas formais, o leitor se dispõe a escutar, momentaneamente, o autor, para depois aceitar, julgar, rejeitar. Sob esse ponto de vista da interação podemos também distinguir os discursos narrativos, descritivos, argumentativos.”
(Kleiman)

“Gerar um texto significa executar uma estratégia de que fazem parte as previsões dos movimentos dos outros.” (Umberto Eco)

As tipologias, sequências ou protótipos textuais são mecanismos de construção textual e discursiva, os quais são produtos de capacidades e necessidades humanas usadas na interação com o meio, com o próprio íntimo e com o outro. Além disso, são formas de apreender, interferir e apresentar a realidade. Assim, mesmo timidamente, elas podem ser vistas desde tempos primordiais nas simples ações cotidianas de contar uma história; instruir ou ordenar; dialogar; expor um determinado conhecimento; descrever um desejo ou uma nova experiência sensorial; ou ainda defender um posicionamento ou uma visão de mundo.
Quanto a questões técnicas, são sequências linguísticas com especificidades associadas às estruturas morfológicas mais comuns usadas no texto; a determinadas escolhas sintáticas; ao maior ou menor grau de subjetividade e conotação na linguagem empregada; a como são utilizados os verbos quanto ao modo, tempo e aspecto; ao uso das pessoas do discurso; etc.
Para essas formas elementares de expressão, foram dados os nomes de narração, injunção ou instrução, diálogo, exposição, descrição e argumentação, as quais, de certa forma, tentam exprimir a experiência humana com o texto e o discurso. Tais tipologias textuais organizam-se também em função da finalidade e das intenções pretendidas pelos seus usuários.
Pode-se também dizer sobre as tipologias que é muito difícil encontrá-las em um gênero textual sem que estejam em algum nível combinadas, pois é mais comum serem encontradas unidas na maioria dos gêneros textuais com os quais se toma contato no cotidiano da maioria das sociedades. Quanto a essa questão, é importante ressaltar que não há pureza na maioria dos textos produzidos pelo homem quanto à tipologia textual, mas, sim, predominância de uma em relação à outra.
Nesse sentido, alguns estudiosos definem essas relações como uma forma de nomear e hierarquizar a interação entre as tipologias textuais a partir de características substantivas ou predominantes e adjetivas, tais como traços, recursos e ferramentas. Essas inúmeras possibilidades de interação entre as diferentes tipologias podem classificar um texto entre os mais variados gêneros textuais, são exemplos: a fábula, o conto, a dissertação, a carta, o manifesto, a crônica, a notícia, o artigo, o editorial, o sermão, etc. A seguir, seguem discussões detalhadas sobre as tipologias ou os protótipos textuais:


Para ter acesso à íntegra deste texto teórico, clique no "link" abaixo.

domingo, 20 de maio de 2018

Atualidades 2018-11 - Temas, leituras e indicações - Propostas 2018N21 (humanização das cidades) e 2018N22 (sistema prisional)



Caras e caros,

Boa noite. Eis os temas da semana e os texto indicados. Aproveito para reforçar o convite para o encontro do Dialógico que ocorre no Alfaiataria no dia 26 de maio às 14:30. 
Boa semana de estudos a todos.


Atualidades e efemérides

Texto 2018-162

Texto 2018-163

Texto 2018-164

Texto 2018-165

Texto 2018-166

Para ter acesso à íntegra desta publicação, clique no "link" abaixo à esquerda.

Redação - Tema 2018N22 - Sistema prisional (UFU, Uniube, Enem, Fuvest, Vunesp, Unicamp e demais vestibulares.)


Tema de redação 2018N22

Texto 01.
“O direito de punir do estado emanou da vida comunitária. Pois para que a paz e o interesse da maioria fossem preservados criaram-se as regras comuns de convivência e a consequente punição ao agente infrator. Não obstante o conceito de pena nunca tenha gerado grandes discussões, sua finalidade foi uma preocupação constante na história do direito penal, provocando o estudo de juristas e filósofos em seu tempo. Em suma, em seu percurso histórico a pena sofreu um processo de evolução simultâneo às modificações das relações humanas e, constatando que a punição com a pretensão exclusiva de castigar o infrator e vingar o mal por ele praticado sempre culminou em crise modificou-se a tendência penal estritamente repressiva, dando azo às penas alternativas à prisão, um dos objetos deste estudo.
Na Antiguidade a pena impunha sacrifícios e castigos desumanos ao condenado e, via de regra, não guardava proporção entre a conduta delitiva e a punição, prevalecendo sempre o interesse do mais forte.
Com a Lei de Talião, registrada pelo Código de Hamurabi, em 1680 a.C., mesmo que de forma insuficiente, estabeleceu-se a proporcionalidade entre a conduta do infrator e a punição, consagrando a disciplina de dar vida por vida, olho por olho e dente por dente. Surgiu assim a equivalência entre a ofensa e o castigo penal, porém as penas continuavam avassaladoras, públicas e degradantes, prevalecendo a infâmia, as agressões corporais e a pena de morte.”

Texto 02.
“A origem do sistema penitenciário

Até o século XVIII, o Direito Penal era marcado por penas cruéis e desumanas, não havendo até então a privação de liberdade como forma de pena, mas sim como custódia, isto é, uma forma de garantir que o acusado não iria fugir e também um meio para a produção de provas, frequentemente usando métodos de tortura, considerada legítima. O acusado aguardava o julgamento e a pena subsequente, privado de sua liberdade, em cárcere. O encarceramento era um meio, não o fim da punição.
Foi apenas no século XVIII que a pena privativa de liberdade passou a fazer parte do rol de punições do Direito Penal. Com o gradual banimento das penas cruéis e desumanas, a pena de prisão passa a exercer um papel de punição de facto. Segundo o filósofo e historiador francês Michel Foucault (1926-1984), a mudança nas formas de punição acompanha transformações políticas do século XVIII, isto é, a queda do antigo regime e a ascensão da burguesia. A partir daí a punição deixa de ser um espetáculo público, por que isso passou a ser visto como um incentivo à violência, e adota-se a punição fechada, que segue regras rígidas. Portanto, ao invés de punir o corpo do condenado, pune-se a sua “alma”. Essa mudança, segundo o autor, é um modo de acabar com as punições imprevisíveis do soberano sobre o condenado, gerando proporcionalidade entre o crime e a punição.” (Bruno Morais Di Santis e Werner Engbruch)

Texto 03.
“Rebeliões em unidades prisionais de três Estados causaram ao menos 128 mortes nas três primeiras semanas de 2017. A sucessão e a gravidade dos casos tornaram mais evidente as falhas crônicas do sistema penitenciário, um diagnóstico antigo e que se repete a cada episódio mais violento registrado dentro das prisões brasileiras.

Epicentros da crise atual
Manaus (AM): 67 mortos, 59 ocorridas no Complexo Penitenciário Anísio Jobim e o restante na Unidade Prisional de Puraquequara e na cadeia de Raimundo Vidal Pessoa
Boa Vista (RR): 34 mortos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo
Natal (RN): 27 mortos na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na região metropolitana da capital

No Rio Grande do Norte, as mortes foram seguidas por ataques em ao menos 20 cidades do Estado, com incêndio de ônibus e de carros oficiais. Levantamento da “Folha de S.Paulo” também traz registros de mortes e rebeliões em unidades prisionais de Alagoas, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Entre 1992, quando ocorreu o massacre do Carandiru — o maior massacre registrado até hoje no país —, e 2016, ao menos sete episódios geraram grande repercussão e motivaram alguma resposta por parte dos governos estaduais e federal. A intervenção da Polícia Militar no Carandiru é a principal diferença quando se compara o episódio paulista com os casos seguintes. Mas desde 1992 a análise sobre os problemas do sistema prisional e sobre a atuação do poder público vem se repetindo.
Especialistas em segurança, organizações nacionais e internacionais já denunciavam a precariedade das penitenciárias, a superlotação, a demora do julgamento (o que causa um número excessivo de presos provisórios) e o avanço das facções criminosas dentro das unidades prisionais de todo o país.”

Texto 04.
“O total de pessoas encarceradas no Brasil chegou a 726.712 em junho de 2016, quase o dobro do número de vagas (368.049 no mesmo período). Em dezembro de 2014, eram 622.202 presos, o que representa crescimento de mais de 104 mil pessoas em 18 meses — mais de 5,7 mil por mês, em média.
Cerca de 40% dos presos hoje são provisórios, ou seja, ainda não têm condenação judicial. Mais da metade dessa população é de jovens de 18 a 29 anos e 64% são negros. Os dados são do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias divulgado nesta sexta-feira (8/12), em Brasília, pelo Departamento Penitenciário Nacional, do Ministério da Justiça.
O Brasil é terceiro país com maior número de pessoas presas, atrás dos Estados Unidos e da China, sendo seguido na quarta colocação pela Rússia. A taxa de presos para cada 100 mil habitantes subiu para 352,6 indivíduos em junho de 2016. Em 2014, era de 306,22 pessoas presas para cada 100 mil habitantes.”

Texto 04.

Proposta de redação 2018N22-A - Dissertação (USP, Unesp, Uniube, etc.)
Faça uma dissertação em que você defenda seu posicionamento sobre a ideia contida no aforismo abaixo:

“Os países e os séculos em que se puseram em prática os tormentos mais atrozes, são igualmente aqueles em que se praticaram os crimes mais horrendos.” (Michel Foucault, 1926-1984, filósofo francês.)

Instruções para a dissertação:
1. Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
2. A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
3. Dê um título a sua redação.

Para ter acesso ao restante das propostas, clique no "link" abaixo à esquerda.

Redação - Tema 2018N21 - Humanização das cidades (UFU, Uniube, Enem, Fuvest, Vunesp, Unicamp e demais vestibulares.)


Tema de redação 2018N21

Texto 01.
“Tivemos um grande desenvolvimento da tecnologia e das forças materiais e pouco desenvolvimento das relações humanas. A gestão das diferenças das pessoas não foi acompanhada no mesmo ritmo dos avanços das gestões das empresas e da economia. Hoje o mundo está preocupado com a questão da sustentabilidade, o respeito à biodiversidade, com diminuição da agressividade com que a gente cuida dos recursos naturais e, ao mesmo tempo, um padrão novo de relacionamento entre as pessoas, marcado pela dignidade de cada pessoa, tolerância, para que a gente não transfira para as gerações um avanço tecnológico e uma pobreza humanizadora.” (César Nunes, professor titular da Unicamp de Filosofia e Educação.)

Texto 02.
“Cidade é uma aglomeração humana multifacetada, povoada por uma multiplicidade de pessoas que se manifestam por meio de diferentes linguagens, formas e atividades. O arquiteto argentino Jorge Enrique Hardoy, em artigo publicado na revista Problemas del Desarollo (vol.9, nº 34, 1978), aponta que cada geração constrói cidades em função de seus níveis de conhecimento e possibilidades e como reflexo da estrutura da sociedade e seus valores. Portanto, o conceito de cidade é dinâmico e evolui com o tempo e o lugar, estando condicionado pelo ambiente, pela estrutura socioeconômica e pelo nível tecnológico da sociedade à qual pertence o observador.”

Texto 03.
“O que é uma cidade humanizada? Tanto tem se falado nisso, e é um conceito-chave para a qualidade de vida. Saúde e educação devem ser bons e essenciais serviços prestados à população, condições inafastáveis para uma boa qualidade de vida, bem como o transporte coletivo. Mas essas exigências podem até estar atendidas e ainda assim uma cidade ser fria e distante. Qualidade de vida precisa incluir lazer e boa convivência.
Uma cidade humanizada é uma cidade em que as pessoas ganham as ruas e espaços públicos em avalanche. Tem de melhorar a segurança, portanto. Não pode um homem ser morto na pracinha da comunidade, no Fátima, com quatro tiros às 3 horas da tarde de domingo, na quadra de futebol, em meio a muitos moradores do bairro, entre eles a mulher e os filhos pequenos. Isso simplesmente afugenta as pessoas da praça para suas casas. Desumaniza por completo.
Essa cidade mais humana ainda tem, obrigatoriamente, de tratar bem os pedestres, de oferecer boas calçadas e segurança a eles. E muito espaço, quanto mais melhor. Em uma cidade mais humana, as pessoas são atraídas aos espaços públicos, para as ruas, para as praças, para os parques, para pontos de encontro. Sentem-se à vontade neles, a qualquer hora. E essa efervescência acaba, aos poucos, por se constituir em uma cultura, em uma inclinação para os encontros.”

Texto 04.

Proposta de redação 2018N21-A - Dissertação (USP, Unesp, Uniube, etc.)
Escreva uma dissertação sobre a seguinte pergunta: a quem interessa a desumanização das cidades?

Instruções para a dissertação:
1. Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
2. A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
3. Dê um título a sua redação.



Para ter acesso ao restante das propostas, clique no "link" abaixo à esquerda.

domingo, 13 de maio de 2018

Atualidades 2018-10 - Temas, leituras e indicações - Propostas 2018N19 ("bullying") e 2018N20 (drogas)



Caras e caros,

Bom dia. Eis a coletânea desta semana, repleta de textos, temas e indicações com o intuito de sempre que é expandir o repertório cultural de vocês e ajudar na construção dos textos da semana. Além disso, hoje, dia da Abolição da Escravatura e dia das Mães, fundem-se duas datas muito importantes. 
A primeira serve como dia de reflexão, porque penso que há pouco o que comemorar, sobre as marcas profundas da escravidão neste que foi o último país da América a se livrar dessa barbárie que é escravizar o outro e ainda insiste em relativizá-la, romantizá-la e escondê-la, já que formas de trabalho análogas à escravidão ainda existem no Brasil. Enfim, ainda há muito a se fazer quando se constata a desigualdade profunda não apenas econômica como também na forma como muitos Meios de Comunicação de Massa e muitas escolas tratam perifericamente esse debate expandido sobre as culturas afro-brasileiras e indígenas, por isso pode-se dizer que pouco contribuem para a "descolonização do pensamento", como diria o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, e para o processo que um dia poderá fazer do Brasil um país expressivamente menos desigual.


A celebração do Dia das Mães alude via de regra àquelas que são fundamentais para qualquer sociedade pela primazia de gerar a vida, mas também pela pluralidade das suas competências que garantiram ao longo da História não apenas o alimento dos filhos, o amor incondicional, o perdão libertador, etc., entre outros clichês históricos que traduzem verdades sobre as mulheres, mas que escondem outras qualidades e possibilidades que a mulher, a mãe, a profissional, a intelectual, a esportista, a professora, a policial..... também oferecem a sociedade para muito além da tarefa imprescindível e fundamental de criar filhos sozinha ou com companheiro(a). Enfim, para as mães que seguem o Opera10 e para as mães de todos os meus alunos e dos visitantes deste site, meu mais sincero respeito e consideração e meu desejo que todos tenham um dia de alegria e celebração próximo daqueles que ama e admira, sobretudo, de suas mães. Para aqueles que não terão esse privilégio de confraternizar com suas mães em função da distância ou de já as ter perdido, meu abraço fraterno.

Aproveito também para informá-los sobre um projeto de que participo da criação e da organização e é um coletivo de professores, inspirado em iniciativas como Café filosófico e Pint of Science, que decidiram reunir-se para trocar ideias, aprender uns com os outros, dividir o que sabemos, etc., sem as barreiras impostas pelas disciplinas, pelos vestibulares e pela formalidade institucional. Enfim, debateremos mensalmente um tema pertinente e atual da forma mais radicalmente interdisciplinar possível de modo a confrontar, complementar e vislumbrar os limites de nossos conhecimentos com a participação do público interessado. O projeto chama-se Dialógico Debates Interdisciplinares. 
O primeiro tema que discutiremos refere-se aos desdobramentos na ciência, nas mídias, na forma de pensar e pesquisar, etc., que os eventos e acontecimentos da década de 1960, sobretudo do ano de 1968, suscitaram no mundo e no Brasil. Nesse debate, discutiremos sobre como essa década mudou sobretudo o pensamento científico produzido a partir de então. Nosso encontro será no dia 26 de maio de 2018, a partir das 14:30, no Bar Alfaiataria, a quem dedico meus agradecimentos pelo apoio de sempre a projetos como o Clube do Livro do Verso da Prosa e, agora, o Dialógico. Estão todos convidados para esse encontro e a entrada é franca. Neste primeiro debate interdisciplinar, serão debatedores os professores Daniel "Japa" Hiraici, Fernando Borella e Guto Rodrigues, o jornalista e locutor Leobaldo Prado e eu, Estéfani Martins, serei o mediador.


Sobre o Pint of Science, lembro que ele acontece em nossa cidade nesta semana de segunda a quarta conforme imagem abaixo na Cachaçaria Água Doce e no Bar Alfaiataria.

Resultado de imagem para pint of science uberlândia

Atualidades e efemérides

Texto 2018-147
Sobre o Dia das Mães, sobre simbolismos e sobre apropriação

Texto 2018-148 e 149
Reflexões relevantes sobre o Brasil, o racismo e a escravidão

Para ter acesso à íntegra desta publicação, clique no "link" abaixo à esquerda.

sábado, 12 de maio de 2018

Redação - Tema 2018N20 - Drogas (UFU, Uniube, Enem, Fuvest, Vunesp, Unicamp e demais vestibulares.)


Tema de redação 2018N20

Texto 01.
“Droga é toda e qualquer substância, natural ou sintética que, introduzida no organismo modifica suas funções. As drogas naturais são obtidas através de determinadas plantas, de animais e de alguns minerais. Exemplo a cafeína (do café), a nicotina (presente no tabaco), o ópio (na papoula) e o THC tetrahidrocanabiol (da maconha). As drogas sintéticas são fabricadas em laboratório, exigindo para isso técnicas especiais. O termo droga presta-se a várias interpretações, mas comumente suscita a ideia de uma substância proibida, de uso ilegal e nocivo ao indivíduo, modificando-lhe as funções, as sensações, o humor e o comportamento. As drogas estão classificadas em três categorias: as estimulantes, os depressores e os perturbadores das atividades mentais. O termo droga envolve os analgésicos, estimulantes, alucinógenos, tranquilizantes e barbitúricos, além do álcool e substâncias voláteis. As psicotrópicas são as drogas que tem tropismo e afetam o Sistema Nervoso Central, modificando as atividades psíquicas e o comportamento. Essas drogas podem ser absorvidas de várias formas: por injeção, por inalação, via oral, injeção intravenosa ou aplicadas via retal (supositório).”

Texto 02.
“Discute-se muito dos perigos das drogas ilícitas, mas os verdadeiros vilões para seu bem-estar estão à venda na padaria da esquina. De acordo com um novo estudo publicado nesta sexta (11) no periódico Addiction, o uso de álcool e tabaco custou à população mais de 250 milhões de anos de vida ajustados pela incapacidade no ano de 2015. As drogas ilícitas custaram mais de dez milhões.
O relatório, chamado de 'Estatísticas Globais sobre Álcool, Tabaco e Uso de Drogas Ilícitas: Relatório de Status de 2017', usou dados obtidos principalmente da OMS (Organização Mundial de Saúde), do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime e do Instituto de Medições e Avaliação da Saúde. Os autores observam que há limitações importantes aos dados, especialmente para drogas ilícitas, mas acreditam que colocar todas essas informações em um só lugar facilitará aos governos e agências internacionais o desenvolvimento de políticas para combater o uso de substâncias.”

Texto 03.
“Em menos de nove meses, o número de inscritos para ter acesso à maconha vendida nas farmácias do Uruguai disparou, causando escassez, filas de espera e um desafio logístico às autoridades do país que controlam, em um caso único no mundo, a produção, venda e distribuição da cannabis. Outra tendência detectada em período de tempo tão curto, entretanto, foi a paulatina aceitação por parte da população do consumo regulamentado que inicialmente gerou altos índices de desconfiança.
Um em cada cem uruguaios já faz parte do universo de pessoas registradas para ter acesso a alguma das três formas legais de consumo: como plantadores, membros de um clube canábico e compradores na farmácia. Mas sem dúvida a mudança mais espetacular ocorre no último caso, as farmácias, onde já se superou o número de 23.000 autorizados a adquirir os pacotes de até cinco gramas e duas variedades da droga. E o sistema está entrando em colapso, já que a produção não acompanha o ritmo da demanda.
A farmácia Camaño de Montevidéu precisou implementar um sistema de senhas que são distribuídas duas vezes por dia, às nove da manhã e às quatro da tarde. A partir daí são formadas grandes filas que chegam a quatro quarteirões e todas as reservas se esgotam.

Em 2012, quando o processo se iniciou, até 70% da população se declarava contrária à lei

Lino, o dono da farmácia, gostaria de atender mais gente, mas não recebe mercadoria suficiente, de modo que todos os dias precisa se justificar à clientela. Quando o processo de legalização se iniciou no Uruguai, uma das grandes preocupações era a insegurança, especialmente o temor de assaltos e represálias dos traficantes. Mas a realidade é que Lino só teve problemas com as benditas filas de pessoas: alguém que fura, brigas...

Atualmente, 44% é a favor e 41% contra, de acordo com a pesquisa do Monitor Cannabis

A facilidade com que o público se adaptou à novidade também quebrou os esquemas: “Ficamos espantados, temos aqui todos os dias pessoas de todos os tipos. Os jovens, mas também idosos, alguns compram para evitar que seus filhos tenham de ir às bocas de fumo. Tenho um senhor com esclerose múltipla que usa a maconha para aliviar as dores, outro que compra para fabricar óleo e outro que faz brownies”, diz Lino.”

Texto 04.
“O uso de drogas por crianças e adolescentes vem crescendo cada vez mais. Um estudo realizado no Brasil e publicado no Jornal da Tarde mostrou que 24,7% dos jovens entre 10 e 17 anos já experimentaram algum tipo de droga. Um número realmente alarmante!
Em muitos casos, usuários de drogas se envolvem em crimes tais como narcotráfico e homicídios, tornam-se vítimas de violência, além de estarem sujeitos a outros perigos, como DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e gravidez indesejável.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) apontou que as principais razões básicas que atraem os jovens às drogas são:

·         Sentirem-se adultos;
·         Serem populares;
·         Um dos motivos que fazem os jovens usarem drogas é serem populares entre os colegas
·         Para relaxarem e sentirem-se bem;
·         Desejo de correr riscos;
·         Por curiosidade.

É necessário que detalhes a respeito desse problema sejam expostos claramente, para os alunos se conscientizarem dos grandes malefícios do uso de drogas. Sobre isso, leia o texto “A função do educador no combate às drogas”.
Para conseguirem dizer não para as drogas, os jovens precisam saber dos malefícios de consumi-las
Uma substância é considerada como sendo droga quando ela provoca alguma mudança fisiológica ou comportamental.  O álcool e o tabaco são drogas lícitas porque seu uso é permitido por lei. Já as demais drogas, como o crack, são drogas ilícitas, seu uso não é legalizado. Porém, todo tipo de droga, lícita ou ilícita, é proibido para menores de 18 anos. A Lei n.º 8.069 (13 de julho de 1990) do Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe a venda, fornecimento ou entrega à criança ou ao adolescente de produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica.
Quando a substância afeta os sentimentos, as atitudes e os pensamentos da pessoa, dizemos que é uma droga psicotrópica, possuindo três propriedades:

1. A pessoa desenvolve tolerância e precisa de doses cada vez maiores;
2. A pessoa fica dependente e tem uma necessidade obsessiva de consumir a droga;
3. Quando a pessoa para de consumir a droga, ocorre uma síndrome de abstinência.

Assim, o álcool, o tabaco e o crack são drogas psicotrópicas.”

Proposta de redação 2018N20-A - Dissertação (USP, Unesp, Uniube, etc.)
Escreva uma dissertação sobre as principais razões que levaram e levam a humanidade a consumir tanto e tão variadas drogas ao longo de sua História.

Instruções para a dissertação:
1. Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
2. A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
3. Dê um título a sua redação.

Para ter acesso ao restante das propostas, clique no "link" abaixo à esquerda.

Redação - Tema 2018N19 - "Bullying" (UFU, Uniube, Enem, Fuvest, Vunesp, Unicamp e demais vestibulares.)


Tema de redação 2018N19

Texto 01.
“Bullying é um termo da língua inglesa (bully = “valentão”) que se refere a todas as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e angústia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade ou capacidade de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação desigual de forças ou poder.
O bullying se divide em duas categorias: a) bullying direto, que é a forma mais comum entre os agressores masculinos e b) bullying indireto, sendo essa a forma mais comum entre mulheres e crianças, tendo como característica o isolamento social da vítima. Em geral, a vítima teme o(a) agressor(a) em razão das ameaças ou mesmo a concretização da violência, física ou sexual, ou a perda dos meios de subsistência.
O bullying é um problema mundial, podendo ocorrer em praticamente qualquer contexto no qual as pessoas interajam, tais como escola, faculdade/universidade, família, mas pode ocorrer também no local de trabalho e entre vizinhos. Há uma tendência de as escolas não admitirem a ocorrência do bullying entre seus alunos; ou desconhecem o problema ou se negam a enfrentá-lo. Esse tipo de agressão geralmente ocorre em áreas onde a presença ou supervisão de pessoas adultas é mínima ou inexistente. Estão inclusos no bullying os apelidos pejorativos criados para humilhar os colegas.”

Texto 02.

Texto 03.
“Quando entrou em um colégio novo, na zona oeste do Rio, os problemas começaram para Laura, de 13 anos. “Ela é popular. Faz amizade fácil e é bonita. Aquilo provocou a ira de um grupo de colegas”, lembra Rita, de 46 anos, mãe da jovem. Para conter as brigas na escola particular, a menina foi trocada de turno, mas a família jamais imaginaria que, mesmo distante dos antigos colegas, as agressões continuariam em outro espaço: o virtual.
“Achei que haveria um basta. Mas foi pior. Pegaram a foto dela e botaram nas redes sociais. Fizeram o horror”, conta a mãe. “Se ela abria o live (vídeo ao vivo na internet), sempre entrava um e xingava.” Laura foi ofendida com palavras como “rata” e “demônio” nas redes sociais.“

Proposta de redação 2018N19-A - Dissertação (USP, Unesp, Uniube, etc.)
Escreva uma dissertação sobre a relação entre a cultura e as vivências familiares e os estudantes que praticam “bullying” ou “cyberbullying” nas escolas brasileiras.

Instruções para a dissertação:
1. Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
2. A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
3. Dê um título a sua redação.


Para ter acesso ao restante das propostas, clique no "link" abaixo à esquerda.

domingo, 6 de maio de 2018

Atualidades 2018-9 - Temas, leituras e indicações - Propostas 2018N17 (mudanças climáticas) e 2018N18 (terrorismo)



Caras e caros,


Bom dia. Esta é mais uma lista com referências para que possam ampliar seus repertórios culturais e também para que possam escrever de forma mais sólida a respeito dos temas de redação da semana. 
Aproveito para indicar, para quem estiver em São Paulo em maio e em outras localidades pelas quais a turnê do grupo Barca dos Corações Partidos, sobretudo, com a peça "Suassuna - O auto do Reino do Sol". São artistas absolutamente fantásticos e multitalentosos. Fui ontem no Teatro Municipal de Uberlândia e vivi uma das experiências artísticas mais espetaculares e grandiosas que já tive o privilégio de presenciar. Todos merecem ver a grandeza desse grupo que lembra e confirma com o seu talento que a arte é sempre um farol para a humanidade. Em especial, em tempos tão sombrios e confusos, espetáculos como o de ontem, são realmente um sopro de esperança para que possamos acreditar um pouco mais na humanidade. Há informações sobre o grupo e o espetáculo no Facebook de ambos.
Boa semana a todos. 

Atualidades e efemérides

Texto 2018-133
50 anos da morte de Martin Luther King.

Texto 2018-134
Em 2017, 50 anos da Tropicália.

Texto 2018-135
Sobre as questões de gênero associadas aos padrões de masculinidade na sociedade atual.

Para ter acesso à íntegra desta publicação, clique no "link" abaixo à esquerda.

Redação - Tema 2018N18 - Terrorismo (UFU, Uniube, Enem, Fuvest, Vunesp, Unicamp e demais vestibulares.)


Tema de redação 2018N18

Texto 01.
“A palavra terrorismo apareceu pela primeira vez no escrito ‘Letters on a Regicide Peace’ (‘Cartas sobre uma paz regicida’), do filósofo irlandês Edmund Burke. Nesse escrito, Burke critica o período da Revolução Francesa conhecido como “Terror”, ou seja, o período em que os jacobinos estiveram no poder – de 1792 a 1794. Burke classifica como “terroristas” as perseguições e sentenças de morte na guilhotina levadas a cabo pelos jacobinos nessa fase.
Entretanto, com o tempo, o termo “terrorismo” passou a se disseminar por outros países e a ser empregado em outras situações, como a guerrilha, ou guerra irregular.
A guerrilha teve origem, tal como a conhecemos hoje, na Espanha (era chamada de guerrilla), no início do século XIX, quando a Península Ibérica foi invadida pelas tropas napoleônicas. A resistência espanhola a Napoleão fez-se de forma não sistemática, isto é, sem recursos e estratégias militares convencionais. Ao contrário, foi feita de modo irregular, incluindo emboscadas, ataques com armas improvisadas, sabotagens, sequestros etc.
Esse tipo de tática seria bastante utilizado, depois, em vários outros países por grupos de diversas orientações ideológicas, desde comunistas e anarquistas até nacionalistas e separatistas. Porém, a diferença é que esses grupos passaram a incluir em suas ações atentados a vítimas inocentes, isto é, fora do campo da guerra irregular.”

Texto 02.
“A tarefa de fixar uma data precisa para o advento de ações terroristas na História pode ser muito suscetível de equívoco ou dissenso. De modo geral, existe uma compreensão de que o terrorismo é a prática de ações que visam causar grande pavor e medo em coletividades, empregando meios violentos que geram pânico em alvos difundidos para obtenção de coercitividade. Assim, as ações terroristas podem ser produzidas tanto pelos grupos que se encontram ou se sentem oprimidos como também podem ser de autoria de grupos dominantes. Estes últimos podem se utilizar do poder coercitivo do Estado empregando seus aparelhos de controle e repressão, em especial sua força armada como instrumento de ameaça.
Seja ele criado por um indivíduo, grupo ou o Estado, a característica mais assustadora do terrorismo é a quantidade expressiva de vítimas indefesas que geralmente são atingidas de forma violenta e indiscriminadamente. Seja visto que o terrorista muitas vezes não tem um alvo específico e assim pode atacar homens, mulheres, idosos e crianças.
As ações terroristas podem ser encontradas em momentos bem remotos da História, alguns historiadores apontam atos terroristas já no séc. I a.C. Enquanto outros optam por uma delimitação do terrorismo como fenômeno moderno que surgiu a partir da Revolução Francesa, no período chamado de ‘terror’ (1793-1794). De fato, o termo terrorismo passou a ter uma utilização mais recorrente na história a partir do período mais radical da Revolução Francesa, quando o revolucionário Robespierre dirigiu a França com a aplicação de medidas mais severas aos dissidentes. Com isso, a guilhotina esteve constantemente sendo empregada para ceifar cabeças e aterrorizar o povo francês.”

Texto 03.
“Os atentados de 11 de setembro de 2001, em Nova Iorque (EUA), fizeram com que o mundo se atentasse para a problemática do terrorismo. Não que tal data tenha sido o ponto de partida para a ocorrência de atentados. Depois desse dia, na verdade, ‘foram expostas as fraquezas e os vazios jurídicos da inteligência e segurança que as principais potências [mundiais] tinham sobre o tema, como a falta de um conceito universal do terrorismo [...]” bem “como as instituições de segurança coletiva, assim como os Estados, não conseguiram acompanhar o ritmo com as mudanças na natureza das ameaças’.
Ora, a falta de consenso acerca do terrorismo cria entendimentos duvidosos e ambíguos, ocasionando uma lacuna no arcabouço normativo sobre o tema e favorecendo um vazio jurídico, beneficiando os terroristas, pois o espaço está livre ‘para manobras legais de grupos e organizações que empregam métodos de terror’. A Organização das Nações Unidas (ONU) diversas vezes tentou estabelecer uma normatização do terrorismo no ambiente internacional. No entanto, geralmente as convenções estabelecidas preveniram e sancionaram atos terroristas, mas não o terrorismo em si. A importância de definir o terrorismo ultrapassa certa vaidade estética. A definição do fenômeno proporciona um entendimento seguro e, portanto, mune os Estados a traçar estratégias para combater o terror. Sem parâmetros bem definidos, não há ação para combater o fenômeno.
Letícia dos S. Colombo no seu artigo ‘Terrorismo: Lacunas Conceituais no Sistema Internacional’ afirma que a falta de consenso conceitual no âmbito das relações internacionais se dá pela agenda de interesses estatais, pelas organizações internacionais sem capacidade de impor normas e devido à complexidade da evolução histórica do terrorismo. Muitos Estados não fecharam acordo numa tentativa de definição do terrorismo por não quererem nomear certos grupos como terroristas, pois simpatizavam com suas causas.”

Texto 04.
“O terrorismo é um fenômeno global de grande impacto na paz e na segurança internacionais, além de influenciar as relações entre os Estados e as comunidades. De acordo com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, no ano de 2012 houve cerca de 7.000 mil ataques terroristas, mais de 11.000 mil mortes e mais de 21.000 mil feridos por esses ataques. Mas ao contrário do que se imagina, não são os países desenvolvidos, como os Estados Unidos, os que mais sofrem com os atentados. Afeganistão, Iraque, Paquistão, Nigéria e Rússia são os países mais afetados do mundo. Juntos, os cinco países somam 8.961 mil mortes por atentados só no ano de 2012 (BAKKER, 2013).
Após o atentado de 11 de setembro de 2001, a importância dada ao tema cresceu exponencialmente. Apesar dos atentados estarem concentrados nos cinco países citados, o tema terrorismo figura no topo da agenda internacional de muitos Estados e organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Vem crescendo o debate em torno do que é o terrorismo e o que caracteriza um ato terrorista. Porém, isso não é sinônimo de que o mundo esteja caminhando para um consenso sobre estes pontos.
A definição do termo terrorismo está relacionada com a história, a cultura e as políticas das nações e organizações internacionais, o que torna o trabalho de alcançar um consenso quase impossível.”

Proposta de redação 2018N18-A - Dissertação (USP, Unesp, Uniube, etc.)
Escreva uma dissertação sobre as relações entre terrorismo e disputa por poder político, recursos naturais e hegemonia religiosa e cultural no século XXI.

Instruções para a dissertação:
1. Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
2. A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
3. Dê um título a sua redação.

Para ter acesso ao restante das propostas, clique no "link" abaixo à esquerda.