segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Redação - simulado - Proposta UFU2017S1

ORIENTAÇÃO GERAL

Leia com atenção todas as instruções.

A) Você encontrará três situações para fazer sua redação. Leia as situações propostas até o fim e escolha a proposta com a qual que você tenha maior afinidade.
B) Após a escolha de um dos gêneros, assinale sua opção no alto da Folha de Resposta e, ao redigir seu texto, obedeça às normas do gênero.
C) Se for o caso, dê um título para sua redação. Esse título deverá deixar claro o aspecto da situação escolhida que você pretende abordar. Escreva o título no lugar apropriado na folha de prova.
D) Se a estrutura do gênero selecionado exigir assinatura, escreva, no lugar da assinatura: JOSÉ ou JOSEFA.
E) Em hipótese alguma escreva seu nome, pseudônimo, apelido, etc. na folha de prova.
F) Utilize trechos dos textos motivadores, parafraseando-os.
G) Não copie trechos dos textos motivadores, ao fazer sua redação.

ATENÇÃO: se você não seguir as instruções da orientação geral e as relativas ao tema que escolheu, sua redação será penalizada.

Proposta UFU2017S1-A

“O YouTube completa 10 anos de existência neste sábado (14). O primeiro vídeo publicado no site,  que foi comprado pelo Google em 2006, só apareceu em 23 de abril de 2005. Precisamente às 8h27 pm (horário local),“Me at the zoo” ia ao ar para entrar para a história do maior site de vídeos da internet da última década. Atualmente, os internautas publicam cerca de 300 horas de vídeos por minuto no YouTube.
O vídeo foi gravado no San Diego Zoo, por Yakov Lapitsky, e mostra um jovem falando sobre elefantes, simplesmente ressaltando o evidente fato de que suas trombas são muito, muito grandes. Curiosidade: a resolução máxima do vídeo era de 240p. Recentemente, o YouTube abandonou o Adobe Flash e adotou o HMTL5.”

Com base no texto e em suas vivências como internauta, redija um artigo de opinião sobre o impacto da Youtube e serviços similares na relação da humanidade com a produção, o compartilhamento e a popularidade de vídeos das mais variadas origens.

Proposta UFU2017S1-B

Estudo sobre romances brasileiros aponta pequena presença de personagens negros
Pesquisa de Regina Dalcastagnè, da UnB, mostra persistência de estereótipos raciais
Por Leonardo Lichote
18/04/2015 6:00

RIO - Expostos na recém-concluída pesquisa “Personagens do romance brasileiro contemporâneo”, realizada na Universidade de Brasília (UnB), sob coordenação da professora Regina Dalcastagnè, os números impressionam. O trabalho, um levantamento de todos os romances publicados por algumas das principais editoras brasileiras (Companhia das Letras, Record, Rocco e Objetiva/Alfaguara), aponta que 96% dos autores e 79% dos personagens são brancos.
— A sociedade brasileira é racista. É o racismo que distorce nossas relações, que dificulta a presença, a visibilidade e a valorização dos negros em todas as instâncias de representação — avalia Dalcastagnè. — E a literatura pode reforçar, e mesmo legitimar, o discurso racista, replicando sua ideologia, vinculando as múltiplas experiências dos negros exclusivamente à violência e à criminalidade.
Mais que a ausência dos negros no romance brasileiro, portanto, a professora chama a atenção para a forma como eles aparecem nas obras (foram analisados 549 livros, de 304 autores diferentes). Há a repetição de papéis estereotipados, o pouco destaque (“são muito mais coadjuvantes que protagonistas”) e a raríssima ocorrência de negros narradores (as personagens não têm, assim, “a possibilidade de dizer sobre o mundo que as cerca”, explica Dalcastagnè).
— O problema não é termos personagens negras que são bandidos, drogados etc., o problema é que essas sejam praticamente as únicas possibilidades de existência dentro de um conjunto imenso de representações literárias. É nesse conjunto que os negros, e ainda mais as mulheres negras, são invisibilizados ou estereotipados — ressalta. — O que nossas pesquisas vêm constatando é que falta à literatura brasileira contemporânea, como os números do levantamento sobre os romances indicam de maneira eloquente, incorporar as vivências, os dramas, as opressões, mas também as fantasias, as esperanças e as utopias dos grupos sociais marginalizados, sejam eles definidos por classe, por sexo, por raça e cor, por orientação sexual ou por qualquer outro critério.

PROBLEMA DE REPRESENTAÇÃO
A presença limitada de personagens negros na literatura brasileira acaba gerando um problema de representação — retirando dela as nuances e reforçando os estereótipos.
— Como são tão poucas, elas acabam se tornando, quando aparecem, não apenas indivíduos possíveis, mas representantes de um grupo inteiro — nota a professora. — Isso não acontece com as personagens brancas, especialmente as masculinas, que são tantas e tão variadas que se constituem sempre, cada uma delas, como “únicas”. O branco criminoso ou viciado está ao lado do branco médico, do branco escritor, do branco comerciante. Já as personagens negras não têm essa variedade, sendo fixadas em poucas ocupações: são os traficantes, as empregadas domésticas e prostitutas. Essa é a estereotipagem (que se revela em outros dados, como o que mostra quatro vezes mais ocorrência de dependência química entre personagens negros, em comparação aos brancos).
Questões de raça e gênero se cruzam no levantamento, como Dalcastagnè deixa transparecer em sua fala sobre as mulheres negras. A pesquisa — cuja primeira fase cobriu entre 1990 e 2004, e já havia sido apresentada — mostra que 71% dos escritores e 60% dos personagens são homens. Economicamente, 80% pertencem às camadas privilegiadas.
— Nossa literatura, de um modo geral, é produzida por e destinada à classe média. E a classe média brasileira, que é branca e embranquecida, não olha para os negros, não se interessa por eles, não os imagina, não cede espaço para eles, não fala deles, a menos que eles estejam apontando uma arma para suas cabeças, ou ameaçando suas vagas nos bancos universitários, com a adoção de cotas.

CONCEIÇÃO EVARISTO E ANA MARIA GONÇALVES SE DESTACAM
Num cenário no qual a representação do negro é reduzida a padrões carentes de complexidade, Dalcastagnè destaca dois romances por suas “diferentes opções de enfrentar a ausência da personagem negra em nossa literatura”: “Um defeito de cor” (Record), de Ana Maria Gonçalves, e “Becos da memória” (Pallas/Mulheres), de Conceição Evaristo:
— O primeiro está no corpus da minha pesquisa. O segundo não — esclarece, por e-mail. — O fardo carregado pelas personagens negras a que me referia antes é, sem dúvida, compartilhado pelos/as seus autores/as, muitos/as deles/as negros/as também. Afinal, há sempre uma tensão presente nesse processo, um conjunto de escolhas e decisões que não abala, pelo menos não necessariamente, o autor de personagens brancas. Para começar, ele/a precisa se contrapor a representações já fixadas na tradição literária e, ao mesmo tempo, reafirmar a legitimidade de sua própria construção. Assim, tem de fazer uma série de opções que, além de estéticas, são também políticas. Ana Maria Gonçalves optou por construir uma heroína épica, uma escrava que consegue sua própria liberdade e volta à África, depois de ter acompanhando a luta de seu povo pela liberdade. Já Conceição Evaristo, que também fala de escravidão, vai diluir a história dessa luta em mais de uma dezena de personagens, dando o protagonismo do romance às experiências dos negros e negras de uma favela.


Com base nas informações do texto e nos seus conhecimentos sobre o tema, redija uma carta pessoal para um amigo estrangeiro e negro de forma a informá-lo sobre o racismo no Brasil e sobre os cuidados que ele deve ter ao lidar com essa questão cultural brasileira enquanto ele estiver em território brasileiro.

Proposta UFU2017S1-C

Família: Sociedade coloca conceito do fenômeno em disputa
Andréia Martins
Da Novelo Comunicação 03/02/2015 - 15h22
Qual é a definição correta de família? Existe um conceito correto? As definições antigas dão conta da diversidade que a sociedade contemporânea vivencia em suas relações?

Para muitos essa é uma questão polêmica. No Brasil, o tema ganhou destaque após o site da Câmara dos Deputados colocar no ar uma enquete que questiona se você é a favor ou contra o conceito de família como núcleo formado “a partir da união entre homem e mulher”, prevista no projeto de Lei 6583/13, do deputado Anderson Ferreira (PR-PE), que cria o Estatuto da Família.
O deputado argumenta que “a família vem sofrendo com as rápidas mudanças ocorridas em sociedade” e, no texto do projeto, apresenta diretrizes de políticas públicas voltadas para a entidade familiar e obriga o poder público a garantir as condições mínimas para a “sobrevivência” desse núcleo. A proposta dele define família como o núcleo formado a partir da união entre homem e mulher, por meio de casamento, união estável ou comunidade formada pelos pais e seus descendentes.
A família é um fenômeno social presente em todas as sociedades e um dos primeiros ambientes de socialização do indivíduo, atuando como mediadora principal dos padrões, modelos e influências culturais; se define em um conjunto de normas, práticas e valores que têm seu lugar, seu tempo e uma história.
Muitos fatores contribuem para dar forma ao que reconhecemos como família: as normas e ações impostas pelo Estado (quando ele beneficia determinado tipo de família em questões legais, previdenciárias, acaba legitimando este tipo e desestimulando outros) , as relações trabalhistas (quando as oportunidades no mundo do trabalho moldam as escolhas feitas pelos indivíduos na vida pessoal), o âmbito da sexualidade e afetos, as representações dos papéis sociais de mulheres e homens, da infância e das relações entre adultos e crianças, a delimitação do que é pessoal e privado por práticas cotidianas, e as leis. Tudo isso interfere na vida doméstica e molda os papéis de homens e mulheres dentro e fora de casa.
No Brasil, o conceito de família teve diferentes abordagens. Na Constituição Federal de 1967, anterior ao regime democrático, o artigo 167 descrevia que “a família é constituída pelo casamento". Com a promulgação da Constituição Federal de 1988 o conceito de família foi ampliado e passou a ser entendido como “a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes”.
Pelo Novo Código Civil Brasileiro, instituído em 2003, a família deixou de ser aquela constituída unicamente através do casamento formal, ou seja, composta de marido, mulher e filhos. No Código de 1916, em vigência anteriormente, o casamento definia a família legitima e legitimava os filhos comuns.
O novo código reconhece que a família abrange as unidades familiares formadas pelo casamento civil ou religioso, união estável ou comunidade formada por qualquer dos pais ou descendentes, ou mãe solteira. O conceito de família passou a ser baseado mais no afeto do que apenas em relações de sangue, parentesco ou casamento.
Já o IBGE, para realizar o Censo em 2010, definiu como família o grupo de pessoas ligadas por laços de parentesco que vivem numa unidade doméstica. Essa unidade doméstica pode ser de três tipos: unipessoal (quando é composta por uma pessoa apenas), de duas pessoas ou mais com parentesco ou de duas pessoas ou mais sem parentesco entre elas.
O levantamento fez um retrato da família brasileira: na maioria das unidades domésticas (87,2%) as famílias são formadas por duas ou mais pessoas com laços de parentesco. As pessoas que vivem sozinhas representam 12,1% do total e as pessoas sem parentesco são 0,7%. Na comparação entre 2000 e 2010, houve um crescimento na proporção pessoas morando sozinhas (antes de 9,2%) e de famílias tendo a mulher como responsável (de 22,2% para 37,3%), fato que ocorre, principalmente, pela emancipação e ingresso da mulher no mercado de trabalho.
Especialistas e intelectuais afirmam que não há um conceito único de família e que ele permanece aberto, em construção, e deve acompanhar as mudanças de comportamento, religiosas, econômicas e socioculturais da sociedade. Alas mais conservadoras da sociedade e de diferentes religiões não compartilham dessa visão e mantém o entendimento de que o fator gerador da família é o casamento entre homem e mulher, os filhos gerados dessa união e seus demais parentes.
Mas, com o passar do tempo, novas combinações e formas de interação entre os indivíduos passaram a constituir diferentes tipos de famílias contemporâneas: a nuclear tradicional (um casal de homem e mulher com um ou dois filhos, sendo a relação matrimonial ou não); matrimonial; informal (fruto da união estável); homoafetiva; adotiva; anaparental (sem a presença de um ascendente); monoparental (quando apenas um dos pais se responsabiliza pela criação dos filhos); mosaico ou pluriparental (o casal ou um dos dois têm filhos provenientes de um casamento ou relação anterior); extensa ou ampliada (tem parentes próximos com os quais o casal e/ou filhos convivem e mantém vínculo forte); poliafetiva (na qual três ou mais pessoas relacionam-se de maneira simultânea); paralela ou simultânea (concomitância de duas entidades familiares), eudomonista (aquela que busca a felicidade individual), entre outras.
O principal desafio é reconhecer a legitimidade desses novos tipos de famílias, que precisam dessa oficialização para ter seus direito jurídicos, previdenciários, entre outros, garantidos. Quando o Estado e a sociedade não reconhecem essas famílias como legítimas (por diferentes motivos), devido ao conflito entre os valores antigos e o estabelecimento de novas relações, acabam estimulando alguns modos de vida e desestimulando outros. No entanto, isso acaba oferecendo proteção e vantagens para uns em detrimento de outros.
“A ideia de que a família corresponde ao casamento, heterossexualidade e procriação determinou por muito tempo a fronteira da legitimidade das famílias”, comenta a autora Flávia Biroli no livro Família – Novos Conceitos, ao falar da noção moderna de família.
Segundo ela, a ruptura, ainda que parcial dessa idealização do conceito de família é resultado da ação de movimentos sociais, feministas e LGBT, e de juristas e políticos que entenderam que os direitos individuais incluem o direito de casar-se e o serem beneficiados com as vantagens relacionadas ao casamento nas nossas sociedades.
Além da diversidade de tipos de família na nossa sociedade, ainda precisamos compreender a realidade de outros países e culturas (principalmente as não ocidentais), onde muitas vezes um comportamento que é proibido em nosso território, é permitido. Entre esses comportamentos estão a exogamia (união de membros de grupos diferentes, como japonês com alemã, italiano com africana, etc), a endogamia (união entre parentes ou pessoas com a mesma ascendência), a bigamia, o incesto, a poligamia, entre outros.
Se voltássemos a Idade Média, veríamos que não eram incomuns casos de reis e rainhas europeus que se casando com primos e irmãos para manter unidos seus reinos e fortunas. No caso da poligamia, um casamento que engloba dois ou mais parceiros, trata-se de uma prática que vem de culturas e religiões antigas, em muitos casos, iniciada pelo fato de existirem mais mulheres do que homens.
Na África, por exemplo, a poligamia para os homens é permitida e reconhecida legalmente em muitos países, como Líbia, Marrocos, Quênia, entre outros. Na África do Sul a poligamia é um direito que está na Constituição. Qualquer homem sul-africano pode ser casado com até quatro mulheres. Todas recebem o sobrenome do marido e têm os mesmos direitos perante a lei.
No caso da poligamia para mulheres (chamada poliandria), por muitos séculos ela foi praticada no isolado Vale Lahaul, no Himalaia, na Índia. Ali, era muito comum o casamento de irmãos com a mesma mulher, por exemplo. Essas famílias eram pequenas, como o trabalho não era distante não havia muito contato com outras aldeias. Hoje, com o desenvolvimento do local, o crescimento econômico e os avanços tecnológicos, o vale antes isolado ganhou estradas, telefones, e a população pode se deslocar, trabalhar longe e almejar outra vida. As famílias poliândricas começam a desaparecer.
O mais importante nesta questão é que a diversidade da vida afetiva e familiar seja abordada de maneira que seu contexto e papel sejam compreendidos antes de serem julgados e que garanta a igualdade dos indivíduos – no acesso a recursos e ao reconhecimento social, e também na sua autonomia para tomar decisões sobre a própria vida.


Redija um resumo do texto acima.