domingo, 30 de outubro de 2016

Redação - Redações de referência 2016-1 - Liberdade religiosa


Redações de referência 2016-1
Gênero textual - dissertação argumentativa
Proposta de redação - Liberdade religiosa
Nota importante: a redação abaixo foi feita durante uma aula diretamente no quadro com o objetivo de discutir com os meus alunos inúmeras questões relevantes sobre o momento da escrita e também para apresentar a eles uma estrutura mínima e básica exigida pelo Enem. Posteriormente, fiz pontuais alterações a fim de reforçar alguns pontos importantes da estrutura textual dissertativa.
Situação escolhida - 2016E-13A - Dissertação (Enem)

A liberdade religiosa no Brasil deixou nas primeiras décadas do século XXI de ser ponto pretensamente pacífico para se tornar um dos debates mais relevantes e imprescindíveis da atualidade. Por isso, defender o direito constitucional à livre escolha de uma religião é uma necessidade e um dever de todo cidadão, porque é antiético tentar impor ao coletivo decisões de caráter absolutamente individual e intransferível como essa.
Para tanto, garantir a plenitude da laicidade estatal no Brasil é condição cultural e política para a existência de uma sociedade plurirreligiosa. Isso é importante não apenas a fim de garantir o que está previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Constituição de 1988, mas também como um meio de defender a diversidade cultural que é característica fundadora da cultura brasileira. O contrário disso é a teocracia e a intolerância que em lugares governados por grupos como o Estado Islâmico significa perseguição do diferente, censura ao contraditório e retrocesso para a humanidade.
Outro ponto relevante desse debate é o preconceito e a perseguição contra crenças de matriz africana no Brasil, os quais são impulsionados por diversos resquícios ideológicos e moralistas do período escravocrata brasileiro responsáveis por construir um senso comum equivocado ainda em vigor. Essa situação persiste, porque muitos indivíduos, mesmo de forma anacrônica, continuam a crer que pessoas são inferiores em função da cor escura de sua pele. No campo religioso, isso também é evidente, porque as múltiplas acusações absurdas e falsas contra essas religiões baseiam-se na ignorância em relação a elas, que são fundamentais para a formação da cultura brasileira também em outros contextos como o musical ou gastronômico.
Logo, é imprescindível a existência de mobilizações populares, articuladas por Organizações não Governamentais (ONGs), a fim de pressionar a classe política não apenas para manter, mas, sobretudo, para expandir a laicidade do Estado brasileiro. Também é muito importante que o ódio religioso seja criminalizado, especialmente quando manifestado em cultos em que se desqualifica o credo alheio. Tal medida deve ficar sob responsabilidade do governo federal em função do seu dever de fazer cumprir o direito à liberdade de crença que está garantido na Carta Magna do País.

Abraços, 

Professor Estéfani Martins