segunda-feira, 11 de julho de 2016

Códigos e Linguagens - Vícios de linguagem (atualização 2)

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A palavra
Já não quero dicionários
consultados em vão.
Quero só a palavra
que nunca estará neles
nem se pode inventar.
Que resumiria o mundo
E o substituiria.
Mais o sol do que o sol,
dentro da qual vivêssemos
todos em comunhão,
mudos
saboreando-a.
(Carlos Drummond de Andrade)

Vícios de linguagem são inadequações linguísticas segundo a norma padrão da Língua Portuguesa, as normas de coerência e coesão textual vigentes e a acepção mais comum do dicionário para um vocábulo. Isso ocorre devido a vários fatores como a ignorância, o descuido ou o descaso por parte do locutor da mensagem em relação ao que comunica e à linguagem utilizada. Por outro lado, pode ser obra da intenção, a fim de produzir desde um efeito cômico para a enunciação até o erro calculado e consciente em função de algum objetivo do locutor.
Por isso, é importante e oportuno informar que os vícios de linguagem podem ser usados como recursos expressivos com o intuito de denunciar preconceitos, descrever falares, produzir musicalidade no texto, etc., como é o caso de muitos poemas do Modernismo brasileiro, de diversas músicas caipiras, de anedotas ou de piadas, entre outros exemplos. 
Segue abaixo uma lista dos vícios de linguagem mais comumente encontrados no discurso dos mais diversos usuários da Língua Portuguesa no Brasil.

1. Ambiguidade ou anfibiologia
Instala-se em uma sentença quando ela apresenta uma múltipla ou incerta interpretação em função - normalmente - de algum equívoco de caráter sintático ou semântico cometido pelo autor. Importante salientar que pode ocorrer intencionalmente como é o caso de piadas ou trocadilhos centrados em ambiguidades. Exemplos:


1.1. Uso indevido de pronomes possessivos
  • A mãe discutiu com o filho, e estragou sua noite. (ambiguidade)
  • A mãe discutiu com o filho, e estragou a noite dele.
  • A mãe discutiu com o filho, e estragou a noite dela.
1.2. Ambiguidade sintática
  • Os professores indignados promoveram uma manifestação pacífica contra a corrupção no setor da educação pública. (ambiguidade)
  • Indignados, os professores promoveram uma manifestação pacífica contra a corrupção no setor da educação pública.
  • Os professores promoveram indignados uma manifestação pacífica contra a corrupção no setor da educação pública.
  • Os indignados professores promoveram uma manifestação pacífica contra a corrupção no setor da educação pública.
1.3. Ambiguidade lexical
  • Outro dia, encontrei o cachorro do irmão da minha namorada. (ambiguidade - o termo "cachorro" pode referir-se tanto a um animal quanto a uma forma pejorativa de referência ao rapaz em questão)
1.4. Uso indevido de formas nominais
  • O policial prendeu o suspeito correndo na rua.
  • O policial prendeu o suspeito que corria na rua.
  • O policial correu e prendeu o suspeito na rua.
1.5. Uso impreciso de pronome relativo ou conjunção integrante
  • A prefeita disse ao juiz que era inocente.
  • A prefeita disse que era inocente ao juiz.
1.6. Um jovem rapaz chegou em casa com seu pai de uma festa e encontrou uma mulher desacordada em seu quarto.
1.7. As crianças comeram bolo e sorvete de chocolate.
1.8. Ela viu a moça com um binóculo.
1.9. Ela saiu da loja de roupa.
1.10. As crianças esconderam os brinquedos que encontraram no porão.


1.11. Acabaram de roubar o banco da entrada da universidade.


1.12.
1.13.

1.14.

2. Pleonasmo vicioso ou redundância
Ocorre quando são repetidas redundante e desnecessariamente informações em uma sentença ou texto. 
É importante esclarecer que não são entendidas como redundâncias na Língua Portuguesa corrente as seguintes expressões: antídoto contra, interpor-se entre, concordar com, voltar-se para trás, comparar com, intrometer-se no meio, suicidar-se, etc. Exemplos: 
2.1. Há séculos atrás, ocorreu uma pandemia que dizimou grande parte da população da Europa.
2.2. O elo de ligação entre EUA e Irã é cada vez mais precário.
2.3. As férias em muitos países foram antecipadas para antes de julho.
2.4. Deferir de forma favorável era a única sentença possível naquele momento.
2.5. Ele compareceu pessoalmente ao serviço funerário.
2.6. O consenso geral é de que o número de ogivas nucleares no mundo deve diminuir.
2.7. Foram criadas muitas novas oportunidades para minorias no Brasil.
2.8. O acabamento final será de responsabilidade dos restauradores.
2.9. O brasileiro tem que encarar de frente seus problemas.
2.10. Ele gritou alto o nome da namorada.


2.11.

2.12.

2.13.


3. Clichê (chavões, lugares-comuns ou frases-feitas) 

É caracterizado pelo emprego de frases ou expressões muito usadas, repetidas e desgastadas por obra do tempo, da capacidade crítica da média dos interlocutores e das transformações sociais. Aparenta ser a expressão da verdade, produto do consenso, entretanto é sustentado em ideias preconceituosas, óbvias ou insustentáveis. Enfim, demonstra algum tipo de dificuldade por parte do produtor dessas sentenças para abandonar o senso comum e pensar de forma autônoma, científica e crítica. Exemplos:

3.1. "Todo político é ladrão."
3.2. "Mulher é o sexo frágil."
3.3. "O mundo é dos espertos."
3.4. “As drogas são um caminho sem volta.”
3.5. “A cachaça é um poço sem fundo.
3.6. “A união faz a força.”
3.7. "As palavras dele são uma luz no fim do túnel."
3.8. "A atuação daquele atleta não deixou pedra sobre pedra."
3.9. "O avanço daquelas ideias foram reduzidas à estaca zero em virtude do fundamentalismo."
3.10. "Depois do que aconteceu em Mariana, é o momento de todos arregaçarem as mangas."
3.11. "Muitos, assistem o crescimento dos casos de estupro no Brasil de braços cruzados."
3.12. "Jogos de futebol profissional tornam comumente as imediações dos estádios praças de guerra."
3.13. “As crianças são o futuro da nação.”
3.14. “É importante que cada um faça a sua parte.”
3.15. "Lugar de mulher é na cozinha."


3.16. 

Observação: também pode ser entendido como uma ideia relativa a um determinado universo e que é usada com tal frequência que se converteu previsível, óbvia e ultrapassada dentro desse contexto. É o caso do mordomo que é culpado de um crime, da mocinha inocente que se casa com o herói virtuoso, do vilão que é derrotado no final, etc., muito comuns no universo das narrativas aproximadas do conteúdo típico de folhetins, como é o caso de alguns romances e filmes e da maioria das telenovelas.

4 - Cacofonia

Consiste na sequência de sons que provoca efeito desagradável, chulo, repetitivo ou inadequado estilisticamente. A cacofonia subdivide-se: 

4.1.Cacófato - resultado da proximidade das sílabas finais de uma palavra com as iniciais de outra, o que forma uma palavra ou expressão cômica, obscena ou ridícula. Exemplos: 
4.1.1. "Alma minha", "boca dela", "Na vez passada", “por cada”, “vou-me já”, “ela tinha”, “essa fada”, “escapei do assalto”, etc.


4.1.2. 

4.2. Eco - repetição muito próxima de palavras que tenham sons iguais. Isso ocorre porque algumas palavras com certas terminações muito usadas geram eco: como verbos no gerúndio, advérbios terminados em “mente”, os substantivos em “ão”, entre outras. O eco é entendido como vício de linguagem na prosa, em especial nos textos argumentativos e expositivos. Por outro lado, na poesia e nas letras de música, ele é um processo construtor de musicalidade muito presente e desejável na produção do texto poético. Exemplos:



4.2.1. “A decisão da eleição não produziu nenhuma solução para os principais problemas da nação.”
4.2.2. “Comumente, o Brasil tem sido preferencialmente vítima da especulação financeira feita por aqueles que sabidamente não tem nenhum compromisso com o bem do coletivo.”

4.3. Parequema - constrói-se a partir do encontro de sílabas idênticas ou semelhantes entre o final de uma palavra e o início da subsequente. Exemplos:

4.3.1. “vaca cara”, “cone negro”, “teto torto”, “pouco caso”, “uma mala”, etc.
4.3.2. “Sou caipira, Pirapora Nossa Senhora de Aparecida...” (Renato Teixeira)

4.4. Hiato - aproximação de vogais iguais. Exemplos:

4.4.1. Ele ria à toa.
4.4.2. Eu fio o meu próprio tecido.


5. Estrangeirismos - é o emprego numa língua de palavras, construções ou expressões provenientes de outra. Sobre isso, o entendimento comum é o de se poder usá-los sem nenhuma preocupação ou, no outro extremo, de que qualquer utilização de palavras de outros idiomas em um texto escrito em português constitui erro. Entretanto, conceitualmente, ambas as visões estão equivocadas, porque estrangeirismos inserem-se em qualquer idioma por um processo natural de trocas culturais, ainda que seja evidente o fato de determinadas línguas sofrerem mais influências externas do que outras.
Sob outra perspectiva, o uso de estrangeirismos numa língua marca, para muitas pessoas, um traço subserviente de uma cultura em relação à de outro país. Todavia, essa visão excessivamente patriótica pouco ou nada tem de validade, porque a influência linguística que um país exerce sobre outro mais tem a ver com questões de caráter econômico e cultural do que meramente linguístico. Portanto, tentar banir o uso de estrangeirismos em um idioma é anacrônico e pueril, ainda que seja sempre interessante discutir o uso de vocábulos estrangeiros em uma língua, para que o emprego deles possa contribuir para esse idioma, e não o descaracterizar.
O Brasil, até a primeira metade do século XX, foi muito influenciado pelo idioma francês, que era visto como a língua franca da cultura universal naquele momento. Depois da Segunda Guerra Mundial, passou a ser cada vez mais influenciado pela língua inglesa, por força tanto da potência econômica norte-americana quanto pela cultura dos EUA, especialmente por obra da sua produção cinematográfica e musical. 
Outra questão importante acerca desse processo foi o desenvolvimento da informática e do processo globalizatório que adotou o inglês como idioma. Essas ocorrências passaram também a muito influenciar não só a língua portuguesa, mas as línguas da maior parte do mundo.
Assim, é acertado entender que a língua é produto de diversos tipos de interação social que resultam em constante mudança linguística, provocada pelo processo histórico, pelos avanços tecnológicos, pelas gírias criadas pelas novas gerações, etc. Daí, mais vale compreender o contexto em que se poderia usar uma palavra de uma língua em outra para avaliar se é adequado e excessivo ou não tal uso.
Abaixo, segue quadro com diversas palavras oriundas de outros idiomas que ganharam uma versão que respeita as normas da Língua Portuguesa atual. É fundamental ratificar que o vício de linguagem no uso de estrangeirismo constitui-se em função do emprego inadequado dele.

5.1.
Palavra
estrangeira
Palavra
correspondente em Língua Portuguesa
Origem
"show"
espetáculo
anglicismo
"know-how"
conhecimento
anglicismo
"stress"
estresse
anglicismo
"curriculum"
currículo
latinismo
"garçon"
garçom
galicismo
"chouffer"
chofer
galicismo
'boutique"
butique
galicismo
"menu"
cardápio
galicismo
"abajour"
abajur
galicismo
"garage"
garagem
galicismo
"football"
futebol
anglicismo
"drink"
drinque
anglicismo
"slide"
eslaide
anglicismo
"sandwich"
sanduíche
anglicismo
"record"
recorde
anglicismo

5.2.


5.3. São outros exemplos de palavras de origem estrangeira ou usadas em língua portuguesa exatamente como são grafadas no idioma de onde elas são provenientes: anglicismos ("show", "shopping center", "gay", "site", "iceberg", "estabishment", "software", "marketing", "outdoor", "milkshake", "performance", "pedigree", "officeboy", "slogan", "impeachment", "e-mail", ringue, breque, caubói, "drag queen", "hit", "link", "pub", bife, etc.), italianismos (aquarela, diletante, imbroglio, sonata, libreto, confete, dueto, ravióli, "pizzaiolo", cicerone, madona, etc.), espanholismos (camarilha, guitarra, quadrilha, etc.), germanismos (chope, "blitz", "diesel", valsa, vermute, etc.), francesismos ou galicismos (conhaque, "déjà-vu", "laissez-faire", "élan", "sommelier", "en passant", "mignon", "mise-en-scène", "fondue", turnê, "gourmet", avalanche, boate, balé, complô, bidé, dossiê, crochê, maionese, maquiagem, edredom, "pout-porri", "vernissage", pivô, escroque, champanhe, raquete, etc.), arabismos (alface, açude, açougue, bazar, alicate, azeitona, etc.), hebraísmos (amém, sábado, etc.), grecismos ou helenismos (batismo, farmácia, bispo etc.), africanismos (acarajé, angu, banzo, batuque, banguela, búzio, cachaça, cachimbo, macumba, senzala, tutu, tanga, samba, cafundó, camundongo, canjica, chuchu, caxumba, dendê, dengo, fubá, inhame, jiló, lundu, moleque, quenga, quiabo, quitute, quibebe, quilombo, etc.), latinismos (index, bis, "quorum", "a priori", "a posteriori", "opus", "honoris causa", "in memorian", "sine qua non", "data venia", grosso modo, "plus", "deficit", memorando, "status quo", ego, "sui generis", "superavit", "habeas corpus", "modus vivendi", etc.), americanismos (mirim, chocolate, pipoca, peteca, caipira, mandioca, abacaxi, canoa, catapora, carioca, gambá, pequi, macaxeira, buriti, canga, tamanduá, cacau, bauru, tapioca, cacique, sabiá, samambaia, caipora, jerimum, etc.), orientalismos (chá, pagode, camicase, sushi, gueixa, etc.), etc.

6. Barbarismo
Constitui-se no emprego inadequado de vocábulos, expressões e construções em um texto segundo as regras gramaticais da Língua Portuguesa usual. 

6.1. Pronúncia (ortoepia)
incorreto
Correto
esteje
esteja
entertido
entretido
metereologia
meteorologia
Framengo
Flamengo
Atrético
Atlético
Curintia
Corinthians
iorgute
iogurte
estrupo
estupro
estrovo
estorvo

6.1.1.

6.1.2.

6.4. Prosódia (silabadas)
incorreto
correto
récorde
recorde
rúbrica
rubrica
íbero
ibero
interim
ínterim
gratuíto
gratuito
circuíto
circuito

6.5. Grafia (cacografias)
incorreto
Correto
iorgute
iogurte
supérfulo
supérfluo
fico pasmo
fico pasmado
palhiativo
paliativo
os cidadões
os cidadãos
apartir/à partir/àpartir
a partir
excessão
exceção

6.6. Flexões (cacografias)
incorreto
Correto
Ele interviu a tempo.
Ele interveio a tempo.
Quando eu pôr vestido.
Quando eu puser o vestido.


6.6.1.


6.7. Semântica (quanto ao significado das palavras)
6.7.1. “Ela saiu a mãe cuspida e escarrada.” Ele parece com a mãe como se esculpido em (mármore) carrara.
6.7.2. “Os criminosos roubaram uma vultuosa quantia.” Os criminosos roubaram uma vultosa quantia
6.7.3. “As pessoas soam muito quando correm maratonas.” As pessoas suam muito quanto correm maratonas.
6.7.4. “O tráfico de carros é intenso em São Paulo.” O tráfego de carros é intenso em São Paulo.
6.7.5. “O iminente deputado visitou a Câmera outro dia.” O eminente deputado visitou a Câmara outro dia.
6.7.6. “Todas as mulheres atualmente cozinham mal e porcamente.” Todas as mulheres atualmente cozinham mal e precariamente.

Observação: normalmente ocorre em função do desconhecimento ou do mau uso da paronímia.

7 - Preciosismo, prolixidade ou arcaísmo
Caracteriza-se pelo uso da língua de forma exagerada, confusa, descontextualizada, rebuscada ou arcaica em detrimento da clareza, da objetividade e da Língua Portuguesa usual no momento da enunciação. Pode ser entendido ainda como palavra ou expressão em desuso em uma determinada língua. Nesse grupo, entre os mais comuns vícios,  está o gerundismo, por exemplo.

Visto como recurso estilístico, é possível entender um componente humorístico no emprego do arcaísmo, como é o caso do trecho do poema “Impurezas do branco” de Carlos Drummond de Andrade: “Senhor! Senhor!/quem vos salvará/de vossa própria, de vossa terríbil/estremendona/inkomunikhassão?”. Exemplos: 



7.1. “a guisa de”, “quiçá”, assi (por assim) entonces (por então), vosmecê (por você), geolho (por joelho), arreio (por enfeite), catar (por olhar), faria-te um favor (não se coloca mais o pronome pessoal átono depois do futuro do indicativo), etc.
7.2. “Nos tempos hodiernos, as pessoas custam a locupletar-se de forma que não seja vil e abjeta.”
7.3. "Os patos de Rui Barbosa 


Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal. Chegando lá constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos, disse-lhe: 

- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada. 

E o ladrão, confuso, diz: 

- Dotô, eu levo ou deixo os pato?"


7.4.

7.5.

7.6.


8. Plebeísmo

Normalmente ocorre quando são usadas palavras de baixo calão, gírias e termos considerados informais em uma situação comunicativa em que esperava-se uma variante mais formal da língua. Exemplos: 


8.1. "Ele era um mané!"
8.2. “Tipo assim, ela era minha mina.”
8.3. “A nível de Brasil, estamos muito preocupados.”
8.4. "Tô ferrado, porra!"
8.5. "ligado nas quebradas, meu chapa?"
8.6. "Esse bagulho é 'radicaaaal'!!! Tá ligado mano?"

9. Solecismo
Uso ou colocação inadequada em uma sentença de algum termo que desrespeita a norma padrão ditada pelas Normas Gramaticais Brasileiras em relação à sintaxe. São três os tipos de solecismo:

De concordância 
9.1. "Fazem três anos que não a vejo." (Segundo a norma padrão: Faz três anos que não a vejo.) 
9.2. "Aluga-se casas." (Segundo a norma padrão: Alugam-se casas.)

De regência 
9.3. "Ontem eu assisti um espetáculo de pantomima." (Segundo a norma padrão: Ontem eu assisti a um espetáculo pantomima.)9.4. "Eu namoro com Pedro." (Segundo a norma padrão: Eu namoro Pedro.)
9.5. “Vou no banheiro.” (Segundo a norma padrão: Vou ao banheiro.)

De colocação 
9.6. “Nos deram autorização para entrar.” (Segundo a norma padrão: Deram-nos autorização para entrar.)

10. Neologismo
Ainda que possa ser muito bem usado, como maravilhosamente mostra a obra do Mestre Guimarães Rosa, o neologismo pode ser também produto de uma criação de palavras novas, justificada pela falta de conhecimento linguístico do autor, pela busca de efeito cômico ou pela informalidade de uma situação comunicativa. Exemplos: 

10.1. “Um político dizia sem constrangimento que algumas decisões governamentais eram imexíveis.”
10.2. “Ela era uma natureba convicta.”
10.3. “A música nordestina é fruto de uma mistureba cultural maravilhosa.”

11. Vulgarismo
Construções linguísticas associadas à norma popular, à espontaneidade, ao cotidiano das pessoas comuns, ao dia a dia, etc. São expressões que desprezam em níveis diversos a chamada norma padrão. Pode ocorrer em planos sintáticos, fonéticos e morfológicos.

11.1. "'Vamo' 'comê', pessoal." (o não vocalização do "s" e "r", respectivamente.) - fonético.
11.2. "Ele é um ótimo 'adevogado'." (vocalização de vogal como forma de desfazer encontro consonantal, no caso, a inclusão do "e" em "advogado".) - fonético.
11.3. "As 'muié' 'troco' de roupa." (supressão de flexões nominais ou verbais. No caso, o plural em "muié" e em "troco".) - morfológico e sintático.

12. Sínquise
Consiste na inversão radical e excessiva a ponto de comprometer ou mesmo impossibilitar o entendimento de uma sentença. Muitas vezes é feita em favor da musicalidade em poemas parnasianos ou simbolistas - mais comumente - em detrimento da compreensão. É um tipo extremado de hipérbato.

12.1. “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante.” (Joaquim Osório Duque Estrada) (As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico.)