segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Redação - Proposta 2015-64 - Sociedade do espetáculo

Leia com atenção os textos abaixo.

Texto 01.
“A política como espetáculo nos meios de comunicação tornou-se rotineira, especialmente quando se trata da televisão. Em momentos mais dramáticos, como os atuais, o problema se agrava. O espaço para a reflexão desaparece e ganham destaque as cenas mais sensacionais como gravações ocultas, bate-boca entre parlamentares, acusações bombásticas emitidas em encenações teatrais e assim por diante.
Há duas explicações básicas para que isso ocorra: o lucro como objetivo único das emissoras comerciais e, em decorrência, a visão da TV como fonte prioritária de entretenimento. Comecemos destrinchando a primeira explicação. No Brasil, diferentemente da maioria dos países europeus, a televisão foi concebida desde a sua origem como um empreendimento comercial, voltado para a obtenção de riquezas. Aqui não se pensou na TV como serviço público, com a responsabilidade social de, em primeiro lugar, se dirigir ao cidadão e dar a ele instrumentos para viver melhor na sociedade.
Seguindo o exemplo do rádio, a televisão brasileira surgiu para – antes e acima de tudo – acelerar o processo de acumulação capitalista com a oferta diária de uma alta dose de bens e serviços. Para dar conta dessa missão ela precisava conquistar a audiência a qualquer preço e ai entra a segunda explicação para a situação atual da TV brasileira e da espetacularização da notícia.
Trata-se da aposta no entretenimento tornado centro de todas as programações em detrimento da informação e da educação. Nos veículos de comunicação impressos – salvo algumas exceções – a notícia é o seu principal produto. Compra-se o jornal ou a revista esperando em primeiro lugar a informação e não a diversão (infelizmente hoje isto está se confundindo também em alguns meios impressos, mas trata-se de uma outra discussão). Na TV, fonte única de informação para a maioria absoluta da população brasileira, o principal produto é o entretenimento e a sua prática contamina todas as demais esferas da programação não deixando escapar nem o jornalismo. Estão aí as raízes da espetacularização das notícias.
O raciocínio é simples: a televisão foi feita para vender e para vender é necessário fazer ofertas ao maior número possível de compradores em potencial. Para tanto é preciso obter grandes audiências que só serão conseguidas com programas espetaculares que surpreendam o telespectador a todo o momento, não permitam que ele reflita sobre o que está vendo, o emocionem em doses equilibradas de alegria e tristeza, não o deixem mudar de canal e, por fim, sem pensar muito, comprem os produtos anunciados.
É assim que funcionam os programas de auditório, as novelas, os shows policialescos do final de tarde e os anúncios comerciais em suas diferentes versões (entre os programas, nos intervalos ou mesmo dentro deles, os chamados merchadisings). Há toda uma lógica para conquistar audiência, mantê-la a qualquer custo e graças a isso empurrar fogões, geladeiras, xampus, cervejas em doses maciças sobre o telespectador.”

Texto 02.
“Mais importante obra teórica produzida no contexto que precedeu os acontecimentos de Maio de 1968, A sociedade do espetáculo é um livro genial e único, precursor de toda análise crítica da moderna sociedade de consumo. Para Antonio Negri, é um dos dez livros mais importantes do século. Para Jean–Jacques Pauvert, “não antecipou 1968, como normalmente se diz; antecipou o século XXI”. Está certo: nunca a tirania das imagens e a submissão alienante ao império da mídia, denunciadas por Debord, foram tão fortes como agora. Nunca os profissionais do espetáculo tiveram tanto poder: invadiram todas as fronteiras e conquistaram todos os domínios — da arte à economia, da vida cotidiana à política —, passando a organizar de forma consciente e sistemática o império da passividade. O livro é, sem dúvida, a mais aguda crítica à sociedade que se organiza em torno dessa falsificação da vida comum.”

Texto 03.
“Nosso tempo, sem dúvida ... prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser. . . O que é sagrado não passa de ilusão, pois a verdade está no profano. Ou seja, à medida que decresce a verdade a ilusão aumenta, e o sagrado cresce a seus olhos de forma que o cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado.” (Ludwig Feuerbach, “A essência do Cristianismo”)

Texto 04.

Texto 05.

Texto 06.
‘O espetáculo – diz Debord – consiste na multiplicação de ícones e imagens, principalmente através dos meios de comunicação de massa, mas também dos rituais políticos, religiosos e hábitos de consumo, de tudo aquilo que falta à vida real do homem comum: celebridades, atores, políticos, personalidades, gurus, mensagens publicitárias – tudo transmite uma sensação de permanente aventura, felicidade, grandiosidade e ousadia. O espetáculo é a aparência que confere integridade e sentido a uma sociedade esfacelada e dividida. É a forma mais elaborada de uma sociedade que desenvolveu ao extremo o ‘fetichismo da mercadoria’ (felicidade identifica-se a consumo). Os meios de comunicação de massa – diz Debord – são apenas ‘a manifestação superficial mais esmagadora da sociedade do espetáculo, que faz do indivíduo um ser infeliz, anônimo e solitário em meio à massa de consumidores.” (José Arbex Jr, “Showrnalismo: a notícia como espetáculo”)

Texto 07.
“Os homens criam as ferramentas, as ferramentas recriam os homens.” (atribuído a Malcolm McLuhan)

Texto 08.
“Quando o mundo real se transforma em simples imagens, as simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes de um comportamento hipnótico. O espetáculo, como tendência a fazer ver (por diferentes mediações especializadas) o mundo que já não se pode tocar diretamente, serve-se da visão como sendo o sentido privilegiado da pessoa humana – o que em outras épocas fora o tato; o sentido mais abstrato, e mais sujeito à mistificação, corresponde à abstração generalizada da sociedade atual. Mas o espetáculo não pode ser identificado pelo simples olhar, mesmo que este esteja acoplado à escuta. Ele escapa à atividade do homem, à reconsideração e à correção de sua obra. É o contrário do diálogo. Sempre que haja representação independente, o espetáculo se reconstitui.” (Guy Debord, “A sociedade do espetáculo”)

Situação 2015-64A - Dissertação (USP, Unesp, Uniube, etc.)
Faça uma dissertação sobre a seguinte afirmação.

Na sociedade atual, tudo pode tornar-se “espetáculo” por meio da imprensa, dos meios de comunicação de massa e das tecnologias da informação e comunicação.

Instruções:
1. Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
2. A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
3. Dê um título a sua redação.

Situação 2015-64B – Outros gêneros textuais - Discurso (Unicamp, UEL, etc.)
Crie um discurso para ser lido por um importante político brasileiro sobre a "sociedade do espetáculo". É importante que se faça um panorama a respeito dela. Além disso, defenda uma opinião a respeito desse conceito.

Instruções gerais:
1. Se for o caso do gênero textual em questão, dê um título para sua redação. Esse título deverá deixar claro o aspecto da situação escolhida que você pretende abordar.
3. Se a estrutura do gênero selecionado exigir assinatura, escreva, no lugar da assinatura: José ou Josefa. Em hipótese alguma escreva seu nome, pseudônimo, apelido, etc. na folha de prova.
4. Utilize trechos dos textos motivadores (da situação que você selecionou) e parafraseie-os.
5. Não copie trechos dos textos motivadores ao fazer sua redação.
6. Quanto ao número mínimo e máximo de linhas e de acordo com o vestibular pretendido, informe qual o vestibular que você irá prestar para que possamos adequar a correção às exigências do concurso escolhido.

Situação 2015-64C - Carta argumentativa (UFU, Unicamp, UEL, etc.)
Faça uma carta para o Ministério da Cultura em que você informe e defenda a sua opinião sobre a chamada sociedade do Espetáculo.

Situação 2015-64D – Artigo de opinião (UFU, Unicamp, UEL, etc.)
Redija um artigo de opinião sobre a seguinte relação: sociedade do espetáculo e banalização da vida.

Situação 2015-64E – Editorial (UFU, Unicamp, UEL, etc.)
Faça um editorial sobre os mais relevantes efeitos da existência de uma “sociedade do espetáculo” no Brasil contemporâneo.

Instruções UFU:
1. Após a escolha de uma das situações, assinale sua opção no alto da folha de resposta e, ao redigir seu texto, obedeça às normas do gênero selecionado.
2. Se for o caso, dê um título para sua redação. Esse título deverá deixar claro o aspecto da situação escolhida que você pretende abordar.
3. Se a estrutura do gênero selecionado exigir assinatura, escreva, no lugar da assinatura: JOSÉ OU JOSEFA. Em hipótese alguma escreva seu nome, pseudônimo, apelido, etc. na folha de prova.
4. Utilize trechos dos textos motivadores (da situação que você selecionou) e parafraseie-os.
5. Não copie trechos dos textos motivadores, ao fazer sua redação.
6. Mínimo de 25 e máximo de 30 linhas.

7. ATENÇÃO: se você não seguir as instruções da orientação geral e as relativas ao tema que escolheu, sua redação será penalizada.