domingo, 31 de julho de 2016

Olimpíadas, política e competição, por Estéfani Martins (parte 2)

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(Leia a parte 1 aqui)


1952 – Helsinque - Alemanha e Japão voltam a participar dos Jogos. Pela primeira vez, a União Soviética participa de uma Olimpíada, o que criou mais um cenário para a competição entre duas superpotências que até o fim da década de 1980 travariam no campo político, ideológico, militar e estratégico o que se convencionou chamar de Guerra Fria, que, em desacordo com qualquer abordagem dos ideais olímpicos, transferiu-se para o universo dos Jogos, o que rendeu momentos de exuberância técnica de ambas as partes, ainda que condicionados a um tipo de competição entre os países que os organizadores das Olimpíadas, desde a Antiguidade, julgavam evitar, são eles a União Soviética (URSS) e os EUA. Nesta Olimpíada, por receio de problemas diplomáticos, a URSS ficou em uma vila olímpica exclusiva, sem nenhuma relação cotidiana com o restante dos atletas. No estádio olímpico, uma pacifista alemã correu aos microfones com o intuito de pedir a unificação da Alemanha, mas foi contida por seguranças. Pela primeira, uma delegação israelense participou dos Jogos. Participaram desta edição 4955 atletas de 69 países, 519 eram mulheres.



1956 - Melbourne – Tempos agitados eram aqueles, quando o mundo estava claramente dividido entre os blocos socialista e capitalista; em meio a isso ocorria o processo de descolonização de muitos países africanos e asiáticos. Nesse contexto, a Austrália, por causa de sua localização, pareceu uma escolha razoável em função de todas as incertezas e agitações pelas quais passava a humanidade à época. Esta foi a primeira Olimpíada realizada no hemisfério sul. Concomitante a invasão da Hungria por tanques soviéticos, houve, nesta edição dos Jogos, a disputa pela medalha de ouro no pólo aquático entre a Hungria e a União Soviética, que de todas as formas possíveis transferiram para as piscinas as rivalidades e animosidades da política, o que produziu um jogo violento, em que vários atletas foram alvo de violência dos oponentes. Apesar da vitória húngara, nenhum jogador quis voltar ao país ocupado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). No último momento, a China decidiu não competir em protesto contra a entrada de Taiwan para o COI. Além disso, Países Baixos, Espanha e Suíça recusaram-se a mandar delegações em protesto contra a invasão da Hungria pela União Soviética. Camboja, Egito, Iraque e Líbano boicotaram também em protesto contra a crise do canal de Suez em função da França e da Inglaterra na gestão do canal. Alemanha ocidental e oriental , recém-separadas, competiram juntas sob a bandeira olímpica e tiveram como hino "Ode à alegria" da "Nona sinfonia" de Beethoven. Os Jogos quase não aconteceram tal o atraso nas obras que foram custeadas quase totalmente por capital privado. Participaram desta edição 3314 atletas de 72 países, 376 eram mulheres.



1960 – Roma – Uma das Olimpíadas mais bem realizadas até então, apesar do custo exorbitante para a época de 45 milhões de dólares, o resultado foi positivo, já que o número de expectadores e turistas foi imenso e os atletas ficaram muito satisfeitos com a organização dos Jogos. Foram as primeiras Olimpíadas a serem massivamente transmitidas pela televisão já que houve transmissão ao vivo por mais de 100 canais, além de emissão por videotape em 18 países europeus mais Canadá, Estados Unidos e Japão. Os Jogos começavam a parecer com o grandioso evento que ele tornou-se na atualidade. Participaram desses Jogos mais países que o número de membros da ONU na época.  Pela primeira vez, o "doping" é comprovado numa Olimpíada com a morte do ciclista dinamarquês Knud Jensen, que morreu em função da grande quantidade de anfetaminas que tomara para melhorar seu desempenho nas provas. Foi a última participação da África do Sul em Jogos até 1992, ela foi suspensa em função do Apartheid. Participaram desta edição 5338 atletas de 83 países, 611 eram mulheres.


 

1964 – Tóquio – A primeira Olimpíada na Ásia foi marcada pela organização impecável e pela evolução tecnológica dos processos de aferição de tempos, confirmação de marcas, etc. esta Olimpíada custou cerca de três bilhões de dólares, custeados pelo Japão e pelos EUA, que investia no Japão desde o fim da Segunda Guerra a fim de reconstruí-lo e de reforçar a influência estadunidense no continente asiático. Transmissões televisivas via satélite não eram mais obras de ficção científica e as tensões nucleares e geopolíticas tomavam decisivamente os Jogos. A cerimônia de abertura foi um ato simbólico pela paz e uma homenagem aos milhares de mortos no bombardeio atômico a Hiroshima e a Nagasaki, representados pelo jovem Yoshiori Sakai – nascido em seis de agosto de 1945, dia da bomba atômica de Hiroshima – que fora escolhido para acender a pira olímpica. Indonésia e Coréia do Norte foram banidas do Comitê Olímpico Internacional (COI). A África do Sul tem o banimento confirmado do COI por causa do regime de “apartheid” imposto naquele país, sob a justificativa de que “qualquer forma de discriminação contra um país ou uma pessoa baseada em considerações de raça, de religião, de política, de sexo ou outras é incompatível com a participação no movimento olímpico.”. Participaram desta edição 5151 atletas de 93 países, 678 eram mulheres.



Century Olympic posters: 1968 Mexico Olympic Games
1968 – Cidade do México – Primeiros Jogos na América Latina, num tempo conturbado e repleto de circunstâncias históricas de grande relevância como o auge da Guerra no Vietnã; a China que ainda vivia intensamente as conseqüências da Revolução Cultural; na Tchecoslováquia, a Primavera de Praga chegava ao fim; em Paris, acontecia o impensável no mês de maio mais famoso da História; Martin Luther King Jr. e Bob Kennedy foram assassinados nos EUA e o movimento hippie propunha ideias agressivamente libertárias numa sociedade estadunidense altamente conservadora. Além disso, dias antes do início dos Jogos, o governo mexicano autorizou o que foi chamado de Massacre de Tlatelolco, quando milhares de estudantes protestavam contra o Governo e a precária qualidade da educação mexicana, nessa ocasião passaram a ser alvo de atiradores das forças policiais e militares daquele país, até hoje não há números confiáveis sobre a quantidade de mortos que podem chegar às centenas, segundo correspondentes internacionais já presentes no México para a cobertura dos Jogos. Além disso, esta edição dos Jogos Olímpicos ficaria marcada pelos punhos levantados e as luvas negras dos medalhistas olímpicos nos 200 metros rasos John Carlos e Tommie Smith (saudação associada a um grupo chamado Panteras Negras, contrário à situação precária e injusta dos negros na sociedade estadunidense da época). Com esse gesto, protestavam contra a desigualdade racial nos Estados Unidos, o que os fez perderem as medalhas e serem expulsos da vila olímpica, já que o COI, especialmente desde então, não tolerava manifestações políticas ou ideológicas no pódio por parte dos atletas. Esta foi a primeira Olimpíada em que os exames "antidoping" passaram a ser padrão durante os Jogos. Participaram desta edição 5516 atletas de 112 países, 781 eram mulheres.



1972 – Munique – Até então a Olimpíada com o maior número de atletas participantes, era um sucesso de público e de organização, quando ocorreu o pior incidente da história dos Jogos Olímpico: um grupo terrorista de origem palestina chamado Setembro Negro sequestrou 11 atletas e técnicos israelenses, para negociar a libertação de cerca de 200 prisioneiros palestinos detidos em Israel. Após negociações fracassadas e intervenções equivocadas de forças de segurança alemãs, os 11 israelenses foram mortos, além de cinco sequestradores, um policial alemão e um piloto. Os Jogos foram suspensos por 34 horas, entretanto o COI decidiu permitir a continuação dos Jogos. Tal atentado foi tão marcante que superou em atenção a marca histórica do nadador Mark Spitz: sete medalhas de ouro nestes Jogos. Nesta edição, é introduzido oficialmente a ideia de mascote dos Jogos, foi um cachorro dachsund chamado Waldi. Participaram desta edição 7134 atletas de 121 países, 1059 eram mulheres.



Century Olympic posters: 1976 Montreal Olympic Games
1976 – Montreal – Esta edição dos Jogos foi considerada a Olimpíada mais cara da História, em função dos custos de cerca de dois bilhões de dólares acima do esperado, que só foram saneados pelos cofres públicos por meio de imposto especial no ano de 2000. Além disso, 24 países africanos boicotaram os Jogos de Montreal em protesto contra a presença da Nova Zelândia, cujo time de rúgbi havia jogado contra o da África do Sul, excluído do mundo esportivo devido ao regime do "apartheid" instalado no país. Nesta Olimpíada, o "doping" passou a ser prática relativamente comum em países como a Alemanha Oriental, que dopava suas nadadoras mesmo sem o conhecimento ou o desejo delas. Participaram desta edição 6084 atletas de 92 países, 1260 eram mulheres.



Century Olympic posters: 1980 Moscow Olympic Games
1980 – Moscou – A União Soviética invadiu o Afeganistão em 24 de dezembro de 1979. Em função disso, 64 países, liderados pelos Estados Unidos, protagonizaram o maior boicote da história olímpica. Apesar disso, esta edição foi vista como um sucesso técnico, de público e de organização, além disso, se a atitude norte-americana tivesse como intuito fazer estes Jogos serem marcados pela pouca expressão, a cerimônia de encerramento mostra porque esta Olimpíada, ao contrário, é uma das mais lembradas, especialmente pela cena em que o mascote (o urso Misha) chora por meio de um dos painéis humanos que ficaram famosos nesta Olimpíada. Participaram desta edição 6084 atletas de 92 países, 1260 eram mulheres. Participaram desta edição 5179 atletas de 80 países, 1115 eram mulheres.


1984 – Los Angeles – Mais uma vez, tal como em Moscou, Los Angeles foi candidatura única para sede dos Jogos, graças ao fiasco financeiro de Montreal, oito anos antes. Depois do sucesso econômico sem precedentes desta edição, voltou a haver intensa disputa entre cidades para sediar as Olimpíadas. No campo da política, em represália ao boicote de 1980, a União Soviética e 13 outros países sob influência soviética negaram-se a participar dos Jogos, apesar disso esta edição foi um sucesso comercial e de propaganda grandioso, o que revitalizou o interesse mundial pelas Olimpíadas. O lucro obtido com o evento foi de 26 milhões de dólares. Nestes Jogos, Carl Lewis repetiria o feito de Jesse Owens em 1936 ao ganhar quatro medalhas de ouro e China voltaria a disputa mesmo com a presença da delegação de Taiwan. Participaram desta edição 6829 atletas de 140 países, 1566 eram mulheres. 


1988 – Seul – Influenciada pelo fim próximo da Guerra Fria e pelo receio de boicotes em massa como nos dois Jogos anteriores, a Olimpíada de Seul, a segunda disputada na Ásia, foi muito bem usada para que a Coréia do Sul passasse por um processo de democratização política, mesmo porque a crise do regime ditatorial de Chun Doo Hwan poderia prejudicar a organização dos Jogos e a imagem do país diante de um mundo atento e interessado em tudo que se relacionasse com a Olimpíada. Em função disso, o processo de deposição do ditador sul-coreano foi acelerado, com o intuito de que se fizessem eleições diretas ainda antes das Olimpíadas, o que aconteceu em dezembro de 1987. Esta Olimpíada foi para a Coréia do Sul, tal como será o intento da China em 2008, um meio de mudar uma imagem negativa de grande parte do mundo sobre o país, para mostrar-se um país industrializado, moderno, organizado e de pessoas educadas. Entretanto, Coréia do Norte, Nicarágua, Cuba e Etiópia boicotaram os Jogos em protesto contra divisão da Coréia duas décadas antes. Nestes Jogos, ocorreu o caso de "doping" mais famoso da história do esporte mundial, o velocista canadense Ben Johnson, recordista e ganhador da medalha de ouro nesses Jogos, correu dopado por esteroides, por isso foi desclassificado e perdeu a medalha de ouro. Participaram desta edição 8391 atletas de 159 países, 2194 eram mulheres.



1992 – Barcelona – Nesta edição dos Jogos, o mundo mostrou uma nova configuração geopolítica: a Alemanha competiu unificada; muitos países como a Letônia, antes parte da URSS, levaram sua própria delegação e 12 repúblicas da ex-URSS competiram unidas como a Comunidade dos Estados Independentes (CEI) - que acabou vitoriosa no quadro de medalhas. Numa retaliação da Organização das Nações Unidas (ONU) às guerras contra bósnios e croatas, os iugoslavos foram proibidos de mandar equipes nacionais, ainda que seus atletas individuais pudessem inscrever-se nos Jogos como “participantes olímpicos independentes”. Esta também foi a Olimpíada em que os atletas profissionais foram pela primeira vez aceitos oficialmente nos Jogos, o que pôs fim a hipocrisia do amadorismo olímpico. Foi a consagração do chamado “Dream Team” que reunia um grupo brilhante de jogadores de basquete profissionais norte-americanos. Naturalmente, conseguiram o ouro, sempre com apresentações memoráveis que aproximaram o esporte, mais uma vez, da arte. Com o fim do “apartheid”, a África do Sul volta a ter representação no COI e participar de eventos esportivos internacionais organizados por essa instituição. Esta edição dos Jogos foram vistas como um modelo para os eventos posteriores não só pela organização profissional, pelo público entusiasmado, mas pela revitalização da cidade associado ao legado que a Olimpíada deixou em relação à melhoria evidente dos serviços públicos, da infraestrutura urbana, da percepção do mundo sobre a cidade, etc., tal feito passou a ser chamado "efeito Barcelona". Além disso, a capital da Catalunha passou de 13º para quinto destino turístico da Europa. Participaram desta edição 9356 atletas de 169 países, 2704 eram mulheres.

1996 – Atlanta – Sede da Coca-Cola, muitos afirmam ter sido esta uma Olimpíada mais preocupada com a propaganda e com os lucros, do que propriamente com o esporte, muito porque esta edição é questionada até hoje pela estrutura deficitária de transporte público, venda de ingressos desorganizada e segurança ineficiente. Relaciona-se a isso o fato de esta ter sido a primeira edição dos Jogos totalmente financiada por capital privado, o que talvez explique o fato de ter sido em Atlanta e não em Atenas essa Olimpíada, pois a capital da Grécia despontava como candidata natural em função da comemoração dos 100 anos dos Jogos da Era Moderna que recomeçaram justamente em Atenas. O evento mais marcante desta Olimpíada, infelizmente, foi o atentado à bomba realizado no Centennial Olympic Park por um extremista norte-americano na Vila Olímpica, que causou a morte de duas pessoas e ferimentos em 110. Em 2005, Eric Robert Rudolph, membro de um grupo conservador e fundamentalista chamado Exército de Deus, assumiu  a autoria do atentado e foi preso. Participaram desta edição 10318 atletas de 197 países, 3512 eram mulheres.


2000 – Sidney – No meio da polêmica sobre quando se iniciaria o novo milênio, esta edição dos Jogos ficou conhecida como os primeiros do novo século, ainda que ele só começasse em 2001. Esta foi a Olimpíada considerada a mais bem organizada, sustentável e próspera da história olímpica, além disso 199 dos 200 membros do COI participaram, além de quatro atletas do Timor Leste. Coreias do Norte e do Sul desfilaram sob uma mesma bandeira na cerimônia de abertura. O Afeganistão foi proibido de participar numa retaliação ao regime do Talibã, considerado terrorista e fundamentalista pelo Ocidente. Em função do compromisso ecológico da organização dos Jogos, quatro milhões de árvores foram plantadas em toda a Austrália. Participaram desta edição 10651 atletas de 199 países, 4069 eram mulheres.


2004 – Atenas – Com oito anos de atraso, graças à interferência de grandes grupos econômicos na escolha de Atlanta para sediar a edição de 1996, os Jogos Olímpicos retornaram a Atenas. Com cronograma de obras muito atrasado, a organização do evento foi muito criticada, inclusive porque algumas construções como o complexo aquático não foram terminados a tempo, daí as competições de natação terem ocorrido ao ar livre, porque o teto do local não havia ficado pronto. Cerca de quatro bilhões de pessoas assistiram aos Jogos pela televisão, pela primeira vez uma mulher foi presidente do Comitê Olímpico Organizador e cerca de 20 por cento do orçamento do evento foi gasto em segurança, muito em função dos atentados de 11 de setembro nos EUA, mas mesmo assim, preocupados com falhas de segurança, levaram 538 atletas e 600 militares para protegê-los. Mais de 6 por cento dos habitantes do planeta acompanharam algum dos 301 eventos esportivos do programa olímpico em 2004. Participaram desta edição 10625 atletas de 201 países, 4329 eram mulheres.



2008 – Pequim – Apesar dos intensos protestos nos mais diversos lugares do globo, as Olimpíadas de Pequim foram um sucesso ao menos técnico, porque elevaram os Jogos Olímpicos a um novo padrão organizacional e estrutural. As competições transcorreram de forma tranquila, ainda que garantida pela enormidade de forças de segurança chinesas presentes em todos os eventos. Houve muitas reclamações de jornalistas pela censura à informação e à internet durante o evento por força do governo chinês. As cerimônias de abertura e fechamento foram os espetáculos mais grandiosos deste gênero até então segundo muitos, embora importantes passagens da história chinesa não tenham sido abordadas, como a Revolução Chinesa e a Revolução Cultural, o que se configurou como um claro recado ao Ocidente de uma China que se vê em condições de disputar, inclusive no campo cultural, a liderança mundial. Manifestação contrárias à presença chinesa no Tibete foram registradas em muitos lugares do mundo por onde a tocha olímpica passou. A questão da poluição do ar foi extremamente polêmica, pois muitos defendiam que o nível dela era tal que seria capaz de comprometer o desempenho de maratonistas, por exemplo. Um evento terrorista foi registrado na província de Xinjiang, 16 policiais morreram e 16 outras pessoas ficaram feridas. O nadador estadunidense Michael Phelps consagrou-se como o maior medalhista olímpico de todos os tempos: 14 medalhas de ouro em duas Olimpíadas, oito na de Pequim. Participaram desta edição em 28 esportes 11990 atletas de 204 países, 4637 eram mulheres.



2012 - Londres -  Pela primeira vez na História, mulheres participaram de todos os esportes olímpicos em uma edição dos Jogos e todos os países participantes tinha presenças femininas entre os atletas. Outros destaques no campo das questões de gênero foram o fato de a Arábia Saudita ter enviado duas atletas para competirem nesses Jogos, apesar de grande relutância inicial e a maioria feminina na delegação norte-americana (268/261). Os Jogos aconteceram durante o nono mês do calendário islâmico, paralelamente ao Ramadã, o que, segundo autoridades islâmicas do mundo inteiro, prejudicaram os atletas islâmicos. Não houve nenhum incidente grave e estranho ao espírito olímpico nessa edição, exceto atletas punidos por "doping", manipulação de resultados e atitudes preconceituosas. Participaram em 26 modalidades desta edição 10500 atletas de 204 países, 4620 eram mulheres.


2016 – Rio de Janeiro - Os primeiros Jogos na América do Sul produziram grande expectativa no Brasil em função das profundas mudanças prometidas para a cidade do Rio de Janeiro como um legado que o evento deixaria, o que aparentemente não acontecerá, já que a alguns meses dos jogos, problemas muito graves na qualidade da água em locais de competição de remo e vela, no sistema de transporte público, na infraestrutura, na segurança pública, etc., lançam muitas suspeitas sobre o sucesso desta edição dos Jogos, em especial em relação ao legado dos Jogos Olímpicos para os brasileiros . A ambição do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) de que o Brasil esteja entre os dez primeiros países no Quadro de Medalhas também parece equivocada dada a preparação inadequada ou insuficiente de muitas modalidades em que muitas medalhas são disputadas como no atletismo e na natação, nas quais a chance de haver pódios, segundo muitos analistas, é bem abaixo das expectativas do COB. A ameaça de atentados terroristas é também uma questão relevante desses Jogos como foi em outros, a questão é que as fronteiras brasileiras enormes e a experiência modesta das forças de segurança brasileiras com o contraterrorismo lançam suspeitas sobre a capacidade dessas organizações de evitar um evento dessa natureza durante as competições. Importante destacar que no ano de 2016, dezenas de serviços secretos de diversos países já atuavam em território brasileiros em parceria com forças de segurança do Brasil e a expectativa é que haja mais de uma centena de organizações desse tipo em atuação no Rio durante os Jogos, o que, para muitos analistas, pode ser pouco para frear ou mesmo impedir o ataque de um "lobo solitário" ou até do Estado Islâmico.

Professor Estéfani Martins


Outras referências
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2012/07/120720_olympics_modulo_mulheres_olimpiadas_rw.shtml

http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2016/04/14/abin-identifica-ameaca-terrorista-no-brasil.htm

http://www.brasil.gov.br/esporte/2014/07/especial-da-grecia-antiga-para-a-era-moderna-conheca-a-historia-dos-jogos-olimpicos

http://esporte.hsw.uol.com.br/jogos-olimpicos1.htm


http://www.travessa.com.br/ODISSEIA_OLIMPICA_A_HISTORIA_DAS_OLIMPIADAS_E_SEUS_HEROIS/artigo/04379b76-6066-4b40-9ef6-02fcfcff1b11


http://www.submarino.com.br/produto/111063637/guia-dos-curiosos-o-jogos-olimpicos


http://www.estantevirtual.com.br/b/eduardo-colli/universo-olimpico-uma-enciclopedia-das-olimpiadas/2333229558?q=olimp%EDadas