quinta-feira, 28 de julho de 2016

Olimpíadas, política e competição, por Estéfani Martins (parte 1)

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Olimpíadas, política e competição


Por Estéfani Martins



“Na Olimpíada, o importante não é ganhar, mas competir.”

(Barão de Coubertin, 1908, Londres)



“Os Jogos têm que continuar.”
(Avery Brundage, presidente do COI em 1972)

A cada quatro anos, atletas de centenas de países reúnem-se numa cidade para disputarem um conjunto de modalidades esportivas, com o intuito de celebrarem a paz, a amizade, a competitividade civilizada e o bom relacionamento entre os diferentes povos são os princípios dos Jogos Olímpicos.
Criação grega que remonta a 2500 a.C., nesse evento, os gregos faziam homenagens aos deuses, em especial para Zeus. Atletas das cidades-estados gregas reuniam-se na cidade de Olímpia para disputarem diversas competições, dentre elas: atletismo, luta, boxe, corrida de cavalo e pentatlo (luta, corrida, salto em distância, arremesso de dardo e de disco). Os vencedores eram considerados heróis em suas cidades, por isso ganhavam uma coroa de louros, ainda símbolo da vitória em praticamente todo o mundo.
Além da religiosidade, os gregos buscavam fomentar por meio desse evento a convivência civilizada, respeitosa e pacífica entre os cidadãos das cidades que compunham a civilização grega. Os Jogos Olímpicos também evidenciavam a grande importância que os gregos davam aos esportes e à manutenção de um corpo saudável.
Posteriormente, os Jogos Olímpicos e quaisquer manifestações religiosas do politeísmo grego foram proibidos no Império Romano convertido ao cristianismo no século IV.
Os chamados Jogos Olímpicos da Era Moderna, ou seja, a reedição das ideias helênicas sobre competitividade só foram retomadas em 1896, em Atenas, por iniciativa do francês Pierre de Fredy, conhecido com o barão de Coubertin. Nesta primeira Olimpíada, participaram cerca de 280 atletas de 13 países, eles disputaram provas de atletismo, esgrima, luta livre, ginástica, halterofilismo, ciclismo, natação e tênis. Os vencedores das provas foram premiados com medalhas de ouro e um ramo de oliveira.
Desde a sua primeira edição, em 1896, os Jogos Olímpicos modernos raramente ignoraram o sempre agitado contexto político, cultural e econômico mundial, embora o COI tenha sempre se esforçado para desestimular ou mesmo esconder esses aspectos dos Jogos, ao contrário do que a polêmica sobre a realização dos Jogos em Pequim no ano de 2008 faz concluir; já que países acusados de crimes contra a humanidade, de desrespeitar o espaço geográfico de nações soberanas, etc., são lugar comum na história das Olimpíadas. Aliás, pode-se afirmar que aconteceram edições dos Jogos Olímpicos em muitos aspectos muito mais polêmicas.

1896 – Atenas – Em 1894, o nobre francês Pierre de Coubertin constituiu o Comitê Olímpico Internacional. Em 1896, ocorre a bem sucedida primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna que marcou o início do chamado movimento olímpico, apesar da falta de apoio estatal do governo do primeiro-ministro grego da época, Charilos Tricoupis, e da situação precária da Grécia naquele momento. Em contrapartida, a população grega participou com entusiasmo dos Jogos e o milionário grego Giorgios Averoff pagou a construção de várias áreas de competição para esta edição dos Jogos. A Turquia, em crise com a Grécia, não enviou atletas. A equipe de ginástica francesa não embarcou para os Jogos por se negar a competir contra os alemães. Por outro lado, os idealizadores do evento ingenuamente acreditavam que “o objetivo do movimento olímpico é colocar o esporte a serviço do desenvolvimento harmonioso da humanidade, visando a promover uma sociedade pacífica, empenhada em preservar a dignidade humana.”. Participaram desta edição 241 atletas de 14 países. Esta foi a única edição dos Jogos sem participação feminina entre os atletas.


1900 – Paris – O Barão de Coubertin queria os jogos de quatro em quatro anos e escolheu Paris para sediar a segunda edição das Olimpíadas modernas, ainda que houvesse um grande interesse por parte dos gregos e de seu rei, George 1º, e sediar a competição novamente. Durante cerca de cinco meses, foram disputados os Jogos de 1900, os quais marcados pela péssima organização e pelo improviso, além da concorrência com a famosa e impressionante Feira Mundial, que acabou por concentrar o interesse das pessoas, até porque nela foram apresentadas ao mundo novidades como o filme falado, a escada rolante e as sopas enlatadas Campbell. Pela primeira vez, não houve cerimônia de abertura e encerramento numa edição dos Jogos, além disso foram registradas as primeiras participações femininas (22), que, junto aos homens, somaram 997 atletas olímpicos. As precárias e improvisadas condições materiais das competição impediram grandes feitos dos atletas e mesmo qualquer conforto para o quase sempre pequeno público de entusiastas, que foram obrigados a competir em situações absurdas, tais como nadar no Rio Sena em meio ao trânsito fluvial ou correr em campos lamacentos e impróprios. Muitos atletas campeões, inclusive, não receberam medalhas, ao invés disso foram premiados com guardas-chuvas, pratos, talheres, etc. Foi o primeiro evento com a participação de esportes coletivos, que foram algumas responsáveis por espelhar tensões de origem não esportiva, como no caso da final do rúgbi entre Alemanha e França, com vitória desta e a hostilização agressiva daquela em função das conquistas pelos alemães dos territórios de Alsácia e Lorena. Participaram desta edição 997 atletas, 22 eram mulheres.

1904 – St. Louis – Concomitantemente à realização da Feira Mundial de 1904, em Saint Louis, mais uma vez a precariedade da organização depôs contra os Jogos, além da ínfima participação de atletas que não fossem norte-americanos, pois apenas 12 países mandaram representantes. Esta edição foi tão ignorada e desprestigiada por outras nações porque era cara e demorada a viagem para cruzar o Oceano Atlântico e era sem sentido a concorrência mais uma vez com uma feira internacional. Isso explica a pouquíssima participação de atletas europeus e o entendimento generalizado que esta foi a pior edição dos Jogos. Até mesmo o Barão Pierre de Coubertin não compareceu. Pela primeira vez, campeões ganharam medalhas de ouro; segundos lugares, prata; e terceiros, bronze. Participaram desta edição 651 atletas de 12 países, seis eram mulheres.

1908 – Londres – Antes de mais nada, os Jogos de 1908 seriam em Roma se a erupção do vulcão Vesúvio, em 1906, não houvesse impedido a realização na Itália de uma Olimpíada, até porque o dinheiro destinado aos Jogos foi usado na reconstrução de Nápoles, por isso os ingleses tiveram apenas dois anos para viabilizar o evento. Os promotores dessa edição tiveram um orçamento inicial de 15 mil libras e arrecadaram cerca de 21 mil libras para realizá-los com forte apoio da família real britânica, que além de apoiar também impôs à organização caprichos como a mudança do percurso da maratona para que os netos de Eduardo 7º pudessem ver o evento. Depois de duas edições desastrosas, o COI começava a entender o que era necessário para que os Jogos Olímpicos fossem um evento de sucesso: grande público, países dedicados ao evento e estrutura adequada para favorecer os atletas e ao público. Estes Jogos foram disputados em dois momentos: Jogos de Verão (atletismo, natação, ciclismo e remo) e Jogos de Outono (patinação no gelo, boxe, futebol e rúgbi). A partir de então, as Olimpíadas passam também a contar com regras mais claras tanto para a condução das competições quanto para o próprio credenciamento de atletas para participar do evento. Dentre elas, a arbitragem dos Jogos saem do controle do país sede para o do COI, pois houve muitas suspeitas de favorecimento dos árbitros ingleses aos atletas compatriotas deles. Paralelamente aos Jogos, ocorreu a Heraea, que eram competições exclusivas para mulheres com túnicas curtas e cabelos soltos e ocorreram pela primeira vez na Grécia Antiga, quando apenas mulheres podiam competir numa data diferente da que era realizada a Olimpíada. Dois anos antes de Londres, ocorreram em Atenas Jogos alternativos ou extraordinários para comemorar os 10 anos dos Jogos de 1896, mas que não são reconhecidos hoje como parte da história oficial das Olimpíadas. Participaram dos Jogos de Londres 2008 atletas de 22 países, 37 eram mulheres.

1912 – Estocolmo – Nesta Olimpíada, pela primeira vez, o símbolo olímpico ainda não oficial dos cinco anéis entrelaçados como referência aos cinco continentes fez sentido, já que atletas de todos os continentes participaram dos Jogos, naquela ocasião considerados de alto padrão organizacional, já que os suecos conseguiram superar o excelente nível de organização das Olimpíadas de Londres. A proibição da presença de atletas profissionais nas competições fez uma vítima muito conveniente: o índio norte-americano Jim Thorpe, vencedor do pentatlo e decatlo, que teve suas medalhas cassadas, ainda que posteriormente devolvidas a sua família em 1983, 30 anos depois da morte desse campeão olímpico injustiçado. Nesta edição, houve inclusive competições artísticas de Literatura, Música, Pintura e Arquitetura. Esta Olimpíada marca pioneiramente a presença efetiva e em grande número de mulheres  como atletas no Jogos Olímpicos. Esta edição contou com 2407 atletas de 28 países e 14 esportes no programa, 48 desses eram mulheres.

1916 – Berlim – O ciclo olímpico moderno foi interrompido pela primeira vez. Os Jogos Olímpicos de Berlim foram cancelados devido à Primeira Guerra Mundial. Havia um grande interesse do Barão de Coubertin nessa edição alemã, já que ele esperava contribuir para a paz na Europa, o que não surtiu nenhum efeito com a eclosão da Primeira Grande Guerra em 1914. Mesmo assim, este evento é visto como a sexta Olimpíada da Era Moderna.


1920 – Antuérpia – A princípio, Budapeste seria a sede dos Jogos. Entretanto, por causa do Tratado de Versalhes e de uma condição do governo belga, pela primeira vez países eram banidos dos Jogos. Assim, a Hungria, a Alemanha, a Áustria, a Bulgária e a Turquia foram banidas de todas as competições esportivas internacionais. Daí, a honra de receber a sétima edição das Olimpíadas modernas ser de Antuérpia, na Bélgica, segundo o COI, “para homenagear o sofrimento do povo belga durante a Guerra”. Pela primeira vez, foi usada oficialmente a bandeira dos cinco arcos olímpicos na cerimônia de abertura. A Bélgica realizou com muita dificuldade e precariedade os Jogos por ainda estar sendo reconstruída em função da Primeira Guerra. A partir de 1920, apenas os comitês olímpicos nacionais puderam inscrever atletas, assim federações e clubes perderam o direito de fazê-lo. Esta foi a primeira participação brasileira nos Jogos Olímpicos com 29 atletas, já com conquista de medalha, foram três, todas no tiro, dentre elas, uma de ouro, pelo atirador brasileiro Guilherme Paraense. Nesta edição dos Jogos, pode-se afirmar que ascendia um dos heróis e ídolos olímpicos mais icônicos da História, Paavo Nurmi, o finlandês voador, ganhador de quatro medalhas nesta edição em provas de meio-fundo e fundo no atletismo, três delas foram de ouro. Pela primeira vez em uma edição oficial, fez-se o juramento olímpico: "Em nome de todos os competidores prometo que participaremos nestes Jogos Olímpicos respeitando e cumprindo suas regras, com verdadeiro espírito esportivo, para maior glória do esporte e honra de nossas equipes.". O texto foi proferido pela primeira vez em 1906 em Atenas, mas com uma pequena alteração, no lugar de "equipes" havia o termo "países", retirado em 1920 como forma de atenuar ânimos nacionalistas ainda exaltados pela Guerra recém acabada. Participaram desses Jogos 65 mulheres, o maior número da história, mas organizações feministas entenderam que seria necessário organizar jogos exclusivamente para mulheres, que ocorreram em 1921 na cidade de Morte Carlo. A modalidade cabo de guerra foi descontinuada após 1920, por causa do interesse dos europeus de suprimir qualquer lembrança da guerra no Jogos e para atenuar hostilidades entre atletas de países diferentes muito comuns no Jogos até então. Participaram 2626 atletas de 29 países, 65 eram mulheres.





1924 – Paris – Última edição dos Jogos organizada pelo Barão Pierre de Coubertin, pela segunda vez em Paris, mesmo depois do fiasco 24 anos antes na mesma cidade. Pela primeira vez, além de uma participação expressiva de países, atletas, jornalistas e público, uma vila olímpica foi disponibilizada aos atletas, ainda que não passasse de um conjunto de bangalôs de madeira, apesar desses esforços, houve muitos problemas na preparação e na organização do evento, inclusive o maior entusiasta desse Jogos, o Barão de Coubertin, ameaçou levar os Jogos para Lyon em função disso. Nesta Olimpíada, houve prejuízo por parte dos organizadores, já que se gastou quase o dobro do dinheiro arrecadado nos Jogos. Foi ainda nesta edição que o Comitê Olímpico Internacional (COI) estabeleceu o uso de seu lema (em latim): “Citius, Altius, Fortius” ou “Mais Rápido, Mais Alto, Mais Forte”. Participaram 44 países, mas a Alemanha mais uma vez foi impedida de participar dos Jogos por questões políticas. Ainda nesse contexto, a equipe italiana de ginástica saia dos locais de competição cantando hinos fascistas, o que era repudiado pela maioria do presentes. Pela primeira vez, parte dos Jogos foi transmitida pelo rádio. Em função de uma crise econômica na Confederação Brasileira de Desportos (CBD), apenas de última hora e por obra da Federação de Atletismo Paulista, que levou 11 atletas para essa edição, mas com a condição de não levar ninguém do Rio de Janeiro em função de disputas políticas entre os estados. Nessa edição, os franceses vaiariam diversos hinos de delegações e times que eles repudiavam por razões via de regra políticas. Têm início dos Jogos Olímpicos de Inverno em Chamonix, França. Participaram 3089 atletas de 44 países, 135 eram mulheres.




1928 – Amsterdã – As mulheres passam a ser aceitas oficialmente em competições de atletismo e ginástica muito em função da saída do Barão de Coubertin do COI, que achava um desvirtuamento do espírito original dos Jogos a participação feminina. Estas Olimpíadas marcariam o fim de certa aura de inocência em torno dos Jogos, porque as próximas edições seriam afetadas ou influenciadas por eventos históricos como o Crash da 1929, a ascensão do Nazismo, a Segunda Guerra Mundial e tudo mais que tornaria ainda mais conturbado o século que mal se iniciara. Os Jogos foram realizados apesar do veto da rainha holandesa Guilhermina, que entendia o evento como uma manifestação pagã. Nenhum país foi barrado nessa edição, por isso a Alemanha entre outros voltou a ser representada. Pela primeira vez o símbolo da pomba branca da paz foi usado na cerimônia de abertura. A Coca-Cola aparece pela primeira vez nos Jogos como empresa entusiasta em função de ter doado milhares de caixas de refrigerante para a organização dessa Olimpíada, mais tarde se tornaria patrocinadora do evento. Muitas mulheres desmaiaram ao fim de provas de corrida de fundo, o que fez o Papa Pio XI colocar-se em público contra a participação feminina nos Jogos, por achá-la desumana. No ano seguinte, as corridas femininas foram proibidas em Olimpíadas quando superiores a 200 metros rasos, maiores distância só voltaram ao programa olímpico feminino em Roma no ano de 1960.  Participaram 2883 atletas, destes 277 eram mulheres, que competiram em 16 esportes diferentes.

1932 – Los Angeles – Pela primeira vez, os Jogos assumem o formato de uma competição curta, em torno de 20 dias, visto que até então eles tinham uma duração média de dois ou três meses. Em função do período de recessão pelo qual passava a maioria dos países à época, graças ao Crash da bolsa de valores e da recessão decorrente dele, o número de participantes foi muito abaixo do esperado, ainda que isso não tenha determinado uma Olimpíada de fracos resultados. Ao contrário, 18 recordes foram quebrados, o público compareceu em número expressivo e houve nível técnico satisfatório em muitas modalidades. Apesar da Lei Seca que vigorava nos EUA, as delegações da França e da Itália argumentaram que precisavam de vinho para se recuperar das competições e porque fazia parte da dieta normal deles; foram atendidos. Participaram desta edição 1332 atletas de 37 países, 126 eram mulheres.

1936 - Berlim – Esta foi a edição mais contestada dos Jogos, até pelas muitas ameaças de boicote de vários países, não concretizadas, que foram justificadas pelas posições contrárias de muitos frente aos ideais nazistas claramente misturados ao próprio evento, que, a bem da verdade, teve uma organização impecável por causa da mobilização do terceiro Reich para tanto, o que incluiu uma maciça participação de inúmeras indústrias alemãs em vários campos da da preparação e da organização da Olimpíada de 1936. A contestação contra o fato de Berlim ser sede do evento foi grande, o que motivou países como os EUA a sugerirem outras sedes e mesmo Jogos alternativos que seriam realizados em Barcelona, os quais foram cancelados devido à Guerra Civil Espanhola. Durante a cerimônia de abertura desfilaram as juventudes hitlerianas. A delegação francesa, ao passar diante de Hitler, levantou o braço em um gesto ambíguo, mais tarde asseguraria que foi uma "saudação olímpica", mas a multidão presente a considerou uma saudação nazista e os aplaudiram. Esta Olimpíada foi vista por muitos como parte da propaganda nazista para celebrar a pretensa superioridade do povo alemão, o que se constituiu um fracasso diante das múltiplas conquistas do atleta negro estadunidense Jesse Owens, ganhador de quatro medalhas de ouro (100m rasos, 200m rasos, revezamento quatro por 100m e salto em distância), o que contrariava todas as teses de superioridade branca e germânica sugeridas em vários momentos desta edição dos Jogos. Mais de quatro milhões de ingressos foram vendidos, o que fez com que a Olimpíada de Berlim fosse um sucesso financeiro, organizacional e de público. Pela primeira vez, as imagens de uma Olimpíada foram transmitidas para 25 televisores gigantescos instalados em vários pontos da cidade sede. Além disso, o Reich encomendou à genial cineasta Leni Riefenstahl a criação de um documentário sobre os Jogos chamado de "Olympia, heróis do estádio". Dentre outras polêmicas, coreanos competiram pelo Japão nesses jogos, em função da ocupação japonesa da Coreia. O Partido Nazista tentou de várias maneiras substituir o membro alemão do COI, Theodore Lewald, por Hans von Taschmmer, pois este era membro do partido e aquele era judeu. Por razões semelhantes, diversos atletas judeus alemães foram impedidos de participar dos Jogos. A Irlanda boicotou essa edição, por considerar injusta a posição do COI a respeito da questão do Estado Livre Irlandês. O Brasil participou com 95 atletas. Participaram 3963 atletas de 49 países, 331 eram mulheres.
"Olympia, heróis do estádio", Leni Riefenstahl.

1940 – A terceira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna previstos primeiramente para Tóquio e depois para Helsinki foi cancelada. Em 1944, em plena Segunda Grande Guerra, não houve países que postulassem seriamente candidaturas, ainda que Londres muito antes tivesse se colocado como pretendente. 


1948 - Londres – Simbolicamente, essa edição dos Jogos foi importante para marcar a volta de um sentimento genuinamente civilizado para um continente devastado pela Guerra, ainda que financeiramente não houvesse condições ideais para realizá-la, tanto que as instalações eram muito precárias e poucos recordes foram superados. A nascente União Soviética não participou dos Jogos. Alemanha, Itália e Japão tiveram a presença muito contestada nessa edição dos Jogos, mas não foram exatamente proibidos de participar, pois a Itália participou, o Japão preferiu não ter representação e a Alemanha foi impedida sob a alegação de que não tinha um governo próprio constituído; isso era um reflexo do recente conflito em que se envolveram e saíram derrotados. Muitos campeões da última Olimpíada morreram na Guerra como o nadador húngaro Ferenc Csik (100 m livre e 4 x 200 m livre) e os alemães Carl Long (salto em distância), Wilhelm Leichum (4 x 100 m), Rudolph Harbig (4 x 400 m) e Hans Woelke (arremesso de peso). Nesses Jogos, houve a primeira deserção de um atleta de uma país comunista para o Ocidente, foi a ginasta checa Marie Provaznikova. Em paralelo aos Jogos, ocorreu a competição que seria o embrião dos Jogos Paralímpicos, que foi um evento organizado por Sir Ludwig Guttman como forma de ajudar na reabilitação dos soldados mutilados na Segunda Grande Guerra. Depois de 28 anos, o Brasil ganha de novo uma medalha, desta vez no basquete. Participaram 4104 atletas de 59 países, 390 eram mulheres.

(Aqui, leia a segunda parte deste artigo.)