domingo, 10 de maio de 2015

Redação - Proposta 2015-23 - analfabetismo científico - valorização da ciência

Leia atentamente os textos abaixo.

Texto 01.
“Você pode ser um cidadão educado, que lê e escreve com perfeição e, mesmo assim, ser um analfabeto científico! O analfabetismo científico é fenômeno conhecido e estudado principalmente no Primeiro Mundo. Cerca de metade da população de países adiantados desconhece noções básicas da ciência. No entanto, muitos ainda acreditam que a ciência moderna nada mais é do que uma sofisticação do senso comum.
O conhecimento do senso comum é uma habilidade espontânea da mente humana. É associativo e subjetivo e dá conta das necessidades usuais em muitas tarefas e na interação humana. Ora, se a ciência moderna resultaria diretamente de uma habilidade universal, deveríamos ter a situação contrária: a maioria das pessoas seriam capazes de compreender a ciência e pensar crítica e racionalmente. Nada disso acontece! Essa análise (ver por exemplo Alan Cromer) é reforçada por fatos históricos: a ciência não emergiu em nenhuma das grandes civilizações antigas, apenas nas condições únicas da cultura grega. Os filósofos pré-socráticos gregos adotaram a idéia revolucionária de que os fenômenos naturais teriam causas também naturais, não sendo controlados por uma divindade imprevisível. Seriam regidos por leis que poderiam ser descobertas pelo estudo e observação.
Ao lado dessa proposta ousada, os gregos também criaram a matemática como ciência, inaugurando o que chamamos de raciocínio dedutivo (do geral para o particular). Por 2 mil anos o progresso na ciência ficou restrito a avanços, na matemática principalmente. Em torno de 1600, com Nicolau Copérnico, Johannes Kepler e Galileu Galilei, a ciência renasceu. Este último inventou o método experimental e o raciocínio indutivo (do particular para o geral).”

Texto 02.
Nota: “Em 2010, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio do Departamento de Popularização e Difusão da C&T, e o Museu da Vida, ligado à Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, com a colaboração da Unesco, promoveram uma enquete nacional de percepção pública da C&T (Brasil, 2010). 5 A pesquisa teve como público-alvo os brasileiros e as brasileiras com idade igual ou superior a 16 anos e se baseou em um questionário estruturado com 101 perguntas, abertas ou fechadas. Entre 23 de junho e 6 de julho de 2010 foram realizadas 2.016 entrevistas, com base em uma amostra representativa do Brasil e estratificada quanto a sexo, idade, escolaridade, renda e região de moradia. 6 A margem de erro do parâmetro de estimação é de 2,18%, em nível de significância de 5%, isto é, com um intervalo de confiança de 95%.
A enquete forneceu dados ricos sobre acesso à informação de C&T, compreensão da divulgação científica, bem como comportamentos, hábitos e atitudes dos brasileiros em relação à C&T. Nesta seção realizamos uma análise aprofundada da relação entre interesse e ‘grau de informação’ (e sua associação com variáveis como educação, renda, local de moradia), e apresentamos as variáveis que estamos utilizando para mensurar o ‘grau de informação’ do indivíduo sobre C&T. Esses são nossos focos de análise para averiguar a relação entre informação e percepções dos brasileiros sobre C&T, a ser verificada na seção seguinte.”

Texto 03.
“Em 1906, o inventor mineiro Alberto Santos Dumont demonstrava para cerca de 1.000 pessoas que o homem podia voar. Um aviãozinho com forma de “T” coberto de seda japonesa, com armações de bambu e juntas de alumínio, se elevou em Paris do solo percorrendo 60 metros em 21 segundos. Aquele dia, a história lhe reservou uma página pela paternidade da aviação. Um século depois, outro brasileiro procurava a paternidade de uma nova era tecnológica também em 20 segundos. O experimento escapava do dia a dia da plateia: fazer um homem paraplégico andar. O neurocientista paulista Miguel Nicolelis, de 53 anos, chegava à abertura da Copa do Mundo para apresentar um pesado exoesqueleto robótico de plástico e alumínio que permitiria que um deficiente físico movesse seu corpo apenas imaginando que era capaz de fazê-lo.
Juliano Alves Pinto, paraplégico há sete anos, apareceu na cerimônia inaugural do Mundial vestindo o exoesqueleto e coberto pela capa que a família de Santos Dumont emprestou para a ocasião. Se na época do aeronauta tivessem existido as câmeras, seria de se esperar que o país inteiro seguisse a proeza ao vivo. Mas, na era da informação instantânea, a demonstração de Nicolelis, quando mais de um bilhão de pessoas estava colada à tevê, foi resumida a três segundos. Os três segundos mais polêmicos desta Copa do Mundo até o momento, milhares de brasileiros se indignaram ao ver tudo aquilo reduzido a uma bola rodando na grama. Dumont culpou a FIFA. Mas a FIFA replicou à Folha de São Paulo que no roteiro da cerimônia foram concedidos 30 segundos ao experimento e que o fato de que aparecesse apenas 30 segundos na televisão escapava de suas competências.”

Situação 2015-23A - Dissertação (Enem)
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “o analfabetismo científico no Brasil da atualidade”, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Instruções Enem:
1. O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.
2. O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em até 30 linhas.
3. A redação com até 7 (sete) linhas escritas será considerada “insuficiente” e receberá nota zero.
4. A redação que fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo receberá nota zero.
5. A redação que apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos receberá nota zero.
6. A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeito de correção.

Situação 2015-23B - Dissertação (USP, Unesp, Uniube, etc.)
Faça uma dissertação sobre o seguinte aforismo:

Em uma sociedade onde a ciência e a tecnologia são agentes de mudanças econômicas e sociais, o analfabetismo científico, seja de quem for, pode ser um fator crucial para determinar decisões que afetarão nosso bem-estar social. É impossível tomar uma decisão consciente se não se tem um mínimo de entendimento sobre ciência e tecnologia, como funcionam e como podem afetar nossas vidas.” (Marcelo Knobel - Docente do Instituto de Física Gleb Wataghin e pró-reitor de graduação da Unicamp)

Situação 2015-23C – Outros gêneros textuais – Relato ou narração (Outros vestibulares)
Faça um relato em terceira pessoa sobre uma sociedade futura completamente governada e conduzida pelo pensamento científico e pela razão.

Instruções:
1. Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
2. A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
3. Dê um título a sua redação.