domingo, 5 de abril de 2015

ATA - Módulo 3 - Gêneros musicais brasileiros - Rock

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O Rock, apesar das aparências e de outras influências provenientes do Folk e do Country, é filho de mãe negra, é filho do Blues, ritmo nascido no chamado “sul profundo” dos EUA, na área do Delta do Mississipi e nas imediações também rurais dessa região e de outros estados sulistas.
O Blues constituiu-se como crônica musical da vida de trabalho, poucas alegrias, humilhações e preconceito sofridos pelos negros norte-americanos na virada do século XIX para o XX. Além desse, outros temas dominavam as predileções dos primeiros “bluesmen”, a saber: o sexo, o demônio, a bebida, a noite e os relacionamentos afetivos. De modo geral, o Blues é uma música de harmonia simples, de ritmo melancólico e solos de guitarra, gaita e piano comumente, que simulavam um lamento, um choro ancestral – a famosa “blue note” - vindo da África manifestando-se contra a violência, o degredo e as muitas tentativas de aculturamento sofridas pelos negros chegados nos EUA por parte dos brancos norte-americanos.
Do ponto de vista musical, é um dos pilares do Jazz e em alguns momentos confunde-se com ele, especialmente nas duas primeiras décadas do século XX. Sobre outro aspecto do processo de urbanização do Blues com o desenvolvimento do chamado Chicago Blues e, mais tarde, do Rhythm and Blues (R&B), é importante perceber a relação direta desses novos estilos como consequências do êxodo rural dos negros do sul dos EUA que buscavam as cidades do norte desse país com o intuito de buscar melhores condições de vida, de escapar de leis segregacionistas como as “Jim Crow” e de evitar organizações racistas como a Ku Klux Klan (KKK).
Em Chicago e em outras cidades do norte, esses migrantes negros encontraram uma parte mais desenvolvida e liberal dos EUA, em função disso milhares de negros do sul procuravam no Norte melhores condições de vida e de trabalho, além de uma sociedade menos preconceituosa, entretanto quase sempre não a achavam, porque eram obrigados - por questões também econômicas - a morarem em guetos pobres e, portanto, continuavam, ainda que de uma forma menos violenta, marginalizados na sociedade.
A partir de então, variantes do Blues passaram a ser aceleradas e eletrificadas como é o caso do Chicago Blues e do Detroit Blues, assim o Blues passou a influenciar de forma mais contundente no desenvolvimento de ritmos derivados e dependentes dele, tais como: o Rhythm and Blues (R&B), o Rock, o Funk, o Soul e o RAP, os quais são consequências estéticas desse primordial gênero musical norte-americano, que, junto ao samba, influenciou a música mundial numa proporção e abrangência incomparável. O Blues, ao longo da primeira metade do século XX, diversificou-se em muitos estilos tais como o Delta Blues, o Piedmont Blues, o Country Blues, o Chicago Blues, o Detroit Blues, o Jump Blues, etc. Entre os músicos de blues, destacam-se alguns nomes como Charlie Paton, Son House, Leadbelly, Robert Johnson, Willie Dixon, Muddy Waters, B.B. King, Buddy Guy, Pinetop Perkins, Hound Dog Taylor, Koko Taylor, Blind Wille McTell, Blind Lemon Jefferson, Arthur “Big Boy” Crudup, Blind Willie Johnson, Big Mama Thornton, Eddie Boyd, Sonny Terry, Elmore James, Willian Clarke, Fenton Robinson, Howlin' Wolf, J. B. Lenoir, John Lee Hooker, etc.
Assim, o ritmo musical nascido da união de influências estéticas negras como o Blues e, seu filho de cadência acelerada e letras subversivas, o Rhythm'n'Blues, com ritmos musicais como o Country, o Bluegrass e o Folk, os quais unidos de diversas formas permitiriam o nascimento do Rock’n’Roll entre as décadas de 1940 e 1950 com mais evidência, em especial na música negros como Chuck Berry, Little Richards, Fats Domino e Bo Diddley.
O Rock nasceu cercado de preconceitos impostos pela sociedade branca, protestante e conservadora da década de 1950 nos EUA, muito em função do ritmo acelerado, das letras ideologicamente distintas da moral vigente à época, da forma frenética de dançá-lo, da associação com a rebeldia adolescente, etc. Entretanto, a partir da década de 1960 foi lentamente assimilado pela cultura urbana e jovem, que se formava por causa da massiva presença de adolescentes nas sociedades norte-americana e europeia na metade da década de 1950, até tornar-se parte fundamental da indústria cultural a partir da década de 1970.
Quanto à expressão, ela literalmente significa "balançar e rolar" e era uma gíria dos negros norte-americanos do início do século XX, para referir-se comumente ao ato sexual, que figurava com certa constância em muitas letras de blues e R&B da primeira metade do século XX. O nome efetivamente foi dado pelo radialista Alan Freed, também conhecido como "Moondog", que foi um “disk jockey” (DJ) norte-americano, tido como o criador do termo "rock 'n' roll" no início da década de 1950 como referência à música de pioneiros do Rock como Chuck Berry, Fats Domino, Little Richards, etc.
Alan Freed foi crucial na promoção do rock, especialmente, por atrair uma juventude branca e urbana dos EUA para uma música derivada do Blues que, em um primeiro momento, era feita quase exclusivamente por negros, com isso ela acabou por ser responsável pela projeção por meio de seu muito prestigiado programa de rádio de muitos nomes que seriam mais tarde vistos como pais do rock. Além disso, também organizava shows, chamados naquele momento de “Rock‘n’Roll Jamboree”, os quais foram pioneiros ao reunir em uma mesma plateia e num mesmo palco, negros e brancos.
São nomes representativos do chamado Rock’n’Roll clássico: Chuck Berry, Little Richards, Jerry Lee Lewis, Fats Domino, Bill Halley, Carl Perkins, Roy Orbison, Bo Diddley, Hank Willians, Muddy Waters, Buddy Holly, Johnny Cash, Elvis Presley, etc.
A partir da década de 1960, com as influências do Folk, da “Invasão britânica”, do revigorado Blues, das experiências com drogas alucinógenas, do ideário Hippie, do oriente indiano, entre outras, desenvolveram-se inúmeras vertentes do rock como o Blues Rock (Canned Heat, Yardbirds, Taste, Blue Cheer, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Bacon Fat, etc.), o Folk Rock (Bob Dylan; The Band; Crosby; Stills, Nash and Young; Buffalo Springfield; etc.), o Rock Progressivo (Pink Floyd, Yes, Jethro Tull, Rush, Van de Graaf, King Crimson, Gentle Giant, etc.), o Rock Psicodélico (Grateful Dead, Jefferson Airplane, etc.), o Hard Rock (Led Zeppelin, Deep Purple, Humble Pie, Free, etc.), o Heavy Metal (Black Sabbath, Dust, Buffalo, Blue Cheer, etc.), o Punk Rock (Stooges, MC5, etc.), etc.

Para ouvir:

Son House - Death Letter Blues (Delta blues)

Robert Johnson - Me and the Devil Blues (Delta blues)

Lightin' Hopkins - Baby please don't go (Delta blues)

Howlin' Wolf – Evil (Jump Blues)

Etta James - I'd Rather Go Blind (Blues)

Muddy Waters - Got My Mojo Workin' (Chicago Blues)

Muddy Waters - Mannish boy ("Electric mud") (Chicago Blues)

John Lee Hooker - Think Twice Before You Go (Detroit Blues)

Chuck Berry - Johnny B. Goode (Rock classico)

Little Richard - Long Tall Sally (Rock Clássico)

Fats Domino - Ain't That A Shame (Rock Clássico)

Bo Diddley - Bo Diddley (Rock Clássico)

Bill Haley His Comets- Rock Around The Clock (Rock Clássico)

Elvis Presley - Jailhouse rock

Pat Boone -Tutti frutti

Aprofundamento:

Uma breve história sobre os primeiros anos do Rock

Um texto interessante sobre os anos iniciais do Rock

Worksong/Holler

Gospel/Spiritual

Delta Blues - Blues "rural"


Jazz

Chicago Blues - Rhytim'n'Blues

Soul

Funk



Rock – origens

O contexto ideológico e histórico que antecede a chegada do Rock no Brasil no final da década de 1950 inscreve-se num ambiente que fora muito propício para um intenso processo de americanização da cultura brasileira, em função de acordos feitos entre os governos brasileiros de então e os EUA com a anuência da elite brasileira que tinha muito interesse nessa importação cultural e material que objetivava “modernizar” o Brasil ao gosto do que os EUA articulavam mundialmente no campo diplomático. É nesse contexto que o rock chega em terras brasileiras. Soma-se a isso outro contexto, ligado ao “surgimento” da adolescência e da contracultura muito bem definidos nesse trecho de texto de Carlos Primati:

“‘Contra o que você está se rebelando, Johnny?’, uma moça pergunta ao motoqueiro interpretado por Marlon Brando no filme ‘O Selvagem’ (‘The Wild One’). ‘Contra o que você quiser’, responde o malvado. Lançado no final de 1953, o filme tornou-se um símbolo da inquietação juvenil, antecipando o conflito de gerações que seria detonado definitivamente pela explosão do rock’n’roll, alguns anos depois.
A ressaca do pós-guerra trouxe embutida a necessidade de contestar antigos valores. A perda da inocência e a conseqüente desconfiança nos mais velhos ampliaram o abismo entre gerações. Nada mais perfeito do que o frenético, indecente, imoral e excitante rock’n’roll para selar esse conflito. O cinema não demorou para perceber o potencial desse novo filão e a indústria de Hollywood tratou de estampar nas telas o inconformismo.
O drama estudantil Sementes da Violência (Blackboard Jungle) estipulou o marco zero do rock’n’roll nas telas ao exibir ‘Rock Around the Clock’. O filme captava o clima tenso entre os “rebeldes sem causa” e as instituições conservadoras. A cena do delinqüente que quebra uma coleção de discos de jazz não deixa de ter um forte simbolismo.
Atento a todo o alvoroço provocado pelo novo ritmo, o veterano produtor Sam Katzman decidiu investir no primeiro filme sobre a febre do rock’n’roll. Em março de 1956, ‘Ao Balanço das Horas’ (‘Rock Around the Clock’) levava o verdadeiro rock às telas, contando a história (um pouco ingênua, deveras fictícia) da ascensão e descoberta de Bill Haley e seus cometas. No filme, o rock’n’roll é tratado como uma ‘onda’, à qual todo artista que quer fazer sucesso deve aderir o quanto antes. Mais ou menos como aconteceu com Haley, um cantor caipira de meia-idade, alçado da noite para o dia ao posto de ‘ídolo da juventude’.
Claro que detalhes como esse pouco importavam aos produtores; os filmes de rock não defendiam ideais ou estilos de vida. O objetivo era faturar com a nova mania. Eram garotos entre os 13 e 25 anos que lotavam os drive-ins, então nada mais lucrativo do que fazer filmes para esse público rejuvenescido.
Foi o cinema que cuidou de transformar o rock numa manifestação sociológica perene. O espírito inquieto do novo ritmo se manifestava por meio da arruaça promovida durante as sessões. Assim, os filmes ajudaram a definir o famoso jargão ‘o rock não pode parar’”.

O rock para efeitos midiáticos e televisivos começou com a primeira aparição nacional nos EUA do então quase desconhecido Elvis Presley, era janeiro de 1956, dia chuvoso, apesar disso a plateia do The Dorsey Brothers Stage Show, em Nova York, estava lotada. Naquela noite, o “Rei do Rock” cantou “Shake Rattle & Roll”, “Flip Flop & Fly” e “I Got A Woman”. Nascia nesse dia para o grande público o que viria a ser chamado de Rock’n’Roll, ainda que suas origens negras tornem natural e justo entender o rock como uma consequência direta do Jump Blues, do R&B e de outras versões - do inicio da década de 1950 - aceleradas e eletrificadas do blues rural do sul profundo dos EUA, ou seja, a origem mais contundente do rock está nas comunidades negras dos EUA. Em todo caso, para a maioria das pessoas até hoje, o rock nasceu em 1956 com essa apresentação histórica de Elvis, o que atestaria a relação seminal entre o rock e os meios de comunicação como o rádio e a televisão.
O rock no Brasil começou “cinematográfico” graças ao sucesso arrebatador do filme “Sementes da violência”, “Blackboard jungle” em inglês, que depois de fazer um alvoroço estrondoso em cinemas norte-americanos a ponto de ser proibido em diversas cidades dos EUA, chegava ao Brasil com estardalhaço menos amplo, mas não menor, em virtude das reações estupefatas e indignadas contra o que se pensava ser uma corrupção tremenda dos “bons costumes”, o que de fato era.
Nesse contexto, o Rock brasileiro nasceu oficialmente com uma versão do clássico de Bill Haley & His Comets: “Rock Around the clock”, que ficou mundialmente conhecida por fazer parte do sucesso do cinema “Blackboard jungle”. Era 1955, quando a cantora Nora Ney lançou “Ronda das horas” em ritmo diferente do original, porque mais parecia um Foxtrot do que um Rock. Mais tarde Cauby Peixoto com “Rock and Roll em Copacabana”; Sérgio Murilo com “Broto legal” e Cely Campelo com os clássicos “Estúpido cupido” e “Banho de lua” seriam transformados em ídolos da juventude brasileira nos anos posteriores.

Em meados da década de 1960, o primeiro movimento organizado desse gênero musical, a Jovem Guarda, seria desenvolvido no Brasil em torno das figuras de Erasmo e Roberto Carlos, ainda que fosse uma música distante do que se fazia à época nos EUA e na Inglaterra, porque ingênua, apolítica e, para muitos, mera cópia do que se havia feito nesses países dez anos antes. Todavia, fazia um sucesso estrondoso no Brasil, por isso pode ser considerado o primeiro fenômeno cultural pop e jovem em terras brasileiras que alcançou um sucesso em escala nacional, em grande medida graças ao programa da TV Record intitulado Jovem Guarda lançado em agosto de 1965.
Mais tarde, também vale destacar o Tropicalismo que dialogaria intensamente com a vanguarda roqueira norte-americana e inglesa, em especial com a inovadora proposta estética do disco “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” dos Beatles. De diversas formas influenciados pela Tropicália e pelo Hard Rock de bandas como Cream, Led Zeppelin, Deep Purple, etc., e pelo Rock Progressivo de bandas como Pink Floyd, Yes, Jethro Tull, Focus, etc., sem, na maioria das vezes, desconectarem-se das raízes da cultura brasileira, bandas como Secos e Molhados, Mutantes, Novos baianos, O terço, Som nosso de cada dia, A Barca do Sol, A Banda, Som Imaginário, Ave sangria, Casa das máquinas, etc., e intérpretes como Raul Seixas, Zé Ramalho, Rita Lee e Alceu Valença, em seus primeiros discos, definiriam o Rock, agora sim essencialmente brasileiro e autoral, feito na década de 1970 no Brasil.
O Samba-rock, também chamado sambalanço, samba-soul, suingue, que foi uma associação feita entre o som da guitarra elétrica e a sonoridade do Samba, produziu um ritmo rico e único também pelas letras leves e muitas vezes despretensiosas. Destacam-se o Jorge Bem, Trio Mocotó, Bebeto, etc.
Ainda na década de 1970, destacaram-se a música do Clube da Esquina, em Minas Gerais, declaradamente influenciada pela música dos Beatles. Além disso, como uma consequência direta do movimento tropicalista, surgem os Novos Baianos com uma mistura inspirada e radical de MPB com ritmos derivados do rock.
A década de 1980 foi profundamente marcada pela abertura política com o fim da Ditadura Militar; pelo sucesso da Fluminense FM, da casa de shows Disco Voador e do filme “Menino do Rio”; e pela consolidação de uma juventude menos tensa e pressionada, em especial no Rio de Janeiro. Esse contexto provocou por um lado certo “desbunde” e valorização do hedonismo em grande parte da geração de jovens da década de 1980, mais uma vez especialmente no Rio, o que muito influenciou a produção de bandas como Blitz, Barão Vermelho, Kid Abelha, Biquini Cavadão, João Penca e os seus miquinhos amestrados, etc.
Por outro lado, especialmente em São Paulo e Brasília, surgiriam diversas bandas influenciadas pelas condições urbanas mais conflituosas dessas cidades. Assim, surgem influenciadas pela compleição urbana de capital do país, pela condição de jovens de classe média de seus protagonistas e pela cena pós-Punk inglesa bandas como Aborto Elétrico, Plebe Rude, Capital inicial e Legião Urbana. Em São Paulo, produto da cidade de inúmeros conflitos urbanos; do olhar periférico e operário de garotos de subúrbio, da profunda desigualdade social instalada na capital paulista e do Hardcore e do Punk inglês e norte-americano, nascem bandas seminais como Olho Seco, Ratos de Porão, Inocentes, etc.; além disso, das influências do cenário “underground” do rock inglês e da cultura Mod, surgem bandas como Ira e Violetas de Outono. Alcançaria o sucesso também a banda brasileira mais jamaicana desse período que eram os Paralamas do Sucesso e o humor escrachado do Ultraje a rigor.
Ainda na década de 1980, com a influência do som de bandas como Black Sabbath, Motörhead, Iron Maiden, Metallica, Judas Priest, Venom, Diamond Head, entre outras bandas de Metal europeias e estadunidenses, desenvolveu-se no Brasil uma das cenas mais profícuas de Metal do mundo, graças à qualidade e o pioneirismo de bandas como Sepultura, Sarcófago, Overdose, Angra, Viper, Angra, Dorsal Atlântica entre muitas outras bandas que ajudaram no processo de estabelecimento do Heavy Metal no Brasil e de muitos de seus subgêneros como o Thrash Metal, Death Metal, Black Metal, etc.
Do Sul, ainda na década de 1980, viria o Rock intelectualizado e requintado dos Engenheiros do Hawaii; o Punk vigoroso dos Replicantes; o Rock seminal do Defalla; o Poprock radiofônico do Nenhum de nós; entre muitas outras bandas.
Na década de 1990, o Rock da década mais bem sucedida da história desse gênero musical no Brasil, a de 1980, seria gradativamente substituído nas rádios e televisões por gêneros musicais como o Sertanejo, o Axé, a Música Eletrônica e o Pagode, que se tornariam grandes sucessos entre a maioria dos jovens brasileiros. Nesse contexto, ainda destacam-se bandas como Rappa, Jota Quest, Skank, Pato Fu, entre outras poucas que ainda manteriam o Rock com alguma presença na grande mídia. Nesse período, o Rock volta ao “subterrâneo” e ao “underground” por meio de festivais independentes como o Abril Pro Rock que teve sua pioneira edição em 1993, o que influenciaria a cena roqueira no Brasil profundamente, já que após esse marco diversos festivais similares seriam realizados no Brasil até o presente momento.
Nessa década, surge também um ritmo muito ligado ao Rock, mas mais conectado ao multiculturalismo e as referências múltiplas e imprevistas oriundas da música jamaicana, da Música Eletrônica, do RAP, etc., a partir do Recife, que seria intitulado Manguebeat, que teria como bandas chave a Chico Science & Nação Zumbi e o Mundo Livre S.A. Mais tarde, outros grupos de forma multifacetada serão consequências estéticas e sonoras desse primeiro impulso criativo de pensar e criar uma cena de música jovem na “cidade estuário”, são elas: Cordel do Fogo Encantado, Móveis Coloniais de Acaju, Sheik Tosado, Mombojó, Querosene Jacaré, Cabruêra, Mestre Ambrósio, Otto, Orquestra Santa Massa, Orquestra Contemporânea de Olinda, etc.
Como consequência dessa independência estética, fonográfica e organizacional, muitos festivais seriam criados a partir de 1994 e continuam sendo criados sob a égide do multiculturalismo, da experiência de produção artística colaborativa, do estímulo à diversidade musical e da distribuição independente e por meio da internet do conteúdo que produzem, são os casos do JuntaTribo, BHRIF, Humaitá pra peixe, Gioânia Noise, Bananada, Boom Bahia, Calango, Festival Demo Sul, Do Sol, Eletronika, Grito Rock, Jambolada, Mada, Porão do Rock, Porto Musical, Rec Beat, Varadouro, Festival Quebramar, Timbre, etc. Nesse ambiente, tiveram seus primeiros espaços bandas como Funk Fuckers, Raimundos, Los Hermanos, Detonautas, Planet Hemp, Cachorro Grande, Pata de Elefante, Uganga, Burro Morto, Porcas Borboletas, Macaco Bong, Krow, Tulipa Ruiz, Vespas Mandarinas, entre muitas outras.
Ainda na década de 1990, surgiu no Brasil uma cena underground de Hardcore Melódico e Punk Rock, mais tarde chamada de forma simplificadora de Emo, no início com músicas cantadas exclusivamente em inglês, depois predominantemente em português, também associada à independência em relação às grandes gravadoras, ao menos no início de sua história. São exemplos bandas como Garage Fuzz, Blind Pigs, Dance of Days, Hateen, Holly tree, Carbona, Mukeka di rato, Sugar Kane, CPM 22, Dead Fish, Glória, etc.

Leituras obrigatórias

Para ler, ver e ouvir:
A história do Rock Brasileiro (Sesc TV)

Aprofundamento

Discografia selecionada
Bill Haley & this comets – 1955 - “Rock around the clock”
“Sementes da Violência” – trailer – de Richard Brooks
Elvis Presley – 1956 – no The Dorsey Brothers Stage Show
Nora Ney – 1955 – “Rock around the clock”
Heleninha Silveira – 1955 – “Ronda das horas”
Cauby Peixoto – 1957 – “Rock’n’Roll em Copacabana” (primeiro rock composto originalmente em português.)
Betinho e Seu Conjunto - 1957 – “Banho de lua”
Celly Campello - 1959 - "Lacinhos cor de rosa"

Sérgio Murilo – 1960 – “Querida” (versão de “Believe me”)
Sérgio Murilo – 1960 – “Broto legal”
Ronnie Cord - 1963 - Rua Augusta

Roberto Carlos – 1963 – “Splish splash”
Roberto Carlos – 1963 – “Parei na contramão”
The Jet Blacks – 1964 – “Chapeuzinho vermelho”
The Jet Blacks – 1963 – “Apache”
The Jordans – 1964 – “Blue star”
Mutantes – 1969 – “Batmacumba” e “Panis et circensis”
Som imaginário – 1970 – “Feira moderna”
Novos Baianos – 1972 – “Tinindo trincando”
Raul Seixas – 1974 – “Sociedade alternativa”
Moto Perpétuo – 1974 – “Conto contigo”
Secos e Molhados – 1974 – “Flores astrais”
Ave Sangria – 1974 – “Geórgia, a carniceira”
Rita Lee & Tutti Frutti – 1975 – “Esse Tal De Roque Enrow”
Aborto Elétrico – 1980-1981 – “O reggae”
“Botinada” - A história do Punk no Brasil
Ira! – 1984 – “Gritos na multidão”
Plebe Rude – 1985 – “Até quando esperar”
Titãs – 1985 – “AA UU”
Legião Urbana – 1985 ou 1986 – “Química”
Barão Vermelho – 1985 – “Bete balanço”
RPM – 1985 – “Olhar 43”
Inocentes – 1986 – “Pânico em SP”
Engenheiros do Hawaii – 1986 – “A revolta dos dândis”
Capital Inicial – 1986 – “Fátima”
Ultraje a rigor – 1986 – “Rebelde sem causa”
Zero e RPM – 1986 – “Agora eu sei”
O Rappa – 1995 – Show em SP
Pato Fu – 1995 – “Sobre o tempo”
Jota Quest – 1996 – Ônibusfobia
Os herdeiros do Manguebeat.
Uma breve história da música Emo.
Os festivais independentes brasileiros.

Jovem Guarda para ver:




Jovem Guarda para ler e ouvir:
http://www.itaucultural.org.br/jovemguarda/ (Ler "Jovem guarda: a história" e "As influências estrangeiras")

Rock Brasileiro da década de 1970 para ler, ver e ouvir:

Rock Brasileiro da década de 1980 para ler, ver e ouvir:

As origens do Punk no Brasil.

Para tocar a década de 1980:

Para entender as bandas da década de 1970:

50 anos do Rock Brasileiro