domingo, 10 de agosto de 2014

ATA - Arte Contemporânea


"A pintura para mim não pode ser derivada de uma idéia preconcebida; a parte que cabe ao acaso (aventura) é muito importante e, de fato, é este acaso que cumpre o papel decisivo no processo de criação."
(Jean-Michel Atlan, expoente do Tachismo europeu)

“O que fazemos são celebrações, rituais sacrificiatórios. Nosso instrumento é o próprio corpo – contra os computadores. Nosso artesanato é mental. Usamos a cabeça – contra o coração. Ao invés do “laser” – imaginação. O sangue e o fogo purificam. Nosso problema é ético – contra o onanismo estético. Vanguarda não é atualização de materiais, não é arte tecnológica e coisa que tais. È um comportamento, um modo de ser e de encarar as coisas, os homens e os materiais, é uma atitude definida diante do mundo. É transformação permanente, o precário como norma, a luta como processo de vida.”
(Frederico Morais)

A arte na contemporaneidade tem tido paradigmas, conceitos, possibilidades e procedimentos muito ampliados com o advento de diversas tecnologias, desde a fotografia que junto ao cinema garantiram um novo espaço para a expressão artística; com a popularização do rádio e da televisão que também exerceram influência e foram influenciados por diversas linguagens artísticas e, especialmente, com o advento dos computadores e dos recursos de digitalização e manipulação de informações sensoriais.
Além disso, novas formas de arte foram criadas a partir do contato entre expressões artísticas como literatura e pintura, cinema e pintura, literatura e Histórias em quadrinhos (HQs), a essas interações dá-se o nome de mixagens.
Desde o tempo em que arte era um saber academicista tanto para aqueles que a produziam quanto para aqueles que a contemplavam muito se modificou. Primeiramente, porque a arte aproximou-se da vida cotidiana das pessoas de forma literal e contundente tanto no grafite que empresta contundência e beleza para as paredes de muitas cidades brasileiras, quanto nas infinitas possibilidades de manipulação de imagens disponíveis em recursos computacionais que de certa maneira democratizam a produção de obras de arte fundamentadas ou distribuídas nessa plataforma.
As múltiplas possibilidades de manifestação artística, as multifacetadas e por vezes incomuns visões estéticas e o alargamento de horizontes permitido pelo avanço tecnológico tornaram a arte contemporânea um ambiente incompreensível para a maioria das pessoas, as quais não elaboraram muitas vezes nem as iniciativas das vanguardas artísticas europeias ou mesmo o ideário da Semana de 22. Assim, é aceitável que muitos ainda resistam em compreender uma instalação, as Histórias em Quadrinhos (HQs), as intervenções urbanas como o grafite, o “happening”, etc., como obras de arte.
Como forma de auxílio para a compreensão desse múltiplo e mutante universo, segue um breve glossário com termos que podem ser esclarecedores para a interpretação de uma obra de arte em qualquer tempo, especialmente as inscritas na Arte Contemporânea.




Abstracionismo – estética muito presente nas artes visuais do século XX, caracterizada pela não representação de objetos da realidade objetiva e exterior. Em vez disso, usa cores, linhas e superfícies de forma organizada ou não para compor o ponto de vista do artista sobre uma temática de uma maneira "não representacional". Reconhecida por romper com a concepção tradicional de arte especialmente na Europa.
Action painting ("pintura de ação", do inglês) - técnica de pintura usada por Jackson Pollock durante a década de 1950 baseada em gotejar, derramar, espirrar ou atirar a tinta contra a tela sem que o pincel ou artefato similar toque-a.
Ação artística - qualquer ato ou processo realizado por um artista por razões de ordem formalista, estética, performática ou não, em alguma plataforma que possa servir de meio, registro para tal feito.
Apropriação - uso de artefatos, imagens, textos ou objetos em trabalhos artísticos, de forma alheia do universo original e natural deles. É uma forma de intertextualidade que pode substanciar-se como alusão, paródia, citação, etc. Muito utilizado nas colagens do Dadaísmo, nas citações da Pop Art, no dub jamaicano, nas bases funk do RAP, nos remixes da música eletrônica, etc.
Arquitetura da informação – reúne as preocupações com o design de ambientes virtuais e a disponibilização e organização das informações em um dado contexto no sentido de tornar esse conteúdo imune ou resistente a qualquer forma de desordem ou descaminho.
Arte conceitual - trabalho artístico no qual a ideia ou o conceito predomina sobre a forma ou a matéria, portanto se torna mais importante do que a obra realizada (que por vezes se quer é acabada ou mesmo é perene).
Arte concreta – associada à arte abstrata que repudia intensamente o uso de figuras realistas em manifestação artística. Utiliza geralmente formas geométricas simples para compor a obra.
Arte digital - arte concebida e executada com recursos da informática quase sempre por intermédio de computadores. Assume grande diversidade de formas como a animação, o “webdesign”, etc. Utiliza ambientes gráficos computacionais como instrumento de composição da obra artística.
Arte engajada ou política - criação artística que expõe de forma comumente explícita o ponto de vista ideológico ou político do autor a respeito de um determinado tema.
Arte figurativa - representação de figuras ou objetos em uma obra artística de forma a serem identificados pelos espectadores.
Arte interativa – tipo de arte em que existe a possibilidade de um processo de interlocução entre a obra ou o autor e o observador ou espectador, muitas vezes com a interação direta entre eles.
Assemblage – baseia-se na concepção de que tudo pode ser incorporado à obra artística, especialmente objetos de uso cotidiano ou mesmo lixo, com o objetivo de eliminar as fronteiras entre arte e vida cotidiana. É uma forma radical de colagem.
Bad painting ("má pintura", do inglês) - pintura figurativa deliberadamente feita com o intuito de questionar os conceitos de beleza socialmente estabelecidos em uma dada comunidade com o objetivo de subverter ideias pré-concebidas e tradicionais sobre arte e estética.
Body art (arte corporal) – expressão artística que tem o corpo como seu único suporte de forma direta, por vezes “permanentemente” como a tatuagem.
Cibercultura – termo de conceituação ampla e difícil surgido ao longo da década de 1970 com o advento e o início da popularização dos computadores pessoais. Ganhou muito mais abrangência em função da internet e da cultura que se desenvolve nesse meio, e é potencializada por blogs, “sites” colaborativos, redes sociais, microblogs, velocíssima disseminação de informação, o questionamento da privacidade, o “dilúvio da informação”, etc.
Colagem – no campo das artes visuais, procedimento em que duas ou mais imagens diferentes são afixadas numa mesma superfície com um intuito estético. No campo da música, consiste na sobreposição ou na junção de trechos de uma música em outra como introdução desta. Técnica muito comum no RAP em que trechos de músicas de Jazz e de Funk são frequentemente usadas por DJs como introdução ou base para o canto falado do MC.
Curador - profissional que organiza exposições, cria um conceito para elas e escolhe as obras que as comporão.
Design - processo técnico e criativo relacionado à configuração, concepção, elaboração e adaptação de um artefato para um determinado fim ou para a resolução de um problema. Muitas vezes, o design concilia aspirações estéticas, pragmáticas e ergonômicas em um mesmo produto. Podem ser concebidos, melhorados ou reelaborados pelo design: utensílios domésticos, vestimentas, máquinas, ambientes, peças gráficas, capas de discos ou livros, letras e números, interfaces de “site’’ ou “softwares”, etc.
Earth work (ou "Land art") - arte baseada em alterações efêmeras ou não na paisagem natural.
Escultura – realização de um trabalho artístico tridimensional obtido por processos de desgaste, entalhe, modelagem ou fundição em materiais como madeira, pedra, metal, etc.
Estereótipo (ou "clichê") - imagem, técnica, signo ou código amplamente aceito e repetido por determinados artistas, o que torna as suas obras previsíveis, óbvias e muitas vezes dispensáveis para o desenvolvimento da arte.
Grafite – termo de origem italiana usado para classificar desenhos ou pinturas de caráter artístico executados em paredes externas, ônibus, trens, pontes, etc., normalmente com “spray” de diversas cores ou apenas preto. Há duas décadas, passou a ser visto também como uma forma de expressão artística visual vinculada à cultura Hip Hop. Recentemente, o grafite é diferenciado da pichação em função de esta ter uma pretensão mais política e ideológica e menos artística, ou seja, o conteúdo é muito mais importante do que a forma. Além disso, esta é vista como uma forma de vandalismo, em função do fato de não ser autorizada, ao contrário daquele que comumente tem a anuência do proprietário ou responsável pelo espaço no qual será feito o grafite.
Graphic novel (romance gráfico, literalmente) – forma de HQ normalmente associada a temáticas mais complexas e profundas do que a convencional. Também pode ser compreendida como arte sequencial mais próxima da literatura pela qualidade do texto que rivaliza com o aspecto gráfico quanto ao apuro estético e a significação artística. Geralmente de longa duração, com densidade dramática assemelhada ao romance literário, porque em prosa e em formato de livro, além de outras aproximações teóricas possíveis. O grande mestre da arte sequencial Will Eisner é considerado pioneiro nesse formato com a obra “A contract with god”, trabalho inovador, denso e complexo que se tornou marco histórico do gênero. Pode ainda ser resultado de novo tratamento sequencial e artístico para HQs convencionais tal como pode ser produto da reunião de histórias lançadas separadamente.
Gravura - obra artística produto da compressão de um suporte específico em uma matriz esculpida em metal, madeira ou pedra. Tem tiragem múltipla, limitada e geralmente numerada.
Happening - manifestação artística centrada na expressão corporal por vezes assessorada por técnicas teatrais ou do universo da dança, que também faz uso da contribuição espontânea dos espectadores no processo de realização desse tipo de obra.
Híbrido - obra produzida a partir da mescla de diferentes linguagens artísticas, produto de uma mixagem entre essas artes.
Hiper-realista - pintura ou escultura figurativa com características extremamente reais, porque centrada nos detalhes, nas minúcias da cena, pessoa ou objeto pintado, sempre na perspectiva mais impessoal possível.
História em quadrinhos (quadrinhos, gibi, HQ, arte sequencial ou banda desenhada) - É uma forma de arte que associa textos e imagens de forma sequencial para narrar histórias ou dramatizar um conceito ou ideia, ou seja, conjuga linguagem verbal e não verbal. São publicadas com periodicidade variada e em formatos editoriais diversos como revistas, livros ou em tiras (cartuns) publicadas em revistas e jornais. É considerada a nona arte de um grupo que conta também com a música, a dança, a pintura, a escultura, a literatura, o teatro, o cinema e a fotografia.
Infogravura - é a gravura cuja matriz é um arquivo digital. Nesse caso, o computador não é uma simples ferramenta, mas um recurso de criação artística. O resultado desse processo, posterior a sua impressão, é a infogravura.
Instalação - obra conceitual que integra o espaço como componente da manifestação artística, o que dá a ele uma função estética e não apenas geográfica.
Intervenção urbana – manifestação artística representada por intervenções no espaço urbano.
Kitsch ("objeto vulgar", do alemão) – forma de arte que reproduz ou reelabora objetos decorativos, turísticos, cotidianos ou religiosos, produzidos como objeto de consumo popular.
Mangá – termo empregado para designar as HQs feitas ao estilo japonês, ainda que no Japão sirva para nomear qualquer HQ. Vários mangás deram origem a animações para a televisão e para o cinema, chamados de animes, entretanto pode ocorrer o inverso quando uma produção cinematográfica é convertida em mangá, por exemplo. A ordem de leitura de um mangá japonês é inversa a ocidental e as características estéticas do gênero são os olhos grandes; o sequenciamento da ação, muitas vezes, assemelhado ao do cinema; os diálogos geralmente econômicos em muitos casos; as longas passagens sem texto; o uso estilizado do preto e do branco; etc. Eis alguns títulos de famosos mangás: Akira, Cowboy Bebop, Neon Genesis Evangelion, One Piece, Bleach e Death Note.
Multimídia - combinação, mediada por instrumentos computacionais, de pelo menos um tipo de mídia estática (texto, fotografia, gráfico), com pelo menos um tipo de mídia dinâmica (vídeo, áudio, animação). Também pode ser compreendida como tecnologias com suporte digital usadas para criar, manipular, modificar e armazenar conteúdos.
Múltiplo - trabalho artístico oposto ao conceito de obra de arte original e única, que, mesmo não sendo gravura ou fundição, permite a reprodução de quantos exemplares forem desejados.
Naif (ou "ingênua") - pintura figurativa caracterizada pela representação simplória da realidade com noção de perspectiva ausente ou incompleta, feito com cores puras e técnica muito limitada.
Performance - modalidade de manifestação artística típica da segunda metade do século XX baseada na mixagem entre artes ou na intertextualidade que - assim como o happening - pode combinar teatro, música, poesia, vídeo, etc. Distinta do “happening” por ser mais elaborada e não envolver necessariamente a participação dos espectadores. Pode ser reproduzida fielmente em outros momentos ou locais, porque conta com uma espécie de registro que a organiza. Por poder prescindir de espectadores depende de documentação fotográfica, audiovisual, etc. para ser conhecida do público.
Pixel art – forma de arte construída a partir da junção de pixels (é o menor elemento num dispositivo de exibição) com intuito estético ou informativo.
Pop – ideia de concepção estética que remete ao uso de símbolos e referências da cultura de massas como ponto de partida para a realização artística. Quase sempre adota uma perspectiva crítica no campo das artes visuais, como é o caso da Art Pop de Andy Warhol na década de 1960.
Ready-made - termo criado por Marcel Duchamp como forma de nomear as interferências, mesmo as menores, que fazem objetos de uso comum, produzidos em série, serem vistos como obras de arte.
Reprografia - trabalho artístico feito com técnica fundamentada em fotocopiadoras como instrumento e suporte de criação.
Seriação - processo artístico em que objetos, pinturas ou desenhos, semelhantes ou idênticos, são agrupados organizadamente em um mesmo espaço ou obra.
Site-specific - instalação ou intervenção pensada e executada em função das características geográficas ou arquitetônicas de um espaço específico, o que confere a essa obra artística um caráter único e não transferível.
Suporte - material utilizado como base ou superfície para a obra de arte, tais como a tela, o papel, a madeira, o vídeo, o arquivo digital, a cerâmica, etc.
Técnica mista - termo usado para definir o uso de duas ou mais técnicas e materiais na execução de uma mesma obra artística.
Vídeo arte – manifestação artística que tem como principal meio de veiculação e suporte da obra os recursos audiovisuais.
Videoinstalação - obra que integra projeções ao espaço em que está sendo exposta obra em outra linguagem diferente da audiovisual.
Softwaresartísticos” – são programas utilizados na manipulação de um arquivo digital de áudio, vídeo ou gráfico, os quais potencialmente podem ser utilizados como meios de se produzir arte. São exemplos: Adobe Photoshop, 3D studio Max, Macromedia Flash, Corel Draw, Adobe Illustrator, Macromedia FreeHand, Fireworks, Sony Vegas, Cinema 4D, Gimp, Inkscape, etc.
Still de vídeo (ou fotograma) - imagem captada de um vídeo exibida em um suporte qualquer.
Webart – arte produzida de acordo com as possibilidades do computador e da internet, os quais são suporte para a criação artística. Caracteriza-se pelo fato de que é uma manifestação artística caracterizada pela colagem, pela criação coletiva e colaborativa, pela dificuldade de se atribuir autoria correta a muitas delas e pelo suporte digital no qual ela está fundamentada.
Webdesign - extensão ou parte do universo do design. Entretanto, limita-se a concepção visual de produtos em ambientes virtuais ou de internet. Destaca-se também por ser fruto de uma consciência multidisciplinar, porque sua realização depende muitas vezes de conceitos e do trabalho de profissionais de áreas como a arquitetura da informação, a programação, a arte, etc., com o intuito de avaliar a usabilidade, acessibilidade e organização da informação e das imagens em “sites” ou ambientes virtuais.

27:::Arte Contemporânea


“A invenção se esgota no ato, a novidade tende a ser substituída por outra novidade diferente, enquanto a criação sempre se renova. Portanto, o ‘novo’ como última moda surgirá, e daí? Mas a criação me enriquece constantemente e toda vez que a vejo, sinto-a como nova.”
(Fayga Ostrower)

“Hoje vivemos entre o neo-alguma-coisa-do-passado recente ou distante e o pós-tudo. Se o hoje, em arte, é o ontem, o amanhã será o ante-ontem.”
(Frederico Morais)

- Entende-se como Contemporânea a arte feita na segunda metade do século XX movida por concepções associadas ao Expressionismo Abstrato, à Arte Pop, à Op Art, ao design industrial, ao Minimalismo, ao Hip Hop, etc. Para muitos historiadores, é um dos marcos ideológicos, estéticos e históricos que dão início à Pós-Modernidade.
- Em função das muitas possibilidades abertas pela Arte Moderna, a Arte Contemporânea notabiliza-se pelo uso de linguagens distintas na composição de uma mesma obra de arte. Esse processo tornou-se tão corriqueiro que passou a ser difícil considerar pintura e escultura isoladamente, por exemplo. Assim, as produções artísticas começaram a articular - numa mesma obra - diferentes linguagens como o vídeo, a dança, a música, a pintura, o teatro, a escultura, a literatura, etc. Isso questionou vivamente as classificações tradicionais da arte e gestou um dos símbolos da Arte Contemporânea: a Instalação.
- A Instalação é conceito dos mais controversos. Para a maioria, trata-se de uma espécie de alargamento do conceito de arte em várias direções muito realizado da segunda metade do século XX em diante. Compreende processos artísticos que em síntese emulam uma compreensão espaço-temporal da obra de arte e uma mistura de linguagens, plataformas e temáticas que faz desse tipo de produção artística uma espécie de síntese da Arte Contemporânea e mais restritamente da Arte Conceitual. É um meio de questionamento de concepções inclusive da própria Arte Contemporânea, quanto a questões estéticas ou mesmo sobre a própria função da obra de arte. Ainda, segundo a Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais:
“O termo instalação é incorporado ao vocabulário das artes visuais na década de 1960, designando assemblage ou ambiente construído em espaços de galerias e museus. As dificuldades de definir os contornos específicos de uma instalação datam de seu início e talvez permaneçam até hoje. Quais os limites que permitem distinguir com clareza a arte ambiental, a assemblage, certos trabalhos minimalistas e a instalações? As ambigüidades que apresentam desde a origem não podem ser esquecidas, tampouco devem afastar o esforço de pensar as particularidades dessa modalidade de produção artística que lança a obra no espaço, com o auxílio de materiais muito variados, na tentativa de construir um certo ambiente ou cena, cujo movimento é dado pela relação entre objetos, construções, o ponto de vista e o corpo do observador. Para a apreensão da obra é preciso percorrê-la, passar entre suas dobras e aberturas, ou simplesmente caminhar pelas veredas e trilhas que ela constrói por meio da disposição das peças, cores e objetos.
Anúncios iniciais do que  é designado como instalação podem ser localizados nas obras Merz, 1919, de Kurt Schwitters (1887 - 1948), e em duas obras que Marcel Duchamp (1887 - 1968) realiza para as exposições surrealistas de 1938 e 1942, em Nova York. Na primeira, ele cobre o teto da sala com sacos de carvão, incorporando uma dimensão do espaço - o teto - normalmente descartada pelos trabalhos de arte (1.200 sacos de carvão). Na segunda, ele fecha uma sala com cordas, definindo, com sua intervenção, um ambiente particular Milhas de Barbantes. Em 1926, Piet Mondrian (1872 - 1944) projeta o Salão de Madame B, em Dresden, executado apenas em 1970, após a sua morte. Ao revestir o cômodo inteiro com suas cores características, o artista explora a relação da obra com o espaço, inserindo o espectador no interior do trabalho, o que é preocupação central das instalações posteriores.” (www.itaucultural.or.br)
- É o tempo também de consolidação de formas de arte associadas a intervenções nas pessoas ou em ambientes urbanos ou fechados como são os casos do Happening, da Performance, da Land Art, do Flash Mob, etc.
- Esse período da História da Arte desenvolve-se em meio à consolidação da obra de arte como um produto vendável e lucrativo, o que, em função do processo globalizatório, levou a um mercado internacional de arte.
- Tecnologias das mais diversas origens passam a ser usadas como referencial para a produção artística como são os casos dos vídeos-instalação, da web arte, etc.
- Os movimentos artísticos contemporâneos são geralmente filiados a causas políticas como os direitos civis, a questão de gênero, a defesa dos homossexuais, as questões ecológicas, etc.
- Muitas vezes pela forma direta e simples como algumas obras contemporâneas são concebidas, tornou-se uma espécie de crítica ao hermetismo de muitas produções da Arte Moderna. Por outro lado, é, para muitos, por obra de outras ou derivadas concepções herméticas, objeto de desprezo e repúdio em função dos códigos intensamente autorais e idiossincráticos aos quais se submete.
- O espaço, nesse período, passou a ser visto como parte constituinte de muitas obras contemporâneas tanto no sentido de transformá-lo, quanto de incorporá-lo ou mesmo de dar a ele outro significado. Esse espaço tanto pode ser o do museu, da galeria, da cidade ou mesmo de vastas paisagens naturais. Essa questão gesta um dos aspectos fundamentais da Arte Contemporânea: a possibilidade de imersão do espectador na obra.

Arte Contemporânea no Brasil

- O Brasil, a partir do fim da 2ª Guerra Mundial, passa a acompanhar e dialogar com muitos movimentos estéticos estrangeiros dentro de um menor intervalo de tempo.
- O Tropicalismo de Oiticica e de Caetano, Gil, Tom Zé, entre outros é um exemplo dessa arte capaz de dialogar com as influências estrangeiras, ainda que com autonomia estética e autoral. Muito em função das contribuições da Semana de Arte Moderna de 22 e do Manifesto Antropófago.
- A criação em 1951 da Bienal de São Paulo dá impulso e espaço para o florescimento das mais variadas tendências artísticas contemporâneas no Brasil.

Exemplos de Arte Contemporânea no Brasil

- Oiticica, Hélio (1937-1980) pintor, escultor, artista plástico e performer brasileiro - 1958 – “Metaesquema Nº237”.
- Clark, Lygia (1920-1988) pintora e escultora brasileira contemporânea - 1961 - escultura em alumínio – “Bicho (caranguejo duplo)”
- Palatnik, Abraham (1928-) artista plástico brasileiro (Arte cinética) – “Coruja acrílica”.
- Muniz, Vik (1961-) artista plástico brasileiro - 1989-2010 - plástico moldável e tinta – “Caveira de palhaço”.
- Muniz, Vik (1961-) artista plástico brasileiro - 2010 – “História da iconografia acidental” (torrada) (representação de Jesus Cristo, Che Guevara e Saddam Hussein em torradas).
- Sacilotto, Luiz (1924-2003) pintor, desenhista e escultor brasileiro (Abstracionismo) - 1984 - têmpera rhodopás sobre tela fixada em duratex – “Concreção 8457”.
- Serpa, Ivan Ferreira (1923-1973) foi pintor, desenhista, professor e gravador brasileiro (Abstracionismo, Neo-concretismo, Nova objetividade) – “Bio-paralelas”.
- Duke Lee, Wesley (1931-2010) artista plástico brasileiro – “O encurralamento”.
- Mabe, Manabu (1924-1997) pintor, desenhista e tapeceiro japonês naturalizado brasileiro (Abstracionismo) - 1983 - óleo sobre placa – “Sem título”.
- Camargo, Iberê Bassani de (1914-1994) pintor, gravurista e professor brasileiro - 1991 - ost – “A idiota”.
- Lins, Darel Valença (1924-) gravador em metal e litógrafo brasileiro - s.d. - litografia – “T-1”.
- Bandeira, Antônio (1922-1967) pintor e desenhista brasileiro - 1966 – “Composição abstrata”.
- Leirner, Nelson (1932-) pintor, desenhista, cenógrafo, professor, realizador de happenings e instalações brasileiro - 2003 - instalação – “Maracanã”.

- Irmãos Campana (Humberto Campana, 1953- e Fernando Campana 1961-) designers brasileiros – “Cadeira corallo”.

28:::Expressionismo abstrato

- Criado após a Segunda Guerra Mundial, o Expressionismo Abstrato foi o primeiro movimento artístico genuinamente norte-americano. Além disso, consolidou New York como um dos centros do mundo das artes, juntamente com Paris.
- O movimento ganhou este nome por combinar a intensidade emocional do Expressionismo alemão com a estética antifigurativa das escolas abstratas europeias, como o Futurismo, o Abstracionismo, o Bauhaus e o Cubismo Sintético.
- Uma das motivações recorrentes aos artistas dessa corrente foi a repulsa pelas técnicas e temáticas associadas às escolas tradicionais da arte. Isso uniu mais os representantes do Expressionismo Abstrato do que propriamente suas predileções estéticas e escolhas temáticas.
- Um dos grandes nomes do movimento é Jackson Pollock que se torna uma espécie de síntese do estilo com suas pinturas furiosas e caóticas, em função de um sentimento estético libertário sem precedentes na história da arte. Mestre do “action painting” ou pintura de ação que consistia em pintar sem que o pincel ou assemelhado tocasse na tela, que estendida no chão, era alvejada por gotas e grandes quantidades de tinta arremessadas pelo pintor. Isso impunha uma informalidade para o ato de pintar muito incomum na história da arte até então.
- Em síntese, o Expressionismo Abstrato é concebido a partir de uma conformação incomum da tela, longe do cavalete, ou seja, no chão; do uso de tintas diversas como as automotivas; da implementação de movimentos corporais, muitas vezes performáticos, como instrumento para a pintura; da arte movida por uma intensa descarga emocional transferida sem mediações para a tela (Expressionismo); da informalidade abstrata conseguida por meio de aparente aleatoriedade ou automatismo das pinceladas; etc.
- Outros pintores muito conhecidos do Expressionismo Abstrato são Philip Guston, Mark Rothko, Willem de Kooning e Clyfford Still.
- Na Europa, o Tachismo é influenciado por esse movimento estético e segundo a Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais pode ser definido como “A defesa da improvisação, associada ao gesto espontâneo e instintivo, permite entrever as afinidades da nova pintura com o expressionismo abstrato, assim como a inspiração no surrealismo, pela valorização do inconsciente, no dadaísmo, em função da defesa do caráter irracionalista da arte e no expressionismo, que toma a imaginação como expressão direta do espírito do artista. O uso de manchas irregulares de cores remete ainda à pintura de maturidade de Claude Monet. O pintor e poeta Jean-Michel Atlan, um dos expoentes da nova tendência pictórica, define, em 1953, o caráter do projeto tachista: "A pintura para mim não pode ser derivada de uma ideia preconcebida; a parte que cabe ao acaso (aventura) é muito importante e, de fato, é este acaso que cumpre o papel decisivo no processo de criação". O Tachismo ou Arte Informal deve ser compreendida no contexto de crise mundial instaurada também na Europa do pós-guerra. Além disso, acentua-se a descrença em relação à racionalidade ocidental e à civilização tecnológica, celebradas pelas vanguardas do começo do século XX. As filosofias da crise, em especial o existencialismo de Jean-Paul Sartre, dão o tom da época no plano das ideias, reverberando nas artes de modo geral. O reexame crítico dos movimentos artísticos da primeira metade do século XX dirige o foco dos novos artistas para o cubismo, do qual é recuperada a ideia de decomposição. Mas esta, no caso do tachismo, deve ser explosiva - e não analítica como querem Pablo Picasso e Georges Braque -, refletindo-se no rompimento radical da forma. A ênfase na gestualidade coloca-se como uma tentativa de ultrapassagem tanto dos conteúdos realistas quanto dos formalismos geométricos. A convicção do insucesso do realismo socialista - que vê a arte como instrumento da luta operária - e a impossibilidade de a associação entre arte e indústria, defendida pela Bauhaus, democratizar-se estão na matriz das diversas Poéticas do Informal.” (fonte adaptada: www.itaucultural.or.br)

Exemplos de Expressionismo Abstrato

- de Kooning, Willem (1904-1997) pintor neerlandês (Expressionismo abstrato) - 1949 – “Abstrato”.
- Guston, Philip (1913-1980) pintor canadense (Expressionismo Abstrato-Art Pop) - 1953-54 – “Zona”.
- Pollock, Jackson (1912-1956) pintor norte-americano expressionista abstrato - 1947 – “Lucifer”.
- Pollock, Jackson (1912-1956) pintor norte-americano expressionista abstrato - 1948 – “Número 1”.
- Pollock, Jackson (1912-1956) pintor norte-americano expressionista abstrato - 1949 – “Número 10”.
- Rothko, Mark (1903-1970) pintor expressionista abstrato russo naturalizado norte-americano - 1957 - óleo sobre tela – “Preto sobre vermelhos”.

:::Expressionismo Abstrato no Brasil

- No Brasil, as ideias expressionistas abstratas e tachistas influenciam na obra de pintores como Manabu Mabe, Tomie Ohtake, Flavio-Shiró, Cicero Dias, Antônio Bandeira e Iberê Camargo, que em momentos da carreira ou em determinadas obras mostraram-se influenciados por essas concepções artísticas.

29:::Op Art (Optical Art) ou Arte Ótica

- É uma forma de arte comumente abstrata e com alta precisão geométrica oriunda da década de 1960, centrada em suportes bidimensionais onde se criam ilusões óticas.
- A corrente artística chamada Op Art valorizou o impacto sensorial das obras sobre a ponto de vista do espectador, com a utilização de técnicas que sugerem movimento, ritmo e vibrações. Tal como a repetição de formas geométricas a fim de provocar no espectador a sensação de que a pintura vibra ou pulsa.
- Utilizavam-se recursos da ilusão de ótica para produzir sensações inusitadas e novas nos espectadores.
- São expoentes da Op Art Alexander Calder, Bridget Riley, Youri Messen-Jaschin e Victor Vassarely.

Op Art no Brasil

- As ideias da Op Art influenciam alguns artistas brasileiros, dentre eles destacam-se Lothar Charoux (1912-1987), Almir Mavignier (1925), Ivan Serpa (1923-1973), Abraham Palatnik (1928) e Luiz Sacilotto (1924-2003).

Exemplos de Op Art

- Riley, Bridget Louise (1931-) pintora inglesa (Op art) - 1961 – “Movimento em quadrados”.
- Riley, Bridget Louise (1931-) pintora inglesa (Op art) - 1967 – “Catarata 3”.
- Anuszkiewicz, Richard (Op Art) - 1985 – “Templo do amarelo radiante”.
- Wesselmann, Tom (1931-2004) pintor norte-americano (Pop Art) - 1963 – “Banheira 3”.
- Vasarely, Victor (1906-1997) pintor húngaro (Op-art) - 1964 – “Caopeo”.
- Vasarely, Victor (1906-1997) pintor húngaro (Op-art) - 1956 - Serigrafia em painel de alumínio – “Eridan II”.
- Sacilotto, Luiz (1924-2003) pintor, desenhista e escultor brasileiro (Abstracionismo) - 1982 - têmpera sobre tela fixada em madeira – “Concreção 8226”.
- Palatnik, Abraham (1928-) artista plástico brasileiro (Arte cinética) - 2006 - Acrílico sobre metal – “W-104”.

30:::Pop Art ou Arte Pop

- Corrente artística que se desenvolveu a partir do início da segunda metade do século XX na Inglaterra e posteriormente nos EUA. Tinha como uma das suas principais premissas a utilização dos meios de comunicação de massa, da música e de objetos de consumo amplo como inspiração e mesmo como suporte para obras que intensamente questionaram os limites do fazer artístico e mesmo do que é arte. Dessa forma, liga-se a conceitos e experiências de vanguardas como o Dadaísmo pelos questionamentos assemelhados, mas atualizados; e ao Surrealismo pela permissão do absurdo ou do impossível como temática.
- É produto das multivariadas insatisfações, rupturas e experimentações que nortearam a arte da década de 1960 em particular. Nesse contexto, artistas passam a defender uma arte com apelo e linguagem mais popular com a utilização de símbolos, ícones e referenciais extraídos das experiências da cultura de massa, da vida cotidiana e das vivências dos cidadãos comuns. Assim, contraria e combate certo hermetismo, certo gosto pela incompreensão, os quais guiaram muitos artistas chamados modernos e contemporâneos. Para muitos estudiosos desse movimento, a Pop Art defende a reconciliação da Arte com a vida.
- Dentre as inspirações mais recorrentes, destacam-se os ícones do entretenimento como Elvis Presley e Marilyn Monroe, a linguagem do cinema, as Histórias em Quadrinhos, as imagens do design de produtos e as mensagens da propaganda. Na maioria das vezes, essas temáticas eram tratadas de forma humorística ou irônica, por vezes sarcástica.
- Há uma relação óbvia entre Dadaísmo e Pop Art, em função de variações da técnica do “ready made” usadas em ambas as concepções artísticas.
- Técnicas como a serigrafia, a colagem, a fotografia, a apropriação, etc., e materiais como o plástico, o jornal, a embalagem, etc., seriam fundamentais como plataformas e suportes para as pretensões políticas e estéticas da Art Pop.
- As técnicas utilizadas eram de grande multiplicidade: da serigrafia à interferência em anúncios e fotografias, além de intensificarem o emprego de várias técnicas e linguagens na realização de uma mesma obra de arte.
- São alguns dos expoentes da Art Pop: Andy Warhol, Jasper Johns, Roy Fox Lichtenstein, Wayne Thiebaud, Yayoi Kusama, Peter Blake, David Hockney, etc.

A Pop Art no Brasil

- A Art Pop influencia timidamente a produção artística brasileira na década de 1960 com obras de Antônio Dias (1944), Rubens Gerchman (1942 - 2008) e Claudio Tozzi (1944). Isso ocorre por causa da cultura de massas pouco desenvolvida no Brasil e de uma cultura do consumo incipiente, por isso não estava amadurecido e repleto de possibilidades de questionamento e diálogo como é o caso da sociedade norte-americana. Assim, a Arte Pop no Brasil acabou por transpor-se para o que se convencionou chamar de arte engajada, em função de sua crítica ao Brasil de então, o que por extensão significava criticar a Ditadura Militar.

Exemplos de Arte Pop

- Hamilton, Richard (1922-) pintor inglês (Pop Art) - 1956 - colagem – “O que exatamente torna os lares de hoje tão diferentes, tão atraentes?”
- Lichtenstein, Roy Fox (1923-1997) pintor estadunidense (Pop Art) - 1962 - ost – “Blam”.
- Warhol, Andy - Andrew Warhola (1928-1987) pintor e cineasta norte-americano, idealizador da Pop art - 1968 – “Sopa Campbell”.
- Warhol, Andy - Andrew Warhola (1928-1987) pintor e cineasta norte-americano, idealizador da Pop art – “Marilyn Monroe”.
- Warhol, Andy - Andrew Warhola (1928-1987) pintor e cineasta norte-americano, idealizador da Pop art - 1962 - serigrafia – “Vinte Marilyns”.
- Rauschenberg, Robert (1925-2008) pintor norte-americano (Abstracionismo, Expressionismo, Pop Art) - 1998 - escultura – “Andar de bicicleta”.
- Ruscha, Edward (1937-) pintor norte-americano (Pop Art) - 1966 - ost – “Posto Standard”.
- Jasper Johns, Jr. (1930-) artista norte-americano (Pop-Art) - 1954-55 - óleo e colagem sobre madeira prensada – “Bandeira”.
- Jasper Johns, Jr. (1930-) artista norte-americano (Pop-Art) – “Mapa”.
- Lichtenstein, Roy Fox (1923-1997) pintor estadunidense (Pop Art) - 1962 - ost – “Blam”.
- Lichtenstein, Roy Fox (1923-1997) pintor estadunidense (Pop Art) – “Beijo V”.
- Gerchman, Rubens (1942 - 2008) pintor brasileiro (Pop Art) - 1965 - madeira e tinta acrílica – “Não Há Vagas”.
- Tozzi, Claudio (1944) pintor brasileiro (Pop Art) - 1968 – “Eu Bebo Chop, ela só pensa em casamento”.

31:::Minimalismo (Minimal Art)

- Tendência artística do século XX que se desenvolveu na pintura e principalmente na escultura. Tinha como orientação fundamental a defesa do uso de formas geométricas elementares e simples. As obras minimalistas, sejam pinturas ou esculturas, são comumente chamadas de “estruturas”.
- Constituiu-se como uma reação à passionalidade e ao furor do Expressionismo Abstrato, em virtude de ser uma estética marcada pela impessoalidade e pelo metodismo.
- É uma corrente artística caracterizada pelo despojamento, pela simplicidade e pela neutralidade frente às questões sociais e políticas da época.
- Uma das características mais importantes desse estilo artístico é o uso de materiais industriais na confecção das obras como o metal, a madeira, etc., o que as aproxima e mesmo as confunde com grande parte da produção do design de móveis, produtos, etc., realizada ao longo do século XX.
- São expoentes do Minimalismo: Sol LeWitt, Frank Stella, Donald Judd e Robert Smithson.

Exemplos de Arte Minimalista

-Judd, Donald (1928-1994) artista plástico norte-americano (Minimalismo) - 1968-69 – “Dez unidades de aço”.
- Stella, Frank (1936-) pintor norte-americano (Minimalismo) - 1967 – “Harran II”.

32:::Hip Hop (Grafite)

- A cultura Hip Hop - representada pela arte plástica do Grafite, pela dança do Break e pela música do RAP - é produto da insatisfação e da percepção estética de jovens negros da periferia de cidades como New York que influenciou de forma definitiva não só a produção artística posterior, mas também as concepções de jovens - negros principalmente - na década de 1970.
- O Grafite caracterizou-se por ter como suporte a cidade e os espaços públicos que eram e são usados como meio de expressão de jovens no mundo todo com técnicas distintas ainda que unidas pelo uso da tinta spray e do estêncil.
- Sobre as diferenças entre o grafite e a pichação, cabe ressaltar que aquele tem uma proposta estética e política e que geralmente é feito em edificações com a devida autorização pública ou dos proprietários. Além disso, aquele utiliza, além da tinta spray, diversas outras técnicas de pintura. Já a pichação, que acompanha a humanidade há milênios, é um tipo de vandalismo para muitos identificado com grupos de jovens que escrevem seus nomes ou de seus grupos em fachadas como forma de protesto e expressão contrária ao “status quo” ou como simples competição que faz vencedor aquele ou grupo capaz de pichar mais alto, em lugares menos acessíveis ou proibidos.
- São expoentes do Grafite: Banksy, Os Gêmeos, Alex Vallauri, Keith Haring, entre outros.

Exemplos de Grafite

- Os Gêmeos - Grafite - Frente da Galeria Fortes Vilaça
- Haring, Keith (1958-1990) artista gráfico e ativista estadunidense (Grafite) - 1988 - mural – “Tuttomondo” - Pisa, Itália.

33:::Neoexpressionismo

- O Neoexpressionismo é um estilo de Arte Contemporânea surgido em meados da década de 1970 e ativo até a década de 1980 em vários lugares do mundo. Era um amálgama de experiências artísticas associadas ao Expressionismo, ao Abstracionismo Lírico, a algumas demandas estéticas dadaístas, às conseqüências estéticas da Pop Art, ao grafite e a outras formas de arte urbana.
- Foi uma reação artística à Arte Minimalista e à Arte Conceitual da década de 1970, em função da liberdade totalmente espontânea associada à produção neoexpressionista.
- Era uma forma radical de expressão artística pela inexistência de convenções ou imposições sobre os artistas chamados neoexpressionistas.
- Esse estilo contemporâneo teve sua maior expressão na pintura e foi severamente influenciado pela obra de artistas como Emil Nolde, Max Beckmann, George Grosz, Ernst Ludwig Kirchner, James Ensor e Edvard Munch.
- São expoentes do Neoexpressionismo: Georg Baselitz, Anselm Kiefer, Jörg Immendorff, Markus Lüpertz, Salomé, Elvira Bach, Ida Applebroog, Chuck Connelly, Jean-Michel Basquiat, Eric Fischl, Rémi Blanchard, François Boisrond, David Hockney, Frank Auerbach, Leon Kossoff, entre outros.

Exemplos de arte neoexpressionista

- Basquiat, Jean-Michel (1960-1988) pintor norte-americano (Grafite-Neoexpressionismo) - 1982 – “Cassius Clay”.
- Basquiat, Jean-Michel (1960-1988) pintor norte-americano (Grafite-Neoexpressionismo) - 1983 – “Ciência futura versus homem”.
- Lüpertz, Markus (1941-) pintor e escultor alemão (Neoexpressionismo) - 1994 - escultura – “O guerreiro caído”.