terça-feira, 23 de outubro de 2018

Códigos e linguagens - Tipos de discurso, por Estéfani Martins (V.3)

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Tipos de discurso
Por Estéfani Martins

Os textos podem conter várias vozes dentro deles além da do autor. Em virtude disso, existem várias formas de enunciá-las desde a citação direta de uma fala ou de um aforismo até a incorporação do discurso de uma pessoa pelo narrador de uma história ou pelo jornalista em uma reportagem. Os discursos podem, assim, ser estruturados de duas formas básicas de acordo com a maneira como o autor do texto mais comumente os reproduz: o discurso direto e o discurso indireto. Na fronteira entre ambos, também pode ser verificado o chamado discurso indireto livre em textos narrativos, aliás este recurso tornou-se muito comum na prosa literária a partir do Modernismo até pelo dinamismo e pela polifonia sugeridas por ele.


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1. Discurso direto
O discurso direto caracteriza-se pela reprodução fiel ao momento de enunciação da fala de um personagem pelo autor de um texto ou pelo narrador de uma história com o intuito de manter determinadas escolhas linguísticas, modos de falar, vocabulário, etc., que possam informar mais o leitor sobre características de um determinado personagem ou entrevistado. É acompanhado de verbo elocutório, declarativo ou “dicendi” responsável por preparar e informar as condições em que a fala foi proferida. Seguem exemplos dessa forma de enunciar o discurso alheio de modo direto:

Exemplo 1.1.
"Reunido em um boteco da Rua Augusta, em São Paulo, acompanhado de tantas cervejas e de Nelson Gonçalves, que sai da jukebox ao lado, o atual septeto Porcas Borboletas aguarda a hora do quarto e último show de sua mais recente excursão à capital paulista. E engana. Em 2009, o grupo foi responsável por uma das apresentações mais bacanas dos festivais independentes, gravou um álbum prazeroso de ser descoberto e a faixa "Menos", que já figura em diversas listas de melhores do ano. "Por causa da faculdade", fala o vocalista e violonista Enzo Banzo para explicar visual e atitude low-profile. "Cada um é de uma cidade do interior de Minas, mas a gente conheceu todo mundo morando em Uberlândia", Danislau Também, o outro vocalista, completa. A banda teve seus primórdios nas salas da Universidade Federal de Uberlândia, como o quarteto Pau de Bosta, em 1999 - um nome que a cidade, mesmo simpática ao som da banda, preferia evitar. "O legal de começar muito na brincadeira é que acabou conferindo mais liberdade para o processo", Enzo comenta. "Foi determinante para o caminho da banda depois." Desistiram da graça escatológica, mas mantiveram as iniciais. Porcas Borboletas surgiu como sexteto e em 2005 lançou Um Carinho com os Dentes, seu álbum de estreia. Em 2009, surgiu A Passeio, o segundo trabalho. "Acho que é bem diferente, mas a gente está dentro do processo", Danislau considera. "Do ponto de vista harmônico, de execução, dos arranjos, está um disco mais macio", Enzo complementa. E vem com diversas participações especiais. Marcelo Jeneci, acostumado a tocar com Deus e o mundo, coloca teclados na bela faixa-título. Paulo Barnabé, da Patife Band, toca em "O Rato", enquanto seu mano Arrigo Barnabé, junto com Junio Barreto e a atriz Leandra Leal entram no coro de "Super-Herói Playboy". Com ela, a ponte entre a banda e o filme Nome Próprio é feita novamente. "Na verdade, tudo começou com a amizade de Danislau com Clarah Averbuck que escreveu o livro no qual o filme é baseado", Enzo explica. No final, uma antiga canção da banda foi rebatizada de "Nome Próprio" e virou a faixa de encerramento do filme. A Passeio foi coproduzido com Alfredo Bello, produtor conterrâneo radicado em São Paulo, que também atende pela alcunha de DJ Tudo. "Ele tem bastante intimidade com a gente. Ao mesmo tempo, tem um olhar um pouco mais distanciado", diz Vi Vicious, o baterista, para explicar a colaboração na evolução musical da banda, que segue no rock influenciado pela MPB underground. "A gente parte do Tropicalismo, porque tem muita coisa provocativa ali", Danislau comenta sobre a lista de influências. "A gente é antropofágico."
Passa das 3 da manhã quando o show do Porcas Borboletas começa para os sobreviventes de uma noite de quarta-feira. Junto com Enzo, Danislau e Vi, Moita Matos na guitarra, Rafa Rays no baixo, Ricardim nas manipulações eletrônicas e Jack (o mais novo integrante) na percussão completam a banda. Já na primeira música, a banda mostra por que é conhecida como performática nos festivais. "A partir do momento em que você está cantando e sentindo, isso acaba repercutindo no gestual e tudo", Danislau comenta. "É mais uma entrega, mas as pessoas chamam isso de performance. Pode até ser." (Rolling Stone, “Som Animal - Em peregrinação pelos festivais independentes, o Porcas Borboletas investe na performance”, Por José Júlio do Espirito Santo, edição 40, janeiro/2010)

Exemplo 1.2.
“E dormiu naturalmente, como todo dia. O cotidiano refeito, as noites tranqüilas, repousantes. Até que uma semana depois:
_Esqueci como é que eu durmo – disse ansioso para a mulher:
_Bobagem – ela resmungou, morta de sono.
_Minha posição na cama.
_Deita e dorme -  disse a mulher imperativa, sem olhá-lo.” (Otto Lara Resende)

Exemplo 1.3.
"Quando lhe entreguei a folha de hera com formato de coração (um coração de nervuras trementes se abrindo em leque até as bordas verde- azuladas), ela beijou a folha e levou-a ao peito. Espetou-a na malha do suéter: ‘Esta vai ser guardada aqui. ’. Mas não me olhou nem mesmo quando eu saí tropeçando no cesto." (Lígia Fagundes Teles)
Ia devaneando dessa maneira qu ando chegou à entrada do b osque, que parecia muito
úmido e so mbrio. ―Bom, d e qua lquer modo é um alívio‖, disse en quanto avançava em meio
às árvores, ―depois de tanto calor, entrar dentro do... dentro do... dentro do quê?‖ Esta va
assombrada de não poder se lembrar d o nome. ―Bom, isto é, estar debaixo das... debaixo
das... d ebaixo disso aqui, ora!‖, d isse, colocando a mão no tronco da árvore. ―Como é q ue
essa coisa se chama? É bem cap az de não te r nome nenhum... ora, com certe za não tem
mesmo!‖
Ficou calada durante um minuto, pensando. Então, de repente, exclamou: - Ah, então
isso terminou acontecendo! E agora quem sou eu? Eu quero me lembrar, se puder.

Lewis Carroll. Aventuras de Alice.
Ia devaneando dessa maneira qu ando chegou à entrada do b osque, que parecia muito
úmido e so mbrio. ―Bom, d e qua lquer modo é um alívio‖, disse en quanto avançava em meio
às árvores, ―depois de tanto calor, entrar dentro do... dentro do... dentro do quê?‖ Esta va
assombrada de não poder se lembrar d o nome. ―Bom, isto é, estar debaixo das... debaixo
das... d ebaixo disso aqui, ora!‖, d isse, colocando a mão no tronco da árvore. ―Como é q ue
essa coisa se chama? É bem cap az de não te r nome nenhum... ora, com certe za não tem
mesmo!‖
Ficou calada durante um minuto, pensando. Então, de repente, exclamou: - Ah, então
isso terminou acontecendo! E agora quem sou eu? Eu quero me lembrar, se puder.

Lewis Carroll. Aventuras de Alice.

2. Discurso indireto
O discurso indireto ocorre quando o narrador incorpora a fala do personagem, para tanto normalmente são utilizados recursos de paráfrase, dentre outros, para a realização desse processo de incorporação ou reprodução mediada do discurso alheio. Nessa forma de enunciação do discurso, também está presente frequentemente um verbo de elocução ou “dicendi” seguido de uma oração subordinada. Seguem exemplos:

Exemplo 2.1.
“Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era: e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro.” Assim ficara sabendo que não era ninguém...” (Rubem Braga)

Exemplo 2.2.
"E a madrinha, Dona Isolina Vaz Costa (cuja especialidade era doce de ovos) foi de parecer que quanto à dicção ainda não era visto, mas quanto à expressão Cícero lembrava o Chabi Pinheiro. No entanto advertiu que do meio para o fim é que era mais difícil." (Antônio de A. Machado)

Para facilitar as transposições linguísticas feitas quando falas são incorporadas ou citadas pelo autor de um texto, segue quadro com o intuito de explicitá-las:

Discurso direto
Discurso indireto
a) Enunciado em 1ª ou em 2ª pessoa:
_Preciso de ajuda - disse o homem.
a) Enunciado em 3ª pessoa:
O homem disse que precisava de ajuda.
b) Verbo enunciado no presente:
_Sou feliz - ratificou a debutante.
b) Verbo enunciado no pretérito imperfeito:
A debutante ratificou que era feliz.
c) Verbo enunciado no pretérito perfeito:
_Ainda não tomei meu remédio - ela reclamou.
c) Verbo enunciado no pretérito mais-que-perfeito:
Ela reclamou que ainda não tomara o seu remédio.
d) Verbo enunciado no futuro do presente:
_Ele estará aqui - afirmou a menina.
d) Verbo no futuro do pretérito:
A menina afirmou que ele estaria lá.
e) Verbo no modo imperativo:
_Não coma mais por gula - gritou a irmã.
e) Verbo no modo subjuntivo:
A irmã gritou para que não comesse por gula.
f) Enunciado em forma interrogativa direta:
_Aqui, é seguro? - A mãe indagou.
f) Enunciado em forma interrogativa indireta:
A mãe indagou se ali era seguro
g) Pronome demonstrativo de 1ª pessoa (este, esta, isto) ou de 2ª pessoa (esse, essa, isso):
_Este é o criminoso - vociferou o homem.
g) Pronome demonstrativo de 3ª pessoa (aquele, aquela, aquilo):
O homem vociferou que aquele era o criminoso.
h) Advérbios e adjuntos adverbiais:

Hoje
_Hoje é a grande final - gritou o capitão.

Neste instante
_Neste instante, não posso sorrir - decretou a rainha.
Agora
_Agora é hora de refletir – exclamou o poeta.
Amanhã
_Amanhã a dor passa – resmungou o conviva.
Aqui
_Aqui foi um lugar próspero – afirmou o prefeito.
_ estará frio – vaticinou o sacerdote.
h) Advérbios e adjuntos adverbiais:

Naquele dia
O capitão gritou que naquele dia era a grande final.
Naquele instante
A rainha decretou que naquele instante não podia sorrir.
Naquele momento
O poeta exclamou que naquele momento era hora de refletir.
No outro dia
O conviva resmungou que no outro dia a dor passaria.
Ali
O prefeito afirmou que ali fora um lugar próspero.
O sacerdote vaticinou que estaria frio.

3. Discurso indireto livre
O discurso indireto livre é um recurso misto de reprodução da fala de personagens e de pessoas. O uso desse recurso intensifica-se em especial na Modernidade em função do dinamismo e das novas necessidades estéticas e filosóficas do século XX, que repercutem tanto na Literatura quanto no Jornalismo. Esse tipo de discurso tem também o intuito de mostrar a aproximação do narrador dos dramas dos personagens, fazendo com que falas, sensações e pensamentos sejam não só citados, mas compartilhados ou mesmo usados pelo narrador para dizer sobre ele mesmo. Além disso, empresta vivacidade ao texto, fazendo-o mais dinâmico, movimentado e polifônico.
Nesse tipo de discurso, as falas do personagem são colocadas sutilmente em meio ao discurso do narrador, o que produz a possibilidade do foco narrativo mostrar aspectos psicológicos do personagem, por mostrar sua forma de pensar e dizer sem mediações, sem hesitações, de forma contínua e, portanto, mais aproximada do modo como isso se dá na vida.
Do ponto de vista formal, geralmente, a fala do personagem no discurso indireto livre não é marcada pelo verbo elocutório ou mesmo pelo uso de travessões, com o objetivo de conferir ao texto um tipo de liberdade que permite um fluxo de consciência de alguma forma partilhada entre narrador e personagem de maneira menos convencionada e artificial.

Exemplo 3.1.
"Seu Tomé da bolandeira falava bem, estragava os olhos em cima de jornais e livros, mas não sabia mandar: pedia. Esquisitice de um homem remediado ser cortês. Até o povo censurava aquelas maneiras. Mas todos obedeciam a ele. Ah! Quem disse que não obedeciam?" (Graciliano Ramos, "Vidas Secas")

Exemplo 3.2.
“(...) Ele tinha a cara rubra, os olhos brilhantes, mas os lábios estavam brancos e secos, teve que passar a ponta da língua entre eles para separá-los, a saliva virou cola? Antes de dizer o que estava querendo dizer há mais de cinco anos e não dizia, adiando, adiando. Esperando uma oportunidade melhor  e faltava coragem, esmorecia, quem sabe na próxima semana, depois do aniversário do Afonsinho? Ou em dezembro, depois do aumento no emprego, teria então mais dinheiro para enfrentar duas casas – mas o que é isso, aumento nos vencimentos  e aumento na inflação? Espera, agora a Georgeana  pegou sarampo, deixa ela ficar boa então. E então?! Hoje, Hoje! Tinha que ser hoje, já! (...)” (Lygia Fagundes Telles)

Exemplo 3.3.
"Sinhá Vitória desejava possuir uma cama igual à de seu Tomás da bolandeira. Doidice. Não dizia nada para não contrariá-la, mas sabia que era doidice. Cambembes podiam ter luxo? E estavam ali de passagem. Qualquer dia o patrão os botaria fora, e eles ganhariam o mundo, sem rumo, nem teriam meio de conduzir os cacarecos." (Graciliano Ramos, "Vidas Secas")

Exemplo 3.4.
"Minha mãe foi achá-lo à beira do poço, e intimou-lhe que vivesse. Que maluquice era aquela de parecer que ia ficar desgraçado, por causa de uma gratificação menos, e perder um emprego interino? Não, senhor, devia ser homem, pai de família, imitar a mulher e a filha..." (Machado de Assis, "Dom Casmurro")


Exemplo 3.5.

"Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, perguntou-lhe qual era o verdadeiro estado do amigo. Ouviu que estava perdido, completamente perdido; mas que o fosse animando." (Machado de Assis, "Quincas Borba")

Exemplo 3.6.
"Que vontade de voar lhe veio agora! Correu outra vez com a respiração presa. Já nem podia mais. Estava desanimado. Que pena! Houve um momento em que esteve quase... quase!
Retirou as asas e estraçalhou-a. Só tinham beleza. Entretanto, qualquer urubu... que raiva... " (Ana Maria Machado)

Exemplo 3.7.
“Olhava-a, abria-a e chegava mesmo a aspirar-lhe o perfume do forro, misto de verbena e de fumo. A quem pertenceria?... Ao Visconde. Era talvez presente da amante.” (Gustave Flaubert, "Madame Bovary")

Exemplo 3.8.
"Um homem vem caminhando por um parque quando de repente se vê com sete anos de idade. Está com quarenta, quarenta e poucos. De repente dá com ele mesmo chutando uma bola perto de um banco onde está a sua babá fazendo tricô. Não tem a menor dúvida de que é ele mesmo. Reconhece a sua própria cara, reconhece o banco e a babá. Tem uma vaga lembrança daquela cena. Um dia ele estava jogando bola no parque quando de repente aproximou-se um homem e... O homem aproxima-se dele mesmo. Ajoelha-se, põe as mãos nos seus ombros e olha nos seus olhos. Seus olhos se enchem de lágrimas. Sente uma coisa no peito. Que coisa é a vida. Que coisa pior ainda é o tempo. Como eu era inocente. Como os meus olhos eram limpos. O homem tenta dizer alguma coisa, mas não encontra o que dizer. Apenas abraça a si mesmo, longamente. Depois sai caminhando, chorando, sem olhar para trás. O garoto fica olhando para a sua figura que se afasta. Também se reconheceu. E fica pensando, aborrecido: quando eu tiver quarenta, quarenta e poucos anos, como eu vou ser sentimental! (Luis Fernando Veríssimo, "Comédias para se ler na escola")

Exemplo 3.9.
"Havia cinco semanas que ali morava, e a vida era sempre a mesma, sair de manhã com o Borges, andar por audiências e cartórios, correndo, levando papéis ao selo, ao distribuidor, aos escrivães, aos oficiais de justiça. (...) Cinco semanas de solidão, de trabalho sem gosto, longe da mãe e das irmãs; cinco semanas de silêncio, porque ele só falava uma ou outra vez na rua; em casa, nada. “Deixe estar, — pensou ele um dia — fujo daqui e não volto mais.” Não foi; sentiu-se agarrado e acorrentado pelos braços de D. Severina. Nunca vira outros tão bonitos e tão frescos. A educação que tivera não lhe permitira encará-los logo abertamente, parece até que a princípio afastava os olhos, vexado. Encarou-os pouco a pouco, ao ver que eles não tinham outras mangas, e assim os foi descobrindo, mirando e amando. No fim de três semanas eram eles, moralmente falando, as suas tendas de repouso. Agüentava toda a trabalheira de fora, toda a melancolia da solidão e do silêncio, toda a grosseria do patrão, pela única paga de ver, três vezes por dia, o famoso par de braços. Naquele dia, enquanto a noite ia caindo e Inácio estirava-se na rede (não tinha ali outra cama), D. Severina, na sala da frente, recapitulava o episódio do jantar e, pela primeira vez, desconfiou alguma cousa. Rejeitou a idéia logo, uma criança! Mas há idéias que são da família das moscas teimosas: por mais que a gente as sacuda, elas tornam e pousam. Criança? Tinha quinze anos; e ela advertiu que entre o nariz e a boca do rapaz havia um princípio de rascunho de buço. Que admira que começasse a amar? E não era ela bonita? Esta outra idéia não foi rejeitada, antes afagada e beijada. E recordou então os modos dele, os esquecimentos, as distrações, e mais um incidente, e mais outro, tudo eram sintomas, e concluiu que sim." (Machado de Assis, "Uns braços")

Exemplo 3.10.
"eu estava ali deitado olhando através da vidraça as roseiras no jardim fustigadas pelo vento que zunia lá fora e nas venezianas de meu quarto e de repente cessava e tudo ficava tão quieto tão triste e de repente recomeçava e as roseiras frágeis e assustadas irrompiam na vidraça e eu estava ali o tempo todo olhando estava em minha cama com minha blusa de lã as mãos enfiadas nos bolsos os braços colados ao corpo as pernas juntas estava de sapatos Mamãe não gostava que eu deitasse de sapatos deixe de preguiça menino! mas dessa vez eu estava deitado de sapatos e ela viu e não falou nada ela sentou-se na beirada da cama e pousou a mão em meu joelho e falou você não quer mesmo almoçar?" (Luiz Vilela, "Eu estava ali deitado")