segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Redação - Proposta 2014-57 - Cotas para negros

Proposta de redação

Leia atentamente os textos abaixo.

Texto 01.
 "Cotas raciais são políticas criadas a fim de reservar vagas em instituições públicas ou privadas para grupos identificados por serem de uma mesa “raça”, etnia, povo, etc., normalmente, são mais empregadas com o intuito de incluir negros e índios, mas existem cotas que incluem deficientes físicos, por exemplo.
  O debate sobre cotas surgiu na década de 1930 na Índia com o objetivo de incluir a casta dos chamados intocáveis ou “dalits”, sobretudo, no sistema educacional indiano. Em 1949, a constituição indiana passou a regulamentar cotas para “dalits” no serviço público, na educação e em todos os órgãos estatais, devido a essa política o número de membros dessa casta com Ensino Superior concluído subiram de 1% em 1950 para 12% em 2005. Na Malásia, políticas semelhantes beneficiam o povo nativo, os malaios; na África do Sul, as diversas etnias de negros; na Austrália, os aborígenes; na Nova Zelândia, os maoris; no Canadá, os esquimós; etc.
           Contudo, o país no qual elas tiveram mais visibilidade foi os EUA desde o tempo da Luta pelos Direitos Civis (1955-1968), dos governos Kennedy (1961-1963) e Johnson (1963-1969), quando os negros conquistaram direitos como o de frequentar as mesmas escolas dos brancos e o de votar e ser votados, até que começaram a ser beneficiados por políticas de cotas iniciadas na década de 1970 e tornadas ilegais em 2007 pela Suprema Corte dos Estados Unidos.
           No Brasil, elas tiveram início por iniciativa estadual no Rio de Janeiro que criou políticas de cotas raciais nas universidades estaduais. Mais tarde, a UnB seria pioneira entre as federais brasileiras nesse sentido até que, por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal considera-se constitucionais essas iniciativas em 2012.
           O intuito maior das cotas, segundo seus defensores, é a superação das desigualdades socioeconômicas impostas por razões de ordem histórica, política ou ideológica contra um determinado grupo da sociedade. É uma medida compreendida como uma forma de “discriminação positiva” ou “ação afirmativa” para permitir mais mobilidade e menos desigualdade social.
      Sobre o conceito de raça, tão questionado por diversas ciências e ideologias, é fundamental que se entenda o conceito de raça por trás das cotas, o qual é construído em torno da construção social em torno de um grupo e não acerca de aspetos biológicos já superados pelo pensamento científico.
   Para os muitos críticos dessa iniciativa, ela é segregacionista e alheia ao mérito, já que na visão deles gera condições para que as pessoas consigam colocações e possibilidades às quais não merecem por não estarem tão preparadas intelectual e culturalmente quanto outros postulantes a determinada vaga ou ocupação.” (Estéfani Martins)

Texto 02.
“Em 2001, o governo do Rio de Janeiro aprovou a lei estadual que instaurava o primeiro sistema de cotas em ensino superior do Brasil: Uerj e Uenf adotaram a medida já no vestibular de 2004. Foi neste ano, aliás, que a UnB anunciou seu próprio sistema de ações afirmativas, seguida da UFBA. Há poucos meses, em votação marcante, o STF declarou o sistema de cotas raciais como constitucional, o que abriu portas para que o PLC saísse de vez da gaveta e fosse levado adiante.
Evandro Piza, professor da Faculdade de Direito da UnB e um dos responsáveis pela criação do sistema de cotas na UFPR, anuncia que é a favor da nova lei porque ela vai obrigar as universidades que não adotavam qualquer sistema de inclusão social ou racial a passar a fazê-lo, mas se diz crítico com relação a alguns pontos. “A lei em si tem vantagem – impõe políticas de ação afirmativa direto às universidade que foram inertes. Isso é necessário. Porque a universidade é pública. Agora, por outro lado, tem uma coisa que se esquece. O debate qualificado. Cada estado tem uma necessidade diferente, por isso, o debate precisa ser diferente”.
Piza diz que na Universidade de Brasília, quando o sistema foi implantado, percebeu-se que muitos alunos que ingressavam no ensino superior da região vinham de escolas públicas. Mas se via pouca mistura racial nos corredores. Por conta disso, 20% das vagas dessa universidade são destinadas a pretos, pardos e índios. Na UFPR, o modelo adotado destina 20% das vagas à escola pública e 10% a cotas raciais. “Sou contra as cotas destinadas à escola pública. E isso não é um argumento elitista. Ali se faz um filtro que não funciona sempre. Não pega as pessoas que tiveram chances diminuídas no ensino público, porque só cobra três anos cursados na rede. Na minha opinião, o número de anos tinha que aumentar. Para seis, por exemplo”. Além disso, ele critica o sistema de declaração de renda explicitado na lei, porque é passível de fraude.”

Texto 03.



Texto 04.

Situação 2014/57/A - Dissertação (Enem)
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “aspectos acerca da implantação de cotas raciais em universidades públicas brasileiras”, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Instruções Enem:

1. O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.
2. O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em até 30 linhas.
3. A redação com até 7 (sete) linhas escritas será considerada “insuficiente” e receberá nota zero.
4. A redação que fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo receberá nota zero.
5. A redação que apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos receberá nota zero.
6. A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeito de correção.

Situação 2014/57/B - Dissertação (USP, Unesp, etc.)
Faça uma dissertação que comunique de forma clara e precisa sua opinião a respeito do argumento defendido no texto 04 da coletânea.

Instruções:
1. Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
2. A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
3. Dê um título a sua redação.

Situação 2014/57/C – Relato (UFU, Unicamp, UEL, etc.)
Escreva um relato a respeito da questão racial no Brasil que envolva também a política pública de cotas raciais.

Instruções:

1. Após a escolha de uma das situações, assinale sua opção no alto da folha de resposta e, ao redigir seu texto, obedeça às normas do gênero selecionado.
2. Se for o caso, dê um título para sua redação. Esse título deverá deixar claro o aspecto da situação escolhida que você pretende abordar.
3. Se a estrutura do gênero selecionado exigir assinatura, escreva, no lugar da assinatura: JOSÉ OU JOSEFA. Em hipótese alguma escreva seu nome, pseudônimo, apelido, etc. na folha de prova.
4. Utilize trechos dos textos motivadores (da situação que você selecionou) e parafraseie-os.
5. Não copie trechos dos textos motivadores, ao fazer sua redação.
6. ATENÇÃO: se você não seguir as instruções da orientação geral e as relativas ao tema que escolheu, sua redação será penalizada.
7. Mínimo de 25 e máximo de 30 linhas.

Situação 2014/57/D - Carta argumentativa (Uniube, Unicamp, UEL, etc.)
Escreva uma carta argumentativa para o geógrafo Demétrio Magnoli em que você comunique e defenda a sua posição a respeito da resposta abaixo dada por ele em uma entrevista para o Instituto Milenium.

“Instituto MIlenium: Quais são as consequências das cotas para a área de Educação?
Magnoli: O que esta sendo feito na verdade é trocar uma série de ingressantes da universidade de cor mais clara por uma série de ingressantes de cor mais escura. Sendo os dois grupos pertencentes, de modo geral, à classe média.
Nesse caminho se violam direitos individuais, o direito de candidatos que tiraram notas melhores que outros candidatos, mas foram preteridos pelo sistema de cotas. A explicação para isso é que o direito desses indivíduos deve ser suprimido em nome de um princípio de redenção racial.
O que nos coloca num ponto chave. O Supremo substituiu uma Constituição que vê a nação com um conjunto de indivíduos por uma Constituição que vê a nação como uma coleção de grupos de raça.”

Instruções:

1. Após a escolha de uma das situações, assinale sua opção no alto da folha de resposta e, ao redigir seu texto, obedeça às normas do gênero selecionado.
2. Se for o caso, dê um título para sua redação. Esse título deverá deixar claro o aspecto da situação escolhida que você pretende abordar.
3. Se a estrutura do gênero selecionado exigir assinatura, escreva, no lugar da assinatura faça estritamente o que estiver informado na prova ou no caderno do candidato, no caso desta proposta passe um traço (Uniube) ou deixe sem assinatura.
4. Utilize trechos dos textos motivadores (da situação que você selecionou) e parafraseie-os.
5. Não copie trechos dos textos motivadores, ao fazer sua redação.
6. ATENÇÃO: se você não seguir as instruções da orientação geral e as relativas ao tema que escolheu, sua redação será penalizada.
7. Mínimo de 25 e máximo de 30 linhas.