segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Redação - Estrutura textual dissertativa

Dissertação

                               “O fato de uma opinião ser amplamente compartilhada não é nenhuma evidência de que não seja completamente absurda; de fato, tendo-se em vista a maioria da humanidade, é mais provável que uma opinião difundida seja tola do que sensata.”
(Bertrand Russell)

“O que não sabe é um ignorante, mas o que sabe e não diz nada é um criminoso.”
(Bertolt Brecht)

:::O conceito

Dissertação é um gênero textual produto das interações entre certas tipologias textuais, em especial a argumentação e a exposição, ainda que descrição e narração possam ser usadas como recursos para construção particularmente de argumentos. Esse gênero textual é empregado de forma regular para comunicar e documentar debates de cunho científico, acadêmico, estético, etc., com o intuito de comunicar a posição de alguém sobre determinado tema de forma organizada, laica, contundente e respeitosa em relação a princípios do pensamento lógico e formal. A forma mais tradicional de abordar a teoria de gêneros textuais em vestibulares e destacadamente no Enem é a dissertação argumentativa.

:::Estrutura textual dissertativa

A estrutura textual dissertativa é uma forma de organização das ideias, dos argumentos e das informações em forma de um gênero textual pré-concebido e estável quanto aos aspectos que o particularizam, por isso é amplamente utilizada e é esperada quando se almeja escrever uma dissertação.
Essas preocupações são muito marcantes em textos dissertativos em função do caráter científico deles, o que exige procedimentos organizacionais para que o tema e a hipótese expostos introdução seja comunicados da forma mais compreensível e convincente para o leitor, a fim de que ele possa entender com exatidão a razão dos argumentos defendidos no desenvolvimento, que serão fundamentais para dar relevância e potência conclusão seja nos casos em que se resumem as ideias do texto, ratificam-se as mais importantes ou são desenvolvidas propostas de intervenção com o intuito de se solucionar o problema apresentado na proposta de redação. A estrutura textual dissertativa, que é base para a maioria dos textos argumentativos de concursos, é, portanto, dividida em introdução, desenvolvimento, conclusão e título.

:::Introdução: apresentação da tema (assunto) e da hipótese (opinião geral)
        Exposição sucinta do assunto a ser abordado no texto, que pode ser construída com auxílio de uma exposição breve acerca do assunto, de uma opinião pessoal, de uma descrição, de uma narração, etc. É importante que qualquer uma dessas escolhas comunique de forma clara e explícita o tema do texto em questão. É fundamental que a introdução esclareça para o leitor sobre qual assunto será lido, se possível, com a focalização do tema, ou seja, com a apresentação do devido contexto social, político, cultural, etc., que será levado em consideração no debate a ser feito ao longo do texto. Um exemplo disso é, numa discussão sobre eutanásia, a delimitação de que o debate limita-se ao Brasil e ao século XXI evita que as afirmações sejam encaradas como generalistas pelo corretor.
Pode também ser o momento de, explicitamente, o autor do texto – mais que informar e enfocar – expor uma opinião clara e concisa que norteará e justificará os argumentos utilizados no desenvolvimento, o que muitos chamam de tese, ainda que seja nesse estágio apenas uma hipótese, pois é uma afirmação carente de comprovação a ser construída no desenvolvimento, o qual a sucede e a defende.

Tipos de introdução para o texto dissertativo

1 - Conceito/opinião
Caracterização sintética do assunto a ser tratado, a fim de delimitá-lo ou conceitua-lo. Comunica também de forma sucinta a opinião geral (hipótese) do autor acerca do tema. Exemplo:

A falta de interesse pelas políticas públicas por parte da maioria das lideranças políticas, a corrupção na polícia e a miséria de parte expressiva da população brasileira auxiliaram, decisivamente, na consolidação do que se convencionou chamar de “poder paralelo”. Esse fenômeno soma-se a muitos outros para denunciar a calamidade social instalada na sociedade brasileira e a questionável atuação ou mesmo a inexistência do poder estatal na maioria das áreas menos favorecidas do Brasil.

2 - Comparação
Nesse tipo de introdução, são estabelecidos pontos de semelhança entre elementos diversos. Modo associativo e analógico de iniciar a discussão de um tema, fazendo até mesmo que o leitor possa ter contato com pontos de convergência entre o assunto do texto e outros temas. Importante que se tenha cuidado para não desviar do assunto da proposta de redação. Exemplo:

O poder paralelo não é um problema social e de segurança pública exclusivo de países subdesenvolvidos e pobres, ele também assola os EUA, a Itália, a Rússia e o Japão. Estes países têm um ou vários grupos criminosos extremamente organizados atuantes em seu próprio território, com uma autonomia, algumas vezes, maior do que a do Comando Vermelho (CV) e a do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Brasil.

3 - Roteiro
Nesse tipo de introdução, o roteiro da discussão é antecipado com o intuito de fazer uma espécie de prévia sobre o que será discutido ao longo do desenvolvimento. Normalmente, são antecipados os argumentos que serão empregados. Exemplo:

O “poder paralelo” é um dos principais problemas vivenciados pela população e, por vezes, enfrentado pelo Estado tanto fora quanto dentro dos presídios. Isso se justifica em razão do domínio que grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) tem do sistema penitenciário paulista e pelo gradativo aumento da influência política desses grupos na vida pública brasileira.

4 - Indagações (perguntas)
Sequência de perguntas que, ao mesmo tempo, informa os pontos do tema que serão abordados no texto e faz questionamentos pertinentes os quais nortearão a argumentação posterior. Exemplo:

Qual a razão para a existência no Brasil de organizações criminosas tão ou mais poderosas do que o estado brasileiro? O que as mantém tão poderosas? Como se consolidou na sociedade brasileira esse “poder paralelo”? Eis as perguntas mais comuns feitas dos bares da periferia até as salas das universidades. Em resumo, como o poder paralelo suplantou o estatal sem que a sociedade civil percebesse a tempo?

5 - Consideração histórica ou filosófica
Seleção dos principais pontos ao longo da trajetória histórica ou filosófica do tema do texto que possam elucidar as razões, as consequências, os fatos, etc. responsáveis pela situação atual que envolve e é envolvida pelo assunto do texto. Exemplo:

O poder paralelo tem uma de suas raízes em tradições seculares de países como a Itália e o Japão. Nesses lugares, a despeito das ações criminosas, ele cresceu com o referendo de grande parte da população carente, sem heróis e pouco educada, além disso, contou com períodos de ausência do Estado em relação a políticas públicas e sociais. Nesse hiato, no qual, sob outras condições, o caso brasileiro está também inserido, desenvolveu estrutura de empresa e firmou-se como parte da sociedade que não pode, infelizmente, ser ignorada.

6 - Enumeração de ideias, impressões ou fatos
Uso de exemplos claros, precisos e contundentes, normalmente de conhecimento público, os quais conduzirão as discussões posteriores ou serão recuperados em outras passagens do texto.

Exemplo: A criação de leis, a imposição de toque de recolher, o controle severo e ditatorial da vida das pessoas e o poder de executor de penas são atribuições agora de um “poder paralelo” nas periferias brasileiras. As organizações criminosas são responsáveis por tornar a vida em muitas cidades, especialmente para os mais pobres, caótica e anômica.

7 - Citação
Uso de citação de autoridade que auxilia na assimilação do tema por parte dos leitores, pelo fato de usar passagem breve de texto alheio com o intuito de apresentar o tema do texto ou mesmo a hipótese. Exemplo:

Paz sem voz, não é paz, é medo.”. O verso contundente retirado de uma música do grupo O Rappa oferece uma explicação para o assombro chamado “poder paralelo”; notícia na mídia, terror para as comunidades mais pobres e ameaça onipresente para as mais favorecidas. Essa é a resposta para os séculos de omissão e silêncio das autoridades e dos cidadãos “cordiais” da sociedade brasileira.

8 - Ressalva ou contestação
Tipo de introdução em que se contesta uma ideia recorrente e normalmente decorrente do senso comum acerca do assunto ou mesmo um aforismo conhecido sobre o tema. Exemplo:

Ao contrário do que muitos afirmam, o “poder paralelo” não é produto da má fé ou da índole duvidosa dos moradores da periferia. Essa série ameaça ao bem estar social é produto do interesse das elites na maior parte do lucro tráfico de drogas, na manipulação eleitoral, na exploração imobiliária, etc.

9 - Narração ou descrição
Consiste em iniciar um texto com uma breve descrição ou narração de um evento hipotético ou verídico que possa ilustrar o tema e a hipótese a serem debatidos e defendidos ao longo do texto. Exemplo:

Ainda na infância foi recrutado para ser soldado do tráfico, aceitou para ajudar a família e para comprar aquilo que toda criança sonha estimulada pelas insistentes propagandas de brinquedos, tênis, etc. Morreu antes de chegar a maioridade vítima mais da sociedade, do que de suas escolhas. Essa é a história de muitos garotos da periferia que são convencidos a entrar no tráfico e se tornam os vilões fabricados e responsáveis por um “poder paralelo” que tanto aflige a sociedade, mas que ela própria é culpada pela existência desse mundo a parte das leis constitucionais.

:::Desenvolvimento: comprovação da hipótese (argumentação)

Em princípio, no desenvolvimento do texto dissertativo, deve ser articulada uma fundamentação racional e organizada dos pontos de vista do autor por intermédio de argumentos preferencialmente validados pela razoabilidade, pela ciência ou pela experiência e análise coletiva (consenso). Tal procedimento confere ao texto dissertativo a condição de espaço privilegiado de debate sobre as principais questões de qualquer tempo.
É no desenvolvimento que se mede a capacidade intelectual e cultural do autor do texto para, a partir de raciocínios, fatos, intertextualidades e analogias verossímeis, defender seu ponto de vista a respeito de um determinado assunto.
Nessa parte do texto, é muito importante o uso de recursos retóricos capazes de dar mais visibilidade e contundência para o melhor da argumentação do autor a respeito do tema que será selecionada para estar presente no texto.
            Sob uma perspectiva mais formal e mais conectada às necessidades daqueles que precisam escrever textos argumentativos escritos, é importante perceber as diferentes formas de construir argumentos, os quais são a realização concreta das intenções argumentativas. Tais estruturas lógico-discursivas podem ser divididas em tipos, em função da técnica ou estratégia  argumentativa empregada como meio de dar solidez e coerência a um determinado argumento, o que, em última instância, deverá contribuir positivamente para a defesa de uma hipótese, proposição ou ponto de vista. Dessa maneira, eis os tipos de argumentos:

1 - Causa e consequência
Principal meio lógico-discursivo empregado em textos argumentativos para construir um argumento. Baseia-se na enunciação de uma causa e na discussão sobre as potenciais consequências dessa afirmativa. Exemplo:

“O que é preciso lembrar é que a consolidação da indústria cultural brasileira trouxe com ela uma segmentação do mercado que não pode ser evitada. Ainda mais, porque essa segmentação levou a uma segregação por parte dos setores dominantes da indústria daquela parcela da MPB comprometida com a conservação e renovação da tradição da canção.” (Coletivo MPB, em “A morte e a morte da canção”)

2 - Exemplificação 
O exemplo, tomado como fidedigno à realidade, é um dos mais potentes mecanismos argumentativos, visto que faz com que o argumento se torne mais sólido, em princípio, porque se sustenta em fatos demonstrados com isenção. Exemplos podem ser construídos de várias formas, desde a simples utilização de fatos jornalísticos de conhecimento amplo até o uso de abordagens estatísticas com as devidas referências capazes de atestar a elas a necessária confiabilidade. Exemplo:

“A amnésia e recusa em aceitar responsabilidades históricas, tão frequentes entre as potências européias, é rara em países que foram derrotados de forma tão contundente como aconteceu com o Japão. Ainda mais estranho é que essa insensibilidade em relação às vítimas estrangeiras seja compatível com Abe e seu governo, que fizeram do caso dos 16 cidadãos japoneses sequestrados nos anos 1970 e 1980 pelos serviços secretos norte-coreanos, um de seus principais temas diplomáticos.” (Rafael Poch, La Vanguardia)

3 - Indução
Esse tipo de argumento fundamenta-se em informações relativas a particularidades ou a detalhes acerca do assunto em questão (estatísticas, dados, etc.), com o intuito de induzir o leitor a concordar com conclusões generalistas, sempre em sintonia com a hipótese defendida ao longo do processo argumentativo.
São muitos os problemas potenciais dessa estratégia argumentativa, tais como a insuficiência e a confiabilidade dos dados para serem acatadas determinadas conclusões a partir deles; a escolha tendenciosa dos dados utilizados; o uso tendencioso ou mesmo mal intencionado dos dados a fim de forçar uma conclusão impossível segundo parâmetros racionais e científicos; etc. Exemplo:

“No Brasil, o Funk popularizou-se com os bailes da pesada organizados pelos DJs Big Boy e Ademir Lemos nos anos 70, no Canecão, com a popularização de alguns artistas como Tony Tornado. Na época, a música era conhecida como soul, shaft ou soul-funk, derivando depois para simplesmente funk. Os bailes eram conhecidos como bailes black.” (Manoela Ebert)

4 - Dedução
Em tese, a dedução deve ser entendida como o contrário da indução. Normalmente, a argumentação dedutiva é a mais comum no discurso científico, ou seja, naqueles textos ou debates que pretendem ser obras abertas para a crítica e a análise de quaisquer pessoas interessadas neles. Exemplo:

“Os novos paradigmas [da música brasileira] parecem se concentrar e se encontrar todos no extremo norte do País, na pujante cena musical de Belém do Pará. Assim o antropólogo Hermano Vianna descreveu o ambiente das ‘festas de aparelhagem’ que forjaram o gênero ‘tecnobrega’, uma convergência mestiça de ritmos brasileiros e caribenhos, música tradicional, ‘cafona’ e eletrônica, romantismo de Roberto Carlos e tecnologia de DJs: ‘Quando as novidades são apresentadas, os fãs-clubes das aparelhagens vão ao delírio, com braços para cima, como se estivessem saudando a aparição de uma divindade, o totem da tribo eletrônica da periferia de Belém’.” (Pedro Alexandre Sanches, em “A música fora do eixo”)

5 - Perguntas, questionamentos
O uso de perguntas como norteadoras de um argumento tem como mais recorrente objetivo tornar a ordem das ideias em um texto mais fácil de ser compreendida, já que a relação entre pergunta e resposta é mais natural para quaisquer leitores, o que facilita o entendimento do leitor.
            É importante apenas que sejam evitadas perguntas muito elaboradas que não possam ser respondidas por falta de discussão sobre o assunto pelo autor ou mesmo porque o espaço médio do parágrafo não comportaria a resposta. Exemplo:

“Dentro desse contexto, até quando vamos esperar para que um novo Nirvana, um novo Sex Pistols e um novo Beatles apareça? Parece impossível, mas não é. Se não me falha a memória, o último grande movimento que realmente redirecionou o ‘rock and roll’ para um caminho até agora ilimitado foi o ‘grunge’. Conhecido após a ascensão do Nirvana, no começo da década de 90, mas impulsionado anteriormente por bandas como Mother Love Bone, L7, Mudhoney e, posteriormente, por Pearl Jam, Sound Garden, Stone Temple Pilots e Alice In Chains, essa corrente trouxe uma nova forma peculiar de se fazer rock, juntamente com toda uma energia acumulada de uma geração (dos anos 80) completamente angustiada e sem rumo.” (Marina Castellan Sinhorini)

6 - Analogia (comparação, relação por semelhança)
Analogias e comparações são construídas a fim de, por semelhança, propor que determinadas causas ou consequências para um fato sirvam para se entender questão semelhante noutro contexto. Tal prática tem como intuito evidenciar diferenças ou semelhanças capazes de contribuir no processo argumentativo do texto no sentido de se construir uma tese sólida e confiável.
Um dos senões desse mecanismo retórico são as inadequações quanto aos universos comparados que, em alguns casos, podem denunciar intenções de se construir especialmente semelhanças entre pontos em que foram ignoradas especificidades responsáveis por torná-los, muitas vezes, tão diferentes que eles se tornam incomparáveis. Exemplo:

“A música jovem brasileira dos anos sessenta foi marcada, principalmente, pelos movimentos Jovem Guarda e Tropicália, ambos fundamentais para o desenvolvimento de uma linguagem musical jovem no país. A Jovem Guarda, diretamente derivada do rock, apesar de uma certa resistência inicial, significou a mais profunda tradução da invasão britânica, patrocinada pelos Beatles, Rolling Stones e companhia. A Tropicália, por sua vez, mais ampla, introduziu a guitarra na tradicional MPB e o discurso político no rock, alargando os horizontes da música brasileira.” (Fernando Rosa, em “História do rock nacional”)

7 - Discurso de autoridade, citação (recorrência ao testemunho de alguma autoridade no assunto em questão)
Nesse procedimento, destaca-se o uso, geralmente, de citação ou da paráfrase assumida das ideias de uma autoridade no tema em questão que possa conferir credibilidade ao posicionamento do autor do texto.
Um dos problemas mais comuns encontrados em argumentos sustentados por citações é a escolha equivocada do recurso intertextual ou do autor dele, o que pode produzir inadequação do aforismo em relação à idéia defendida no argumento, invalidação do argumento por o aforismo ser improcedente, etc. Exemplo:

“Sobre as origens africanas do samba, veja-se que, no início do século XX, a partir da Bahia, circulava uma lenda, gostosamente narrada pelo cronista Francisco Guimarães, o Vagalume, no clássico “Na roda do samba”, de 1933, segundo o qual o vocábulo teria nascido de dois verbos da língua iorubá: “san”, pagar, e “gbà”, receber. Depois de Vagalume, muito se tentou explicar a origem da palavra, alguém até lhe atribuindo uma estranha procedência indígena. Mas o vocábulo é, sem dúvida, africaníssimo. E não iorubano, mas legitimamente banto.” (Nei Lopes, em “A presença africana na música popular brasileira”)

:::Conclusão: resumo, reafirmação, proposição de solução ou síntese das ideias do texto

Consiste na enunciação de uma hipótese defendida ao longo de toda ou de parte da dissertação por meio do desenvolvimento organizado em função de posturas argumentativas que permitem ao autor do texto reafirmar, resumir ou concluir o que disse ao longo dele. Tal procedimento só é possível graças à pertinência e à qualidade dos argumentos e das ideias concatenadas ao longo do desenvolvimento.
Como resultado desses argumentos, também se pode apresentar, na conclusão, uma solução viável para a questão quando solicitado ou quando o autor julgar possível ou condizente com a discussão. É importante lembrar que as soluções apresentadas pelo autor não devem sermágicas”, ou seja, devem possuir uma viabilidade concreta.
A conclusão é o momento em que o autor ratificará seu julgamento acerca do assunto sobre o qual dissertou. Por isso, nessa parte do texto, não são possíveis perguntas destinadas ao leitor, até porque, no caso de processos seletivos, ele é um corretor com o qual não se pode estabelecer qualquer tipo de comunicação.
Por causa da função clara e restrita que a conclusão tem em relação ao restante do texto, que é, em última análise, reafirmar, sintetizar ou ressaltar as passagens mais importantes dele, não há razão alguma para informações novas serem incluídas justamente nessa parte da estrutura de um texto dissertativo.
No contexto do Enem, entende-se como uma postura muito interessante para a confecção de ótimas conclusões a defesa das propostas de intervenção nessa parte do texto. Embora não haja nada documentado que confirme essa obrigatoriedade, é cauteloso e razoável que se desenvolvam duas soluções para o problema apresentado no texto ao longo da conclusão, preferencialmente em períodos diferentes. Sobre o desenvolvimento das soluções, é fundamental que elas não sejam apenas citadas, porque a correção do Enem irá pontuar as propostas de intervenção não só quanto à existência, mas também quanto ao desenvolvimento delas, daí a necessidade de que o meio pelo qual ela será implementada e objetivo pretendido sejam explicitados na conclusão para configurar uma solução mais bem avaliada porque melhor e mais pertinentemente desenvolvida. 
Abaixo seguem exemplos de conclusão que são satisfatórios diante do que é exigido no Enem e, por isso, fazem parte das dissertações entendidas como exemplos para os candiatos nos manuais de redação de 2012 e 2013 do Enem.