segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Atualidades - Coletânea 2014-33

Caras e caros,

Eis mais uma lista, estamos cada vez mais próximos do Enem, espero que todos tenhamos uma reta final das mais proveitosas. 








Indicação 01.
Ali and X - "Turning my back on Malcolm was one of the mistakes that I regret most in my life. I wish I’d been able to tell Malcolm I was sorry, that he was right about so many things. But he was killed before I got the chance. He was a visionary ahead of us all" - Muhammad Ali
Nota: Malcolm X e Muhammad Ali, dois dos mais importantes ativistas pelos direitos civis dos negros nos EUA.

Indicação 02.
Infográfico mostra o perfil dos brasileiros nas redes sociais (Facebook, Twitter, Blog, YouTube, Google+, Orkut)]

Indicação 03.
Ficheiro:Death of Marat by David.jpg
David, Jacques-Louis (1748-1825) pintor francês neoclássico - 1793 - óleo sobre tela - Morte de Marat.
Nota: talvez o quadro mais emblemático e polêmico do grande pintor francês David, que foi um dos maiores entusiastas da Revolução Francesa, na arte, seguramente o maior. Feito em homenagem ao amigo revolucionário francês Jean-Paul Marat, que foi muito criticado, em especial, no século XIX com a restauração da monarquia francesa por dar contornos heroicos para aquele que mandou para guilhotina milhares de franceses com suas denúncias, para muitos, infundadas feitas em jornais contra os que ele considerava contrários aos ideais revolucionários. O quadro empresta beleza e grandeza a um momento fúnebre e mesmo horrendo da morte de um homem enquanto tomava um banho terapêutico para amenizar os temíveis efeitos de uma severa doença de pele.

Indicação 04.

Indicação 05.
Diante da Lei
Franz Kafka

Diante da Lei está um guarda. Vem um homem do campo e pede para entrar na Lei. Mas o guarda diz-lhe que, por enquanto, não pode autorizar-lhe a entrada. O homem considera e pergunta depois se poderá entrar mais tarde. – ”É possível” – diz o guarda. – ”Mas não agora!”. O guarda afasta-se então da porta da Lei, aberta como sempre, e o homem curva-se para olhar lá dentro. Ao
ver tal, o guarda ri-se e diz. – ”Se tanto te atrai, experimenta entrar, apesar da minha proibição. Contudo, repara, sou forte. E ainda assim sou o último dos guardas. De sala para sala estão guardas cada vez mais fortes, de tal modo que não posso sequer suportar o olhar do terceiro depois de mim”.
O homem do campo não esperava tantas dificuldades. A Lei havia de ser acessível a toda a gente e sempre, pensa ele. Mas, ao olhar o guarda envolvido no seu casaco forrado de peles, o nariz agudo, a barba à tártaro, longa, delgada e negra, prefere esperar até que lhe seja concedida licença para entrar. O guarda dá-lhe uma banqueta e manda-o sentar ao pé da porta, um pouco desviado. Ali fica, dias e anos. Faz diversas diligências para entrar e com as suas súplicas acaba por cansar o guarda. Este faz-lhe, de vez em quando, pequenos interrogatórios, perguntando-lhe pela pátria e por muitas outras coisas, mas são perguntas lançadas com indiferença, à semelhança dos grandes senhores, no fim, acaba sempre por dizer que não pode ainda deixá-lo entrar. O homem, que se provera bem para a viagem, emprega todos os meios custosos para subornar o guarda. Esse aceita tudo mas diz sempre: – ”Aceito apenas para que te convenças que nada omitiste”.
Durante anos seguidos, quase ininterruptamente, o homem observa o guarda. Esquece os outros e aquele afigura ser-lhe o único obstáculo à entrada na Lei. Nos primeiros anos diz mal da sua sorte, em alto e bom som e depois, ao envelhecer, limita-se a resmungar entre dentes. Torna-se infantil e como, ao fim de tanto examinar o guarda durante anos lhe conhece até as pulgas das peles que ele veste, pede também às pulgas que o ajudem a demover o guarda. Por fim, enfraquece-lhe a vista e acaba por não saber se está escuro em seu redor ou se os olhos o enganam. Mas ainda apercebe, no meio da escuridão, um clarão que eternamente cintila por sobre a porta da Lei. Agora a morte está próxima.
Antes de morrer, acumulam-se na sua cabeça as experiências de tantos anos, que vão todas culminar numa pergunta que ainda não fez ao guarda. Faz-lhe um pequeno sinal, pois não pode mover o seu corpo já arrefecido. O guarda da porta tem de se inclinar até muito baixo porque a diferença de alturas acentuou-se ainda mais em detrimento do homem do campo. – ”Que queres tu saber ainda?”, pergunta o guarda. – ”És insaciável”.
– ”Se todos aspiram a Lei”, disse o homem. – ”Como é que, durante todos esses anos, ninguém mais, senão eu, pediu para entrar?”. O guarda da porta, apercebendo-se de que o homem estava no fim, grita-lhe ao ouvido quase inerte: – ”Aqui ninguém mais, senão tu, podia entrar, porque só para
ti era feita esta porta. Agora vou-me embora e fecho-a”.

Trecho que faz parte do livro “O Processo”

Abraços,

Professor Estéfani Martins
opera10@gmail.com