domingo, 19 de fevereiro de 2017

Redação - Dificuldades linguísticas mais comuns em redações (atualização 1)



Informação importante: fiquem à vontade para perguntar ou sugerir novos temas, pois a ideia é que esta postagem seja continuamente revisada e ampliada a partir das necessidades e dúvidas de vocês. Para tanto, deixem suas sugestões nos comentários.

1 - Dentre e entre
A palavra “dentre” é formada pela preposição “de” mais a preposição “entre”, indica normalmente as ideias de inclusão, associação, exceção e seleção. Pode ser substituído pela expressão “do meio de”. É mais comumente usada em expressões com verbos que regem a preposição “de” como sair, ressurgir, tirar, retirar, etc. Nos demais casos, usa-se "entre". Ex.: 

O êxito surge mais comumente dentre aqueles que perseveram.

Ele saiu dentre a multidão que esperava lá fora.

Entre todos os meus colegas de trabalho, considero João o mais competente e dedicado.

Demonstrava ser bastante tímido apenas entre as pessoas desconhecidas.

“Nossa existência não é mais que um curto circuito de luz entre duas eternidades de escuridão.” (Vladimir Nabókov)

"Na batalha entre o gênio e a burrice, o gênio rosna de impotência e frustração, enquanto o cretino arde como um sol desvairado." (Nelson Rodrigues)

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2 - Há e a
- Referência a tempo passado.
Ex.: dias não o vejo.
    "Infelizmente eu só posso comprar aquilo que está à venda, senão muito tempo que já teria comprado um pouco de felicidade.“ (Paul Getty)

– referência a existência de algo.
Ex.: objetos muito antigos nesse antiquário.
  “Não entendo porque as pessoas ficam mais preocupadas em tirar fotos e filmar olhando em uma pequena telinha enquanto um espetáculo gigante na frente.” (Roger Waters)

A - referência a tempo futuro.
Ex.:   Chegaremos daqui a pouco.
 
A - referência a distância.
Ex.:   Aquele acidente aconteceu a poucos metros daqui.

3 - Ao encontro de e de encontro a
"Ao encontro de" indica "ser favorável a", "ter posição convergente" ou "aproximar-se de". "De encontro a" indica oposição, choque ou colisão entre pessoas, coisas, ideias. Ex.: 

Suas ideias vêm ao encontro das minhas, mas suas ações vão de encontro ao nosso acordo. (Suas ideias são tais quais as minhas, mas suas ações são contrárias ao nosso acordo.)

4 - Afim e a fim
"Afim" é um adjetivo equivalente em sentido a palavras como "igual" ou "semelhante". Já o termo "a fim" é uma locução prepositiva que indica
finalidade e pode ser substituída por expressões como "com o intuito de", "para", com o objetivo de", etc. Ex.: 
  
Nós temos vontades afins.

Ela viajou por anos, a fim de conhecer grande parte da Ásia.

5 - Ao invés de e em vez de
"Ao invés de" indica "oposição, situação contrária". Já a expressão "em vez de" indica uma substituição ou troca. Ex.:
  
Em vez de ir ao cinema, fui ao teatro.

Descemos, ao invés de subir.

"Procure ser um homem de valor, ao invés de procurar ser um homem de sucesso." (Albert Einstein)

"O problema de apreciar música é que em geral as pessoas são ensinadas a ter excessivo respeito por ela; em vez disso, deveriam ser ensinadas a amá-las." (Igor Stravinsky)

6 - Senão e se não
A palavra "senão" significa "caso contrário" ou "a não ser". A expressão "se não", por sua vez, ocorre em orações subordinadas adverbiais condicionais ou equivale e pode ser substituída por "caso não". Ex.: 
  
Nada fazia senão reclamar.

Estude bastante, senão não sairá sábado à noite.

Se não estudar, não sairá sábado à noite.

"Um país não pode ser um país de verdade senão tiver ao menos uma cerveja e uma empresa aérea. Ajuda se tiver uma equipe do futebol, ou armas nucleares, mas o mais importante é a cerveja." (Frank Zappa)

“Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.” (Barão de Itararé)

7 - A princípio e em princípio
A expressão "a princípio" comunica a ideia de algo ou um processo que se inicia, que está no princípio. Pode ser substituída por "no começo" ou "inicialmente". Já "em princípio" informa sobre o que é referente às bases ou aos fundamentos de uma crença, um saber, um valor, etc. Pode ser substituído por "em tese" ou "de modo geral". Ex.:  

Em princípio, todos são iguais.

A princípio, elas estavam meio tímidas.

"Em princípio, não há nada que as mães desejem mais para os filhos do que vê-los casados, mas nunca aprovam as mulheres que eles escolhem." (Raymond Radiguet)

8 - Onde, aonde e donde
Onde significa "em que lugar" e está relacionado à ideia de localização, pode ser substituído por “em que” ou “no qual”. Aonde significa "a que lugar" e remete a noção de destino. Donde significa "de que lugar" e está associado a ideia de origem. Ex.:

Onde (em que lugar) você está? (localização)
Aonde (a que lugar) você vai? (destino)
Donde (de que lugar) você vem? (origem)

"Supõe-se que onde (em que ou no qual) há mistério também pode haver perversidade." (Lorde George Gordon Byron)

De onde menos se espera, daí é que não sai nada.” [Barão de Itararé, Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly (1895-1971)]”

“...sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar.” (Guimarães Rosa em “Grande sertão veredas”)

“O seu amor ame-o e deixe-o ir aonde quiser.” (Gilberto Gil, em “O seu amor”)

9 - Acerca de, a cerca de e há cerca de
"Acerca de" é locução prepositiva equivalente a "sobre, a respeito de". "A cerca de" indica aproximação. "Há cerca de" indica tempo decorrido. Ex.:   

Estávamos falando acerca de política.

Moro a cerca de 2 Km daqui.

Estamos rompidos há cerca de cinco meses.

10 - A domicílio e em domicílio
Apesar de muitas divergências entre gramáticos, o termo "a domicílio" deve ser usado acompanhado de verbos que indicam movimento. No caso do verbo "entregar", usa-se "em domicílio". Ex.:

Eles trazem a pizza a domicílio.

Eles entregam a pizza em domicílio.

11 - A meu ver e ao meu ver
A expressão "ao meu ver" não existe, portanto nesses casos usa-se "a meu ver". Ex.:

A meu ver, nada está como deveria estar.

12 - Através
O vocábulo "através" deve ser usado no lugar de "por entre" ou "ao longo de", ou seja, no sentido do que se pode atravessar. No sentido de "por meio", "por intermédio",  "por" e "pelo" não se usa "através". Ex.:

Ele viajou através do país.

A bala passou através da parede.

13 - Ora ou hora

"Hora" é um vocábulo associado ao tempo quanto a sua marcação ou como unidade simples. Já "ora" expressa a ideia de momento ou de atualidade. É um advérbio de tempo. Também pode ser usado como conjunção coordenativa alternativa. Ex.:

Os pilotos estão a mais de 200 quilômetros por hora.



“Fui educado pela imaginação
Viajei pela mão dela sempre,
Amei, odiei, falei, pensei sempre por isso,
E todos os dias têm essa janela por diante,
E todas as horas parecem minhas dessa maneira.” (Fernando Pessoa)

Por ora, estou muito ocupado.


Ora ela crê no que acredita, ora ela acredita naquilo que convém.


14 - Ter e haver

"Ter", ainda que largamente usado na informalidade, não pode ser usado no lugar de haver. Ex.:

Não tinha mais vinho na mesa. (uso errado)


Não havia mais vinho na mesa. (uso correto)


15 - Haja vista ou haja visto

Primeiramente, a expressão "haja visto" é usada em situações muito incomuns. A expressão "haja vista" é mais usada, sempre no sentido aproximado de "veja-se a propósito". Ex.:

A mobilidade urbana nas grandes cidades brasileiras é cada vez pior, haja vista o tempo enorme que as pessoas levam para deslocarem-se nelas.


16 - Como escrever numerais?

A referência a séculos deve ser feita com numerais romanos, ainda que, cada vez mais, sejam aceitos os arábicos.
Sobre escrever por extenso numerais cardinais ou ordinais, é uma convenção que se escreva por extenso de um a dez (primeiro a décimo) e de 11 (décimo primeiro) em diante sejam usados numerais arábicos.

17 - Enfim e em fim

A expressão "enfim" indica finalidade e pode ser substituído por “por fim” ou “finalmente”, enquanto "em fim" pode ser substituída por "no final“, com o intuito de comunicar sobre algo que ocorre ou peculiar ao fim de um processo, filme, história, etc. Ex.:

Enfim a guerra acabou, porque a irracionalidade não pode ser eterna.

Em fim de carreira, muitos artistas tendem a se tornar mais herméticos.

18 - Colocação pronominal (Próclise)
a.    O pronome pessoal do caso oblíquo é atraído por palavras ou expressões com valor negativo como não, nem, nunca, jamais, nada, ninguém e de modo algum. Exemplos:

Ninguém se interessa mais pelo que políticos dizem.
Nada me incomoda mais do que alguém capaz de falar mais do que é capaz de ouvir.
Os brasileiros não se interessam mais por futebol como antigamente.

b.    O pronome pessoal do caso oblíquo é atraído por pronomes relativos, demonstrativos e indefinidos. Exemplos:

Alguém me passa a manteiga.
Aquilo me fazia querer mudar de país.
Os países que me parecem mais atrasados quanto ao combate à fome estão na África.

c.    O pronome pessoal do caso oblíquo é atraído por conjunções subordinativas como quando, se, porque, que, conforme, embora, logo, que, etc. Exemplos:

É imprescindível que se tenha engajamento político para além das eleições.
Era feliz, embora se aborrecesse com facilidade.

d.    O pronome pessoal do caso oblíquo é atraído por advérbios. Exemplos:

Eles sempre se preparam para o pior.
Talvez o tenha como amigo, talvez não.

e.    O pronome pessoal do caso oblíquo é atraído por termos interrogativos. Exemplos:

Quem te fez tamanha injúria?

f.    O pronome pessoal do caso oblíquo é obrigatório em frases exclamativas ou optativas que exprimem desejo. Exemplos:

Deus o abençoe!
Que os deuses o ajudem!

g.    O pronome pessoal do caso oblíquo é obrigatório com verbo no gerúndio antecedido de preposição “em”. Exemplos:

Em se tratando de arte, nada suplanta o cânone clássico.

h.    O pronome pessoal do caso oblíquo é obrigatório com formas verbais proparoxítonas. Exemplos:

Eles o tratavam mal, porque a ignorância é bem maior que o bom senso.

19 - Demais, de mais e ademais
O termo "demais" pode ser um advérbio de modo ou intensidade, um pronome no sentido de "os outros" ou uma preposição no sentido de "além de". O termo "de mais" é um advérbio de quantidade com valor aproximado a "a mais". O termo "ademais" tem o mesmo sentido das expressões "além de" e "além disso". Ex:

"É talvez no ramo financeiro onde a pena segue de mais perto a injustiça." (Lagrelle)

"Quanto melhor é uma pessoa, tanto mais dificilmente suspeita da maldade das demais." (Cícero)

Fala muito, ademais sempre com um raciocínio primitivo.

20 - Mesmo
Mesmo é um advérbio que é variável quanto ao gênero e invariável quanto ao número, no sentido de "justamente". Por isso, não pode ser usado como elemento coesivo referencial em textos em que se exige a norma padrão. Ex.:

Ela mesma fez aquele prato delicioso: panna cotta.

Dignidade, mesmo, têm aqueles que são muito mais do que imaginam ser.

21 - Sobre e sob
"Sobre" tem sentido similar a "em cima de" e "sob" tem sentido similar a "debaixo de", ou seja, são opostos, por isso devem ser usados com cuidado para não causarem confusões e desentendimentos. Ex.:

Eles discutiam sobre a situação econômica mundial.

"Os bens da fortuna são perecíveis; construir sobre eles, é construir sobre areia." (Honorat de Bueill)

"Casar pela segunda vez é o triunfo da esperança sobre a experiência." (Samuel Johnson) 

"Todos vivemos sob o mesmo céu, mas ninguém tem o mesmo horizonte!" (Konrad Adenauer)

"Um chão de folhas sob um céu de flores, eis a mata." (Alberto de Oliveira)

22 - Sequer e se quer
"Sequer" é um advérbio  que tem significado aproximado de "a menos" e "pelo menos". A expressão "se quer" é a reunião da conjunção "se" com o verbo querer em terceira pessoa. Ex.:

"Ninguém sabe, nem sequer sente, que algo é um limite, ou um defeito, até estar, ao mesmo tempo, acima e além dele." (Georg Wilhelm Friedrich Hegel)

"Há homens que nem sequer erram, porque nada se dispõem a fazer do razoável." (Johann Wolfgang Goethe)

"Praticamente qualquer um pode suportar a adversidade, mas se quer testar o caráter de alguém, dê-lhe poder !" (Abraham Lincoln)

"Sempre se quer dos outros aquilo que não podem dar, e eles reciprocam, cobrando também de nós o intangível." (Paulo Francis)


23 - À-toa e À toa
A expressão "à-toa" é um adjetivo e pode ser substituída por "desprezível" ou "desocupado". Já "à toa" é um advérbio e pode ser trocado por "sem destino" ou "sem rumo". Ex.:

Andei à toa pela rua.  
Ele sempre foi um sujeito à-toa.

24 - À medida que e na medida em que (as expressões "à medida em que" e "na medida que" não existem.) 
"À medida que" é uma expressão que indica proporção e pode ser substituída por "conforme" ou "à proporção que". "Na medida em que" pode ser substituída por "porque" ou "desde que" e pode indicar as ideias de explicação ou, mais raramente, condição. Ex.:

O medo crescia à medida que a epidemia espalhava-se. 
É preciso cumprir as leis, na medida em que elas na maioria das vezes beneficiam a comunidade.  


25 - O verbo fazer no sentido de tempo decorrido
O verbo "fazer", quando exprime tempo decorrido, é impessoal. Ex.:

Faz mais de 100 anos que a Guerra do Paraguai teve fim. 

26 - O verbo "haver"
Haver, no sentido de existir ou ocorrer, é invariável. Ex.: 

Houve muitos recordes nas últimas Olimpíadas.

27 - Sessão, seção e cessão
A palavra "sessão" deve ser usado no sentido de um intervalo de tempo em que se realiza ou se faz algo. "Cessão" deve ser usado no sentido de ceder algo a alguém. "Seção" deve ser usado no sentido de parte de um todo ou no sentido do ato ou efeito de repartir.

sessão de cinema foi conturbada.

cessão de materiais ainda não foi autorizada.
Cada seção do plano deve ser analisa com cuidado.

28 - A tempo e há tempo

"A tempo" significa algo como "na hora certa" ou "no momento oportuno". Já "há tempo" significa unicamente "faz tempo".

O paciente foi socorrido a tempo.

Há tempo, houve um golpe que depôs o primeiro presidente eleito daquele país.

29 - Aspas

Há dois tipos de aspas: as simples, que são construídas com o sinal do apóstrofo ('), e as duplas, com apóstrofo duplicado (").

1. Aspas são obrigatórias em transcrições, citações de aforismos e afins:
Sobre as aspas incluírem ou não o ponto final na citação, é importante saber se o ponto final faz ou não parte do texto original extraído, pois, caso faça, estará compreendido entre as aspas; caso não, será colocado depois das aspas finais. Igual orientação vale para os parênteses.
No caso de textos digitados ou datilografados, o itálico ou o negrito podem substituir as aspas.

2. As aspas simples são usadas quando uma citação contém outra, como no caso:
"Dizem que ‘No final, tudo acaba bem’, quando reflito sobre, em geral, quem mais frequentemente diz isso, fico com muito medo do que eles entendem como bem." (Vitório Sá)

3. Aspas são usadas em todas os termos estrangeiras, expressões latinas, palavras grafadas erroneamente, neologismos e gírias ainda não incorporadas ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Exemplos:
Em alguns estados brasileiros, prefere-se usar o pronome "nóis" em vez de nós.
“O termo ‘ficar’ tem sido amplamente utilizado para definir apenas o ato momentâneo de beijar na boca de outros em festas.”.
“A vida é um evento ‘a priori’, já que, se ela é possível, ela já pode ser considerada vida.”.
“Muitas pessoas usam a expressão ‘know how’ em função da ausência de termo adequado em Língua Portuguesa.”

4. Apelidos, quando escritos na condição de apostos, não devem ser contidos por aspas, a saber: 
João Francisco dos Santos, notoriamente conhecido como Madame Satã. Já em casos como: George “Harmonica” Smith, Johnny (Guitar) Watson, etc., indica-se que se use a alcunha ou o apelido entre aspas ou entre parênteses.

5. Aspas podem ser usadas em palavras que revelem ironia ou sarcasmo, como no exemplo a seguir: 
“Cantoras como Cibelle, Céu, Mariana Aydar, Tita Lima, Roberta Sá e muitas outras candidatas a modernas divas da música brasileira provam, com sua música inspirada, a necessidade de se pensar a ideia corrente de que no Brasil não se faz mais música de ‘qualidade’.”

6. Aspas são usadas em alusões a títulos de artigos, crônicas, revistas, filmes, livros, etc., como nos exemplos:
“O livro ‘História da Loucura’ de Michel Foucault é um dos clássicos do pensamento ocidental.”


“Discos como ‘Sobrevivendo no inferno’ dos Racionais MCs são provas cabais do colapso da presença do Governo nas periferias das grandes cidades brasileiras.”

30 - Algumas questões recorrentes em redações sobre o emprego da vírgula

Emprego da vírgula entre os termos da oração. 

No período simples, a vírgula é empregada nos seguintes casos
  • Para separar termos coordenados, ou seja, que têm a mesma função sintática, quando estes não vêm ligados por e, nem e ou. Exemplos: Ave sangria, O terço, Secos & molhados e Mutantes são as bandas que muitos ouviam na adolescência durante a década de 1970.
  • Para separar o aposto. Exemplo: Cartola, grande sambista, é um patrimônio da Estação Primeira de Mangueira.
  • Para separar o vocativo. Exemplo: Vossa excelência, senhor Mathias, percebeu o desdém dos presentes no almoço?
  • Para separar adjuntos adverbiais deslocados. Exemplos: O Brasil, no último século, progrediu muito menos que devia em vários aspectos sociais e econômicos.
  • Para separar certas conjunções deslocadas. Exemplo: Sobre a questão da mobilidade urbana, portanto, é perceptível que há questões culturais que emperram mudanças mais velozes no comportamento das pessoas.
  • Para indicar elipse do verbo da oração. Exemplo: Ele ouve os clássicos do samba. O outro, da música clássica.
  • Para isolar expressões explicativas (isto é, ou melhor, a saber, ou seja, por exemplo, etc.). Exemplo: Foram muitos os erros praticados durante escravidão, por exemplo, a intolerância religiosa.
No período simples, a vírgula é proibida

  • Entre o sujeito e o verbo e entre o verbo e seu objeto. Exemplo: Os índios, acreditaram, nos seus invasores.
  • Entre o nome e seu adjunto adnominal ou complemento nominal. Exemplos: A preocupação, do Estado, era enorme.; As estradas seguiam, paralelas, ao rio, o que é um absurdo, diante da possibilidade do investimento em transporte hidroviário; etc.


No período composto, a vírgula é permitida nos seguintes casos
  • Para separar orações subordinadas adverbiais. É obrigatório o uso de vírgula quando a oração adverbial estiver posicionada antes da oração principal. Por outro lado, é facultativo o emprego da vírgula se a oração principal vier antes da oração subordinada adverbial. Exemplos: Quando Maria Callas cantava, a platéia aplaudia de pé.; Muitos manifestantes foram presos durante a Primavera Árabe(,) embora não tenham cometido crime algum.; Embora não tenham cometido crime algum, muitos manifestantes foram presos durante a Primavera Árabe.; etc.
  • Para separar orações subordinadas adjetivas explicativas. Exemplo: Cuba, que é um país economicamente isolado, destacou-se mais uma vez em um grande evento esportivo disputado no Rio de Janeiro. Obs.: as orações subordinadas adjetivas restritivas não podem ser isoladas por vírgulas. Exemplo: Esse país fez as adequações cambiais que o FMI exigiu. 
  • Para separar orações coordenadas. Exemplo: A legalização das drogas deve ser um trunfo contra a violência urbana, mas não pode ser vista como o principal meio de combatê-la.


No período composto, a vírgula é proibida
  • Entre a oração principal e a subordinada substantiva. Exemplo: Muitos ainda garantem, que a ditadura militar trouxe prosperidade ao país.

A conjunção “e” antecedida por vírgula

  • Quando indica a conexão de duas orações, com sujeitos e verbos diferentes, o "e" deve ser introduzido por vírgula. Exemplo: A professora mandou o aluno à diretoria, e o diretor aplicou-lhe uma repreensão escrita.
  • Também se deve colocar vírgula antes do “e” quando ele tem valor adversativo ou conclusivo, ou seja, quando pode ser substituído por conjunções como “mas” ou “porém” e "portanto" e "logo", respectivamente.  Exemplo: As negociações começaram há muitos meses, e (mas) não foram concluídas.; A maioria das pessoas não cuida de forma preventiva e natural da saúde, e (portanto) tem mais chance de morrer precocemente.
31 - Crase
Algumas regras para facilitar o uso da crase:

Regra geral
  • As propostas foram entregues às autoridades.
  • As propostas foram entregues aos responsáveis.
Dessa forma:
  • Não existe crase antes de palavras masculinas.
  • Não existe crase no singular antes de palavras no plural.
  • Não existe crase antes de verbos.
  • Não existe crase antes de artigos indefinidos.
  • Não existe crase entre substantivos repetidos.
  • Não existe crase antes de pronomes de tratamento.
  • Não existe crase antes das palavras cuja, esta, quem, essa .
  • Não existe crase antes de pronomes pessoais.

32 - O emprego de maiúsculas e minúsculas
“BASE XIX

DAS MINÚSCULAS E MAIÚSCULAS

1º) A letra minúscula inicial é usada:
a) Ordinariamente, em todos os vocábulos da língua nos usos correntes.
b) Nos nomes dos dias, meses, estações do ano: segunda-feira; outubro; primavera.
c) Nos bibliónimos/bibliônimos (após o primeiro elemento, que é com maiúscula, os demais vocábulos, podem ser escritos com minúscula, salvo nos nomes próprios nele contidos, tudo em grifo): O Senhor do paço de Ninães, O Senhor do paço de Ninães, Menino de engenho, Árvore e Tambor ou Árvore e Tambor.
d) Nos usos de fulano, sicrano, beltrano.
e) Nos pontos cardeais (mas não nas suas abreviaturas): norte, sul (mas: SW sudoeste).
f) Nos axiónimos/axiônimos e hagiónimos/hagiônimos (opcionalmente, neste caso, também com maiúscula): senhor doutor Joaquim da Silva, bacharel Mário Abrantes, o Cardeal Bembo; santa Filomena (ou Santa Filomena).
g) Nos nomes que designam domínios do saber, cursos e disciplinas (opcionalmente, também com maiúscula): português (ou Português), matemática (ou Matemática); línguas e literaturas modernas (ou Línguas e Literaturas Modernas).

2º) A letra maiúscula inicial é usada:
a)Nos antropónimos/antropônimos, reais ou fictícios: Pedro Marques; Branca de Neve, D. Quixote.
b) Nos topónimos/topônimos, reais ou fictícios: Lisboa, Luanda, Maputo, Rio de Janeiro; Atlântida, Hespéria.
c) Nos nomes de seres antropomorfizados ou mitológicos: Adamastor; Neptuno/ Netuno.
d) Nos nomes que designam instituições: Instituto de Pensões e Aposentadorias da Previdência Social.
e) Nos nomes de festas e festividades: Natal, Páscoa, Ramadão, Todos os Santos.
f) Nos títulos de periódicos, que retêm o itálico: O Primeiro de Janeiro, O Estado de São Paulo (ou S. Paulo).
g) Nos pontos cardeais ou equivalentes, quando empregados absolutamente: Nordeste, por nordeste do Brasil, Norte, por norte de Portugal, Meio-Dia, pelo sul da França ou de outros países, Ocidente, por ocidente europeu, Oriente, por oriente asiático.
h) Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais ou nacionalmente reguladas com maiúsculas, iniciais ou mediais ou finais ou o todo em maiúsculas: FAO, NATO, ONU; H2O, Sr., V. Exª..
i) Opcionalmente, em palavras usadas reverencialmente, aulicamente ou hierarquicamente, em inicio de versos, em categorizações de logradouros públicos: (rua ou Rua da Liberdade, largo ou Largo dos Leões), de templos (igreja ou Igreja do Bonfim, templo ou Templo do Apostolado Positivista), de edifícios (palácio ou Palácio da Cultura, edifício ou Edifício Azevedo Cunha).
Obs.: As disposições sobre os usos das minúsculas e maiúsculas não obstam a que obras especializadas observem regras próprias, provindas de códigos ou normalizações específicas (terminologias antropológica. geológica, bibliológica, botânica, zoológica, etc.), promanadas de entidades científicas ou normalizadoras, reconhecidas internacionalmente.”
Fonte: Acordo Ortográfico Brasileiro.

33 - Gerúndio
O gerúndio é uma das formas nominais do verbo e é usado de forma frequente por grande parte dos usuários da Língua Portuguesa, tanto na modalidade escrita quanto na falada. Infelizmente, na maioria das vezes, seu emprego é equivocado, porque tenta esconder deficiências do autor, especialmente em textos escritos, relacionadas ao uso de conectivos, à conjugação de verbos, etc. Soma-se a isso a aparente facilidade de o gerúndio encaixar-se facilmente em muitas situações discursivas, o que faz dele um subterfúgio mais utilizado, quanto maior for a limitação do produtor do texto em questão.
O gerúndio, para ser bem empregado, deve resumidamente atender a duas circunstâncias:

  • Ações concomitantes ou coexistentes – “Os EUA preparam-se para a guerra enquanto na Organização das Nações Unidas muito países estão clamando pela paz.” 
  • Ações não-conclusivas ou não-pontuais – Até quando eles ficaram esperando para serem salvos? 


Ou ainda, podem-se destacar os usos abaixo do gerúndio como aceitáveis pela norma padrão.

  • Gerúndio modal – Corria assobiando como se quisesse ser ouvido por todos. 
  • Gerúndio condicional – Pensando ser uma exceção a regra, a seleção brasileira de futebol julgou-se invencível em muitas ocasiões recentes, por isso tem perdido todos os torneios importantes que disputa. 
  • Gerúndio temporal - Indica contemporaneidade entre a ação expressa pelo verbo principal e o gerúndio: Estavam muitas pessoas olhando naquele momento. 
  • Gerúndio durativo – O presidente da Suíça estava pensando sobre a situação dos países mais pobres. 
  • Gerúndio usado para expressar uma ação imediatamente anterior à do verbo principal – Comprando mais do que devia, viu-se com mais sacolas do que podia carregar. 
  • Gerúndio causal – Sabendo dos interesses envolvidos na questão da energia nuclear, o Brasil toma postura imparcial sobre a polêmica internacional a respeito do programa iraniano.


Professor Estéfani Martins