terça-feira, 8 de abril de 2014

ATA - Módulo 4 - Música brasileira - origens estrangeiras

A música popular brasileira
 Por Estéfani Martins

“(…) Os musicólogos gastam tempo demais debruçados sobre a música que vem ‘de cima para baixo’ e não tempo suficiente sobre a que vem ‘de baixo para cima’, a qual coexiste com a música erudita (…).”
(Joseph Kerman, em “Musicologia”)

A música brasileira constituiu-se e desenvolveu-se nos últimos 500 anos a partir da premissa da mistura, da “mestiçagem”, da mescla, da fusão, da troca cultural, da mixagem, etc., o que não só determinou uma grande diversidade de expressões e movimentos musicais, como individualizou a música brasileira ao constituí-la uma expressão artística ao mesmo tempo global e regional. Esse processo iniciou-se com o encontro de tradições culturais e estéticas europeias com as indígenas e posteriormente africanas em solo brasileiro. Todavia, apesar de nativa e rica, a tradição musical indígena foi tímida e indiretamente incorporada às tradições musicais que viriam a definir o que se chama genericamente de música brasileira. Isso ocorreu e ainda ocorre em função do preconceito contra a cultura indígena e também pela resistência relativa - por parte do índio - aos referenciais culturais europeus, o que dificultou, por outro lado, que ele pudesse expor e de forma dialética influenciar também o português como o fez o negro africano. Por isso, as tradições musicais dos índios do Brasil ficaram de forma mais evidente isoladas em ritmos de caráter folclórico e regional.
Essa importância do português como uma espécie de involuntário organizador ou mesmo catalizador dessas intensas trocas culturais também se deve ao fato de que Portugal era a ponte, até o século XIX, para a maior parte das influências estéticas eruditas e populares europeias que chegavam ao Brasil como a polca, a opereta italiana, etc.
Até o século XIX, os portugueses também foram, junto com a inequívoca e potente influência estética e cultural das muitas etnias de negros africanos trazidas ao Brasil, os introdutores da ampla maioria dos instrumentos musicais que ajudariam a definir a música brasileira, com exceção do tambor e do batuque, que são africanos em cada timbre e síncope; de sistemas harmônicos e melódicos; de tradições poéticas; de vários ritmos e andamentos musicais; de incontáveis formas de dançar; etc.
Com as imigrações de outras nacionalidades europeias para o Brasil, ao longo do século XIX até a metade do XX; com o enfraquecimento da influência portuguesa no Brasil e com o advento das tecnologias facilitadoras das trocas culturais, que trouxeram a contundente e, por vezes sufocante, contribuição da cultura pop norte-americana para a cultura brasileira; outras culturas passaram a diretamente influenciar a música brasileira e um intercâmbio estético intenso e dinâmico começou a ocorrer, daí elementos artísticos estrangeiros muito mais numerosos e diversos seguiram sendo incorporados, diluídos, interpretados, copiados e modificados pelos músicos brasileiros. Como é o caso do Tango da Argentina, do Bolero da Espanha, da música erudita moderna da Europa, do Jazz e do Rock estadunidenses, do Reggae da Jamaica, dos ritmos latinos da América Central, da música eletrônica europeia, do Miami Bass e da música negra (Rhythm’n’Blues, Funk, Soul, RAP, etc.) estadunidenses, do Heavy Metal europeu, etc.
Na aurora do século XX, a influência africana na música brasileira passou a ficar não só mais evidente como se tornou praticamente hegemônica na maioria dos ritmos populares ao longo do século XX. Aliás, foi justamente em função desse processo que a música feita no Brasil passou a ter contornos essencialmente brasileiros e autorais, menos pela novidade e mais pela ousadia de compor misturas até então inéditas na música ocidental como são os casos do Choro e da Bossa Nova. Concomitantemente, o Samba se elevaria como a síntese de todo esse processo e também se tornaria não só o símbolo máximo da produção musical brasileira, como seria seu fio condutor.
Depois Segunda Guerra, o Brasil passou a ter uma mais farta inserção dos meios de comunicação dentre a população mesmo de lugares distantes do interior com o advento da popularização do rádio, o que determinou a Era do Rádio, quando cantores e cantoras tornaram-se ídolos nacionais, graças ao talento e a nova exposição possibilitada pelas ondas do rádio. Mais tarde viriam a Bossa Nova, a Jovem Guarda, a Era dos Festivais, o Tropicalismo, o desenvolvimento do rock e do rótulo MPB, a música “black” que viria a dar origem ao Funk carioca e ao RAP, os desdobramentos e ramificações do samba, o tecnobrega, o axé, o pop sertanejo, etc.; os quais enfaticamente decretaram a alma plural, controversa e mestiça da música brasileira.
Dentro desse contexto, do diálogo, da interação e da competição entre variados gêneros musicais estrangeiros, brasileiros e autóctones nasceu uma enorme diversidade de estilos, movimentos ou outros gêneros musicais no Brasil, que se diversificam quanto mais eles se relacionam para produzir subestilos, novas expressões ou mesmo tendências, por vezes, tão fugazes quanto bem sucedidas, ainda que por um breve período apenas.

Portanto, a música brasileira, desde sempre, foi produto de diversas influências e fusões desde os momentos iniciais do processo colonizatório português quando jesuítas trouxeram a música sacra europeia como recurso de evangelização e dominação dos índios brasileiros até a miríade de possibilidades ofertadas pela internet nos tempos atuais. Assim, múltiplas referências estéticas estrangeiras foram fundadoras da música brasileira, mesmo porque o símbolo que define grande parte da música feita no Brasil é justamente a mistura, o amálgama, enfim, a síntese que é produto da diversidade étnica e cultural representada primeiro pelos índios, depois pelos negros africanos e mais tarde, para além da influência portuguesa, pelos muitos aventureiros, imigrantes, conquistadores, degredados, fugitivos, idealistas dos mais diversos confins do planeta que em terras brasileiras, por escolha ou por falta dela, ajudaram a desenvolver uma cultura estética e artística híbrida, mestiça e singular. Dessa forma, não só convém como se justifica o estudo de estilos, movimentos e concepções musicais estrangeiras para melhor entender a música brasileira.



Cantochão
Primeira influência musical estrangeira a chegar ao Brasil por obra dos jesuítas. Foi usado como um mecanismo de evangelização e conversão dos índios brasileiros ao Catolicismo, por isso uma manifestação artística intensamente utilitarista. É uma espécie de denominação genérica aplicada ao canto coletivo e monofônico geralmente sem acompanhamento de instrumentos musicais que é considerado um dos pilares da música europeia e, portanto, ocidental. É comumente vista como o início da música clássica. São associados tradicionalmente a concepções estéticas e ritualísticas cristãs distintas como a Moçárabe; Ambrosiana ou Gregoriana, ainda que o Canto Gregoriano seja aquele que ganhou maior popularidade mundial. As melodias do Cantochão desenvolvem-se de forma suave, metódica, linear e sustentada na prosódia de textos sacros em latim.

Para ouvir:
Canto gregoriano

Batuques africanos
Designação generalista usada até o início do século XX para músicas que embalavam festas, danças e religiões africanas ou afro-brasileiras no Brasil, muito em função do desprezo que grande parte da intelectualidade e da população, em especial até a primeira metade do século XX, tinha pelas tradições populares e mestiças formadoras da cultura brasileira. É caracterizado por ritmo comumente alegre, sincopado, animado e vigoroso. Baseado em variados tipos de tambores, oriundos muitas vezes de religiões africanas e afro-brasileiras, tal como os atabaques. Tais batuques genéricos eram algumas vezes acompanhados de tradições vocais africanas tribais como a do canto e resposta, em que o canto é “puxado” por um solista, que é respondido pelo coro que canta o mesmo que o solista ou trecho diverso da mesma canção.

Para ouvir:
Batuque

Canto-resposta

Música religiosa africana
A música de cerimônias religiosas africanas, a exemplo do Candomblé, é um dos pilares do ponto de vista estético da música popular brasileira. Nesses cultos, comumente, a música é empregada como forma de promover uma união entre os fiéis e entidade místicas, muitas vezes denominadas orixás, ou mesmo como forma de organizar a liturgia desses cultos. Fundamentalmente organizada em torno de instrumentos de percussão, os quais são responsáveis por inúmeros tipos de toques ou batuques que dão andamento, ordem e significado aos rituais dedicados a antepassados, a espíritos, a orixás, etc. Geralmente, tais toques têm andamento rápido e vigoroso, quanto à letra das músicas, são cantadas geralmente em línguas de origem africana. Tal como na música indígena e pelas mesmas razões, é muito difícil se não impossível determinar a autoria dos cantos e das melodias executadas quase sempre coletivamente durante os rituais.

Para ver e ouvir:
Tambor de Mina

Para ver e ouvir:
Candomblé

Para ver e ouvir:
Umbanda

Lundu (landum, lundum, londu)
Gênero musical e dança de natureza híbrida e controversa, produto do amálgama de batuques bantos de escravos angolanos trazidos ao Brasil com referenciais musicais portugueses. Em função de seus aspectos pretensamente lascivos e ambíguos, causou furor e muitas animosidades entre as camadas mais elitizadas e conservadoras das sociedades portuguesa e brasileira posteriormente. Quanto a questões estéticas, é a soma da base rítmica sincopada, efusiva e percussiva africana com a dolência das melodias portuguesas. Como dança, caracterizou-se pela união de traços característicos de formas de dança europeias populares da cintura para cima, como é o caso dos braços levantados, com as africanas dominando os movimentos da cintura para baixo, que é o caso do "rebolado malemolente". Além disso, destaca-se também a umbigada e a dança muitas vezes circular como importantes características dessa forma de arte. As letras tem forte apelo mordaz nas críticas sociais, no humor de acento lascivo, jocoso e ambíguo. Alcançou seu auge ao longo do século XIX quando figurava dominante nas festas de todas as classes sociais no Brasil. Para muitos musicólogos, é um dos pilares da música popular brasileira porque irá ser crucial na consolidação do estilo musical - por aclamação e origem – brasileiro: o samba.
Ou ainda, segundo o Dicionário Cravo Albin:
“O lundu (landum, lundum, londu) é dança e canto de origem africana introduzido no Brasil provavelmente por escravos de Angola. Da mesma forma que a modinha, há inúmeras controvérsias quanto à sua origem. Confundido inicialmente com o batuque africano (do qual proveio), tachado de indecente e lascivo nos documentos oficiais que proibiam sua apresentação nas ruas e teatros, o lundu em fins do século XVIII não era ainda uma dança brasileira, mas uma dança africana do Brasil. Segundo Mozart de Araújo, é a partir de 1780 que o lundu começa a ser mencionado nos documentos históricos. Até então, era dada a denominação de batuque aos folguedos dos negros. Enquanto dança, a coreografia do lundu foi descrita como tendo certa influência espanhola pelo alteamento dos braços e estalar dos dedos, semelhante ao uso de castanholas, com a peculiaridade da umbigada. Traço característico e predominante em sua evolução seria o acompanhamento marcado por palmas, num canto de estrofe-refrão típico da cultura africana. Quando a umbigada passa a se disfarçar como simples mesura, o lundu ensaia sua entrada nos salões da sociedade colonial.”

Para ouvir:

Polca
A Polca é oriunda da Boêmia (atualmente, região da República Tcheca) do início do século XIX. Além de estilo musical, também é uma espécie popular de dança, que tinha como atrativo na sua origem a proximidade necessária - para a execução da coreografia - entre os casais. Foi muito difundida mais tarde pela Europa e pela América. Caracteriza-se pelo compasso binário simples e por ritmo alegre e intenso. No Brasil, alcança grande popularidade a partir da segunda metade do século XIX como ritmo musical e de dança. Desenvolve-se com a criação de sub-estilos como a polca militar e a carnavalesca. Influenciará mais tarde a criação do Choro.

Para ouvir:
Jacob do Bandolim – “Mexidinha”

Schottisch
“Gênero musical. Antiga dança de salão aos pares, que se movimentam sincronicamente, geralmente em compasso binário. Aproxima-se da polca. No Rio de Janeiro foi apresentada pela primeira vez em julho de 1851, pelo professor de dança José Maria Toussaint. De grande aceitação, popularizou-se, sendo adaptada para pequenos conjuntos instrumentais. Os chorões do século XIX compuseram versos para ela, transformando-a em um tipo de modinha, denominada na nomenclatura popular ‘canção’. Era tão vulgarizada que, em 1851, deu-se o nome de ‘schottisch’ a uma epidemia que grassou no Rio de Janeiro. A ‘schottisch’ espalhou-se pelo Brasil inteiro, do Rio Grande do Sul, onde coincidiu com a difusão da gaita, ao Nordeste, onde era executada ao som das sanfonas nos forrós. Voltou a brilhar nos centros urbanos, quando o baião se tornou moda musical, depois da Segunda Guerra. Integrava o repertório dos conjuntos típicos do Nordeste, com os nomes aportuguesados: xote, chote, xótis e chótis.”

Para ver e ouvir:
“Lua Branca” (Chiquinha Gonzaga) – Marcus Viana e Maria Teresa Madeira.
“Ontem ao luar” (Pedro de Alcântara/ Catulo da Paixão Cearense) – Vicente Celestino.
Luiz Gonzaga – “Xote das Meninas”

Jazz
O Jazz é um estilo musical estadunidense oriundo do sul do país e que se consolidou na transição do século XIX para o XX. Grosso modo, é um processo de urbanização e requintamento do Blues rural tocado nos arredores de cidades em estados como o da Lousiana, em especial. Os pilares dessa expressão artística fundam-se na fusão das tradições musicais afro-americanas com as europeias, tal mescla é produto da inventividade e da mistura espontânea das culturas populares de comunidades negras, europeias e mestiças (“creoles”) moradoras de New Orleans. Esta cidade seria local fundamental para o surgimento desse gênero musical híbrido, mutante e alegre pela sua histórica vocação libertária, cosmopolita e musical. Esta ousadia estética gestada num primeiro momento por negros e mestiços (“creoles”) muitas vezes com educação musical formal incorporava elementos do canto tribal africano como o canto-resposta, a “blue note” do Blues, o ritmo sincopado herdado dos tambores africanos, a polirritmia, a improvisação e alguns elementos do Ragtime e do Gospel, além de conhecimentos formais sobre música clássica euopeia como no caso dos “creoles”.
Os instrumentos usados no Jazz são de espectro amplo, desde o violino de Stephane Grappelli à guitarra de Wes Montgomery, por isso os mais variados instrumentos têm sido empregados na execução desse estilo musical, ainda que mais comumente, metais e piano sejam associados aos seus grandes arquitetos como os trompetistas Joe "King" Oliver e Louis “Satchmo” Armstrong; os saxofonistas John Coltrane e Charlie Parker, os clarinetistas Sidney Bechet e Benny Goodman; os pianistas Thelonious Monk, Herbie Hancock, Oscar Petterson e Dave Brubeck e os organistas Horace Silver, Jimmy Smith, além dos líderes de bandas da Era de Ouro do Jazz Duke Ellington, Count Basie, Fletcher Henderson, Glen Miller, entre muitos outros. Vale ressaltar ainda a voz como instrumento que alçou a condição de verdadeiras divas do Jazz nomes como Billie Holiday, Nina Simone, Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan.
Desde sua origem, o Jazz não se limitou a ser uma manifestação artística monocórdica, previsível ou estagnada, por isso, ao longo do século XX, foram muitas as mudanças, rupturas e revoluções pelas quais passou esse estilo, dentre as quais se destacam: o Dixieland e o Ragtime de New Orleans, o Swing das Big Bands, o Bebop das grandes metrópoles, o Cool Jazz, o Free Jazz, o Fusion (Samba Jazz, Funk Jazz, Latin Jazz, Acid Jazz, etc.), além, evidentemente, das cada vez mais imprevisíveis tendências contemporâneas. São exemplos dessas tendências: Miles Davis, John Coltrane, Charles Mingus, Herbie Hancock, Horace Silver, Os Cobras, Copa 5, Brasil 66, Moacir Santos, Bill Evans, Milt Jackson, Herbie Mann, Jim Hall, Ron Carter, Jaco Pastorious, Gene Krupa, Hermeto Pascoal, Groove Holmes, Gerry Mulligan, Chet Baker, Buddy Rich, Sivuca, Kenny Burrell, Sonny Rollins, Dexter Gordon, Wynton Marsalis, Ron Carter, US3, James Taylor Quartet, Charlie Parker, Oscar Peterson, Thelonious Monk, Dave Brubeck, Art Blakey, Wes Montgomery, Sonny Rollins, Ray Brown, King Oliver, Louis Armstrong, Weather Report, etc.

Para conhecer:

Para ver:

Fonte: “Jazz: do Rag ao Rock”, Joachim-Ernest Berendt.


Para ver e ouvir:
Ragtime – Scott Joplin – “Harlem Rag N.2”
New Orleans - King Oliver's Creole Jazz Band – “The Gennett Sessions”
New Orleans - Sidney Bechet, Louis Armstrong e Django Reinhardt – Sessão francesa.
Era de Ouro – Swing – Duke Ellington end his Orchetra – “Take a train”
Era de Ouro – Swing - The Benny Goodman Orchestra – “Sing Sing Sing (With a Swing)”
Bebop - Thelonious Monk – “Live in Poland, 1966”
Bebop – John Coltrane – “My favorite things”
Hard Bop – Sonny Rollins – “St. Thomas”
Hard Bop - Clifford Brown Sonny Rollins  Max Roach Quintet – “Complete Studio Recordings”
hard Bop – Horace Silver Quintet – “Song for my father”
Cool – Miles Davis & John Coltrane – “So What”
Cool – Lester Young e Coleman Hawkins – “Jumpin’ with the Snphony Sid”
Free – Ornete Coleman e Eric Dolphy – “The Adventure - On Free Jazz & Ornette Coleman”
Fusion – Miles Davis – “Bitches brew”
Fusion – Herbie Hancock – “Watermelon Man”
Fusion – Herbie Hancock – “Canteloupe Island”
Fusion – Jaco Pastorius – “The chicken”
Fusion – Egberto Gismonti – “Frevo rasgado”
Fusion – Elis Regina e Hermeto Pascoal – “Asa branca”
Fuison – Acid Jazz – US3 – “Cantaloop”
Fusion – Acid Jazz - The James Taylor Quartet - Theme From “Starsky and Hutch”
https://www.youtube.com/watch?v=uk4wxIOaJnM


Rock’n’Roll
De origem controvertida, tanto o ritmo musical quanto a expressão que o nomeia têm várias explicações. Entretanto, a mais aceita por pesquisadores é a de um ritmo popular nascido da união de influências musicais negras como o Blues e, seu filho de cadência acelerada e letras subversivas, o Rhythm'n'Blues, com ritmos musicais como o Country e o Bluegrass, os quais unidos das mais diversas formas permitiriam o nascimento do Rock’n’Roll como conhecido habitualmente, ainda que antes da década de 1950 já fosse possível antevê-lo nas produções de músicos negros como Chuck Berry e Little Richards, muito antes de seu “nascimento” branco com Bill Haley e Elvis Presley. Quanto à expressão, ela literalmente significa "balançar e rolar" e era uma gíria dos negros norte-americanos do início do século XX para referirem-se ao ato sexual, além de uma presença constante nas letras de Blues e Rhythm’n’Blues como "Good Rockin’ Tonight" de Roy Brown.
São nomes representativos do nascimento do Rock’n’Roll em meio a aceleração e urbanização do Blues: Chuck Berry, Little Richards, Jerry Lee Lewis, Fats Domino, Bill Halley, Roy Orbison, Bo Diddley, Hank Willians, Muddy Waters, Buddy Holly, Johnny Cash e Elvis Presley. Como dança é caracterizado por estilos pessoais de ritmo frenético e pouco cadenciado em dupla ou solo com pouco ou nenhum tipo de formalismo quanto aos passos e movimentos.
A partir da década de 1960, com as influências do Folk, da “Invasão britânica”, do revigorado Blues, das experiências com drogas alucinógenas, do ideário Hippie, do oriente indiano, de ideologias operárias, do niilismo, do ocultismo, etc., desenvolveram-se inúmeras vertentes do rock como o Blues Rock (Cream, Canned Heat, Yardbirds, Taste, Blue Cheer, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Bacon Fat, etc.), o Folk Rock (Bob Dylan; The Band; Crosby, Stills, Nash and Young; Buffalo Springfield; etc.), o Rock Progressivo (Pink Floyd, Yes, Jethro Tull, Rush, Van der Graaf Generator, Rush, King Crimson, Gentle Giant, etc.), o Rock Psicodélico (Grateful Dead, Jefferson Airplane, etc.), o Hard Rock (Led Zeppelin, Deep Purple, Humble Pie, Steppenwolf, Grand Funk Railroad, Free, ACDC, etc.), o Heavy Metal (Black Sabbath, Dust, Buffalo, Blue Cheer, Judas priest, Iron Maiden, Motörhead, etc.), o Punk (Stooges, MC5, New York Dolls, Black Flag, Sex Pistols, The Clash, PIL, Ramones, Toy Dolls, Bad Religion, etc.), o Grunge (Green river, Mudhoney, Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden, Alice in Chains, etc.), o Alternativo (Sonic Youth, Goo Goo Dolls, Pixies, Dinosaur Jr.,etc.), etc.

Elvis Presley – 1954 - “That’s all right mama”
Chuck Berry – 1955 – “Maybelenne”
Beatles – 1964 - “I wanna hold your hand”
Bob Dylan – 1965 – “Like a rolling stone”
The Who – 1965 – “My generation”
The Rolling Stone – 1965 – “I Can’t get no (Satisfaction)”
The Kinks – 1965 – “You really got me”
The Beatles – 1966 – “Tomorrow never knows”
The Beach Boys – 1966 - “Pet Sounds”
Folk Rock - Buffalo Springfield – 1967 – “For What It's Worth”
Velvet Underground and Nico – 1967 – “Velvet Underground and Nico”
Blue Cheer – 1968 – “Summertime blues”
Jimi Hendrix – 1968 – “Foxey Lady”
Canned Heat – 1969 – “On the road again”
Jefferson Airplane – 1969 – “White rabbit”
Santana – 1969 – “Soul sacrifice”
Jimi Hendrix – 1969 – “The Star Spangled Banner”
Rolling Stones – 1969 – “Sympathy for The Devil” ( Live Altamont)
The Stooges – 1969 – “The Stooges”
https://www.youtube.com/watch?v=vH6iDPhUjWs

King Crimson - 1969 – “In The Court Of The Crimson King” (álbum)
Pink Floyd Live - At Wembley November - 1974 – “The Dark Side Of The Moon”

Black Sabbath - 1970 - Paris Live Concert
David Bowie (Ziggy Stardust) – 1972 – “Starman”
Led Zeppelin – 1972 – “Stairway to Heaven”
Gram Parson’s & The Fallen Angels – 1973 - “Six days on the road”
Deep Purple – 1974 – “Burn”
The Who – 1975 – “Tommy”
Patti Smith Group – 1976 – “Free Money”
Sex Pistols – 1977 – “God save the queen”
Pink Floyd – 1982 – “The Wall”
U2 – 1983 – “Sunday bloody Sunday” e “New year’s day”
Green river – 1986 – This town
Mudhoney – 1988 – Live
Grunge - Nirvana – 1992 – “Smells like teen spirit”






Soul e Funk
Da união das tradições musicais afro-americanas - como o Blues - com a música sacra de origem protestante e, mais tarde, do R&B, na transição da década de 1950 para a de 1960, desenvolveu-se uma música profana notabilizada pelas harmonias elegantes e pelos vocais angelicais, além das letras ora políticas, ora sentimentais. Portanto, o Soul é resultado da união das experiências profanas e envolventes da versão acelerada e festiva do Blues, o Rhythm and Blues; com o Gospel, a música protestante negra, consequência eletrificada e pungente dos Spirituals, quase sempre cantada por coros efusivos e vibrantes com o intuito de adorar a Deus. Tal processo cultural é a prova das infinitas e imprevisíveis possibilidades de aproximação entre as referências culturais ou ideológicas mais distintas. Exemplos: Ray Charles, Otis Redding, Sam Cooke, Curtis Mayfield, Smokey Robinson, The Temptations, The Comodores, Jackson 5, Marvin Gaye, Gladys Knight & the Pips, Martha Reeves & The Vandellas, The Marvelettes, Diana Ross (e o grupo The Supremes), Aretha Franklin, The Four Tops, Booker T and the MGs, Solomon Burke, Nina Simone, Dusty Springfield, Stevie Wonder, etc.
Ao longo das décadas de 1960 e 1970, o Soul foi sendo modificado por várias influências que potencializaram outro ritmo mais dançante, mais agressivo e com letras politicamente ainda mais engajadas, que passou a ser chamado mais tarde de Funk. Com batida fortemente sincopada e com grandes e agitados “nipes” de metais, construiu-se uma música que era defensora da causa dos direitos civis dos negros. Um exemplo dessas mudanças é a música "Say it loud - I'm black and I'm proud" cantada em 1968 por James Brown. Além disso, era um ritmo enérgico, alegre e sedutor, perfeito para celebrações agitadas, dançantes e vigorosas. Por vezes, é difícil separar as influências Funk e Soul em uma mesma música, até porque muitos artistas não tiveram qualquer interesse em separá-los de forma clara ao longo de sua produção musical. Exemplos: James Brown, mestre maior desse ritmo; Sly and Family Stone; Funkadelic; Parliament, Kool and the Gang; Kashmere Stage Band; The Metters; Average White Band; Maceo Parker; Hank Ballard; Jimmy "Bo" Horne; etc.

Para ouvir:
Smokey Robinson and Miracles – 1961 (1965) - “Shop around”
The Crystals – 1962 - “He’s a rebel” (produção de Phil Spector)
The Ronetes – 1962 - “Be my baby” (produção de Phil Spector)
James Brown – 1962 - Live at Apollo Theatre
James Brown – 1968 - Live at Boston Garden
Marvin Gaye – 1970 – “What's Going On”
Stevie Wonder – 1971 – Superstition - Live in “Soul Train”
Jackson Five – 1972 – “I want you back” – Live in “Soul Train”
Michael Jackson – 1979 – “Don't Stop 'Til You Get Enough”
Michael Jackson – 1982 – “Thriller” e “Billie Jean”.


Reggae e ritmos jamaicanos
Estilo musical originário da Jamaica, caracterizado pela estrutura de banda pop; pelas letras ligadas aos movimentos de afirmação dos negros, ao amor e a paz; pela ligação com o Rastafarismo e pelo ritmo envolvente e sincopado. Originou-se da união de influências da música tradicional africana e caribenha (Mento), do Ska, do Rocksteady e do R&B norte-americano. Posteriormente, deu origem a ritmos como o Dub, o Dancehall e o Ragga. Bob Marley é o maior representante do gênero em função da qualidade da sua vasta obra e da grande repercussão internacional dela. São expoentes desse ritmo musical Peter Tosh, Jimmy Cliff, The Wailers, Big Mountain, etc.

Mento
Ska – Skatalites – “Dynamite”
Rocksteady – Palylist
The Pioneers – 1968 – “Long shot bus’ me bet”
Larry Marshall – “Nanny goat”
The Wailers e Bob Marley - “Simmer down”
Johnny Nash – 1969 – “Hold me tight”
Dub – King Tubby e Larry Marshall – “Nanny goat dub”

Para ver e ouvir:

RAP (“Rhythm and Poetry” ou "Rime and Poetry" ou, mais provavelmente, uma variação do inglês do século XVIII associado a ideia de dizer, falar ou contar algo rapidamente)
Ritmo nascido na periferia de cidades norte-americanas, especialmente New York, produto de uma cultura urbana, negra e periférica que é parte de tradições culturais caracterizadas por expressões corporais ligadas à dança (Break), musicais (RAP) e visuais (grafite), as quais são os pilares de movimento cultural chamado Hip Hop. O RAP é resultado de várias e evidentes influências de tradições musicais e comportamentais dos chamados “Sistemas de Som” jamaicanos, que nada mais eram que festas populares feitas nos guetos de Kingston, voltadas para um público jovem sem muitas oportunidades de lazer, que via naquelas grandes aparelhagens de som comandadas por um Disc-jóquei (DJ) e um Mestre de Cerimônia ou “toaster” (MC) que entre versos improvisados e discos inicialmente de R&B conseguiam divertir e inspirara milhares de pessoas a, mais tarde, construir pontes entre músicas folclóricas jamaicanas como o Mento e as influências norte-americanas que ouviam, o que viria a ser chamada mais tarde de Reggae.
Como manifestação musical, o RAP consiste no cantar falado e ritmado de um MC acompanhado por DJ que usava bases presentes em “Long Plays” (LPs) geralmente de bandas e intérpretes clássicos do Funk como James Brown, Sly and Family Stone, The Metters, Kashmere Stage Band, etc., ainda que com a aplicação de texturas, novos andamentos e os famosos “scratches”, para que os MCs cantassem sobre essas construções musicais de intenso e marcado ritmo. No início, a partir de vozes de Gil Scott-Heron e Kurtis Blow, o RAP foi uma espécie de porta-voz das angústias, das insatisfações e do estilo de vida dos negros das comunidades pobres dos EUA, ou seja, tinha um componente político e marcadamente periférico indiscutível, assim como nos trabalhos de muitas bandas da década de 1980 como Public Enenmy e Run DMC. Mais tarde, ao longo da década de 1990, o RAP perdeu em parte seu aspecto politizado para dar lugar a letras de caráter hedonista, revanchista, misógino, etc., que foram responsáveis pela consolidação de um sub estilo do RAP chamado Gangsta. Atualmente, o RAP tornou-se um dos elementos mais importantes da cultura pop mundial tanto associado à cultura pop como no caso da produção norte-americana quanto à arte da periferia e dos excluídos, a ponto de ser uma forma de inspiração em revoltas populares em países de culturas aparentemente tão diferentes como os árabes Tunísia e Egito, ou ainda ser a trilha sonora preferida de muitas áreas pobres brasileiras, em especial na cidade de São Paulo, berço do RAP no Brasil. São exemplos: Public enemy, Run DMC, Orishas, DJ Grandmaster Flash, Afrika Bambataa, DJ Kool Herc, Last Poets, Gil Scott-Heron, N.W.A. - Niggas With Attitude, The Notorious B.I.G., 2Pac, The Roots, Dr Dre, Jay Z, 50 Cent, etc.

Gil Scott-Heron - The Revolution Will Not Be Televised
DJ Kool Herc
The Last Poets - “The White Man's Got a God Complex”
The Last Poets – “When The Revolution Comes”
Grandmaster Flash & The Furious Five – “The Message”
Fatback Band – “King Tim 111”
Afrika Bambaataa – “Looking for the Perfect Beat”
Run DMC – “My adidas”
Public Enemy – Fight the power”
Gangsta Rap – NWA – “Fuck the police”
The Notorious B.I.G – “Who Shot Ya?”
2Pac - Ghetto Gospel

Para ler:

Blues
Ritmo nascido no chamado “sul profundo” dos EUA, na área do Delta do Mississipi e nas imediações também rurais dessa região. O Blues constituiu-se como crônica musical da vida de trabalho, pequenas alegrias, humilhações e preconceito contra os negros norte-americanos na virada do século XIX para o XX. Além desse, outros temas dominavam as predileções dos primeiros “bluesmen”, a saber: o sexo, o demônio, a bebida, a noite, os relacionamentos afetivos conturbados, a solidão, etc. De modo geral, o Blues é uma música de harmonia simples, de estrutura repetitiva, de ritmo melancólico e solos de guitarra, gaita e piano comumente, que simulavam um lamento, um choro ancestral – a famosa “blue note” - vindo da África manifestando-se contra a violência, o degredo e as muitas tentativas de aculturamento sofridas pelos negros chegados nos EUA por parte dos brancos norte-americanos. Do ponto de vista musical, é um dos pilares do Jazz e em alguns momentos confunde-se com ele, especialmente nas duas primeiras décadas do século XX. Além disso, é o ritmo mais importante para a formação do Rock, por isso estrutura central da cultura popular norte-americana.
Desenvolveu-se e urbanizou-se a partir da ida em massa de negros para as metrópoles do norte, como Chicago. Nesta cidade entre outras da parte mais desenvolvida e liberal dos EUA, muitos negros do sul procuravam melhores condições de vida e trabalho, além de uma sociedade menos preconceituosa, entretanto quase sempre não a achavam, porque eram obrigados - por questões também econômicas - a morarem em guetos pobres e, portanto, continuavam de certa forma marginalizados na sociedade. A partir de então e com sua aceleração e eletrificação, o Blues passaria a influenciar em todo o século XX no desenvolvimento de ritmos derivados e dependentes dele, tais como: o Rhythm and Blues (R&B), o Rock, o Funk, o Soul e o RAP, os quais são consequências estéticas desse primordial gênero musical norte-americano, que, junto ao samba, influenciou a música mundial numa proporção e abrangência incomparável. O Blues, ao longo da primeira metade do século XX, foi diversificando-se em muitos estilos tais como o Delta Blues, o Piedmont Blues, o Country Blues, o Chicago Blues, o Detroit Blues, o Jump Blues, etc. São exemplos: Son House, Leadbelly, Robert Johnson, Willie Dixon, Muddy Waters, B.B. King, Buddy Guy, Charley Patton, Pinetop Perkins, Hound Dog Taylor, Koko Taylor, Blind Wille McTell, Blind Lemon Jefferson, Arthur “Big Boy” Crudup, Blind Willie Johnson, Big Mama Thornton, Eddie Boyd, Sonny Terry, Elmore James, Willian Clarke, Fenton Robinson, Howlin' Wolf, J. B. Lenoir, John Lee Hooker, etc.

Delta Blues – Charley Patton – 1929 - Spoonful Blues
Delta Blues – Roberto Jhonson – “Me and the devil the blues”
Delta Blues – Son House – “Delta Blues”
Piedmont/Country Blues - Blind Blake – “He’s in the jailhouse now”
Piedmont/Country Blues - Skip James - Devil Got My Woman
Piedmont/Country Blues - Big Bill Broonzy - "Worried Man Blues," "Hey, Hey" and "How You Want It Done."
Piedmont/Country Blues - Legendary Country Blues Guitarists
Chicago Blues – Willie Dixon – “My babe”
Chicago Blues – Bo Diddley – “I’m a man”
Chicago Blues – Elmore James – “Dusty my broom”
Chicago Blues - Muddy Waters – “Eletric Mud”
Detroit Blues – Willie Willians – “Detroit Blues”
Detroit Blues – John Lee Hooker – “Boom! Boom!”
Detroit Blues – John Lee Hooker – “Think Twice Before You Go”
Jump blues – Louis Jordan – “Caldonia”
Jump Blues – Big Joe Turner – “Shake, rattle & roll”
Jump Blues – Ray Charles – “Hit the road Jack”
Blues Rock – Howlin’ Wolf – “Evil (Is going on””
Blues Rock – Led Zeppelin – “Traveling riverside blues”
Blues Rock – Cream – “Sunshine of your love”
Blues Rock – Jimi Hendrix – “Voodoo Child”
Blues Rock – Taste – “Morning Sun”



Eletrônica (Música)
É de forma geral toda música criada ou modificada por meio de equipamentos, processos e instrumentos eletrônicos, tais como sintetizadores, “samplers”, gravadores digitais, computadores ou “softwares” de áudio, ainda que, em última instância, a música eletrônica remeta-se ao século XIX quando foram criadas as primeiras formas de gravação de sons. Em função dessas possibilidades e meios instrumentais, as formas e os processos de composição desse estilo de música são relativamente democráticos, porque muitas vezes intuitivas e mais acessíveis que instrumentos musicais, o que garante que pessoas com tímido domínio de teoria musical possam criar obras musicais.
O desenvolvimento dessa música como gênero tem relação direta com a rápida evolução tecnológica do pós-2ª Guerra Mundial; com ideais de vanguardas artísticas como o Futurismo; com ideias de artistas concretistas como Pierre Schaeffer e com as experiências de compositores eruditos de vanguarda com aparatos eletrônicos como meios de composição, a saber: Karlheinz Stockhausen, Henri Pousseur e Edgar Varèse; de alemães na Elektronische Musik ou mesmo de Wendy Carlos que executou obras barrocas em um sintetizador Moog.
No campo da música Pop, destacaram-se as primeiras utilizações de teremins e sintetizadores em discos dos Beach Boys e Beatles, entretanto o primeiro trabalho regular e mais conhecido de uma banda associada ao que viria a ser chamado de Música Eletrônica foi o dos alemães do Kraftwerk. Enfim, a história desse gênero musical passou de vertente da música erudita de vanguarda a elemento da cultura popular, primeiramente associado a variações do rock e do jazz e à “psicodelia sessentista”, para só mais tarde configurar-se como gênero musical específico fruto da fusão das experimentações do Kraftwerk, da rápida evolução tecnológica, da figura do DJ oriundo dos “Sound Systens” jamaicanos e do RAP e de algumas caraterísticas estéticas da música Disco. Em torno dela desenvolveu-se uma cultura que abarca a moda, o uso de drogas sintéticas, a dança, as festas "raves", etc.
Daí, surgiram os muitos subgêneros da Música Eletrônica tais como o Techno, o House, o Acid, o Trance, o Electro, o Drum'n'bass, etc., e mesmo parte da inspiração para grande parte da produção musical da década de 1980, são exemplos as bandas Depeche Mode, New Order, Information Society, A-Ha, Pet Shop Boys, Erasure, Vangelis, etc. Outros expoentes desse gênero musical são os DJs Marky, Goldie, Patife, David Getta, Tiësto, Paul Van Dyk, Fresh, Yelle e Fatboy Slim, além de bandas como Chemical Brothers, Portishead, Black Eyed Peas, Gotan Project, Asian Dub Foundation, US3, James Taylor Quartet, Duo Justice e Prodigy. Em torno dessa música evoluiu uma cultura urbana definida por determinados tipos de roupas, corte de cabelo e comportamento associados a nomes como “clubbers”, “raves”, etc.

Breve história
- o pai acidental- Thomas Edison - século XIX - criador do fonógrafo, primeiro aparelho capaz de reproduzir eletricamente sons gravados.
- os idealizadores - John Cage, Pierre Schaeffer - fim da década de 1940 - criaram formas experimentais de música eletrônica ao unirem em uma mesma música ruídos produzidos pela manipulação de um toca-disco de "long play" (LP), experiências com recursos eletro-eletrônicos e outros ruídos. Tecnicamente, foram o autores das primeiras músicas eletrônicas, das primeiras experiências com instrumentos eletrônicos e das mixagens.

John Cage - 1939 – “Landscape nº 1”
Karlheinz Stockhausen - 1951 – “O canto dos adolescentes”
Pierre Schaeffer & Pierre Henry - 1953 – “Orphée 53”

- os estimuladores - Werner Meyer-Eppler, Herbert Eimert e Robert Beyer – década de 1940 e 1950 – criam e mantém o primeiro estúdio completamente dedicado à produção de música eletrônica.
- os divulgadores – Beatles, Beach Boys, Pink Floyd, etc. – década de 1960 – foram bandas pioneiras no uso de recursos eletrônicos como sintetizadores.

The Beach Boys (Pet Sounds) – “God Only Knows”
Beatles – “Here Comes The Sun” (1’50’’)
Pink Floyd (The Piper at the Gates of Dawn) – “The Gnome”

- as origens negras - periferia NY – década de 1970 – no contexto do surgimento da cultura Hip Hop (RAP, Break e Grafite), muito influenciada pela “Sound systems” jamaicanas, um elemento fundamental da cultura e da estética da música eletrônica surgiu como conhecemos: o DJ.

Sound Systens jamaicanas.
King Tubby meets Lee Perry – 1971 - “Forever Dub”
Grand Master Flash – um dos primeiros DJs de RAP.
Chic – “Le Frak” (1978)

- o ambiente – Haçienda (Manchester), boates disco, clubes de Chicago e NY, “Os embalos de sábado a noite” - décadas de 1970 e 1980 – alguns espaços criaram as condições para o desenvolvimento que emerge na cena da Disco Music para, sem a intenção, preparar a estética, a moda e as mudanças comportamentais que seria a base da música eletrônica que surgiria na década de 1980.

“Os embalos de sábado a noite”
Studio 54
Donna Summer – “I feel love” (1977)
Dancin’ Days (1978) – abertura da novela da Globo.
Rick James – “Super freak” (1982)
Haçienda

- os pais pop - Kraftwerk – década de 1970 – banda alemã responsável por tornar a música eletrônica um fenômeno pop e crucial para entender a música popular a partir da década de 1970 quando lançam três discos fundamentais: “Autobahn” (1974), “Radio-activity” (1975) e “The man machine” (1978).

Kraftwerk – The Robots

- a primeira face pop (tecnopop) - Depeche Mode, Pet Shop Boys e New Order – década de 1980 – bandas responsáveis por refundir a música eletrônica com o pop, esse movimento foi chamado de Synthpop em função do intenso uso de batidas eletrônicas e sintentizadores por serem muito influenciados pelo Kraftwerk.

Depeche Mode – Strange love
Pet Shop Boys – West end girls
New Order - The Perfect Kiss

Mais referências:
"Música eletrônica" - Marcelo Ferla
"Todo DJ já sambou um dia" - Cláudia Assef



Para ver e ouvir sobre música em geral:

- “Hair” – É um musical que trata da revolução contracultural da década de 1960, da revolução sexual, do movimento Hippie, etc.
- “Woodstock – 3 dias de paz e música” – Documentário sobre o festival mais importante de música popular de todos os tempos.
- Festival da Ilha de Wight – Filme musical sobre um dos festivais mais importantes para a música da década de 1960. Tocaram, em especial na edição de 1970, nomes como Jethro Tull, Taste, Supertrmap, Ten Years After, Miles Davis, etc.
- “Buena Vista Social Club” – Filme-documentário sobre o “El son” cubano, uma das expressão mais originais, inspiradas e esteticamente elaboradas da música caribenha.
- “It Might get loud” (“A todo volume”) - Jimmy Page, Jack White e The Edge falam sobre sua fascinação pela música e pela guitarra.
- “Global Metal – O Rock ao redor do mundo” – Documentário sobre como o Heavy Metal e a sua cultura atingem jovens de culturas e países distintos, a saber: Indonésia, Japão, Israel, Oriente Médio, etc.
- “Metal: Uma viagem headbanger” – Documentário de viés antropológico da cultura “headbanger” associado aos vários estilos de Metal.
- “Os Estados Unidos contra John Lennon” – Documentário que trata da conturbada relação do ex-beatle com o estado norte-americano em função de suas opiniões sobre a Guerra no Vietnã, sobre a extensão da fama dos Beatles, sobre o conservadorismo da sociedade estadunidense, etc.
- “The Doors” – Filme biográfico que ilustra o tempo e importância da banda The Doors para a música pop mundial.
- “Heavy Metal – Louden Than Life” – Uma história do Metal contada por aqueles responsáveis pela sua criação e desenvolvimento.
- “Soul Power” -  Documentário sobre um festival realizado na África organizado por Don King, chamado Zaire 74. Foram três noites da mais pura “soul music”, que reuniram nomes como James Brown & The JBs, Bill Withers, The Spinners, BB King, Celia Cruz, The Crusaders, Big Black e Miriam Makeba.
- “Maestro” - Documentário sobre cena de música disco e eletrônica underground de Nova York, no início da década de 1980.
- “A História do Rock ‘n’ Roll”
- “Monterey Pop Festival” – Filme sobre o festival ocorrido em 1967 em que nada mesmo do que Jimi Hendrix, Janis Joplin e Tha Who faziam sua primeiras apresentações para grandes plateias.
- “Blues: a musical journey” – Documentário produzido por Martin Scorsese que a partir do olhar de diretores consagrados de cinema conta a história do ritmo que fundou a música norte-americna moderna.
- “Jazz” (Ken Burns) – Documentário didático sobre a história do Jazz.
- “Johnny and June” – Filme sobre a trajetória de um dos músicos mais importantes para a música popular norte-americana: Johnny Cash.
- “La Bamba” – Filme trata do início ingênuo e juvenil do Rock nos EUA.
- “Bird”- Filme biográfico sobre um dos mais importantes músicos da história do Jazz e o saxofonista que revolucionou esse ritmo ao ajudar a estabelecer o Bebop.
- “Os hippies” – Documentário do History Channel sobre esse movimento cultural e social que muito influenciou a música pop do século XX.
- “Mo' Better Blues” (“Mais e melhores Blues”) – Filme de Spike Lee sobre o Jazz e suas motivações mais pessoais.
- “Cadilac Records” – Filme que trata da história da mais emblemática gravadora da história do Blues: a Chess Records.
- “Festival Express” – Em 1970, um trem de carga cruzou o Canadá com grupos e intérpretes de blues e rock como Janis Joplin, The Greatful Dead, The Band e Buddy Guy, entre outros. A aventura durou uma semana com shows nas maiores cidades canadenses sintetizados nesse documentário.

Observação importante: praticamente todos os exemplos citados podem ser ouvidos e vistos na internet ou lidos de forma mais ampla e profunda nos “sites” abaixo.

Onde ler, ouvir e ver mais:



Para ver: