domingo, 19 de fevereiro de 2017

Artes (ATA) - Segundos anos - Módulo 1 – A música – linguagem, conceitos e elementos

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A arte: uma introdução conceitual 


“A arte pode ser considerada uma linguagem universal. Essa linguagem artística atravessando séculos e milênios, fronteiras geográficas e culturas das mais diversas consegue preservar significados para os que viverão amanhã. A arte surge com como uma linguagem natural dos homens. Todos nós dispomos das potencialidades dessa linguagem e, sem nos darmos conta disso, usamos seus elementos com a maior espontaneidade ao nós comunicarmos uns com os outros. São sempre as formas que se tornam não-verbais da comunicação artística que constituem o motivo concreto da arte ser tão acessível e não exigir a erudição das pessoas para ser entendida. Exige-se inteligência, sim e sempre sensibilidade. E a arte continua sendo uma necessidade para os homens, caminho essencial de conhecimento e realização de vida.”
(Universos da Arte - Fayga Ostrower)

“A Arte não reproduz o visível, torna visível.”
(Paul Klee)

A arte, apesar de ser razão de debates controversos e intermináveis, pode ser compreendida como uma forma de expressão humana, investida de subjetividade e invento, muitas vezes reforçada pelo apuro estético formal, aprendido em escolas ou fruto do desenvolvimento natural e espontâneo de um artista.
Esse é um dos muitos conceitos concebidos para definir o que é arte e, para ilustrar a multiplicidade de visões a esse respeito, seguem alguns conceitos de autores e artistas para auxiliar na reflexão preliminar sobre o assunto.

“A beleza perece na vida, porém na Arte é imortal.” (Leonardo Da Vinci)

“A fantasia, isolada da razão, só produz monstros impossíveis. Unida a ela, ao contrário, é a mãe da Arte e fonte de seus desejos.” (Francisco de Goya)

 “Só a arte permite a realização de tudo o que na realidade a vida recusa ao homem.” (Johann Wolfgang Von Goethe)

“Se eu pinto meu cachorro exatamente como é, naturalmente terei dois cachorros, mas não uma obra de arte.” (Johann Wolfgang Von Goethe)

“Enquanto a ciência tranquiliza, a Arte perturba.” (George Braque)

“Todos sabemos que arte não é verdade. A arte é uma mentira que nos faz compreender a verdade, pelo menos a verdade que podemos compreender.” (Pablo Picasso)

“A arte é uma magia que liberta a mentira de ser verdade.” (Adorno)

 “A beleza é a finalidade da arte. Que é arte, que é beleza, que é finalidade?” (Rosário Fusco)

“Antiarte - compreensão e razão de ser o artista não mais como um criador para a contemplação, mas como um motivador para a criação - a criação como tal se completa pela participação dinâmica do espectador, agora considerado ‘participador’. (...) Não há a proposição de um ‘elevar o espectador a um nível de criação’, a uma ‘metarrealidade’, ou de impor-lhe uma ‘idéia’ ou um ‘padrão estético’ correspondentes àqueles conceitos de arte, mas de dar-lhe uma simples oportunidade de participação para que ele ‘ache’ aí algo que queira realizar - é pois uma ‘realização criativa’ o que propõe o artista, realização esta isenta de premissas morais, intelectuais ou estéticas.” (Hélio Oiticica)


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Para aprofundamento:
Todavia, a arte também deve ser compreendida numa perspectiva que contemple e respeite prioritariamente a diversidade étnica, religiosa, estética, política, social, sexual e de gênero, enfim, o fazer artístico deve ser visto sempre em uma perspectiva multicultural, includente e democrática.
Considera-se ainda fundamental a reflexão e a consideração como arte, em especial no contexto de concursos com provas de quaisquer manifestações artísticas inspiradas nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), a produção artística de pessoas inseridas nas chamadas culturas de minorias como é o caso de pacientes psiquiátricos e portadores de necessidades especiais. Exemplo de instituição comprometida com a defesa da expressão artística dessas minorias é o Museu de Imagens do Inconsciente. Entre as muitas manifestações artísticas e artistas nesse contexto, é crucial citar a obra do artista plástico Arthur Bispo do Rosário, reconhecido mundialmente pela qualidade e vigor de suas obras.

Para aprofundamento:

Outra questão importante no âmbito de concursos influenciados pelos PCNs e mais importante, pela relevância absoluta desses povos na formação da cultura brasileira, é o estudo da produção artística afro-brasileira e indígena brasileira como meio de legitimar tanto as manifestações culturais quanto a própria existência desses grupos como parte fundamental e significativa da concepção do que se pode chamar de patrimônio artístico e cultural brasileiro. Mesmo as mulheres, apesar das suas muitas contribuições acadêmicas ou produtivas para a arte, são em minoria nas discussões acerca da História da Arte e nos círculos de criação, reprodução, comercialização e debate sobre essa manifestação, especialmente no Brasil. Daí, a função não só da arte, mas do debate acerca dela, na necessária inclusão plena de grupos como esses nesse processo.
Assim, entendida como meio e realização do desenvolvimento humanístico, a arte deve remontar ao processo de hominização, ao processo de diferenciação física e mental que permitiu intervenções humanas na natureza e, dentro delas, a criação artística. A esse respeito, devemos avaliar os estudos de especialistas sobre o assunto, como Ernst Fischer e Gordon Childe.
O primeiro coloca:

“...o ser pré-humano que se desenvolveu e se tornou humano só foi capaz de tal desenvolvimento porque possuía um órgão especial, a mão, com a qual podia apanhar e segurar objetos. A mão é o órgão essencial da cultura, o indicador da humanização. Isso não quer dizer que tenha sido a mão sozinha que fez o homem: a natureza (particularmente a natureza orgânica) não admite semelhantes simplificações, semelhantes sequências unilaterais de causa e efeito. Um sistema de complexas relações – uma nova qualidade – resulta sempre do estabelecimento de diversos efeitos recíprocos. O desenvolvimento de certos organismos biológicos trepados nas árvores, em condições que favoreciam o aperfeiçoamento da visão em detrimento do sentido do olfato; o encolhimento do focinho, facilitando uma mudança na disposição dos olhos; a emergência em que se via essa criatura (então equipada com um senso de visão mais agudo e mais preciso) de olhar em todas as direções, como também a postura ereta condicionada por tal situação; a libertação dos membros dianteiros e o crescimento do cérebro devido à postura ereta do corpo; as mudanças na alimentação e diversas outras circunstâncias, em conjunto, contribuíram para a criação das condições necessárias para que o homem se tornasse homem. Porém, o órgão diretamente decisivo foi a mão. Já São Tomás de Aquino estava ciente dessa significação única da mão, esse organum organorum (órgão dos órgãos) e expressou-o na sua definição do homem: Habet homo rationem et manum (O homem possui razão e mão). E é verdade que foi a mão que libertou a razão humana e produziu a consciência própria do homem.”

O segundo afirma que:

“...Os homens podem fabricar ferramentas porque suas patas dianteiras tornaram-se mãos, porque vêem o mesmo objeto com ambos os olhos e podem avaliar as distâncias com muita exatidão, bem como porque um delicadíssimo sistema nervoso e complicado cérebro os capacitam a controlar os movimentos da mão e do braço em adequação precisa ao que estão vendo com ambos os olhos. Mas os homens não sabem por algum instinto inato fazer ferramentas e usá-las: precisam aprender através da experiência, através do ensaio e do erro.”

Portanto, arte deve ser vista sempre numa perspectiva que privilegie valores estéticos fundamentados em princípios democráticos, multiculturais e multilinguísticos para que seu estudo, produção e recepção possam contribuir para o desenvolvimento da da sociedade e dos indivíduos orientados por princípios humanistas.

:::Linguagens da arte

“Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de idéias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.”
(Fernando Pessoa)

“A pintura é uma poesia visível.”
(Leonardo da Vinci)

O conceito de arte já foi bem mais amplo do que atualmente entende-se como tal, já que o grupo das artes chamadas “As sete artes liberais clássicas”, eram na Antiguidade Clássica as habilidades ou conhecimentos considerados fundamentais para tornar uma pessoa livre e, por isso, em termos intelectuais, diferente de um escravo. Era composto do “Trivium” e do “Quadrivium”. Durante Idade Média, seriam disciplinas fundamentais para qualquer sacerdote católico com pretensões em subir na hierarquia eclesiástica. O “trivium” era composto de três artes responsáveis por disciplinar e ordenar a mente, a saber: Lógica (ou Dialética), arte responsável por ordenar o discurso de forma a torná-lo sólido e coerente com o intuito de separar o verdadeiro do falso; Gramática, arte capaz de habilitar o indivíduo a usar linguagem de forma correta e eficaz; e a Retórica, arte da persuasão, capaz de tornar mais potente e convincente qualquer discurso. Por sua vez, o “Quadrivium” era formado por Aritmética, que era considerada a arte teórica dos números; Música, que era vista como a aplicação da teoria do número; Geometria, a arte teórica do espaço; e a Astronomia, que era a aplicação da teoria do espaço.



A partir de mudanças no entendimento do que é a arte, música, dança e artes plásticas passaram a dominar o entendimento da maioria das pessoas sobre linguagens artísticas. Em 1912, o teórico e crítico de cinema ligado ao movimento futurista italiano Ricciotto Canudo, a fim de legitimar o cinema como uma linguagem artística, a qual considerava a “arte total” e “alma da modernidade”, tanto por reunir muitas vezes todas as outras artes em uma só como por ser a forma da arte mais sensível à Modernidade no que ela tem de tecnológica, veloz e dinâmica. Para tanto, propôs o chamado “Manifesto das sete artes” expandindo o conceito de arte de Hegel ao incluir o cinema, são elas: arquitetura, escultura, pintura, música, dança, poesia e cinema. Posteriormente, passaram a ser entendidas como arte em alguns círculos intelectualizados também a Fotografia, a Banda desenhada, os Jogos eletrônicos, a Arte digital, etc.
Portanto, a arte pode ser dividida em várias linguagens as quais podem contemplar diversas formas de expressão que têm características, métodos, suportes e realizações distintas, ainda que possam ser usadas simultaneamente na mesma obra ou ainda conjugadas para se criar outra linguagem artística. Dessa forma, numa visão mias contemporânea e livre de preconceitos acadêmicos ou mesmo de classe, são forma de arte, a saber: pintura, desenho, escultura, arquitetura, música, dança, teatro, pantomima, instalação, vídeo arte, tatuagem, literatura, gravura, fotografia, cinema, cerâmica, tecelagem, grafite, circo, banda desenhada (história em quadrinhos, mangá, tira e cartum), moda, etc.

:::Mixagens

“Será Arte tudo o que eu disser que é Arte”
(Marcel Duchamp)

As mixagens em arte compreendem os esforços programados ou espontâneos de diluir as fronteiras entre diversas manifestações artísticas para que se produza uma obra capaz de estimular um indivíduo de uma forma múltipla do ponto de vista da recepção sensorial, sentimental e intelectual dos interlocutores inseridos nessa situação comunicativa em que alguém, por intermédio de uma realização artística construída com duas ou mais linguagens, ambiciona transmitir uma mensagem para determinadas ou quaisquer pessoas. Exemplos dessa prática são as instalações que, ao mesmo tempo, podem agregar experiências sonoras, táteis, visuais, etc., para sensibilizar de alguma forma um espectador; a cultura urbana do Hip Hop constituída por expressões corporais (Break), musicais e poéticas (RAP) e visuais interligadas (Grafite); as muitas realizações da arte conceitual; a música eletrônica, feita muitas vezes de colagens (“samplers”) de outras músicas; etc.

Para aprofundamento:

:::Arte e as novas tecnologias da informação e da comunicação

“A validade, os limites o estatuto de 'obra' desses produtos, só fruíveis em redes, colocam em discussão as teorias estéticas e a própria ideia de criação.”
(Ricardo Ribenboim)

As novas tecnologias, como o computador, muito contribuíram para a ampliação das possibilidades do fazer artístico. Desde especialmente as vanguardas da década de 1960, com as primeiras experiências concretas com aparatos digitais na produção artística, são visíveis as consequências desse advento para a produção artística como é o caso da obra da banda alemã Kraftwerk, um dos fundadores do que viria a se chamar sugestivamente música eletrônica. Pode-se ainda citar a produção de instaladores, designers, VJs, etc., como exemplo atual e em constante desenvolvimento de tecnologias computacionais e da informação empregadas como linguagem e meio para a produção artística.

Para aprofundamento:

:::As linguagens da arte e a situação comunicativa

“A expressão não pode ser então a tradução de um pensamento já claro, pois que os pensamentos claros são os que já foram ditos em nós ou pelos outros.”
(Merleau-Ponty)
A linguagem artística, como todas as linguagens usadas pelo homem, tem como intuito a produção de textos por um emissor a partir de um ponto de vista, os quais serão interpretados por um receptor sob provavelmente outra perspectiva. Esse processo se dará por um código que é o grupo de elementos e de estruturas das diversas linguagens verbais, sonoras, táteis, corporais e suas mixagens. Além disso, é fundamental a utilização de um canal representado por meios de comunicação como a voz, a televisão, a tela, a internet, o mármore, o papel, etc., usados como suportes para a transmissão da informação contida na obra de arte. Quanto ao contexto, pode-se dizer que são as idéias, valores, crenças, conhecimentos e intenções dos interlocutores associadas a um dado tempo num dado espaço inscritos em uma determinada circunstância histórica, os quais estão inseridos numa situação comunicativa em que concorrem e colaboram todos esses elementos para a decodificação ou interpretação (ou mesmo a sua impossibilidade) da obra artística. A imagem abaixo extraída das Orientações Curriculares do Ensino Médio do MEC, bem corporifica e esquematiza a situação comunicativa que engloba um artista, a obra e o espectador dela.


Segundo ainda as Orientações Curriculares do Ensino Médio do MEC, sobre as relações entre arte e linguagem e sobre as formas como as linguagens artísticas manifestam-se, pode-se dizer:





Diante dessas informações, percebe-se quase naturalmente a necessidade de que a análise de qualquer obra artística seja permeada por ciências que possam subsidiá-la como a Filosofia, a Antropologia, a Sociologia, a Semiótica, a História, a Física, etc. Essa característica faz do estudo e da análise de obras de arte um ato multidisciplinar, que muito pode contribuir para o entendimento da sociedade, de um determinado período histórico e mesmo das concepções de mundo do homem de hoje ou de quaisquer épocas do passado às quais tenham ainda registros de sua produção artística. Exemplo disso é o quanto as pinturas rupestres ajudaram cientistas a compreender povos pré-históricos, todos ágrafos, que pouco ou nada deixaram além das inscrições e desenhos nas paredes das cavernas por quase todo o mundo.
Dessa forma, a obra de arte deve ser analisada numa perspectiva em que sejam consideradas as motivações e interesses tanto do produtor quanto do espectador dela, assim como devem ser consideradas as muitas manifestações artísticas e suas motivações submetidas ou influenciadas por uma circunstância sociocultural inserida em um espaço geográfico num determinado período histórico. Portanto, são muitas as nuances a serem incorporadas à análise de uma obra de arte para que de forma ética e isenta de preconceitos seja possível estudar e interpretar o texto artístico verbal “e/ou” não verbal nas suas especificidades regionais, nacionais e internacionais; passadas, presentes ou futuras; além de suas características eruditas, populares e massivas.

:::Características da obra artística

“A função da arte não é de passar por portas abertas, mas a de abrir portas fechadas.”
(Ernst Fischer)

A arte é uma forma de expressão exclusivamente humana associada ao uso da razão, da emoção e da técnica para representar a realidade de modo a copiá-la, moldá-la, transpô-la, superá-la, questioná-la “e/ou” modificá-la de acordo com o ponto de vista de um artista que pode estar associado a questões religiosas, como é o caso da arte sacra católica, dos sarcófagos de faraós egípcios, de esculturas de deuses gregos da Antiguidade Clássica; políticas, como em regimes ditatoriais em que a produção artística é controlada e direcionada a fazer propaganda governamental, são exemplos o período nazista na Alemanha e stalinista na URSS; sociais, como o fato de morar na periferia violenta de uma grande cidade e transpor para o RAP essa realidade; etc.
Para se tornar arte, para muitos autores, o produto do fazer artístico deve ultrapassar a idéia de utilidade, para tanto se estimula um ou mais sentidos a fim de o observador ter uma experiência estética, em que sejam associados, das formas mais imprevistas ou não, aspectos emocionais e racionais responsáveis por possibilitar que uma obra artística possa ter por vezes múltiplas interpretações.
Obras de arte, geralmente, são norteadas por estilos, escolas ou períodos em que determinadas escolhas estéticas predominam em função de questões de caráter histórico, geográfico, ideológico, econômico, político, etc. Contudo, as escolhas individuais dos artistas podem produzir em uma obra particularidades tão inovadoras e marcantes que elas passam a influenciar seus pares e mesmo seu tempo.

:::Funções da obra artística

“A arte é muitas coisas. Uma das coisas que a arte é, parece, é uma transformação simbólica do mundo. Quer dizer: o artista cria um mundo outro [...] por cima da realidade imediata. [...] Naturalmente, esse mundo que o artista cria ou inventa nasce de sua cultura, de sua experiência de vida, das idéias que ele tem na cabeça, enfim, de sua visão de mundo, que tanto pode ser erudita como ingênua. Se é ingênua, diz-se que o pintor é primitivo. Mas que é cultura ingênua? [...] Seria, em termos genéricos, o que se chama de cultura popular.”
(“Sobre arte, sobre poesia (Uma luz no chão)”, de Ferreira Gullar)

Para muitos estudiosos da arte são três as funções que podem ser exercidas por uma obra de arte, são elas a pragmática ou utilitária, a naturalista e a formalista.

Função pragmática ou utilitária – nesse caso, a obra é feita em função de sua finalidade em primeiro lugar, portanto tem um fim não artístico, por isso não é valorizada necessariamente por causa de sua beleza, mas por sua utilidade. Segundo essa perspectiva, a arte pode ter uma finalidade pedagógica, religiosa, funcional, econômica, etc. Por isso, feito em função desses objetivos, a obra pode prescindir de qualidade estética, em favor de um fim mais pragmático. São exemplos a cerâmica Marajoara, a confecção de imagens sacras, a pintura rupestre, alguns tipos de artesanato, a música pop, etc.

Função naturalista – a obra, segundo essa perspectiva, é feita segundo parâmetros o mais próximos possível do que é visto como real para a maioria das pessoas, ou mesmo da imaginação, ainda que retratada de forma fidedigna a situações análogas na realidade. Tal preocupação justifica-se pela necessidade do artista fazer-se compreender, ou seja, para que a mensagem da obra de arte torne-se mais acessível e fácil de ser compreendida ou ainda por causa dos princípios estéticos, éticos e ideológicos que imperam em determinadas épocas e lugares a ponto de serem impostos na produção artística de então. É normalmente identificada com grande preciosidade técnica e com a busca da perfeição. São exemplos as obras da Missão Francesa no Brasil, a Arte Grega, a maioria das obras da Renascença, etc.

Função formalista – é a função da arte que delineia o conceito de arte mais comum na atualidade, até porque ao longo do século XX ela predominou nas produções artísticas do Modernismo. A função formalista centra suas ações na busca de maior qualidade e apuro na forma de apresentação de uma obra com o intuito tanto de permitir múltiplas interpretações acerca dela quanto elaborar com mais liberdade as características estéticas da produção artística, o que confere ao artista mais espaço para produzir de acordo com sua idiossincrasia e personalidade. É normalmente mais plurissignificativa do que outras manifestações artísticas submetidas a outras funções. Em linhas gerais, tem como principal objetivo transmitir sentimentos, sensações e estados de espírito por meio da arte. São exemplos as vanguardas europeias, o concretismo, a arte conceitual, a poesia concreta, etc.

A música

"A emoção de um músico é a coisa mais importante, é o que sobrepõe ao acorde. Se deixar isto de fora, a música não vai lhe tocar."
(Frank Zappa)

“A vida é como a música. Deve ser composta de ouvido, com sensibilidade e intuição, nunca por normas rígidas.”
(Samuel Butler)

“Deixa o caráter ser formado pela poesia, fixado pelas leis do bom comportamento, e aperfeiçoado pela música.”
(Confúcio)



O som

Eu quero um colo, um berço
Um braço quente
Em torno ao meu pescoço
E uma voz que cante baixo
E pareça querer me fazer chorar
Eu quero um calor no inverno
Um extravio morno da minha consciência
E depois em som
Um sonho calmo
Um espaço enorme
Como a lua rodando entre as estrelas.
(Fernando Pessoa)

“O luar é a luz do som que está sonhando.”
(Mario Quintana)


Os sons são ondas produzidas pela vibração regular da matéria que se propagam a partir de uma frequência constante de forma circuncêntrica em meios elásticos como madeira, água, aço, ar, água, etc., portanto não se propagam no vácuo, porque são um fenômeno acústico. Para serem ouvidos, fazem vibrar a membrana do tímpano, que opera a transformação no cérebro dessas vibrações em impulsos nervosos que são identificados e decodificados pelo sistema nervoso. Por outro lado, um ruído ou barulho é o resultado de uma emissão sonora de frequência inconstante e desorganizada em função de vibração irregular, espontânea ou involuntária. Todavia, um barulho pode ser usado em uma música, pois muitos instrumentos de percussão como tamborim e pratos, por exemplo, produzem vibrações irregulares, o que obriga a classificá-los como emissores de barulhos, mas não notas musicais.

São usados de diversos modos em especial na comunicação entre animais sejam da mesma espécie ou de diferentes. O som serve para comunicar uma quantidade ilimitada de ideias, sentimentos, sensações ou informações que se queira e se possa comunicar. O som pode se propagar de formas distintas em ambientes fechados ou abertos em função da acústica desses espaços que pode favorecer ou dificultar a propagação dele. A percepção do som pode ser uma forma de se conhecer a respeito das condições de um ambiente, ou seja, vazio, lotado, etc.; de um grupo ou de um indivíduo associadas à tristeza, constrangimento, ignorância, concentração; etc. Em alguns casos vai muito além disso, como em sistemas de sonar de submarinos e navios e na ecolocalização de alguns animais como o morcego.
Entretanto, é na fala humana e na música que ele alcança as possibilidades mais imprevistas, elaboradas e multifacetadas, de forma muito superior em complexidade e significância se comparado aos sons da natureza ou mesmo os emitidos por animais como golfinhos, macacos, baleias, etc.


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O silêncio

"A palavra é prata, o silêncio é ouro."
(Provérbio árabe)

"Muitas vezes o silêncio é a coisa mais inteligente que um homem pode ouvir."
(Píndaro)

O silêncio é crucial para se perceber o som. Há uma relação dicotômica entre eles, porque um não seria percebido sem a existência do outro. Por extensão, não haveria música, sem o silêncio. A ausência de som é uma forma de expressão que fazer com que em uma música angústia, expectativa, etc., sejam comunicadas.



Elementos formais do som

“Não há som sem pausa. O som está permeado de silêncio, é presença e ausência.”
(Wisnik)

O som tem qualidades que o compõe. Quando emitido por um contrabaixo acústico é mais grave do que o som produzido por um cravo, nesse caso tais sons são distintos pela altura como são produzidos. Também podemos distinguir um som pela intensidade da produção dele, isto é, o som emitido por uma pessoa que cumprimenta outra em um velório é menos intenso do que o produzido por uma banda de Metal em um festival dedicado a esse gênero musical. Já o timbre permite identificar os sons de instrumentos musicais ou de vozes de pessoas diferentes pelo fato de eles e elas terem características distintas. A duração trata do fenômeno do tempo associado especialmente à música, de forma simples pode-se entender que essa qualidade do som define o intervalo de tempo em que uma nota é executada ou mesmo o silêncio que deve ser respeitado entre notas.
Tecnicamente, a altura de uma nota sonora é determinada pela frequência ou número de vibrações por segundo que a determinam. Quanto maior for a frequência, menor será o comprimento de onda e mais agudo será o som. Por outro lado, quanto menor for a frequência, maior será o comprimento de onda e mais grave será o som. Também pode interferir na altura do som no caso dos instrumentos de corda, por exemplo, o fato de quanto mais curta for a corda, ou mais fina ou mais distendida; maior velocidade terá as vibrações, o que fará com que as notas emitidas nesse casos sejam mais altas ou agudas. No caso dos de sopro, o tamanho dos instrumentos pode interferir na altura do som da seguinte maneira, quanto maior a coluna de ar for, mais se poderão produzir notas baixas ou graves e vice-versa. Quanto à notação musical, pode se dizer que no pentagrama quanto mais alta for a posição em que a nota é escrita, mais alta ela será, ou seja, mais aguda.


http://www.arte.seed.pr.gov.br/modules/video/showVideo.php?video=6369

Já a intensidade (sonoridade ou volume) é a força ou volume do som, que está relacionado com a amplitude da onda, que é determinada pela intensidade da energia dispensada no corpo vibrante, que faz um som ser forte ou fraco, ou seja, quanto maior for a amplitude da onda mais forte será o som. A intensidade sonora pode ser medida, a unidade empregada comumente é o bel ou decibel, a partir de 120 decibéis (dB) ultrapassa-se um limite em que, para o ser humano, o som pode causar desconforto ou mesmo dor.


O timbre é o som peculiar de cada instrumento ou voz, é determinado por uma junção de fatores como o material com o qual o som é produzido e evidentemente o modo como é extraído. Contudo, o fator decisivo para a constituição de um timbre são os harmônicos, que são frequências derivadas de uma onda principal e fundamental. Por isso, numa mesma nota executada em uma flauta de madeira, em um trombone e em um contrabaixo há sons mais orgânicos, metálicos, graves, agudos, etc., que definem o timbre de cada um desses instrumentos apesar de eles terem produzido uma mesma nota.



http://www.arte.seed.pr.gov.br/modules/video/showVideo.php?video=6364

A qualidade sonora da duração é a quantidade de tempo durante o qual um determinado fenômeno persiste. No universo da música, a duração é o intervalo de tempo em que uma nota é tocada ou em que há uma pausa ou silêncio entre duas notas. Tal qualidade sonora é um elemento fundamental do ritmo musical.


Pode-se ainda citar a densidade sonora, que deve ser compreendida como a qualidade responsável por medir a quantidade de sons simultâneos em uma composição. Por exemplo, quando é possível distinguir uma grande multiplicidade de timbres concomitantes em uma mesma música é correto conceituar uma música como densa do ponto de vista sonoro.



Elementos formais da música

“...fazer música significa a inteligência exprimir-se com meios sonoros, materializar os movimentos dos pensamentos com ajuda do som.”
(J.C. Paz, “Introdução à música de nosso tempo”)

A música é formada por um conjunto de elementos que a definem e organizam, são eles a melodia, o ritmo e a harmonia, os quais são responsáveis pelo que se convencionou chamar de composição musical, a qual é fundamentada na união entre o impulso criativo, o conhecimento técnico do compositor, seu conhecimento sobre a música e a mensagem que quer transmitir. Essa composição também é influenciada pela época e pelo local em que é escrita, pelos instrumentos musicais disponíveis quando é criada e quando é executada e pelas motivações pessoais conscientes ou não do compositor.
Uma melodia é determinada pela sequência de sons e silêncios organizados estética, formal e arbitrariamente de forma a fazer tais ordenamentos sonoros serem considerados música, por causa de sua dimensão estética, quase sempre lógica e pela sucessão intencional e rítmica de sons e pausas de forma ascendente e descendente em intervalos de tempo que conformam e encerram determinado sentido musical e artístico em última instância. É, portanto, o elemento fundador da experiência musical.
Os sons e pausas que compõem a melodia têm durações diversas e estabelecidas que produzem movimentos rítmicos em tempos fracos e fortes, os quais são responsáveis por constituir o ritmo musical.
A harmonia ocorre quando duas ou mais notas diferentes são executadas simultaneamente e, portanto, ouvidas ao mesmo tempo, o que constitui um acorde, os quais podem ser consoantes, quando as notas dentro dele concordam umas com as outras, ou dissonantes, quando destoam umas das outras para produzir tensão à frase musical.

Notação musical

A primeira forma de notação musical da Europa surgiu entre os séculos VIII e X da Idade Média e era baseada no alfabeto: as sete primeiras letras representavam os sete sons da escala natural, a qual era iniciada pela nota lá. Para informar mais sobre como as músicas deveriam ser executadas introduziu-se os neumas, que eram informações adicionais representadas por sinais gráficos utilizados na escrita como o acento grave, agudo e circunflexo, entre outros. A notação neumática como era chamada tinha limitações sérias como não indicar a altura e a duração dos sons.  Mais tarde, o monge Guido de Arezzo (995-1050) adotou uma pauta de quatro linhas, tetragrama, para registrar as notas e claves para indicar a altura dos sons, além disso as notas musicais ganharam os nomes e a ordem que usamos até hoje basicamente. Tais nomes e ordem foram retirados de um hino a São João Batista:

UT queant laxis                        Para que possam
REsonare fibris                        ressoar as maravilhas
Mira gestorum                         de teus feitos
FAmuli tuorum                         com largos cantos
SOLve polluti                           apaga os erros
LAbii reatum                            dos lábios manchados
Sancte Ioannes.                       Ó São João.

Obs.: o UT mais tarde passou a ser chamado de dó e assim como o estabelecimento da nome da nota si, ignora-se a autoria de seu(s) criador(es).

O Mensuralismo, mais tarde, no século XII, criado na Alemanha por Walter Odding e Franco de Colônia, ajudou a estabelecer a duração dos tempos sonoros, assim notas passaram a ter uma duração específica e regular e serem nomeadas com os termos breve, semibreve, mínima, etc.




A música

"A vida sem música seria um erro."
(Nietzsche)

"Sem música para decorar, tempo é só a monotonia de prazos de entregas e contas a pagar."
(Frank Zappa)

“A música, traduzindo idéias e sentimentos na linguagem dos sons, é um meio de expressão;
portanto produto da vida social. (...)
Música é movimento. Música é vida. (...).”
(Manifesto 1946: Declaração de Princípios. Rio de Janeiro, 1º de novembro de 1946)




Há evidências de que a música é conhecida e praticada por humanos desde a Pré-História, pois se sugere por meio de alguns indícios arqueológicos que existem relações diretas e intensas entre ela e o desenvolvimento da linguagem e da produção cultural humana. O primeiro impulso de criação ou mesmo imitação de uma música deve ter ocorrido por causa da percepção dos sons da natureza, especialmente de aves, ou mesmo do próprio corpo humano em um passado tão distante que é difícil precisar exatamente.

A música é fundamentalmente uma prática cultural humana, vista na maioria das vezes como um ato associado ao prazer estético, ainda que em várias sociedades ela possa ter uma função meramente pragmática ou utilitária. Essa é uma forma de arte composta basicamente de uma sucessão de sons e silêncios organizada ao longo de um determinado tempo, motivada por uma ideia ou sentimento e submetida a determinadas percepções e estruturações estéticas. Diante disso, não se sabe de nenhuma civilização ou sociedade desprovida de manifestações musicais.

A obra de arte musical é dividida em dois momentos: criação e “performance”. O primeiro inscreve-se de forma semelhante no campo das linguagens artísticas como produto do invento, da inspiração, do trabalho “e/ou” da educação formal. Quanto ao segundo momento, pode-se dizer que a música aproxima-se do teatro e da dança em função de que a plenitude dessas três formas de arte dá-se no espetáculo, na execução pública e na interação com o espectador. Embora seja sabido que essas linguagens artísticas possam ser documentadas em vídeo e áudio, a realização máxima dessas artes é alcançada na execução presencial das obras que as definem e as compõem.
Dentre as linguagens artísticas, a música é uma das mais profundamente associadas ao tempo, ao espaço e à subdivisão em estilos, o que confere a ela uma condição diferenciada entre as artes em função de suas conexões intensas e dependentes dos contextos sociais e culturais em que é inserida, mesmo no sentido de contrariá-los, o que produz infinitas possibilidades de análise e ilustração sobre como a sociedade tem se modificado culturalmente, como são os casos de jovens de classe média e alta do Rio de Janeiro serem ouvintes de Funk Carioca, ou mesmo de projetos associados ao que se convencionou chamar arte erudita tais como Música Clássica ou Balé oferecidos em comunidades carentes de grandes cidades brasileiras com grande interesse por parte dos jovens dessas regiões. Sobre essa questão, vale ressaltar o processo de ruptura sistemático do conceber e do fazer artístico ocorrido ao longo do século XX com os chamados cânones clássicos, o que na música tanto, por exemplo, consubstanciou-se em movimentos de ruptura com a música clássica tradicional como são os casos do Dodecafonismo e do Atonalismo de Arnold Schoenberg quanto do distanciamento da música contemporânea, em especial no seu viés mais popular ou pop, das regras e referenciais estéticos europeus.
No Brasil, podem-se destacar como essenciais para entender esse processo de trocas culturais e mesmo o próprio conceito diverso, transitório e sempre inacabado de música brasileira, ritmos como o Samba, o Maracatu, o Baião, o Xote, a Bossa Nova, o Axé, a Música Sertaneja, a Moda de Viola, o Choro, o Frevo, o Funk Carioca, o Brega, a Jovem Guarda, o Mangue Beat, a Marchinha, o Maxixe, o Pagode, a MPB, etc., além evidentemente dos muitos desdobramentos, uniões e mixagens entre ritmos brasileiros e estrangeiros, que se desenvolveram no Brasil.
Dentro desse contexto, os estilos musicais de origem estrangeira mais influentes na música brasileira e que merecem nota em função disso são o Blues, o Jazz, o Reggae, o Funk, o RAP, o Rock, a música étnica africana, a Música Eletrônica, os ritmos caribenhos, o Tango e a Música Clássica europeia.
Importante salientar que, muitas vezes, as fronteiras entre esses ritmos são sutis e transitórias, já que a música é uma das formas de arte passíveis das modificações mais velozes, o que torna difícil poder acompanhá-las, no sentido de categorizá-las em virtude do volume de novas e mutáveis possibilidades.
Sobre as funções da música, além da prioritariamente artística, é possível perceber usos militares, por razões motivacionais; educacionais ou pedagógicas; didáticas; terapêuticas (musicoterapia); religiosas, como forma de adoração, transe ou evangelização; festivas, em festas e celebrações; funerárias, como forma de dar pompa, solenidade ou importância ao evento; ou até mesmo como música ambiente.

Os instrumentos musicais

Os instrumentos musicais podem ser divididos segundo a forma como emitem sons. A classificação mais conhecida e usada atualmente foi criada em 1914 e é chamada Hornbostel-Sachs (ou Sachs-Hornbostel). É um sistema de classificação dos instrumentos musicais criado por Erich von Hornbostel e Curt Sachs focado no modo de produção do som como meio para subdividir os instrumentos musicais. Ainda que muito contestado, é o método classificatório mais utilizado por profissionais ligados à música como organólogos, etnomusicólogos, musicólogos, músicos, etc. São divididos em quatro grupos:

1 – idiofones
“O som é produzido primariamente pela vibração do corpo do instrumento ou por alguma de suas partes, mas esta vibração deve-se à própria elasticidade do material, sem necessidade de nenhuma tensão adicional nem de cordas, membranas ou colunas de ar. Em essência este grupo inclui quase todos os instrumentos de percussão além de alguns outros. Os sons produzidos pelos idiofones podem ter altura definida (podem produzir notas afinadas, como nos xilofones) ou indefinida.” São exemplos o xilofone, o triângulo, o prato, agogô, etc.

2 - Membrafones
Os sons são produzidos primariamente pela vibração de uma membrana estendida e tensionada, posta em vibração por meio de batida feita com a mão ou com objeto. São exemplos os tambores, os tímpanos, o tamborim, etc.

3 – Cordofones
“O som é produzido principalmente pela vibração de uma ou mais cordas tensionadas. Este grupo inclui todos os instrumentos normalmente chamados de instrumentos de cordas, bem como alguns instrumentos de teclados, como os pianos e cravos.” São exemplos o piano, a harpa, o violão, o alaúde, etc.

4 – Aerofones
O som é produzido principalmente pela vibração do ar ou pela sua passagem por meio de arestas ou palhetas. O instrumento, por si só em não vibra, nem há membranas ou cordas vibrantes. Nesse grupo estão os chamados instrumentos de sopro. São exemplos a flauta, a voz, o saxofone, o trompete, etc.

As vozes podem ser classificadas da seguinte maneira:

Vozes femininas
4.1. – Soprano – registro (naipe) mais agudo da voz feminina. Pode se dividir em muitos subtipos como soprano ligeiro, soprano dramático, soprano lírico, etc. Bons exemplos de vozes desse tipo são as lendárias Kathleen Battle (1948-), Jessye Norman (1945-), Maria Malibran (1808-1836) e Maria Callas (1923-1977).
4.2. – Contralto – registro mais grave, robusto e vigoroso da voz feminina. Um exemplo é a voz da cantora lírica Kathleen Ferrier (1912-1953).

Vozes masculinas
4.3. – Tenor – registro mais agudo da voz masculina. São exemplos Enrico Caruso (1873-1921), Plácido Domingo (1941-), Luciano Pavarotti (1935-2007) e Mario Lanza (1921-1959).
4.4. – Barítono – registro de voz entre o tenor e o baixo, considerado mais aveludada e equilibrada. São exemplos Bryn Terfel (1965-) e Thomas Hampson (1955-).
4.5. – Baixo – registro mais grave e incomum da voz masculina. São exemplos Martti Talvela (1935-1989) e Gottlob Frick (1906-1994).

5 – Eletrofones
O som é obtido por intermédio de um campo eletro magnético. São exemplos o sintetizador, a guitarra elétrica, o teclado, etc.

Tipos de música

"O problema de apreciar música é que em geral as pessoas são ensinadas a ter excessivo respeito por ela; em vez disso, deveriam ser ensinadas a amá-las."
(Igor Stravinsky)

“O irromper da atonalidade adveio como um passo necessário na crescentemente penetrante revelação de emoções interiores por Schoenberg, pois a exposição das fontes mais profundas da personalidade requeria meios musicais de um tipo profundamente pessoal, não aqueles aprendidos com a tradição. A atonalidade era o único meio possível para o expressionismo musical.”
(Paul Griffths, "Música Moderna: uma história concisa")

A faceta mais importante da música como expressão artística é a execução ou a reprodução dela. As formas de executar uma obra musical podem ser as mais diversas como o caso da improvisação simples e espontânea dos cantos de trabalho das lavadeiras de várias regiões brasileiras e das “worksongs” dos negros norte-americanos do século XIX e primeira metade do XX. Por outro lado, pode ser produto de uma organização elaborada antecipadamente como no concerto clássico, no evento de música pop, no coro das igrejas protestantes negras dos EUA, etc.
A música constrói-se em torno do trabalho do compositor e do intérprete, mas em última instância do músico ou da banda que impõe ritmo, interpretação e senso estético a um conjunto de sons, que serve muitas vezes como acompanhamento para um texto de caráter poético o qual chamamos comumente “letra”.
Essa forma de arte ainda pode ser produzida a partir de um improviso como nas “jams” ou “scats” típicos do Jazz ou executada em função de uma partitura elaborada meticulosa e previamente por um compositor centrado em um tema perseguido ao longo de toda uma obra sinfônica.
Os três elementos organizacionais da produção musical são melodia, harmonia e ritmo, embora se possa também pensar em altura, timbre, intensidade, densidade e duração, quando avaliado o som como parte constitutiva de qualquer música. A combinação desses elementos construtores da obra musical, somados ao silêncio, permitirá que seja reconhecida em uma música a estrutura, o contexto de produção, a tema e o tipo dela. A música também é frequentemente usada como recurso na dança.
Quanto aos tipos, gêneros e períodos musicais, pode-se constatar facilmente que eles são derivados das combinações mais ou menos estáveis dos elementos que constituem a música. Como tipos musicais podem ser citados, não sem controvérsias, alguns grandes grupos:


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Música folclórica – produção cultural fortemente atrelada às tradições orais, costumes e preferências estéticas e temáticas que delineiam a cultura de um determinado grupo social ou de uma determinada região. Comumente confundida com a música popular e a religiosa, por ser muitas vezes origem dessas e mesmo parte integrante de muitas composições tornadas populares como algumas variantes do samba. Geralmente, recolhida e mantida por décadas, centenas ou até milhares de anos por força das tradições orais de um povo. De caráter normalmente rural ou ligado a pequenas comunidades, tem produção associada a festas folclóricas (cavalhada, maracatu, etc.), a procedimentos específicos (fertilidade, colheita, jogo, brincadeira, diversão, etc.) e a aspectos funcionais e cotidianos da vida das pessoas (canções de trabalho, cantigas de ninar, etc.). É via de regra uma música acústica, com autoria difícil de precisar por conta da criação geralmente coletiva e anônima e executada por grupos em locais públicos. Não tem muito apelo comercial e, por muito tempo, também não despertou muito interesse na academia.

Maracatu

Canção de trabalho 1’45’’



Música religiosa ou sacra – parte importante ou central de diversas liturgias religiosas específicas e estabelecidas a partir de códigos e textos que fixam essas práticas, como é o caso do papel da música em cerimônias religiosas cristãs, como funerais e cultos. As religiões têm suas formas fixas e estabelecidas de música religiosa, são exemplos o Canto Gregoriano da Igreja Católica Apostólica Romana; o Gospel das igrejas protestantes brasileiras e norte-americanas; os batuques e cantos das religiões afro-brasileiras como o Candomblé, a Umbanda e o Tambor de Mina; o canto do muezim, nos minaretes das mesquitas islâmicas; as “ladainhas” do Santo Daime; etc.


Cantochão
https://www.youtube.com/watch?v=Qbh8eg_1tDA&list=PL18119C39A7E728A4

Daime
https://www.youtube.com/watch?v=VHCbPSfQhPM




Música erudita ou clássica - é vista por muitos como uma forma superior de arte musical, por seu pretenso academicismo ou pela própria erudição, grandeza e complexidade de suas composições e execuções. Essa visão não só é preconceituosa como é equivocada, já que os próprios autores de música erudita, ou mesmo seus maestros e músicos, têm mostrado cada vez mais uma inclinação pela música popular, folclórica ou mesmo pop. Desde Villa-Lobos, por conta da paixão dele pela música popular brasileira que foi tema e inspiração para muitas de suas obras, até versões sinfônicas da obra de bandas como Deep Purple ou Metallica, ou mesmo a paixão confessa pelo Choro que muitos músicos eruditos demonstram com trabalhos musicais paralelos. Assim, a música erudita é tecnicamente a expressão musical baseada em instrumentos clássicos europeus; composta para orquestras ou grupos pequenos de cordas, ou ainda para solos de instrumentos; elaborada e executada de forma muito apurada tecnicamente; registrada de forma documental e, para muitos, é uma forma de arte atemporal. Tem como principal local de execução as salas de concerto que pela acústica privilegia essa forma de arte. É de todos os tipos musicais o mais ampla e precisamente documentado e é muito ligado ao estudo formal da música.

Jean Baptiste Lully
https://www.youtube.com/watch?v=5mVa1MB0nc4

Heitor Villa-Lobos
https://www.youtube.com/watch?v=5mf3SQ3dVz8




Música popular – é a produção musical individual ou coletiva associada à cultura popular, ao improviso, a espontaneidade e a cultura oral em certa medida. Muito dependente da urbanização e industrialização da sociedade que permitiu a concentração de público nas cidades para que o próprio nome dela se justificasse em função de sua massificação. De tipificação vasta e em contínuo processo de mudança, é muito dependente da cultura da periferia que abastece a sociedade de forma contínua e perene com novos ritmos e tendências desde o Samba ao Tecnobrega, produtos de diversas regiões periféricas de cidades brasileiras. No campo das suas escolhas estéticas e temáticas, aponta e é muito suscetível a novas tendências ideológicas, comportamentais e culturais, portanto está em constante diálogo com todos os setores da sociedade: dos meios de comunicação à vida social e particular das pessoas. Em vários momentos intercambia informações com outros tipos musicais como a música erudita, folclórica, de massa, religiosa, etc., para transformá-las em experiências artísticas mais afeitas ao cotidiano, às preferências estéticas e temáticas e aos desejos da maioria das pessoas.


Elis Regina e Hermeto Pascoal - 1979 - Ao vivo no Festival de Montreaux - "Asa branca"



Heart - Live at Kennedy Center Honors - "Stairway to Heaven" (Led Zeppelin)



Música militar – música de caráter pragmático e utilitarista que tem como intuito motivar, disciplinar, instruir, ameaçar, organizar, etc., tropas em diversos países e culturas. São exemplos as canções dos Fuzileiros Navais e dos Paraquedistas norte-americanos; o Haka dos Maoris e da seleção neozelandesa de rúgbi; as gaitas de fole do exército escocês; as trombas e tambores das legiões romanas; a flauta e a caixa dos exércitos napoleônicos; a corneta das unidades de cavalaria do exército estadunidense; etc.

Haka

Canto de cadência



Música terapêutica – uso medicinal da música como meio de se combater ou mesmo remediar doenças ou condições sensíveis em especial de caráter neurológico, psicológico ou psiquiátrico a fim de reabilitar pessoas de quaisquer idades. O processo visa individualmente ou em grupo facilitar e promover comunicação, vivências, aprendizado, experiências, além de outros objetivos terapêuticos relevantes, com o intuito de atender às necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas do paciente, além de objetivar a melhor qualidade de vida, por intermédio de prevenção, reabilitação ou tratamento dos atendidos por essa prática. Entre os potenciais pacientes beneficiados pela musicoterapia estão os autistas, as pessoas com restrições motoras ou mentais, os pacientes psiquiátricos, as gestantes, os idosos, etc. Normalmente, as músicas mais utilizadas para esse fim são outros tipos de música como a indiana, a clássica, a indígena, etc.




Música experimental – como concepção estética, é uma forma musical de vanguarda que se desenvolveu ao longo do século XX na perspectiva de questionar o gosto popular ou mesmo erudito mais convencional. Para tanto, seus entusiastas investiram em instrumentações inusitadas; efeitos sonoros pouco comuns na música como ruídos industriais ou de multidões; experimentações eletrônicas; dissonâncias; etc. Importante salientar que algumas dessas propostas foram posteriormente absorvidas ou mesmo foram influências para manifestações musicais mais bem aceitas por um significativo número de ouvintes. São exemplos o trabalho de grupos ou compositores como Satanique Samba Trio, Karlheinz Stockhausen, Cecil Taylor, Anton Webern, Arnold Schoenberg, etc.

Karlheinz Stockhausen – "Oktophonie"

Arnold Schoenberg – "Five Pieces for Orchestra Op. 16"



Música pop ou de massa – é a produção musical que permite combinações entre todos os outros tipos de música com o intuito de dar a eles uma roupagem estética que os permita alcançar grande público tendo como plataforma meios de comunicação de massa como a televisão, o rádio, o cinema, etc. Para tanto, seus artistas muitas vezes submetem suas escolhas estéticas não só aos ditames desses meios como às potenciais preferências de seus admiradores, ou seja, o sucesso não ocorre naturalmente, mas de forma pretensamente calculada e planejada. De outro lado, esse tipo de música é muito ouvido porque ele garante a socialização do indivíduo que se inscreve numa grande comunidade ao ouvir essas produções musicais. Como é muito dependente das circunstâncias que envolvem o difícil equilíbrio entre necessidades de mercado, preferências coletivas e o desejo de novidade, a música pop é alvo de um processo de descarte e esquecimento veloz, porque, na razão de um sucesso, num dado momento, está a certeza de seu descarte no futuro. Assim, simula a produção industrial numa escala em que o produto deixa de ser dotado de significado para ter apenas função, o que o torna alvo do mesmo pragmatismo responsável pela sua concepção. São exemplos desse processo a música sertaneja a partir da década de 1980 sob influência da estrutura de banda pop e do afastamento das temáticas e estéticas tradicionais da Moda de Viola; o Pagode que deixou de ser evento para ser sub-estilo do samba em função da estrutura de banda pop, do som eletrificado, dos passos de dança combinados e das letras exacerbadamente sentimentais. 

The Betales - 1969 - "Get Back"

Michael Jackson – 1982 – “Billie Jean”

Madonna – “Like a virgin”

Daniela Mercury – “O canto da cidade”

Édson e Hudson – “Galera coração”

Dj Marlboro – Marlboro Medley


Anexo:

Como forma de aprofundamento, seguem trechos sobre o estudo da música presentes nas Orientações Educacionais do Ensino Médio confeccionadas pelo MEC:

A disciplina música nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs)

“MÚSICA

3.3.1 Código

Estruturas morfológicas
O som. O silêncio e seus recursos expressivos. Qualidades sonoras (alturas, timbres, intensidades, durações). Movimento. Imaginação sonora; idéia de música.

Estruturas sintáticas
Modalidades de organização musical. Organizações sucessivas: de sons e/ou ruídos, linhas rítmicas, melódicas, tímbricas, etc.
Organizações simultâneas: de sons e/ou ruídos, sobreposições rítmicas, melódicas, harmonias, clusters, contrapontos, granular, etc.
Estruturas musicais: células, repetições, variações, frases, formas, blocos, etc. Texturas
sonoras: melodias acompanhadas, polifonias, polirritmia, pontilhismos, etc.
Estéticas, estilos e gêneros de organização sonora criados ao longo da história humana nas diversas sociedades e culturas. Criação, execução e escuta de músicas.

Tomando como base o processo de comunicação que sustenta a estrutura deste documento, produzir música e interpretar música implica ações musicais como criar (improvisar, compor, fazer arranjos), executar (cantar, tocar, dançar) e escutar. Assim, as estruturas mencionadas anteriormente podem ser trabalhadas tendo como base a produção e a interpretação musicais. Essas estruturas constituem materiais e possibilidades de organização de vários idiomas, estilos ou gêneros musicais. Podem, portanto, ser estudadas a partir de uma ampla gama de músicas. Por exemplo, explorar a linha rítmica do canto falado do rap; as sobreposições rítmicas de uma bateria de escola de samba.

Outro aspecto a ser considerado reporta-se ao trabalho com essas estruturas. No cerne das várias tendências pedagógicas no ensino da Música, há algumas práticas que se consagraram, mas de modo algum significam a melhor possibilidade, dependendo do contexto de ensino e aprendizagem. Por exemplo, da proposta das oficinas de música vem a idéia de iniciar o trabalho com a exploração sonora e as qualidades desses sons (altura, timbres, intensidades, durações). Qualquer estrutura pode ser desencadeadora de um processo de aprendizagem musical. O que se procura garantir nas tendências pedagógicas atuais é que a aprendizagem seja significativa, isto é, que tenha sentido para quem aprende.
Outra tendência refere-se ao trabalho no contexto e a partir de contextos musicais, e não a partir de estruturas isoladas. Trabalhar no contexto musical implica processos musicais. Por exemplo, improvisar com ritmos; explorar nessa improvisação, além de estruturas rítmicas, diferentes timbres. Trabalhar a partir do contexto musical implica partir de produtos musicais. Por exemplo: depois da escuta de determinada música, discutir seus vários níveis de organização. Como se espera que o ensino médio seja uma continuidade do ensino fundamental, é importante avaliar que conhecimentos e habilidades musicais os alunos já construíram. Mesmo que eles não se tenham envolvido com o ensino de Música anteriormente, suas vivências cotidianas proporcionam lhes conhecimentos que devem ser considerados nas aulas.

3.3.2 Canal

Diversas fontes de criação musical:
- o corpo, a voz;
- sons da natureza; sons do cotidiano, paisagens sonoras;
- objetos sonoros diversos, movimentos, texturas;
- instrumentos musicais nas diversas culturas: acústicos, eletroacústicos, eletrônicos, novas mídias;
- criação de novas fontes sonoras nas várias estéticas e estilos musicais: instrumentos no rock, no RAP, na orquestra, na capoeira, no samba, no choro, etc.

Os materiais, os suportes e os veículos de criação musical são tantos quanto a imaginação e a sensibilidade inventiva puderem conceber. Em diferentes momentos históricos e em diversas culturas, foram eleitos materiais, suportes e veículos que implicaram o tipo de criação musical e foram, por sua vez, eleitos pelas próprias criações musicais. A música concreta elegeu ruídos e sons do cotidiano que resultaram numa nova estética. O mesmo pode ser observado no RAP, no tecno e em outras estéticas.

3.3.3 Contexto
Das músicas
Considerar e compreender em que contexto as músicas são criadas, praticadas e consumidas torna-se extremamente relevante em uma abordagem pedagógica que valoriza a diversidade da produção humana. Assim, as perguntas a serem feitas com relação a um produto musical são: quem os produziu? Quando? Onde? Com que finalidade? As idéias, os valores, as crenças, os conhecimentos e intenções dos produtores e dos consumidores de música são importantes para se compreender a diversidade humana. Igualmente importante é estar atento para as novas possibilidades de recepção de música, já que os significados não estão preestabelecidos, mas são construídos no momento da própria ação musical (criar, executar, escutar).

Do aluno, do professor, da escola, da comunidade
A música é uma das formas mais significativas das culturas jovens. Ouvir música, tocar, cantar, criar, falar sobre música, ir a shows, fazer parte de um grupo musical são algumas das maneiras mediante as quais acontece a interação entre jovens e música. Jovens com condições economicamente favoráveis utilizam-se de internet, MP3 e demais equipamentos que veiculam e produzem música. Jovens sem poder aquisitivo participam de outras redes de prática musical: dançam nos bailes funk, tocam na bateria da escola de samba, são “rappers”, consomem o que a televisão e as rádios veiculam. Assim, as experiências musicais dos adolescentes são variadas. O ensino de Música também deve ser construído tendo em vista o contexto e as características da escola e da região em que está situada.

Do ensino médio
A construção coletiva do currículo que se busca no novo ensino médio encontra na música uma forte aliada. Em razão do interesse que os jovens têm por música, a escolha coletiva de temas sobre música a serem trabalhados nas aulas constitui uma possibilidade interessante."

Para ouvir por prazer:
http://8tracks.com/opera10-estefani/tipos-e-de-musica-qualidades-sonoras-e-performance
http://8tracks.com/opera10-estefani/a-vida-sem-musica-seria-um-erro



Professor Estéfani Martins