sexta-feira, 11 de novembro de 2016

2 - Redação - gêneros textuais - Artigo de opinião

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Gêneros textuais - artigo jornalístico, artigo de opinião ou texto de opinião

É um texto opinativo normalmente assinado e muito assemelhado estruturalmente à dissertação, ainda que permita algumas liberdades linguísticas impossíveis em um texto dissertativo científico como o uso pontual de palavras não dicionarizadas, subjetividades, etc. Por ser atribuído a uma pessoa, comunica um ponto de vista particular acerca de um assunto em primeira pessoa do singular.

Objetivo – comunicar a opinião particular de um articulista contratado por veículo de comunicação pela relevância dessa pessoa para um determinado grupo, instituição, etc.
Estrutura – dissertativa-argumentativa.
Argumentação – pode ser construída de diversas maneiras, desde abordagens mais científicas e fundadas em estatísticas e discursos de autoridade até formas mais personalistas em que experiências pessoais, viagens, vivência profissional, etc., possam ser usadas para defender uma tese a respeito de um assunto atual e normalmente de alta relevância midiática.
Pessoa do discurso – 1ª pessoa do singular é obrigatória para explicitar o aspecto personalista do discurso e da argumentação do texto.
Linguagem – clara, objetiva e adequada às normas gramaticais por padrão, ainda que se aceite pontualmente o uso de expressões como gírias, coloquialidades e oralidades como forma de personalizar o discurso do articulista. Verbos predominantemente no presente do indicativo.
Máscara – obrigatória e qualificadora (Exemplo: “como médico”, "na condição de antropólogo", etc.). (Observação importante: confira se no concurso que você fará a máscara é obrigatória e sobre qual é a orientação para escrevê-la.)
Título - esperado e muito comum em ambeintes jornalíticos em especial. (Observação importante: confira se no concurso que você fará o título é obrigatório e sobre qual é a orientação para escrevê-lo.)
Assinatura – normalmente exigida e sem ponto final. (Observação importante: confira se no concurso que você fará a assinatura é obrigatória e sobre qual é a orientação para escrevê-la.)


Observação importante: lembro que os exemplos abaixo são oriundos da produção dos alunos ou de veículos midiáticos, assim têm virtudes e defeitos que serão apontados em sala de aula, já que respondem a situações de produção diferentes das de concurso ou mostram certas dificuldades linguísticas, estruturais e temáticas.

Exemplos:

Texto 01.
Estado laico: uma necessidade

O Estado laico tem sido nos últimos anos uma discussão frequente em algumas esferas sociais em função de decisões do Superior Tribunal Federal (STF) em favor do direito ao aborto de anencefálicos e da união civil entre homossexuais. Como antropólogo, entendo que ainda deve ser considerada a atuação nada laica de políticos de bancadas religiosas na Câmara Federal contra os interesses da maioria da população. Por isso, defendo a necessidade da reafirmação de um pacto civil em defesa da laicidade do Governo.
Essa defesa sustenta-se não só no fato de muitos países tornados teocracias terem tido perdas significativas de garantias presentes na Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas também no fato de haver perda considerável na diversidade de ideias artísticas, políticas e, evidentemente, religiosas, quando um Estado deixa de ser laico. Afirmo isso porque a laicidade de instituições é uma defesa vigorosa da liberdade religiosa, pois, via de regra, todo estado laico de fato é multireligioso como ainda é o caso do Brasil.
Defender esse estado laico é, dessa forma, uma forma de prezar pela liberdade religiosa, que, apesar de não ser uma pessoa crente, entendo ser uma conquista das sociedades democráticas que deve ser defendida por todos. Vejo essa questão assim pois reconheço o quanto que a diversidade religiosa é influente no campo das artes, dos costumes, da gastronomia, etc., ou seja, suprimi-la seria o mesmo que suprimir um dos principais geradores de manifestações culturais que se tem notícia. Seria indiscutivelmente um golpe duro contra várias etnias e culturas, contra milhões de pessoas e contra a cultura brasileira.
Logo, defendo o Estado laico não por ser contra quaisquer religiões, mas, ao contrário, por defendê-las como um direito de escolha de todas as pessoas, para que possamos continuar a ter um país marcado por tradições democráticas, diversidade cultural e liberdade de pensamento e expressão.

José 

Observação importante: assinatura exigida no vestibular da UFU. Fique atento às orientações em outros concursos.

Texto 02.
Ele não sabe o que faz
Ruth de Aquino

Mais um assassino covarde tira proveito da lei paternalista no Brasil, que considera os menores de 18 anos incapazes de responder criminalmente por seus atos. Como não sentir vergonha diante dos pais do universitário Victor Hugo Deppman, assaltado e morto na calçada de casa em São Paulo? Como convencê-los a se conformar com o Estatuto da Criança e do Adolescente, que protege o homicida de 17 anos que deu um tiro na cabeça de seu filho após roubar seu celular? Como conviver com a perda brutal de um filho e saber que seu algoz será internado por no máximo três anos porque “não sabia o que estava fazendo”?
Não consigo enxergar jovens de 16 anos como “adolescentes” ou “menores”. Eles votam, fazem sexo, chegam em casa de madrugada ou de manhã. Por que considerá-los incapazes de discernir o certo do errado? Ao tornar jovens de 16 anos responsáveis por seus atos diante da Justiça, o objetivo não é encarcerar todos os delinquentes dessa idade, mas, quem sabe, reduzir os crimes hediondos juvenis. A mudança na lei reforçaria o status que eles próprios já reivindicam em casa diante dos pais: “Eu não sou mais criança”. E não é mesmo.
Para quem argumenta que de nada adiantará reduzir a maioridade penal para 16 anos, respondo com uma pergunta: longas penas para assassinos adultos acabam com o crime bárbaro? Não, claro. Então, vamos acabar com as cadeias porque elas são custosas e inócuas? Não, claro. Longas penas servem para reduzir a impunidade e dar às famílias de vítimas a sensação de que foi feita justiça. Não se trata de “vingança”. É um ritual civilizatório. Matou? E ainda por cima por motivo torpe? Tem de pagar.
Um argumento popular contra a redução da maioridade penal para 16 anos é: e se um adolescente de 14 ou 15 anos matar alguém, mudaremos de novo a legislação? Sempre que escuto isso, lembro um caso na Inglaterra, em 1993. Dois garotos ingleses de 10 anos foram condenados à prisão perpétua por ter mutilado e matado um menino de 2 anos. A repercussão foi tremenda. Os assassinos foram soltos após oito anos de prisão. Mas não foram tratados com benevolência no julgamento. O recado para a sociedade era claro: não se passa a mão na cabeça de quem comete um crime monstruoso. Mesmo aos 10 anos de idade.
Outro argumento comum no Brasil contra a redução da maioridade penal afirma que só com boa educação e menos desigualdade social poderemos reduzir a criminalidade juvenil. Essa é uma verdade parcial. Há muitos países pobres em que jovens assaltam, mas não matam por um celular ou uma bicicleta. Eles têm medo da punição, medo da Justiça. Também acho injusto atribuir aos pobres uma maior tendência ao crime bárbaro. Tantos ricos são bandidos de primeira grandeza... Melhorar a educação e reduzir a pobreza são obrigações. Isso não exclui outra obrigação nossa: uma sociedade que valoriza a vida e a honestidade precisa acabar com a sensação de que o crime compensa. Para menores e maiores de 18 anos.
Os filósofos de plantão que nunca perderam o filho num assalto apelam à razão. Dizem que não se pode legislar sob impacto emocional. Ah, sim. Quero ver falar isso diante de Marisa e José Valdir Deppman, pais enlutados de Victor Hugo, que ouviram o tiro de seu apartamento, no 9o andar. Uma família de classe média que livrou o filho da asma com plano de saúde privado e investiu com esforço em seus estudos. A mãe falava com Victor Hugo todos os dias pelo celular. “Eu sempre falava para ele não reagir, porque a vida não vale um celular ou um carro. Ele não reagiu, mas foi morto. Estou estraçalhada por dentro.”
Victor Hugo, o Vitão, era santista fanático, um dos artilheiros do “Inferno vermelho”, apelido do time da Faculdade Cásper Líbero, onde estudava rádio e TV. Sonhava em virar locutor esportivo e estava apaixonado. A câmera do prédio mostra o momento em que sua vida acabou. Mostra a covardia do rapaz, cujo nome nem pôde ser divulgado por ser “inimputável”. Na sexta-feira passada, o assassino de Vitão, infrator conhecido na Febem, completou 18 anos.
Seu futuro pode ser o mesmo do menor E., que, aos 16 anos, ajudou a matar no Rio de Janeiro, em 2007, o menino João Hélio. Ele pertencia ao bando que arrastou João Hélio pelas ruas, pendurado na porta de um carro que havia sido roubado de sua mãe. Após três anos numa instituição para jovens infratores, foi libertado. A Justiça o incluiu temporariamente num programa de proteção a adolescentes ameaçados de morte, o PPCAAM. Ridículo. Ezequiel Toledo de Lima foi preso em março de 2012, aos 21 anos, por posse ilegal de arma, tráfico e corrupção ativa. Ezequiel não tinha antecedentes criminais como adulto – apesar de ter matado com requintes de crueldade um menino de 6 anos. É ou não é uma inversão total de valores?


Texto 03.
A importância d’água para a espécie humana

A água tem vital importância para os seres humanos, além de nos nutrir, precisamos dela para várias ocasiões, como no transporte e na obtenção da caça e da pesca. Porém, a sociedade moderna vem poluindo os rios, destruindo recursos hídricos que causam um desequilíbrio no meio ambiente e preocupam grande parcela da comunidade científica da qual faço parte.
Os indivíduos urbanos como eu tem geralmente pouco conhecimento sobre a preservação da água, por pensarem que esta é uma riqueza inesgotável. A falta de saneamento básico também contribui para a poluição dos rios. Outra forma de poluição seria a mineração, que utiliza produtos químicos, poluentes d’água, como mercúrio. Estas águas contribuem para a mortalidade infantil.
Muitos das grandes partes do mundo sofrem com a desertificação que atinge 70% das terras secas do planeta. Países cujas reservas de água são mínimas sofrem com sua escassez. Na África, milhões de famílias precisam percorrer longas distâncias para achar água e carregá-las. A principal causa desta questão não é só a irradiação de reservas hídricas, mas também o desmatamento das matas ciliares.
Embora o Brasil e a América do Sul estejam entre as terras com maior disponibilidade de água, sua distribuição é muito desigual, com a maior parte, no caso brasileiro, concentrada na região amazônica, onde está a menor fatia da população.
A agricultura responde hoje por mais de 70% do consumo de água no mundo e no Brasil. A produção de alimentos já é realizada com abuso d’água, as áreas de grãos, por exemplo, está exigindo mil toneladas de água, mais do que uma família de classe media nos Estados Unidos.
Observamos, que o maior beneficio pela abundância em água do planeta é na atividade pesqueira, nos transportes marítimos e fluviais, possíveis graças à disponibilidade natural, tomando por base os parâmetros da conjuntura atual. A formação de uma Contracultura baseada na utilização consciente da natureza a fim de um colapso no sistema de distribuição e utilização da água, para a perpetuação da espécie humana.

Josefa

Observação importante: assinatura exigida no vestibular da UFU. Fique atento às orientações em outros concursos.

Professor Estéfani Martins