domingo, 12 de maio de 2013

Tropicália, tropicalismos, Bossa Nova e consequências

Bossa Nova

Em 1958, João Gilberto, até então um violonista baiano pouco conhecido, lançou um disco fundamental para a música ocidental que seria o marco de um novo movimento estético na música brasileira: “Chega de Saudade”. Importante salientar que Elizeth Cardoso, Johnny Alf, Dóris Monteiro, entre outros já ensaiavam a estética “bossanovista” em espetáculos em boates cariocas ao longo da segunda metade da década de 1950. O ritmo surgiu da união improvável de referências baseadas na música formal e erudita (Debussy, Ravel, etc.); no Jazz norte-americano, não só o tradicional, mas também o de vanguarda como o Bebop; e em ritmos afro-brasileiros como o Samba. Assim nasceu a Bossa Nova, que, além de mudar os rumos da música brasileira, contribuiu decisivamente para uma renovação da música instrumental em grande parte do mundo, além de ter sido uma referência importante de muitos astros do Jazz a partir de então. Outro destaque desse movimento foi o caráter urbano, algo elitista, individualista e intimista das composições “bossanovistas”, além disso pode-se dizer que foi na e pela classe média, incentivada pelo clima de euforia propiciado pelo governo de Juscelino Kubitschek, que o ritmo foi construído, assim a Bossa Nova constitui-se como um dos poucos ritmos musicais brasileiros com uma decisiva contribuição da classe média em seu desenvolvimento, pois a maioria dos ritmos oriundos do Brasil, especialmente os de mais sucesso no século XX, tem uma estreita relação autoral com a periferia. A Bossa Nova seria reconhecida a partir de então pelas harmonias elaboradas, pelo ritmo sincopado, pela poesia despretensiosa política e socialmente e pelo jeito inovador de tocar de seus violonistas. Além disso, a influência desse movimento é sentida até a atualidade nos inúmeros grupos brasileiros e estrangeiros assumidamente influenciados por essa estética musical. Outros nomes fundamentais desse movimento são Antônio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes, Baden Powell, Dóris Monteiro, Nara Leão, Carlos Lyra, Luís Bonfá, Roberto Menescal, Silvia Telles, João Donato, dentre muitos outros.

Festivais de Música Popular Brasileira (“Era dos Festivais”)
Os Festivais, especialmente, os do final da década de 1960 foram responsáveis não só por dar espaço para novos compositores, intérpretes e tendências da música popular brasileira, como também foram responsáveis por definir o conceito de MPB largamente usado mais tarde. Dentre eles, o mais importante foram os quatro festivais da Record entre 1967 e 1969, ainda que várias redes de televisão como a Globo, a Rio e a Excelsior tenham tido os seus festivais de forma intermitente entre 1965 e 1985, ainda que a fase mais relevante esteticamente tenha ocorrido entre 1965 e 1968.
        Além de refirmar a diversidade estética da música brasileira e dar espaço para experimentações inéditas, a “Era dos Festivais” foi responsável por tornar notáveis jovens músicos como Edu Lobo, Jair Rodrigues, Elis  Regina, Nara Leão, Mutantes, Milton Nascimento, Elis Regina, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Tony Tornado, entre outros. Foram também palco para exposição de muitas ideias estéticas e políticas que tornaram esses eventos culturais uma espécie de porta voz de diversas opiniões durante o conturbado e controverso período posterior ao Golpe Militar de 1964.
        Outro destaque sobre esses eventos é a apaixonada e intensa participação do público que torcia fervorosamente por suas e músicas e intérpretes favoritos, além da grande audiência que as transmissões televisivas alcançavam.

Tropicalismo
Movimento central na história da música popular brasileira. Sintetizado pela gravação de um dos álbuns mais importantes da história da música mundial, porque resultado de criação coletiva inspirada e impulsionada pelo impacto estético e político que Caetano Veloso e Gilberto Gil causaram com suas apresentações no III Festival de Música Popular da Record no ano de 1967 somado a manifestações tradicionais da cultura brasileira como a Música Caipira, o Baião, etc.; a inovações estéticas radicais daquela época, como correntes artísticas de vanguarda da cultura nacional e estrangeira (como o Concretismo, a Bossa Nova e o Rock Psicodélico, absorvido por meio do disco “Sgt Pepper’s of Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles). Antes de fins sociais e políticos, a Tropicália foi um movimento nitidamente estético e comportamental. Em maio de 1968, começaram as gravações do disco que seria o manifesto musical do movimento, do qual participaram artistas como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Nara Leão, Os Mutantes, Tom Zé - além dos poetas Capinan e Torquato Neto e dos maestros Rogério Duprat, Damiano Cozzella e Júlio Medaglia (responsáveis pelos arranjos do disco “Tropicália ou Panis et Cirsensis”). Segundo o Dicionário Cravo Albin: “O movimento ressaltou, em sua estética, os contrastes da cultura brasileira, trabalhando com as dicotomias arcaico/moderno, nacional/estrangeiro e cultura de elite/cultura de massas. Absorveu vários gêneros musicais, como samba, bolero, frevo, música de vanguarda e o pop-rock nacional e internacional, e incorporou a utilização da guitarra elétrica. Estabeleceu uma interlocução com a poesia concreta paulista, tendo recebido apoio crítico de seus expoentes, Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio Pignatari. O histórico remonta a discussões estéticas mantidas entre Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Torquato Neto, Rogério Duarte e o empresário Guilherme Araújo, em que eram colocadas em pauta questões como a necessidade de universalização da música brasileira em um contexto marcado hegemonicamente pela preocupação nacionalista de rechaçar a influência estrangeira.”. O nome do movimento atribui-se à canção “Tropicália”, de Caetano Veloso, que recebeu esse título a partir de uma instalação, com o mesmo nome, do artista Hélio Oiticica.

Outras leituras obrigatórias:


Bossa Nova
http://cliquemusic.uol.com.br/generos/ver/bossa-nova
http://www.dicionariompb.com.br/bossa-nova/dados-artisticos
http://8tracks.com/opera10-estefani/tropicalia-tropicalismos-e-consequencias

Era dos Festivais
http://institutocravoalbin.com.br/projetos/catalogos-tematicos/no-palco-os-festivais/a-era-dos-festivais/
http://www.radio.uol.com.br/#/album/varios-artistas/a-era-dos-festivais/3469

Tropicalismo
http://www.dicionariompb.com.br/tropicalismo/dados-artisticos
http://tropicalia.com.br/identifisignificados/movimento
http://tropicalia.com.br/identifisignificados/contexto
http://tropicalia.com.br/identifisignificados/festivais
http://8tracks.com/opera10-estefani/tropicalia-tropicalismos-e-consequencias/edit