quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

ATA - Módulo 1 – As artes visuais I – linguagem, conceitos e elementos (3º anos COC Uberlândia)

Leitura para todas as turmas de ATA (3º anos de Uberlândia)



"Aprender a ver é a mais longa aprendizagem de todas as artes."
(A.Graf)

Estilo é a incorporação da alma do artista à obra. Sem estilo nãoarte.”
(Carl Dreyer)

“A arte é um compêndio da natureza escrito pela imaginação.”
(Eça de Queiroz)

As artes que têm o sentido da visão como principal elemento utilizado na composição e observação delas são as visuais. São exemplos a pintura, o desenho, a gravura, a fotografia, o cinema, a arquitetura, o “webdesign”, a moda, a decoração, o paisagismo, o grafite, etc.
            O olhar é o ponto central dessas formas de arte, tanto no que concerne a produção artística delas, quanto especialmente na recepção delas por parte dos espectadores que têm a visão como principal meio de decodificar as informações e as linguagens de tais produções artísticas.




Os elementos que estruturam a linguagem visual são chamados de elementos formais, porque são responsáveis por compor a arte visual, são exemplos as imagens, as esculturas, os edifícios, etc. A relação entre eles é capaz de transmitir ideias, visões de mundo, utopias, entropias, caos e todos os tipos de sensações, idéias e sentimentos previsíveis e conhecidos ou não. Os elementos formais são: ponto, linha, forma, figura, volume, textura, cor e espaço.


- Ponto
Unidade de comunicação visual mais simples e mínima. Quando fazemos uma marca, seja com tinta ou qualquer outra substância, esse elemento visual constitui-se como um ponto de referência ou um indicador de espaço. Qualquer ponto tem grande poder visual sobre o olho. Os pontos podem criar a ilusão de tom, de cor, de sombra, de profundidade, etc.

Seurat, Georges - Georges-Pierre Seurat (1859-1891) pintor pontilhista (divisionista) francês - 1887-88 - As modelos

- Linha
Quando os pontos estão tão próximos que se torna impossível identificá-los individualmente, daí a sensação de direção, isso os transforma em outro elemento visual: a linha, que pode ser considerada um ponto em movimento. Pode ser imprecisa e falha nos esboços, delicada e ondulada ou nítida e grosseira em função das motivações de quem a produz. A linha expressa a intenção, os sentimentos e a emoção associada à visão do artista. Por isso, as linhas podem ser descritas segundo uma tipificação:
1 - As linhas retas são responsáveis por remeter a sensações de ordem, austeridade e precisão.
2 - As linhas quebradas em ângulos diversos podem remeter a variadas ideias associadas ao movimento de lento a rápido, de calmo e colérico, etc. Elas aludem a sensações de raiva, intensidade, vigor e força.
3 - As linhas diagonais são responsáveis diretas pela construção da perspectiva. Nas composições bidimensionais, linhas diagonais simulam profundidade.
4 - As linhas curvas ou espirais criam movimento e fluidez. Também remetem ao onírico, à loucura, à viagem, a digressões temporais, etc.
5 - As linhas sinuosas são sensuais e suaves, podem também transmitir também sensações relativas ao sonho, à trapaça, à falta de sentidos, etc.

Muniz, Vik (1961-) artista plástico brasileiro - Medusa marinara

- Forma e figura
A linha descreve ou sugere uma forma. Existem três formas básicas, que são o quadrado que pode evocar alguns significados como honestidade, esmero, correção, etc. O triângulo pode sugerir ação, conflito, tensão, agudez, agressividade, etc. O círculo pode simbolizar a infinitude, a perfeição, a ideia de proteção, etc. Já a figura é uma forma inserida, aplicada ou feita sobre um fundo com o qual se relaciona e interage.

- Cor
A cor pode ser vista por causa da luz. As cores têm propriedades associadas ao tom ou matiz, que é o nome da cor; à intensidade, que é construída com a pureza ou a mistura de cores; ao valor, associado à claridade ou escuridão de uma cor; e a gradação, que é a mistura gradativa de cores. As cores podem ser primárias (vermelho magenta, azul e amarelo), secundárias (resultado da mistura de duas cores primárias) ou terciárias (mistura das cores secundárias entre si). As cores podem ser ainda frias (azul) e quentes (amarelo). O branco é a mistura de todas as cores e o preto é a ausência de cor. A mistura de ambos cria os mais variados tons de cinza.

Bruegel, Pieter, o velho (1525-1569) pintor flamengo - O triunfo da morte

Bruegel, Pieter, o velho (1525-1569) pintor flamengo - A queda dos anjos rebeldes

Monet, Claude (1840-1926) pintor francês impressionista - 1892-94 - Catedral de Rouen (fachada)

Caravaggio (1571-1610) pintor barroco italiano - 1598 - óleo sobre tela - A traição de Judas

- Textura
As superfícies têm um relevo chamado de textura, que, para ser percebida, tem que ser a princípio tateada. A textura pode ser lida de forma a transmitir informações em função de sua composição, a saber:
1 - Textura lisa: tranquilidade, suavidade, frio, insensibilidade, perfeição, etc.
2 - Textura áspera: raiva, calor, violência, desconforto, ato inacabado, imperfeição, etc.
3 - Textura macia: conforto, aconchego, sonolência, carinho, etc.
4 - Textura enrugada: tristeza, umidade, velhice, etc.

- Espaço
O espaço na linguagem visual pode ser bidimensional quando é representado na obra apenas com o uso das variáveis largura e altura como dimensões e limites para a confecção da imagem, ainda que a profundidade possa ser simulada ou sugerida com linhas diagonais, com o tamanho dos objetos vinculados à distância aparente do observado, etc. Pode também ser tridimensional quando as formas têm altura, largura e profundidade, sem a necessidade de técnicas que possam simular a terceira como é o caso da perspectiva na pintura. São bidimensionais a pintura, o desenho, etc., e tridimensionais a escultura, a arquitetura, etc.

Escher, Maurits Cornelis (1898-1972) artista gráfico holandês - 1960 - litografia - Subindo e descendo


- Volume
    O volume caracteriza-se por planos relacionados em diagonal, superpostos, que revelam profundidade “e/ou” a ideia de uma forma inserida num espaço em que podem ser percebidas variações entre o cheio e o vazio, sombras, etc.

Giger, H.R. - Hans Ruedi Giger (1940-) pintor, escultor e designer suiço ligado ao Surrealismo e à Arte Fantástica - Homenagem à Böklin

 Sobre os fundamentos da linguagem visual, as Orientações Educacionais do Ensino Médio editadas pelo MEC, acrescentam:

“Esses fundamentos da linguagem visual formam um conteúdo já sedimentado no ensino de artes visuais, o qual é normalmente mencionado nos currículos de ensino superior e nos programas dos ensinos fundamental e médio. Existe, também, uma bibliografia sobre o assunto já bastante conhecida, tais como os estudos de Rudolf Arnheim, Donis A. Dondis, Fayga Ostrower (ver referências bibliográficas), além de ser um tema que compõe o sumário da maioria dos livros de introdução à programação visual.
Contudo, resgatando as menções feitas na introdução desse tópico, quer-se frisar que a abordagem desse tema deve ocorrer contextualizada nas manifestações concretas da linguagem. Pois, normalmente, quando esse assunto é tratado estritamente nos seus aspectos formais e abstratos, ele se torna maçante e desinteressante para o aluno, que não entende o seu sentido. Porém, quando o aluno identifica os “truques” que os desenhistas utilizam para criar efeitos de movimento e profundidade espacial nas histórias em quadrinhos e que aqueles e outros efeitos são também utilizados na arte, distinguindo os estilos das diversas tradições, épocas e artistas, o entendimento desses aspectos torna-se mais efetivo e interessante.”

“Canal
- Exploração dos materiais e das técnicas tradicionais (desenho, pintura, gravura, escultura), inclusive o aprendizado sobre a fabricação de tintas e de outros materiais.
- Pesquisa de novos suportes e materiais pela apropriação de elementos do cotidiano e reciclagem.
- Exploração dos recursos das novas tecnologias.

A parede da caverna pintada com terra e gordura animal na pré-história, o corpo pintado e adornado com penas de aves de várias cores, como fazem diversas culturas indígenas brasileiras, são exemplos dos múltiplos materiais e suportes da linguagem visual.
A invenção do papel, das técnicas de impressão (xilo, calco, litogravuras) e posteriormente da prensa de Gutemberg são tecnologias que revolucionaram e ampliaram as possibilidades de construção e veiculação de textos e imagens, tal como provocaram o surgimento da fotografia, do cinema, da televisão e da informática.
Na arte ocidental, os artistas e as academias do passado elegeram certos materiais e suportes como exclusivos, caso especial da tinta a óleo sobre tela, enquanto os artistas modernos e contemporâneos demoliram esses cânones, anexando à arte toda a sorte de materiais e suportes, desde os mais rústicos às tecnologias de ponta.
Em suma, por causa de sua dimensão estética (sensorial) na linguagem e nas artes visuais, a relação entre código, materiais e suportes é muito estreita. Embora configurem temas específicos, esses conteúdos só são efetivamente compreendidos nos usos culturais e históricos das imagens.

Contexto

Do texto da obra
Para representar a aparência física de uma casa, o registro fotográfico ou o desenho em perspectiva são excelentes estratégias. Porém, para construir essa mesma casa, o mestre-de-obras precisa de uma planta baixa, desenho sem qualquer efeito de perspectiva que mostra a exata posição e a medida de cada um de seus cômodos.
Portanto, não existe um modo de representação superior a outro. Ao contrário, os estilos mudam de acordo com sua função, ou seja, o contexto e as intenções de cada obra. É assim nos usos cotidianos e profissionais da linguagem (arquitetura, sinalização, “design” de moda, publicidade, etc.), bem como na arte.
Por isso, é dito que os estilos artísticos representam “visões de mundo”, isto é, diferentes intenções e valores ligados a convicções e necessidades espirituais, políticas, econômicas e sociais das diversas culturas e épocas.

Do aluno, do professor, da escola, da comunidade

A cultura de uma nação estrutura-se na interligação de inúmeras microculturas relacionadas a diferenças regionais, sociais, econômicas, dos papéis sociais (masculino, feminino, transgênero), das referências étnicas, religiosas e também de idade.
Os jovens articulam uma cultura própria. Embora dirigida a eles, a escola costuma negligenciar esse repertório cultural presente nas diversas linguagens
(verbal, visual, musical, corporal e suas mixagens).
No campo da linguagem visual, isso é perceptível nos modos de vestir, nas estampas das camisetas, das capas dos cadernos, dos CDs, nas imagens dos vídeoclipes, nas histórias em quadrinhos, nos grafites urbanos, entre outros exemplos.”


Atividades de sala

1 – UEL
C4 – H14

Observe a imagem a seguir:


Sobre a obra, é correto afirmar:
a) A composição se assenta numa sucessão de figuras claras e escuras geradoras de um ritmo visual.
b) Estrutura-se a partir de pinceladas livres e formas fluidas e orgânicas criadas ao acaso.
c) Representa estados de agitação interior do artista por meio de formas distorcidas e facetadas.
d) Revela uma gestualidade espontânea e improvisada do artista, diretamente relacionada a seus estados de espírito.
e) Apresenta uma completa desestruturação das formas e da relação figura-fundo.

Gabarito: A

2 – UEM (adaptada)
C4 – H14

“À medida que a técnica e depois a tecnologia invadiram os meios de produção, acabaram provocando também o surgimento de novas formas artísticas nas quais foi ultrapassada a rígida separação entre obras de arte e objetos produzidos com a interferência de máquinas.”
PROENÇA, Graça.  História da arte.  São Paulo: Ática, 2007, p. 365.

Considerando esse texto, assinale a alternativa correta.

a)    O desenvolvimento tecnológico teve pouca influência sobre o surgimento das vertentes musicais denominadas concreta e eletrônica, de meados de 1940.
b)    O cinema e a fotografia são exemplos expressivos desse relacionamento entre arte e tecnologia, ainda que ambos, pela capacidade de serem reproduzidos de forma ilimitada e pela relação íntima com o entretenimento simplesmente, sejam alvo de severas críticas de muitos que não os consideram arte.
c)    Desde seu surgimento, o cinema tem sofrido poucas transformações tecnológicas.
d)    O desenvolvimento tecnológico explorado por compositores, como Pierre Schaeffer e K. Stockhausen, influenciou muitos músicos eruditos. Por outro lado, músicos populares ignoraram por completo essas experiências.
e)    Na produção artística das artes visuais dos séculos XX e XXI, encontramos certa influência da tecnologia, ainda que circunscrita a ambiente digitais como o design.

Gabarito: B

3 – UEL

Falamos de “Arte Engajada” quando queremos nos referir à produção dos artistas que assumem, diante da sociedade, uma postura política e, muitas vezes, partidária. Neste contexto, surgiram os Clubes de Gravura, entre as décadas de 1940 e 1950, especialmente no estado do Rio Grande do Sul, em Bagé e depois em Porto Alegre; no estado de São Paulo, em São Paulo e em Santos; e no estado de Pernambuco, em Recife. Tais clubes tomavam como temática o trabalho, o trabalhador e as diferenças das condições sociais da população. As gravuras e as ilustrações em jornais, revistas e livros eram os meios que dispunham para a difusão de suas idéias.
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, indique a alternativa que contém as imagens que fazem parte deste contexto.





a) I e II.
b) II e III.
c) III e IV.
d) I, IV e V.
e) II, IV e V.

Gabarito: D

4 – Unicamp

Analise as duas obras cujas reproduções foram fornecidas, discorrendo sobre suas similaridades e diferenças (uso da cor e da pincelada, função da cor e do desenho, relação figura e fundo, etc.)


Gabarito: 

Em relação às duas obras, podem ser destacadas como semelhanças: as cores artificiais, o descompromisso com a reprodução fiel da realidade, a perspectiva rudimentar. Por outro lado, as disparidades são as cores mais vivas do primeiro, o número menor de detalhes do primeiro, a abordagem cubista do segundo frente ao fauvismo aparente do primeiro.