quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Atualidades - 2012 - EM e PV - Lista 17


Caras e caros,

Boa noite, espero que todos vocês tenham a tido um excelente recesso. Eis a nossa décima sétima coletânea feita com um foco especial nas questões em torno da Olimpíada de Londres 2012 como o os casos de atletas expulsos por atitudes preconceituosas, pelas suspeitas de dopping, pela luta pela hegemonia olímpica entre China e EUA que traduz outro conflito de caráter geopolítico entre essas potências. Em função da importância desses assuntos, os sete textos serão obrigatórios para todas as séries do Ensino Médio.

Abraços e boa leitura,

Professor Estéfani Martins
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1 - 1ª anos, 2º anos, 3º anos e PV
Sobre a cegueira de uma sociedade

Massacre no Colorado: O debate sobre o controle de armas
José Renato Salatiel
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

O atentado que matou 12 pessoas nos Estados Unidos reabriu, em ano eleitoral, a discussão sobre o comércio de armas no país. James E. Holmes, 24 anos, atirou contra o público de um cinema na cidade de Aurora, no Estado do Colorado, no dia 20 de julho, durante a sessão de pré-estreia do novo filme do Batman. Outras 58 pessoas ficaram feridas.
Ele comprou seis mil balas pela internet e o arsenal (duas pistolas Glock e um rifle AR-15) em lojas no Colorado. Tudo adquirido legalmente.
Os Estados Unidos são um dos poucos países desenvolvidos onde a venda de armas é irrestrita à população. O porte de arma é um direito garantido pela Segunda Emenda da Constituição. O texto diz: "Sendo necessária à segurança de um Estado livre a existência de uma milícia bem organizada, o direito do povo de possuir e usar armas não poderá ser impedido".
A Suprema Corte decidiu, em 2008, que essa emenda constitucional permite que qualquer cidadão mantenha em casa uma arma de fogo carregada para se proteger. É comum, principalmente em estados mais conservadores e rurais, que famílias tenham armas em casa. O próprio país e identificado por sua cultura bélica, retratada em filmes de Hollywood.
Na política, o Partido Democrata apoia o controle da venda de armas, com o argumento de que isso impediria ataques como o ocorrido no Colorado. Hoje, nenhuma empresa é obrigada a comunicar ao governo a compra de milhares de balas, como o fez o atirador do cinema.
Já o Partido Republicano é contrário à proibição. Os republicanos entendem que os cidadãos têm o direito de se defenderem. Além disso, desconfiam da correlação entre venda de armas e os massacres cometidos nos últimos anos. Citam, por exemplo, o caso do atirador da Noruega, país com legislação de armas bem mais rigorosa que a americana e que, nem por isso, impediu a morte de 77 pessoas.
Nos últimos dias, o debate predominou em jornais e TVs dos Estados Unidos. Apesar disso, os governantes evitaram o assunto polêmico, de olho nas eleições presidenciais de novembro. Tanto o presidente Barack Obama quanto o pré-candidato republicano Mitt Romney se esquivaram do tema.
O lobby dos fabricantes de armas é um dos mais fortes no país. A última lei de controle de armas foi aprovada no Congresso em 1994, durante o governo do democrata Bill Clinton. A lei proibia o uso das chamadas ?armas de assalto?, como rifles AR-15 e pistolas semiautomáticas. O veto, contudo, expirou em 2004, no mandato do republicano George W. Bush.

Proteção
Desde então, a legislação permaneceu inalterada, mesmo com os sucessivos casos de ataques a escolas e outros locais públicos. Um dos mais famosos aconteceu em 20 de abril de 1999 na escola Columbine, também no Colorado, e vitimou 15 pessoas.
O mais violento ocorreu em 16 de abril de 2007, quando 33 pessoas foram assassinadas por um aluno na universidade Virginia Tech. Em 8 de janeiro de 2011, um tiroteio em Tucson, no Arizona, deixou seis mortos e 20 feridos, entre eles a congressista Gabrielle Giffords, do Partido Democrata.
Depois desse atentado contra a congressista, houve uma nova ofensiva dos grupos que apoiam o controle. Mas nenhuma lei nesse sentido foi aprovada, principalmente porque os políticos não querem contrariar os eleitores.
Uma pesquisa do Instituto Gallup apontou, no ano passado, que 73% dos americanos eram contrários à proibição da posse de armas de fogo por pessoas que não sejam policiais ou que não tenham autorização especial. Um total de 26% de americanos foi favorável ao veto.
O índice de americanos que se dizem favoráveis à restrição da venda de armamentos vem caindo nas duas últimas décadas: eram 78% em 1990, 62% em 1995, 51% em 2007 e 44% em 2010.
Em 2005, uma pesquisa nacional do Instituto Gallup indicou que 4 em cada 10 americanos possuem uma arma de fogo em casa, incluindo 30% que disseram ter uma arma de uso pessoal. Quanto aos motivos, 67% alegaram defesa contra crimes, 66% prática esportiva e 41% caça.
Estima-se que, em 2009, havia 300 milhões de armas nas mãos de civis nos Estados Unidos, que possui uma população de 308 milhões de habitantes.

Brasil
No Brasil entrou em vigor em 2003 o Estatuto do Desarmamento, uma lei federal que tornou mais severa a regulamentação da posse e da comercialização de armas de fogo e munição. Foi também realizada a Campanha do Desarmamento, incentivando pessoas a entregarem armas de fogo à Polícia Federal, em troca de indenizações.
O Estatuto proíbe o porte de armas por civis, a não ser que seja provada a necessidade do uso. Neste caso, o cidadão deve ainda se submeter a exame psicotécnico. A autorização provisória é emitida pela Polícia Federal ou pelo Exército.
A compra, de acordo com o Estatuto, só pode ser feita mediante a concessão do porte e por maiores de 25 anos. O porte ilegal de arma também foi transformado em crime inafiançável.
O governo brasileiro fez um referendo popular em 23 de outubro de 2005, consultando a população a respeito da proibição da venda de arma de fogo e munição. O resultado foi 63,94% de votos contrários e 36,06% favoráveis à proibição.

DIRETO AO PONTO
O atentado que matou 12 pessoas nos Estados Unidos reabriu a discussão sobre o comércio de armas no país. James E. Holmes, 24 anos, atirou contra o público em um cinema na cidade de Aurora, no Estado do Colorado, no dia 20 de julho. Cinquenta e oito pessoas ficaram feridas.

O atirador comprou legalmente seis mil balas pela internet e as armas em lojas no Colorado. Nos Estados Unidos o comércio e o porte de armas são permitidos. A Segunda Emenda da Constituição dá ao cidadão o direito de ter armas de fogo. Quatro em cada dez americanos possuem armas em casa.

A última lei de controle de armas foi aprovada no Congresso em 1994, durante o governo do democrata Bill Clinton. O veto, contudo, expirou em 2004, no mandato do republicano George W. Bush.

Em ano de eleições presidenciais, os políticos evitaram tratar a polêmica do controle de armas, que dominou debates nos jornais e TVs do país após o massacre. De acordo com o Instituto Gallup, 73% dos americanos são contrários à proibição e apenas 26% favoráveis.

No Brasil, o Estatuto do Desarmamento proíbe o porte de armas por civis. A compra só pode ser feita mediante a concessão do porte e por maiores de 25 anos. A posse ilegal de armas é um crime inafiançável.
 José Renato Salatiel é jornalista e professor.

Bibliografia
Tiros em Columbine (2002): documentário de Michael Moore que discute, após os atentados de Columbine, a cultura das armas de fogo nos Estados Unidos.

O Senhor das Armas (2005): filme baseada na história do traficante de armas Yuri Orlov (Nicolas Cage), que vendia armamentos para países em guerra e ditadores.

2 - 1ª anos, 2º anos, 3º anos e PV
Guerra civil síria?

Crise na Síria: Atentado aumenta tensão em Damasco
José Renato Salatiel
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Os conflitos na Síria agravaram-se nesta semana com a chegada de forças rebeldes à capital Damasco e a morte de autoridades do primeiro escalão do governo. Quase um ano e meio após o início das manifestações pró-democracia, mais de 10 mil pessoas já morreram em confrontos que a Cruz Vermelha classifica agora como guerra civil.
ONU tenta negociar uma saída diplomática para a crise. Porém, todas as propostas de sanções para forçar a renúncia do presidente Bashar Al Assad foram emperradas pela Rússia, que tem poder de veto no Conselho de Segurança.
Os protestos na Síria começaram em 15 de março de 2011, na sequência de revoltas conhecidas como Primavera Árabe, que derrubaram ditadores na Tunísia e no Egito. Na época, os sírios manifestaram-se contra a prisão e tortura de estudantes que grafitaram um muro com críticas ao regime de Al Assad.
A repressão do Exército só aumentou a revolta da população. O governo fez algumas concessões, como o fim do estado de emergência, que vigorava há 48 anos, e a aprovação de uma nova constituição. Mas os manifestantes, que no começo pediam democracia, passaram a exigir a renúncia do presidente, há 11 anos no poder.
A oposição ao regime organizou-se em duas frentes principais: o Conselho Nacional Sírio (CNS), ligado ao fundamentalismo islâmico, e o Exército Livre da Síria (ELS), braço armado composto por militares desertores.
O Exército passou a usar artilharia pesada contra o povo, promovendo massacres. Em maio, mais de 100 pessoas foram mortas na cidade de Houla, a maioria mulheres e crianças. Na semana passada, outras 200 morreram em um ataque militar à aldeia de Tremseh.
A ONU estima em mais de 10 mil o número de mortos, enquanto ativistas de direitos humanos calculam 17 mil.
No dia 15 de julho, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha declarou que o país se encontra em guerra civil. Com isso, passa a valer a Convenção de Genebra, tratado que garante a proteção dos civis e possibilita a abertura de processos por crimes contra a humanidade.
No dia 18, um atentado em Damasco matou o ministro da Defesa e outros dois generais que compunham a cúpula de segurança do ditador (um deles cunhado de Al Assad). O ataque, reivindicado pelo ELS, causou as primeiras mortes de autoridades do regime.

Diferenças étnicas
O que torna a crise na Síria mais difícil, em relação aos outros países afetados pela Primavera Árabe, são as diferenças étnicas e religiosas. A população de 23 milhões de habitantes divide-se em uma maioria sunita (74%) e minorias alauítas (12%), cristãos ortodoxos (10%) e drusos (3%).
Durante séculos, os sunitas formaram a elite política, econômica e militar do país. Em 1960, contudo, golpes de Estado colocaram os alauítas no poder. Em 1971, o alauíta Hafez Assad, pai do atual líder sírio, assumiu a Presidência e permaneceu no cargo por 30 anos.
Nesse período, Assad concedeu privilégios às demais minorias étnicas do país – cristãos e drusos –, gerando descontentamento entre os sunitas. No começo dos anos 1980, a ditadura reprimiu de forma violenta protestos organizados pela Irmandade Muçulmana. Temendo novas revoltas, o governo aparelhou as Forças Armadas e o serviço secreto, que hoje reprimem os rebeldes.
O medo de um massacre étnico também explica o porquê do presidente Al Assad se recusar a deixar a Presidência.

Rússia
A situação geopolítica da Síria é outro fator que dificulta uma solução para o caos nas ruas de Damasco. Por que não há uma ofensiva militar como ocorreu, por exemplo, na Líbia, que depôs o líder Muammar Gaddafi em agosto do ano passado?
A Síria, aliada do Irã, é uma das poucas nações árabes que se opõem aos interesses dos Estados Unidos e de Israel no Oriente Médio. Uma intervenção direta de Washington traria mais instabilidade política à região, já conturbada por guerras entre israelenses e palestinos.
Pelo mesmo motivo, o Conselho de Segurança da ONU não consegue aprovar resoluções mais duras contra Al Assad.
A Rússia tem recusado qualquer plano de afastamento do ditador sírio. Não somente por interesses comerciais (contratos bilionários de venda de armamentos à Síria), mas também políticos.
De um lado, países como Estados Unidos, França e Reino Unido querem forçar o governo sírio a aceitar uma proposta de cessar-fogo e a renúncia de Al Assad, que teria como consequência o isolamento do Irã. Do outro, China e Rússia querem manter o presidente, alegando que as razões humanitárias são um pretexto para a hegemonia ocidental no mundo muçulmano.


DIRETO AO PONTO
Os conflitos na Síria agravaram-se nesta semana com a chegada de forças rebeldes à capital Damasco e a morte de autoridades do primeiro escalão do governo, entre elas o ministro da Defesa e o cunhado do presidente Bashar Al Assad.

Os confrontos entre rebeldes e governo começaram em março de 2011, na continuidade da Primavera Árabe. Mais de 10 mil pessoas morreram, segundo a ONU, ou 17 mil, de acordo com ativistas dos direitos humanos. A Cruz Vermelha declarou que o país vive uma guerra civil.

O que torna a crise na Síria mais difícil são as diferenças étnicas e religiosas. Os sunitas, que formam a maioria da população (74%) são governados pela minoria alauíta (12%).

A ONU tenta negociar uma saída diplomática para a crise. Porém, todas as propostas de sanções para forçar a renúncia do presidente foram emperradas pela Rússia, que tem poder de veto no Conselho de Segurança.
 José Renato Salatiel é jornalista e professor.

Bibliografia
A Primavera Árabe: Entre a nova democracia e a velha geopolítica (Leitura XXI): livro de Paulo Fagundes Visentini que discute os desdobramentos das revoltas árabes de 2011.

A Noiva Síria (2004): filme sobre casal de noivos de minoria drusa que vive em lados opostos da fronteira entre Síria e Israel.

3 - 1ª anos, 2º anos, 3º anos e PV
Algumas perguntas sobre doping

4 - 1ª anos, 2º anos, 3º anos e PV
Olimpíadas e meio ambiente

5 - 1ª anos, 2º anos, 3º anos e PV
Os porões dos Jogos

6 - 1ª anos, 2º anos, 3º anos e PV
Paradoxos olímpicos

7 - 1ª anos, 2º anos, 3º anos e PV
Olimpíadas políticas