quarta-feira, 13 de junho de 2012

Atualidades - 2012 - EM e PV - Lista 16


Caras e caros,


Eis a nossa décima sexta coletânea, nesta semana vale nossa atenção à situação das CPMIs do Poder Legislativo e aos depoimentos dos governadores de Goiás e do DF. Além disso, os textos da coletânea que tratam de assuntos abordados em sala em outros tempos como a “ditadura branca” de Putin, o crescimento do neonazismo na Alemanha Oriental, etc.


Abraços e boa leitura,


Professor Estéfani Martins


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1 - 1ª anos, 2º anos, 3º anos e PV
Discussão ampla e interessante sobre tabagismo

2 - 1ª anos, 2º anos, 3º anos e PV
Corrupção, um mal brasileiro?

3 - 1ª anos, 2º anos, 3º anos e PV
Sobre ser multi e inter num mundo plural

4 - 2º anos, 3º anos e PV
Um escolha pragmática, mas não humana

5 -  2º anos, 3º anos e PV
Por uma democracia de verdade

6 - 2º anos, 3º anos e PV
Absurdo
Nazistas prosperam livremente em partes da Alemanha Oriental
Maximilian Popp

A Alemanha prometeu reprimir extremistas de direita após a exposição de uma célula terrorista de extrema direita, no ano passado. Mas nas zonas rurais do Estado da Saxônia, no Leste, os neonazistas permanecem bem estabelecidos nos conselhos locais e continuam a intimidar as pessoas à vontade, sem nenhum impedimento por parte da polícia.
Maio de 2012, Saxônia: na cidade de Bautzen, dois homens agrediram um estudante colombiano, chutando-o e xingando-o. Em Hoyersweda, extremistas de direita cercaram o escritório de um membro do Bundestag, o parlamento alemão, quebrando janelas e atacando um funcionário. Em Limbach-Oberfrohna, neonazistas atacaram um centro de educação alternativa. Em Geithain, um dispositivo explosivo foi detonado em frente à Pizzeria Bollywood, um restaurante de propriedade de um paquistanês.
"O inferno é assim", disse Kerstin Krumbholz, 50, sentada em sua sala em Geithain, uma pequena cidade situada na Saxônia, no Leste da Alemanha. Espalhados sobre a mesa diante dela, estão artigos de jornais sobre neonazistas, propagandas e cartazes que registram o terrorismo de extrema direita que atormenta sua vida cotidianamente. "As pessoas que moram nas cidades não têm ideia do que está acontecendo aqui no interior", diz Krumbholz.
Ela e seu marido se mudaram para Geithain há 19 anos. Eles moravam em Leipzig, que fica em torno de 40 quilômetros de Geithain, mas quiseram que seus filhos crescessem em um ambiente seguro, livre de criminalidade e drogas, e longe dos perigos de uma cidade grande. Lutz Krumbholz é limpador de chaminés profissional, enquanto Kerstin Krumbholz cuida da contabilidade da companhia, e eles compartilham as responsabilidades da educação dos filhos.
Antes, Kerstin Krumbholz não sabia muito sobre o extremismo de direita, nada além do que escutava no noticiário. Coisas como um incêndio na casa que abriga aqueles que pedem asilo ou a entrada do Partido Nacional Democrático (NPD) em alguma câmara legislativa estadual.
Mas aquelas coisas tinham pouco a ver com suas próprias vidas -até que um neonazista feriu o filho dela de uma maneira tão grave que o menino quase morreu. Um extremista de direita atacou Florian, então com 15 anos de idade e membro da turma punk, num posto de gasolina em maio de 2010, fraturando seu crânio. Florian hoje vive com uma placa de titânio na cabeça e mudou-se de Geithain.
Sua mãe não era uma pessoa politizada antes do ataque a Florian, mas agora ela estuda blogs e fóruns na Internet de extrema direita, participa de manifestações e fundou um grupo chamado Iniciativa para que Geithain tenha a Mente Aberta. Krumbholz transformou a batalha contra os neonazistas no trabalho de sua vida –mas é uma batalha perdida aqui nesta zona rural da Saxônia.

"O que está acontecendo na Saxônia é um escândalo"
Sete meses se passaram desde que veio à tona que as autoridades alemãs por anos não souberam da existência de uma célula terrorista de extrema direita que se autodenominava "Nacional Socialismo Subterrâneo" (NSU) que assassinou 10 pessoas, na maior parte, imigrantes turcos, em uma onda de homicídios nacional que foi de 2000 até 2007. Quando este grupo, baseado em Zwickau, Saxônia, foi exposto, os políticos declararam sua intenção de reprimir e extirpar o problema da extrema direita, mas nada de concreto foi feito. "O que está acontecendo na Saxônia é um escândalo", diz Hajo Funke, cientista político em Berlim. Não há outro Estado alemão onde os neonazistas tiveram tanta influência, diz ele, acrescentando que o governo regional estava se recusando a agir contra eles.
Os membros da Iniciativa para que Geithain tenha a Mente Aberta reuniram-se hoje na prefeitura. Krumbholz convidou para o encontro Mohammad Sayal, o proprietário da Pizzeria Bollywood, restaurante local atacado no final de semana anterior. Sayal descreveu a violência que sofreu por parte dos neonazistas nos cinco meses desde que abriu seu restaurante. Na primeira noite mesmo, eles destruíram suas vitrines. Em maio, um grupo de 10 deles apareceu na frente do restaurante, usando máscaras e facas. Eles chutaram a porta, jogaram uma pedra na janela e gritaram "Seu estrangeiro de merda, vamos te pegar. Se você não sair daqui, vamos chutar você". Uma semana depois, um explosivo destruiu o restaurante.
Os assassinatos cometidos pelo NSU permaneceram sem resolução por tanto tempo em parte porque tanto as autoridades quanto o público assumiram que os assassinos vinham do mesmo segmento da sociedade que suas vítimas. Em Geithain, também, muitas pessoas alegam que não foram radicais de direita que atacaram o restaurante de Sayal, mas sim outros paquistaneses, reagindo a discordâncias por dinheiro ou brigas de família.

Neonazistas no conselho da cidade
Na Alemanha Oriental comunista, Geithain era o centro administrativo do distrito rural a sua volta. Esta foi uma região carvoeira, mas hoje apenas cerca de 6.000 moradores vivem em Geithain. A praça da cidade foi agradavelmente reformada desde a unificação, mas suas ruas permanecem vazias. Os jovens em busca de trabalho mudam-se para Leipzig, ou diretamente para o Oeste. Os partidos políticos estabelecidos reduziram sua presença aqui, enquanto os extremistas de direita expandiram sua influência, especialmente desde que o neonazista Manuel Tripp, membro do NPD, entrou para o conselho da cidade, em 2009.
Tripp, 23, estudou em Leipzig e transmite uma imagem de homem que cuida de seus eleitores. O povo de Geithain pode entrar em contato com ele a qualquer hora do dia, por meio de sua página na Web. Ele envia tweets sobre as reuniões do conselho da cidade e publica o "Geithain Mouthpiece", um jornal local com artigos sobre a falta de médicos no Leste da Alemanha, ou sobre o festival anual de caça. Ele trabalha em defesa do zoológico e, junto com outros de seu partido, organiza torneios de futebol e acampamentos onde as crianças podem caminhar pelo campo usando uniformes militares.
Suas verdadeiras motivações, contudo, surgem quando faz declarações que violam a constituição alemã, por exemplo: "O socialismo nacional não pode ser eleito ou implorado. Só pode ser alcançado pelo caminho da revolução". Tripp é uma figura importante na rede de grupos militantes de extrema direita "Free Network"(FN).
A FN surgiu de um grupo de neonazistas, a "Liga de Proteção da Pátria da Turíngia", que também inclui três terroristas do NSU. O ramo da FN da Saxônia é liderado por Maik Scheffer, que também é vice-líder do partido NPD no Estado. Scheffler tem um histórico criminal por dano corporal grave e por posse ilegal de arma.
Junto com Tripp, Scheffler conseguiu, no espaço de apenas alguns anos, estabelecer estruturas neonazistas firmemente enraizadas na região rural entre as cidades de Chemnitz e Leipzig. Ao mesmo tempo, os Kameradschafen estão expandindo sua influência. "Membros da FN estiveram repetidamente por trás de atos de terrorismo na Saxônia", diz Kerstin Köditz, do Partido da Esquerda, que analisa as tendências da extrema direita.
O Estado da Baviera está querendo banir a filial "FN Sul", mas aqui na Saxônia -o mesmo Estado onde o trio de assassinos do NSU pôde ficar por mais de 10 anos sem serem incomodados- o governo está fazendo corpo mole. O ministro do Interior da Saxônia, Markus Ulbig, da União Democrática Cristã, de centro direita (CDU), considera a FN nada mais do que um "portal da Internet", uma espécie de Facebook para nazistas. E o governador Stanislaw Tillich, também do CDU, afirmou que a Saxônia não tem um problema significativo com o extremismo de direita.

"Vai se ferrar, seu turco"
Enquanto Kerstin Krumbholz e outros membros da iniciativa antinazista estão discutindo a violência de extrema direita na cidade de Geithain, uma espécie diferente de reunião está ocorrendo na frente do posto de gasolina Total, nos limites da cidade. Aqui, os jovens estão jogando conversa fora e acelerando os motores dos carros, ouvindo rock neonazista alto e bebendo cerveja. Com o avanço da hora, chegam outros, alguns fazendo a saudação nazista. Se um cliente do posto olhar para eles um pouco mais demoradamente, eles gritam: "Merda de judeu porco, vou te chutar daqui!"
Na escola de ensino médio de Geithain, os extremistas de direita são tidos como os bacanas, os rebeldes. As crianças que rejeitam os neonazistas são recebidas no pátio da escola com "Heil Hitler" ou "Vai se ferrar, seu turco". Algumas das garotas usam filtro solar para desenhar suásticas em sua pele, quando viajam com a escola.
Qualquer um que se oponha a essa ideologia é intimidado e perseguido. Quando o jornalista investigativo alemão Günter Wallraf fez uma leitura em Geithain em abril, os neonazistas gritaram "Mandem Wallraff para a África!", na rua na frente da prefeitura, e fizeram ameaças ao prefeito de Geithain e a um político do Partido da Esquerda. Um padre local respondeu aos extremistas de direita com uma carta aberta e, na manhã seguinte, encontrou os muros de sua igreja cobertos de pichações.
Os neonazistas divulgam online os nomes de seus adversários, com endereços e retratos. Os grupos extremistas de direita que se opõem ao movimento "Antifa", ou antifascistas, são chamados de "Antiantifa". Pois o grupo local antiantifa publicou que as pessoas de esquerda em Geithain podem esperar "medidas disciplinares, telefonemas e danos aos carros". Os neonazistas também anunciaram o ataque a Florian Krumbholz online, usando um vídeo como chamada de violência contra ele: "Os esquerdistas têm nomes, eles têm endereços. Vamos marchar e mostrar nossa força". Poucas semanas antes do ataque, na Sexta-feira Santa de 2010, neonazistas picharam a garagem da família de Krumbholz com "Morte à Frente Vermelha" e "Vamos pegar você, Florian".
O ataque no posto de gasolina durou apenas alguns segundos. As gravações das câmeras de segurança mostram o atacante atingindo Florian no peito, depois socando sua testa. O atacante, Albert R., recebeu apenas uma sentença muito leve em seu julgamento inicial, apesar de ter um histórico criminal considerável. O caso foi para uma corte de recursos, onde ele recebeu uma sentença mais pesada.

Cidadãos sentem-se abandonados pela polícia
Enquanto isso, Albert R. já está enfrentando um inquérito por outro crime: ele e dois amigos são acusados de atacarem um grupo de jovens e jogarem gás lacrimogêneo na cara deles. R. atacou uma das vítimas com uma garrafa de cerveja.
Muitas pessoas aqui se sentem abandonadas pelas autoridades. Nos últimos anos, delegacias de polícia foram fechadas e distritos policiais foram fundidos, e o Ministério do Interior da Saxônia planeja mais cortes. Os registros na polícia criminal do Estado revelam uma atitude de resignação e indiferença entre os policiais.
Um desses registros descreve um ataque por extremistas de direita violentos contra um prédio comercial em Colditz, cidade vizinha a Geithain, há quatro anos. As transcrições das chamadas de emergência mostram que a polícia na Saxônia Ocidental começou a receber ligações dos cidadãos preocupados no final da tarde. À noite, já tinha recebido mais de uma dúzia de chamadas.

19h49, ligação de uma mulher:
- Algo vai acontecer em Sophienplatz, em Colditz".
- O que está havendo?
- Tem um monte de homens mascarados aqui.
- E daí?
- Estão chutando tudo até quebrar.

19h51, ligação de um homem:
- Há mais de 50 pessoas aqui em Sophienplatz, Colditz, usando máscaras.
- E por que o senhor está ligando?
- Porque esses caras aqui estão chutando um prédio, batendo nas coisas, jogando explosivos.

20h04, chamada de uma mulher:
-Eles destruíram tudo em Sophienplatz. E eles também queriam colocar fogo em alguma coisa aqui no clube de jovens, pelo menos foi o que ouvi.
- Bem, se você observar danos, você pode vir para a delegacia de polícia a qualquer momento para dar queixa.

20h43, chamada de uma mulher:
- Olha, liguei antes e preciso da polícia aqui. Já pedimos a vocês para enviar alguém.
- Sim, mas não há ninguém disponível.
- Por favor, por favor, envie alguém.

20h44, chamada de um homem:
- Eles bateram nas janelas quatro vezes já.
- E o que o senhor espera que eu faça? Devo ir e ficar na frente das janelas, ou o que?

Poucas pessoas ousam confrontar os neonazistas em Colditz. Uwe L., por exemplo, vendedor de aparelhos eletrônicos, fez uma tentativa ao fundar a "Aliança Contra a Extrema Direita", que organizava shows. Mas os neonazistas atacaram sua loja várias vezes, quebraram as vitrines, destruíram as paredes, danificaram seu carro e ameaçaram seu filho. L. Desistiu. "Eu não teria sobrevivido, financeira e psicologicamente", diz ele.

"Os neonazistas já controlam tudo"
O NPD também tem assentos no conselho da cidade de Colditz. Extremistas de direita estão envolvidos em uma associação que apoia o ensino médio. Eles também ajudam a administrar um clube de futebol e um clube de canoagem. O clube de jovens local é dirigido pelo filho do prefeito, junto com um famoso neonazista. Os pais aparecem nos festivais usando camisetas com lemas como "Viagem cênica de trem para Auschwitz". Frank Hammer, que trabalha para uma organização chamada "Aconselhamento móvel contra o extremismo de direita", diz: "As coisas estão calmas nesta região. Mas apenas porque os neonazistas já controlam tudo".
Quando Geithain celebrou seu 825º aniversário em junho, a prefeita Romy Bauer (CDU) deu aos neonazistas permissão para montarem uma barraca no festival. Tripp e seus colegas distribuíram pedaços de bolo, instalaram uma roda da fortuna e marcharam na frente da parada. Se ela tivesse se recusado a dar licença, a violência poderia ter irrompido durante o festival, disse Bauer. A prefeita também recusou-se a participar na manifestação contra a extrema direita organizada pela Iniciativa para que Geithain tenha a Mente Aberta.
Os que tentam combater o extremismo de direita na Saxônia reclamam de falta de apoio. Kerstin Krumbholtz tem dificuldades para encontrar pessoas dispostas a participar de sua iniciativa, que no momento tem apenas oito membros. Quando organizaram um festival contra o extremismo de direita no ano passado, conta Krumbholz, eles não encontraram uma única padaria em Geithain disposta a vender-lhes bolo para o evento.
Após o fim do encontro da iniciativa, Krumbholz acende um cigarro com as mãos trêmulas, na rua na frente da prefeitura. Memórias do ataque contra seu filho ainda a perseguem. Ainda assim, até hoje, nenhum dos vizinhos levantou o assunto com ela. Não houve uma palavra de simpatia, nem uma palavra de remorso. Todos em Geithain, diz Krumbholz, agem como se o ataque nunca tivesse ocorrido.
Krumbholz seca as lágrimas e pensa alto: "As pessoas têm que morrer para alguma coisa mudar por aqui?"

Tradutor: Deborah Weinberg

7 - 3º anos e PV
As contradições da "democracia" russa
Enquanto Putin endure regras contra manifestantes, oposição conquista cada vez mais apoio na Rússia

Agora que ele voltou oficialmente ao comando do seu país, o presidente russo Vladimir Putin está perseguindo vingativamente os seus oponentes. Mas atualmente ele não anda se desentendendo apenas com os diplomatas ocidentais. A colunista social mais famosa de Moscou também está na alça de mira de Putin.
Bozhena, um nome que ela escolheu para si por achar que o seu nome de batismo original, Yevgenia, era muito maçante, é uma heroína inesperada na rebelião contra Vladimir Putin. A administração do presidente possibilitou à Rússia estabilidade e crescimento econômico – bem como fama e fortuna para a própria Bozhena (que significa "A Divina"). Ela, que é a mais famosa colunista social especializada em fofocas de Moscou, escreveu durante vários anos para o jornal governista "Izvestia", foi modelo de propagandas de lingeries e teve relacionamentos com indivíduos ricos e bonitos da Rússia.
"Eu tinha casos amorosos para me entreter", explica ela no bar de um hotel de luxo de Moscou. "Foi quando eu acordei para o fato de que o Kremlin está em meio a um processo que tem como objetivo destruir a Rússia".
Bozhena está usando um conjunto esportivo tão comum que faz com que se tenha a impressão de que ela se cansou dos colares de pérolas e dos vestidos sofisticados. Até recentemente, ela estava romanticamente envolvida com uma oligarquia cujo passado encontra-se enraizado na KGB e que tem influência sobre a indústria metalúrgica da Rússia. Nos círculos da alta sociedade de Moscou, ela era conhecida pelo apelido "kitten" ("gatinha"). O apelido dava a entender que esta mulher pequena era bonita, fofa e – caso fossem ignoradas todas as fofocas que ela escrevia sobre que roupas os novos ricos estavam usando – completamente inofensiva.
Mas recentemente Rynska comparou Putin e os seus aliados a nazistas no seu blog, cujo título pode ser traduzido como "Cão Agressivo". Ela inseriu no blog uma foto que mostra um policial russo arrastando uma manifestante de 18 anos de idade enquanto a imobiliza com uma gravata. Ao lado desta foto ela publicou outra mostrando soldados nazistas enforcando uma mulher na União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. Sob as imagens, ela escreveu a frase: "Eu estava apenas cumprindo ordens".
A trajetória de Rynska de garota glamourosa a oponente de Putin ilustra bem como os políticos russos se radicalizaram desde que Putin retornou ao Kremlin no início de maio. O escritor Igor Malyshev fala desdenhosamente sobre "um emparelhamento sadomasoquista de um governo destrutivo e de uma oposição repleta de indivíduos inúteis".
Setores da oposição desejam derrubar o recém-eleito Putin, assim como foi feito com líderes de outros países durante a Primavera Árabe do ano passado e a Revolução Laranja de 2004 na Ucrânia. Os oposicionistas anunciaram uma manifestação maciça para esta terça-feira (12), o feriado nacional da independência russa.

A contrarrevolução de Putin
A equipe de Putin não tem perdido tempo. Logo após a posse do novo presidente, no dia 7 de maio, ela iniciou uma genuína contrarrevolução. O porta-voz de Putin afirmou que, em vez de manifestar qualquer simpatia pelos manifestantes, o que se deve fazer é "esmagar os fígados deles no asfalto". Na semana passada, o partido de Putin, o Rússia Unida, que possui a maioria no parlamento, apresentou um projeto de lei para aumentar as multas a serem pagas por pessoas que participem de manifestações não autorizadas de 5.000 para 300 mil rublos (7.400 euros, ou US$ 9.300). Além do mais, basta que um manifestante ajude a bloquear o trânsito de veículos ou use uma máscara para ser condenado. Putin transformou rapidamente o projeto em lei, que foi assinada por ele na última semana.
O Ocidente está indignado. Andreas Schockenhoff, o comissário para a cooperação alemã-russa da chanceler alemã Angela Merkel, condenou a nova lei, e uma comissão do Conselho da Europa declarou: "A atividade dinâmica da sociedade russa deveria ser utilizada para a implementação de reformas em vez de ser suprimida".
Putin tem perseguido obstinadamente figuras proeminentes da oposição. Em dezembro do ano passado, Rynska foi temporariamente detida por participar de uma manifestação não autorizada de protesto contra uma suposta fraude eleitoral nas eleições parlamentares. "Da próxima vez eu talvez leve um prego comigo para arranhar os olhos dos policiais", escreveu Rynska na época no seu blogue, acrescentando que quem mexesse com ela seria estraçalhado "como se por um cão de ataque". No início de junho, essa manifestação pública de ira fez com que Rynska fosse submetida a uma investigação judicial preliminar sob a acusação de ter possivelmente "insultado uma autoridade pública". Caso for considerada culpada, ela poderá ser condenada a até um ano de prisão.
As autoridades governamentais também cancelaram a autorização para que Gennady Gudkov, um membro proeminente do partido oposicionista Rússia Justa, operasse a sua firma de segurança particular depois que ele organizou protestos de rua contra Putin.
Agentes de inteligência também grampearam as comunicações de oponentes de Putin como o defensor de direitos humanos Lev Ponomaryov e o popular blogueiro denunciador de casos de corrupção Alexei Navalny, quando eles se reuniam com diplomatas e políticos importantes do Ocidente, incluindo o ministro das Relações Exteriores sueco Carl Bildt. Pouco depois disso, o jornal "Komsomolskaya Pravda", que é pró-Kremlin, publicou trechos de conversas secretamente gravadas que fazem com que se tenha a impressão de que os oponentes de Putin estavam aceitando dinheiro de organizações ocidentais.
Putin não está mais sequer tentando esconder o fato de que a batalha contra os seus oponentes está sendo travada de uma maneira ilegal. Ele não se importa com o que o Ocidente possa pensar, e não vê problema no fato de os seus serviços de inteligência não só grampearem as comunicações de autoridades importantes da União Europeia, como Bildt, mas também divulgarem o conteúdo das gravações publicamente.
Um dia antes dos planejados protestos, autoridades russas revistaram as casas de vários membros importantes da oposição, incluindo Navalny, o blogueiro que combate a corrupção, segundo anunciou a agência de investigação criminal do país. A ação foi parte de uma investigação de atos de violência contra a polícia ocorridos durante uma manifestação no dia 6 de maio.

Acusações fabricadas
Rynska acha que não faria sentido a oposição e o governo negociarem. "O desejo do outro lado sempre é o de nos espancar com um cassetete", diz ela. Na semana passada, ela deixou Moscou e viajou para um festival de cinema na cidade de Sochi, no Mar Negro. A resposta de Rynska ao processo aberto contra ela foi publicar o texto da acusação no seu blog.
Além do mais, Rynska não tem medo de deixar que outras pessoas fiquem sabendo de todas as características da Rússia de Putin que a incomodam. Rynska certa vez contou como ela – sim, ela, a divina – teve que esperar na fila durante seis longas horas para pegar alguns pacotes em uma agência de correios de Moscou. Ela escreveu que "não havia cadeira, nem ar", mas apenas "um único e lento funcionário". Segundo Rynska, ela primeiro colocou os braços em torno do guarda uniformizado, e depois pediu que alguns homens que estavam na fila o imobilizassem enquanto ela mesmo pegava os pacotes. "Em uma hora nós resolvemos o problema", diz ela.
A resistência contra o Estado autoritário começou a aumentar nas províncias russas. Na remota cidade siberiana de Irkutsk, um furioso comandante de uma aeronave da companhia aérea estatal Aeroflot usou os alto-falantes de bordo para informar aos passageiros que a decolagem não poderia ocorrer no horário programado porque ele estava sendo obrigado a esperar o embarque do arrogante governador. Já em uma cidade no interior da Rússia, os moradores usaram troncos de árvores para bloquear uma rua por não suportarem mais o barulho, os engarrafamentos constantes e a poluição.
Enquanto isso, policiais denunciaram abertamente a forma como os seus superiores os obrigam a fabricar acusações e a engajar-se em práticas de corrupção. Durante o seu tempo livre, os médicos organizam campanhas para a arrecadação de verbas para a aquisição de equipamentos, já que os seus superiores estão desviando as verbas públicas destinadas a isso para os seus próprios bolsos.
Durante a abertura do festival de cinema em Sochi, os participantes enviaram uma mensagem ao governo ao escolherem uma imagem que incluía Bozhena Rynska como a fotografia do dia. Nela, Rynska está caminhando sobre um tapete de boas vindas, usando um vestido azul-claro, enquanto policiais sorridentes, usando camisas brancas de manga curta, a observam atentamente.
Mas se a Divina participar dos protestos contra Putin nesta terça-feira, ela lidará com policiais de um tipo inteiramente diferente. Os policiais que ela enfrentará serão musculosos, estarão usando capacetes pretos e empunhando cassetetes.

Tradutor: UOL