sábado, 12 de maio de 2012

Gêneros textuais: fronteiras - crônica, conto ou poema?


O tubista

Numa manhã, dessas meio bestas, meio úmidas
Ouço sem cerimônias uma banda tocar
No meio disso
Lembro da tuba
Do bombardão
.
.
.
Experimento uma cosmovisão
Que entrega
Que desapego
Apresento-lhes: o tubista

Grande homem dos bastidores das bandas, das filarmônicas, das sinfônicas e de tudo quanto há de aglomerados mais ou menos inspirados de músicos. Nesses grupos, não se vê a tuba esmerando-se em solos, em estripulias sonoras egoístas, porque o lugar dela é ou parece ser no pano de fundo das orquestras, esquecida em sua gravidade.
Além desses atributos capuchinhos, sobre o tubista, especialmente aos mais modestos em suas posses, ressalto a arte imprescindível de fazer caber esse generoso instrumento em seus carros populares, quem sabe até equilibrando-se em motonetas, motocas e lambretas, mas nesse quesito destaco com honrarias os tubistas que usam o transporte coletivo, os ônibus, os metrôs para tão nobre e distinta locomoção... Que devoção à música! Que odisséia apaixonada pela coadjuvância! Tubista - este devotado - esquecido pelo jazz, eclipsado pelo trompete, pelo sax, até mesmo pela suave e tímida clarineta. Quem são os grandes tubistas da história que minha ignorância, quem sabe, não me deixa ver? Quais são as peças musicais que os tornaram eternos? Quem foi seu Chopin, seu Coltrane, seu Moacir Santos? Tantas perguntas intrigantes, até revoltantes, mas em meio a isso tudo fica a pergunta maior, a mais incômoda para muitos: o que é mesmo uma tuba?

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