sexta-feira, 11 de maio de 2012

Atualidades - 2012 - EM e PV - lista 12


Caras e caros,

Eis mais uma lista, agora muito associada aos tempos soturnos vividos pelos europeus. Destaco também, a questão vergonhosa da violência contra mulheres no Brasil ainda ser algo preocupante: o “país do futuro” ainda parece desgraçadamente preso ao passado.

Abraços e boa leitura,

Professor Estéfani Martins
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1 - 1ª anos, 2º anos, 3º anos e PV
A “desinstrumentação” do preconceito

2 - 1ª anos, 2º anos, 3º anos e PV
Para repensarmos prioridades e projetos

3 - 1ª anos, 2º anos, 3º anos e PV
Triste tradição brasileira

4 - 2º anos, 3º anos e PV
Feminismo estatístico?

Escassez de mulheres pode mudar relação entre os sexos
Freakonomics
Stephen J. Dubner and Steven D. Levitt *

Nós pedimos recentemente aos nossos leitores que enviassem perguntas a Mara Hvistendahl, uma colaboradora do nosso podcast "Freakonomics Radio" e autora do livro "Unnatural Selection: Choosing Boys Over Girls, and the Consequences of a World Full of Men" ("Seleção Não Natural: Escolhendo Meninos em Detrimento das Meninas, e as Consequências de um Mundo Repleto de Homens"). Nas linhas abaixo, Hvistendahl responde a algumas das suas perguntas. Obrigado a todos os que participaram.

Pergunta: Embora haja certas desvantagens em uma escassez de mulheres - como por exemplo, os homens começarem a agir violentamente e se meterem em encrencas -, a desigualdade populacional entre os sexos não contribuiria também para melhorar a situação das mulheres em culturas que historicamente resistem a proporcionar a elas um patamar de igualdade na sociedade? Em tese, as mulheres dessas culturas deveriam agora ser capazes de exigir padrões mais sofisticados de comportamento por parte dos homens durante o namoro e, assim que elas se casassem, a ameaça de divórcio deveria assegurar que os maridos delas se comportassem melhor. É claro que a carência de trabalhadores é também um dos pré-requisitos econômicos para a escravidão, de forma que eu suponho que uma escassez de mulheres tenha consequências positivas e negativas.
Resposta: Você acaba de abordar a questão central para os economistas interessados na proporção numérica entre os sexos. Pouco após os países asiáticos terem anunciado que estavam presenciando um desequilíbrio da proporção entre os sexos, no momento do nascimento, na década de oitenta, as autoridades começaram a especular sobre como esse fenômeno afetaria o status da mulher na sociedade. Um grupo de especialistas acreditou naquilo que você descreveu na sua pergunta – que o valor das mulheres aumentaria à medida que elas se tornassem escassas. Mas outros observaram que a lei da oferta e da demanda não funciona muito bem em se tratando de pessoas. Esses indivíduos argumentaram que a questão central não dizia respeito à escassez, mas sim à autonomia das mulheres. Para que o status de uma mulher melhorasse de maneira significativa, ela teria que exercer controle sobre o seu próprio corpo. E, em muitas sociedades, as mulheres carecem totalmente de autonomia, o que significa que existe o risco de que alguém – um traficante de seres humanos, ou mesmo os próprios pais – tentasse explorá-las quando elas se tornassem escassas (conforme você observou, isso também se aplica aos casos de escassez de mão-de-obra. Os patrões poderão não se dar ao trabalho e elevar os salários, se em vez disso eles puderam escravizar os trabalhadores).
Agora que a primeira geração modelada pela seleção sexual se tornou adulta, ficou óbvio que o segundo grupo de economistas é que estava certo. As mulheres nascidas nas áreas geográficas nas quais existe maior desproporção entre os sexos - geralmente as áreas urbanas de classe alta e média – contam agora com um pouco mais de poder de barganha na hora de escolher um marido. Mas as mulheres das regiões mais pobres encontram-se em uma situação consideravelmente pior devido a esse desequilíbrio.
À medida que aumenta a demanda por mulheres, os países asiáticos presenciam um aumento acentuado da compra de noivas, do tráfico sexual e dos casamentos forçados. Na Coreia do Sul e em Taiwan, as chamadas "agências de casamento" ajudam homens solteiros a encontrar esposas durante viagens de uma semana ao Vietnã (essas empresas são semelhantes às agências ocidentais de "encomenda de noivas", mas a quantidade delas é bem maior). E, segundo o último Relatório dos Estados Unidos sobre o Tráfico de Seres Humanos, a diferença entre o número de homens e o de mulheres na China é uma das causas do tráfico de seres humanos na região.

Pergunta: Nós escutamos com frequência notícias da Índia sobre terríveis brigas entre famílias devido ao tamanho (e ao conteúdo) do dote de casamento fornecido pela família da noiva à família do noivo. Como haverá uma demanda maior por mulheres em certas partes do país, você prevê que as famílias das noivas não terão mais que fornecer dotes tão grandes – ou talvez até mesmo não tenham que fornecer dote algum? Seria possível que fosse a família do noivo que passasse a pagar o dote devido ao desequilíbrio demográfico entre os sexos?
Resposta: Essa é uma pergunta inteligente. Vários sociólogos indianos que eu entrevistei mencionaram que talvez o único aspecto positivo desse desastre seja o fato de os dotes estarem diminuindo nos Estados do noroeste da Índia, nos quais a seleção sexual fez com que houvesse muito mais homens do que mulheres. Mas a compra de noivas substituiu o dote, e isso não está longe de ser ideal. As noivas compradas da Ásia são tipicamente muito mais pobres e jovens do que os seus maridos, e elas são geralmente adquiridas em outros países ou regiões, de forma que elas chegam sem falar a mesma língua que os maridos. Na Índia, bem como em outros países nos quais a compra de noivas está aumentando, são comuns os casos de abusos cometidos contra a mulher. Ativistas sul-coreanos e taiwaneses chegaram até a criar abrigos para essas esposas estrangeiras que são vítimas de abusos.
E o dote ainda persiste simbolicamente no noroeste da Índia. Um sociólogo me disse que os moradores locais simplesmente adaptaram-se aos novos tempos. Um homem pode oferecer aos pais da mulher que ele está comprando um pouco mais de dinheiro – e depois os pais dela lhe devolvem o dinheiro na forma de dote.

* Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são autores do livro "Freakonomics: O Lado Oculto e Inesperado de Tudo que nos Afeta" e de "Super Freakonomics: Resfriamento Global, Prostitutas Patriotas e Por que os Homens-Bomba Deveriam Fazer Seguro de Vida". Esse artigo foi adaptado de um episódio do programa "Freakonomics Radio".
Tradutor: UOL


5 - 2º anos, 3º anos e PV
Veja Capital

6 - 3º anos e PV
Austeridade como ruína política

7 - 3º anos e PV
Siga seu esforço, nunca seu sonho
Stephen J. Dubner
Freakonomics

Em janeiro, nós solicitamos perguntas aos leitores de nosso blog Freakonomics para Mark Cuban –o dono do time de basquete Dallas Mavericks e um empreendedor serial e blogueiro. Cuban publicou recentemente um livro eletrônico intitulado “How to Win at the Sport of Business”.
Aqui estão algumas das respostas de Cuban. Ele tem algumas palavras fortes sobre engenharia financeira e, se você ler atentamente, muitos bons conselhos sobre carreira. Meu favorito disparado: “Nunca siga seus sonhos. Siga seu esforço”.
Obrigado, como sempre, a vocês pelas boas perguntas e especialmente a Cuban por dedicar tempo para respondê-las.

P.: Eu amo esportes profissionais, mas não acho que as prefeituras devem pagar a conta por coisas como desfiles de campeões –então parabéns a você por pagar do seu próprio bolso pelo desfile da vitória dos Mavericks no ano passado. Você poderia, por favor, persuadir os demais donos de times a fazerem o mesmo sempre que conquistarem títulos?
R.: Todo mundo deve tomar suas próprias decisões em assuntos como esses.

P.: Eu me formei com uma licenciatura de engenharia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Eu trabalho atualmente em finanças, assim como a maioria dos meus colegas engenheiros da mesma turma. Parece-me uma vergonha que tantos jovens engenheiros bem treinados não estejam trabalhando em tecnologia. Parece inteligência demais sendo gasta em finanças “inovadoras”. Qual é sua posição a respeito? Isto é um problema? Em caso afirmativo, o que deveria ser feito?
R.: Eu concordo com você –é um problema imenso. Nós temos diplomados brilhantes em número excessivo concentrados em “engenharia financeira” em vez de estarem contribuindo de fato para a sociedade. Felizmente, eu acho que veremos em breve um novo imposto e políticas regulatórias implantadas nos Estados Unidos, para reduzir os incentivos para as pessoas entrarem no setor financeiro e dificultar para elas “hackearem” o mercado de ações. Eu espero que essas políticas incentivem você e outros a entrarem em outras disciplinas mais produtivas.
Eu sou favorável ao “imposto Tobin”, que imporia uma taxa sobre muitas transações financeiras visando devolver o mercado de ações ao seu propósito original: levantar capital para o crescimento de empresas de qualquer tamanho. Eu também acho que devemos aumentar os impostos sobre o lucro obtido pelos fundos hedge.
Se conseguirmos devolver o mercado de ações a suas raízes e aumentar o capital disponível para empresas menores, nós também aumentaríamos o número de ofertas públicas iniciais (IPO). Isso não apenas geraria mais fundos para as empresas jovens, como também aumentaria os incentivos para os investidores em estágios iniciais, já que haveria uma maior chance dessas empresas criarem liquidez à frente, por meio de uma IPO.
Atualmente, a abertura de capital é uma oportunidade só disponível para 1% no topo das empresas com grande pedigree e fundos de investimento imensos já disponíveis. Nós precisamos abrir o mercado para as outras 99% que precisam de capital para crescer.

P: Meu pai imigrou para os Estados Unidos nos anos 70. Ele chegou com nada e se saiu muito bem para si mesmo e sua família. Ele sente que os Estados Unidos perderam o rumo, especialmente que os americanos não trabalham tão arduamente como costumavam, ou tão arduamente como as pessoas nas economias emergentes. Ele também acha que os americanos acham que têm direitos demais –que esperam que o mercado de ações permaneça sempre saudável e que o governo sempre cuide deles, mesmo na aposentadoria. Eu discordo totalmente de meu pai. De que lado você está?
R.: Ele está certo. Mas o pai dele também estava, quando ele disse ao seu pai o quanto mais arduamente ele trabalhava. Porém a produtividade aumentou a cada geração. As coisas mudam. Não se esqueça, você nunca vive no mundo em que você nasceu.

P.: O preço do ensino superior nos Estados Unidos parece estar crescendo muito mais rápido a cada ano do que a taxa de inflação. Mesmo durante a atual crise financeira, o preço tem subido de modo geral. Você acha que em breve deixará de ser um bom investimento frequentar uma universidade privada, a menos que você planeje conseguir um emprego em um campo lucrativo (como finanças, ciência da computação, medicina ou economia)? Perguntando de outra forma: meu amigo vai estudar finanças em uma universidade privada que lhe custará US$ 40 mil por ano. Isso é um investimento ruim?
R.: Respondendo sua primeira pergunta –nós já chegamos lá. Nós chegamos a um ponto onde o retorno do investimento em uma determinada universidade tem menos a ver com a qualidade do ensino e mais com a qualidade da rede disponibilizada pela base de ex-alunos da universidade.
Se dependesse de mim, eu limitaria o valor total de crédito estudantil garantido pelo governo federal a US$ 5 mil por aluno, por ano, em dólares de 2012. Se limitássemos a quantia de dinheiro disponível aos estudantes, nós criaríamos várias melhorias neste país. Entre elas:

–As universidades se tornariam mais eficientes, já que teriam que separar a educação de todas as outras coisas das quais se orgulham.
–Nós estimularíamos a economia e ajudaríamos a proteger o futuro para nossos filhos. Eu acho que a maioria das pessoas que olham para o ensino superior americano não percebe que alguém que se forma em uma faculdade não entrará automaticamente em um mercado como um “consumidor maduro”, que pode arcar em alugar um apartamento, comprar um carro, comprar roupas para trabalhar e tudo mais. Em vez disso, nós vemos pessoas se formando em uma servidão por contrato, na qual a meta é evitar gastar para que possam quitar seus empréstimos estudantis.

P: Eu sei que você provavelmente já ouviu isso um trilhão de vezes, mas há muitas pessoas com empregos tediosos por aí que adorariam mudar de carreira e entrar no ramo dos esportes. Você recomendaria a essas pessoas seguirem seus sonhos e fazerem o que for necessário para entrarem no ramo? Ou você acha que assim que uma pessoa atinge certa idade (30 anos, digamos), ela deve se concentrar na vida e esquecer certos sonhos inatingíveis?
R.: Nunca siga seus sonhos. Siga seu esforço. Não se trata daquilo que você pode sonhar –isso é fácil. Trata-se de ser importante ou não o suficiente para que você possa fazer o trabalho necessário para realmente ser bem-sucedido.