quinta-feira, 5 de abril de 2012

Proposta 2012-7 - Uberaba - todas as turmas (entrega - 12-04-2012)


Leia atentamente os textos abaixo e faça o que se pede.

Texto 1. 21 de Março - Dia Internacional contra a Discriminação Racial
           
Hoje, 21 de março, é comemorado o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. Atualmente, o Brasil possui duras leis contra esse preconceito, que ainda existe – seja explicitamente ou de forma velada. A lei pune quem declara o seu desprezo por determinadas raças, mas não é capaz de estabelecer penas contra quem pratica o preconceito velado, aquele que não se evidencia com palavras, mas que vez ou outra aparece em forma de reações, como pode exemplificar o dentista Alessandro Menezes.
Alessandro é um negro de 31 anos, que mora no Leblon desde que nasceu. Outro dia, ele andava na rua com um amigo – branco e morador da Vila da Penha – quando uma senhora perguntou: “Você sabe para que lado fica a Rua Dias Ferreira?”. Óbvio que a indagação foi direcionada ao amigo, que não sabia a resposta. Alessandro, então, se prontificou a responder à senhora, que ficou o olhando como quem diz “Eita! Você mora aqui?”.
“Era um branco e um negro andando pelo Leblon. Para ela, com certeza o primeiro morava no bairro”, declarou o dentista.
Outra vítima desse racismo velado foi o jornalista Fernando Sampaio. Ele conta que foi buscar um café na cozinha do jornal, quando, no meio de um bate-papo, afirmou ser negro. Logo, a copeira que estava no local disse para que não repetisse mais essa besteira, pois ele não era negro.
“Do jeito que ela falou, parecia que eu havia dito que era um marginal ou leproso”, conta o jornalista que voltou à copa dias depois e perguntou para mesma copeira se ela era racista. Sabe qual foi a resposta: “Claro que não, meu filho. Para mim, todo mundo é igual”.
Na visão da antropóloga e pesquisadora do Núcleo de Pesquisa das Violências da UERJ (Nupev), Ana Paula Ribeiro, o racismo no Brasil ainda é muito presente, principalmente o velado. “Não posso afirmar que o preconceito racial aumentou, mas acho que ele continua o mesmo. A única diferença é que hoje nós temos leis eficazes contra isso, o que acaba coibindo os preconceituosos”. Em relação ao racismo velado, Ana Paula afirma que esse tipo de atitude aparece nas pequenas coisas, nos pequenos gestos, como os citados acima. “As pessoas não declaram, mas também não têm uma postura clara sobre a questão”.
No Brasil, em cada três assassinatos, dois são de negros. Em 2008, morreram 103% mais negros que brancos. Dez anos antes, essa diferença já existia, mas era de 20%. Esses números estão no Mapa da Violência 2011, um estudo nacional apresentado pelo pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz.
Os números mostram que, enquanto os assassinatos de brancos vêm caindo, os de negros continuam a subir. De 2005 para 2008, houve uma queda de 22,7% nos homicídios de pessoas brancas; entre os negros, as taxas subiram 12,1%. O cenário é ainda pior entre os jovens de 15 a 24 anos.
Os dados provam que ainda temos um longo caminho a percorrer para extirpar, de uma vez por toda, o preconceito.
Por que dia 21?
No dia 21 de março de 1960, na cidade de Joanesburgo, capital da África do Sul, 20 mil negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular.
No bairro de Shaperville, os manifestantes se depararam com tropas do exército. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186. Esta ação ficou conhecida como o Massacre de Shaperville. Em memória à tragédia, a ONU – Organização das Nações Unidas – instituiu 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.
O Artigo I da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial diz o seguinte:
"Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública".
O racismo se apresenta, de forma velada ou não, contra judeus, árabes, mas sobretudo negros. No Brasil, onde os negros representam quase a metade da população, chegando a 80 milhões de pessoas, o racismo ainda é um tema delicado.
Para Paulo Romeu Ramos, do Grupo Afro-Sul, as novas gerações já têm uma visão mais aberta em relação ao tema. “As pessoas mudaram, o que falta mudar são as tradições e as ações governamentais”, afirma Paulo. O Grupo Afro-Sul é uma ONG de Porto Alegre, que promove a cultura negra em todos os seus aspectos.
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD – em seu relatório anual, "para conseguir romper o preconceito racial, o movimento negro brasileiro precisa criar alianças e falar para todo o país, inclusive para os brancos. Essa é a única maneira de mudar uma mentalidade forjada durante quase cinco séculos de discriminação”.
Aproveite esta data para refletir: você tem ou já teve atitudes racistas?

Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no Estado do Rio de Janeiro. http://sisejufe.org.br/

Texto 2. Eliminar a discriminação contra negros

Há 52 anos, em 21 de março de 1960, cerca de vinte mil negros protestavam contra a lei do passe na cidade de Joanesburgo, na África do Sul. Lutavam contra um sistema que os obrigava a portar cartões de identificação que especificava os locais por onde podiam circular. Era uma das lutas contra o apartheid.
No bairro negro de Shaperville, os manifestantes se defrontaram com tropas de segurança daquele sistema odioso. O que era para ser uma manifestação pacífica se transformou em uma tragédia. As forças de segurança atiraram sobre a multidão, deixando 186 feridos e 69 mortos. Esse episódio ficou conhecido como o massacre de Shaperville.
Em memória às vítimas do massacre, em 1976, a ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu o dia 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.
            Destacar esse acontecimento é importante para que nunca esqueçamos dessa face cruel do racismo, que não hesita em atirar em pessoas indefesas. Assim, há 36 anos, o dia 21 de março é um marco para a comunidade negra na luta contra o racismo e as discriminações. Ainda hoje, a influência do racismo impede que negros vivam em condições de igualdade com os não negros.
As ações afirmativas de cotas na universidade para os jovens negros, o Prouni, o programa de saúde para a população negra, o reconhecimento das terras dos remanescentes de quilombos, o combate à intolerância religiosa em face das religiões de matriz africana, entre outras ações, trazem para ordem do dia um pouco dos desafios que ainda temos de enfrentar para construir uma sociedade mais igualitária.
Contudo, podemos nos orgulhar pelos avanços dados nos últimos anos. Um deles foi a lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino sobre história e cultura afro-brasileira nos ensinos fundamental e médio das escolas pública e particular de todo o país.
Outro foi a lei 12.288, que dispõe sobre o Estatuto da Igualdade Racial. Essa é a primeira lei desde a abolição da escravidão que reúne inúmeras possibilidades para que o Estado brasileiro repare, de uma vez por todas, as desigualdades que são resquícios da escravidão.
            A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu 2011 como o ano internacional dos povos afrodescendentes. Buscou com isso que os Estados independentes concentrassem ações para reparar as desigualdades raciais.
            Visto que foi insuficiente aquele período de tempo, instituiu a década dos afrodescendentes, que será lançada em dezembro de 2012.
            É a hora do fortalecimento das ações pela igualdade em todos os países que tenham tido mão de obra escrava como base de seu desenvolvimento capitalista, algo que originou desigualdades raciais de natureza histórica.
            O mundo é melhor com as diferenças e diversidades. Vamos continuar avançando na construção da cidadania e do acesso igualitário aos bens econômicos e culturais para negros, indígenas, ciganos e todos os segmentos minoritários da sociedade.
            O massacre dos jovens negros de Shaperville será lembrado para sempre. A luta deles nos inspira a caminhar pela igualdade de oportunidades e por sociedades livres do racismo e do preconceito.

ELOI FERREIRA ARAÚJO, 52, é presidente da Fundação Cultural Palmares, órgão vinculado ao ministério da Cultura.
Folha de São Paulo. 21/03/2012.


Situação A - Dissertação (UFTM, USP, Unesp, etc.)
Após ler os textos motivadores e refletir sobre a presença do preconceito racial na sociedade, faça uma dissertação argumentativa que responda à pergunta: há meios de conter essas formas de intolerância?

Instruções:
- Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
- A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
- Dê um título a sua redação.

Situação B - Resumo (UFU)
Considerando as informações apresentadas nos dois textos, produza um resumo.


ATENÇÃO
O resumo deve:
- apresentar as ideias principais e secundárias dos textos motivadores;
- formar um texto coeso e coerente;
- apresentar ordenação lógica;
- apresentar fidelidade às ideias expostas nos textos motivadores.