segunda-feira, 30 de abril de 2012

Atualidades - 2012 - EM e PV - lista 11


Caras e caros,

Nessa semana que passou, novamente,  tivemos a oportunidade de acompanhar mais uma decisão do Supremo sobre tema polêmico e fundamental para a sociedade brasileira atual, em função disso escolhi duas abordagens para discutirmos em sala as questões em torno do debate sobre cotas em instituições brasileiras. Boa leitura a todos.

Abraços,

Professor Estéfani Martins
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1 - 1ª anos, 2º anos, 3º anos e PV
Cotas para quê?

2 - 1ª anos, 2º anos, 3º anos e PV
Velhas ideias para os problemas atuais?
O retorno de Thomas Malthus
Ulisses Capozzoli

             O consumo abusivo dos países ricos e o crescimento populacional sem qualquer planejamento nos países pobres devem levar a humanidade a um impasse político-ambiental inédito na historia da civilização segundo um estudo de dois anos realizado pela Royal Society e divulgado esta semana.
            A Royal Society of London for the Improvement of Natural Knowledge, mais conhecida comoRoyal Society, foi criada em 1660 para, como seu nome sugere, divulgar o conhecimento científico e teve em Isaac Newton (1642-1727) um de seus presidentes.
            Algumas das recomendações feitas pela equipe que participou do estudo incluem a necessidade de permitir às mulheres dos países pobres acesso ao planejamento familiar, abandono do Produto Interno Bruto (somatória de bens e serviços produzidos por uma sociedade geralmente no período de um ano) como índice de saúde econômica e redução do desperdício de alimentos.
            Ao mesmo tempo, ainda segundo o estudo, os países ricos devem tanto ajudar os pobres a viabilizarem esses avanços econômico-sociais como restringir seu próprio consumo de recursos naturais, o que não implica, necessariamente, em redução do padrão de vida de que dispõem.
            Apenas o programa de planejamento familiar custaria cerca de US$ 6 bilhões ao ano.
            O relatório da Royal Society será uma das peças em debate na Rio+20, conferência das Nações Unidas para desenvolvimento sustentável que será realizada entre os dias 20 a 22 de junho próximo, no Rio de Janeiro.

Período crítico
John Sulston, presidente do grupo de trabalho responsável pelo relatório avalia que “este é um período de extrema importância para o planeta, com mudanças significativas na saúde humana e na Natureza”.
            Sulston, que liderou a equipe britânica no projeto Genoma Humano, alerta que “o rumo que seguimos depende da vontade humana e não é alguma coisa predestinada. Não é um ato de qualquer coisa fora do controle da humanidade e está em nossas mãos”.
            A advertência é uma clara referência a prováveis resistências de natureza religiosa ligada a interpretações mais ortodoxas sobre a vida e o destino humanos.
            Com cabelos e barbas brancos, um sorriso descontraído no rosto, Sulston disse, numa palestra recente no Rio de Janeiro que “grande parte da ciência mundial está refém dos interesses econômicos de grandes laboratórios, o que limita as pesquisas e consequentemente piora a saúde da população”.
            Em 2002 ele recebeu o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em parceria com o também britânico Sydney Brenner e o americano Robert Horvit.
            O porte da população humana é uma preocupação antiga e foi destacado em especial pelo demógrafo Thomas Robert Malthus (1766-1834) em seu famoso An Essay on the Principle of Population, publicado entre 1798 e 1826.
Malthus alertou que o crescimento demográfico indiscriminado da população acabaria levando à fome e à doença.

Criatividade negligenciada
Em resposta ele recebeu críticas de vários de seus contemporâneos, entre eles a do jornalista, romancista e filósofo anarquista britânico William Godwin (1756-1836), crítico implacável da aristocracia e pai de Mary Shelley, a autora da ficção científica Franknstein. 
            Para Godwin Malthus chegou a suas conclusões pessimistas porque desconsiderou a criatividade, expressa, entre outros pontos, na capacidade humana de transformar a realidade natural e social.
            De fato, inovações revolucionárias, como a Revolução Verde, o desenvolvimento e a disseminação de sementes melhoradas e outras técnicas agrícolas que entre as décadas de 60 e 70 ampliaram enormemente a produção agrícola mundial, demonstraram que os limites ao crescimento demográfico estavam bem além das fronteiras consideradas anteriormente.
            Mas isso nunca significou que o “crescei e multiplicai-vos” da alegoria bíblica pudesse ser tomado como verdade ao pé da letra e considerado de forma definitiva.
            A população humana, de 7 bilhões de pessoas, deverá chegar a 10 bilhões até o final deste século.
A Terra é finita, apesar de ilimitada.
De acordo com o estudo da Royal Society “a humanidade já ultrapassou as fronteiras planetárias seguras” em termos de perda de biodiversidade, mudanças climáticas e ciclo do nitrogênio, sob o risco de profundos impactos ambientais no futuro imediato.
            Questões em discussão no Congresso Nacional neste momento, como a mudança do código florestal, certamente devem incorporar preocupações como as expostas pelos cientistas membros do estudo da Royal Society.


3 - 1ª anos, 2º anos, 3º anos e PV
“Comida”: fonte de doença!
A real dimensão da questão alimentar
Alex Renton para o Prospect

"Insegurança alimentar", disse recentemente um acadêmico de desenvolvimento, "é a nova Aids". É uma formulação odiosa, mas é verdade que à medida que este século avançar, nós ouviremos muito a respeito da fome e da perspectiva de haver menos alimento disponível. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em 2009 o número de pessoas desnutridas no planeta ultrapassou 1 bilhão pela primeira vez.
Após a decepção em Copenhague, aqueles que fazem campanha a respeito da mudança climática podem começar a se mobilizar em torno da questão dos alimentos. Um documentário sobre os fracassos da indústria alimentícia, "Food Inc.", será lançado mundialmente em fevereiro. Seu co-produtor, Eric Schlosser, provou com seu livro, "País Fast Food", que é possível mobilizar aqueles que combatem a pobreza a lutarem a respeito dos alimentos. E por um bom motivo. Nós provavelmente ficaremos sem ter o que comer muito antes de sermos cobertos pela elevação do nível dos mares.
Isto ocorre, é claro, em parte por causa do crescimento populacional, em parte por causa dos efeitos do aquecimento global sobre a agricultura em regiões mais quentes e -mais importante- por causa do hábito das pessoas de comerem mais proteína à medida que aumenta seu poder aquisitivo. A carne, famosamente, utiliza bem mais recursos por pessoa alimentada: a produção de um quilo de carne bovina exige entre 6 a 10 quilos de matéria vegetal e até 16 mil litros de água. Na China, o consumo de carne praticamente dobrou a cada década desde 1985. A FAO diz que precisamos dobrar a produção de alimentos nos próximos 40 anos para acompanhar o crescimento da demanda -e isso sem contar os efeitos da mudança climática.
E qual é a resposta? Controles sobre o desenvolvimento econômico? Vegetarianismo compulsório? Ninguém tem ideia. O lobby da pobreza quer apoio para pequenos produtores e irrigação sustentável; os ambientalistas gostariam de ver tratada a questão do desperdício de alimentos; os neófitos (e o "The Economist") depositam suas esperanças na biotecnologia, olhando para trás para a revolução verde que transformou a agricultura da Índia há meio século. A ação tem vindo principalmente de doadores privados -em 2009, Bill Gates destinou mais de US$ 39 milhões à pesquisa de milho resistente à seca.
O debate está esquentando. Em novembro, eu assisti Robert Watson -uma figura tipo Gandalf que é consultor científico chefe do Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais do Reino Unido- fazer sua célebre apresentação em PowerPoint sobre segurança alimentar e mudança climática. Ela já foi assistida na maioria dos lugares onde as políticas são pensadas e é certamente o documento mais sombrio sobre alimentos já visto em Westminster, depois dos cardápios dos pubs de Whitehall. Seus alertas, apoiados pelos do consultor científico chefe do governo, John Beddington, estão tendo um efeito. Parte da mensagem de Watson é que precisamos começar a nos preocuparmos com lugares mais próximos do que as planícies secas de trigo da Índia ou das plantações de arroz que mudam rapidamente do Leste da Ásia. Os países mediterrâneos, ele diz, ficarão muito mais secos, e até mesmo o sul do Reino Unido, segundo os cenários médios de emissões, provavelmente ficará 5ºC mais quente e 70% mais seco até os anos 2080.
Eu assisti a apresentação de Watson na conferência anual da Associação do Solo e a platéia -acostumada a profetas do apocalipse- ficou bastante deprimida. Eles levantaram sua posição habitual antiengenharia genética, alegando que parte da resposta está em transformar toda a agricultura em orgânica. Watson corajosamente rejeitou isso, insistindo que a biotecnologia, incluindo a modificação genética, deve ter um papel em tratar da fome. Ele também levantou uma ideia que não tinha ouvido antes, envolvendo mudança em massa da dieta nos trópicos. Produtos como arroz, que usam água e nitrogênio de forma comparativamente ineficiente, poderiam ser substituídos por produtos mais eficientes, como o milho. Tempos magros aguardam à frente.
(Alex Renton escreve sobre alimentos para o "The Times" de Londres e para "The Observer".)

Tradução: George El Khouri Andolfato

4 - 2º anos, 3º anos e PV
Números que traduzem o desespero de uma nação

5 - 2º anos, 3º anos e PV

6 - 3º anos e PV
Uma fábula moderna?

7 - 3º anos e PV
Cartas marcadas.