domingo, 4 de março de 2012

Uberaba - Tema 2012-3 (entrega - quinta-feira - 08-03)


Tema 2012-3

Opera10

Texto 1

Não é sopa no mel
SOPA: Nós compartilhamos, eles cobram a conta
Texto: Giselle Beiguelman e Mariel Zasso •
Entenda como um projeto de lei nos EUA ameaça o acesso de todos à cultura

Abertura do infográfico produzido pelo site derechoaleer.org SOPA (sigla de Stop Online Piracy) é o nome do projeto de lei que será votado no dia 18 na Câmara dos Deputados dos EUA. É um complemento do PIPA (Protect IP Act) do Senado norte-americano, apresentado em novembro de 2011.
As duas leis pretendem bloquear o acesso a sites que supostamente violarem direitos autorais de empresas americanas, penalizando também empresas, sediadas nos EUA, que derem acesso a esses conteúdos.
Perante essas leis, programas de busca, como o Google, uma enciclopédia, como a Wikipédia, uma rede social, como o Facebook, por exemplo, passam a ser consideradas cúmplices dos links dos sites que são acessados via essa plataforma.
Se SOPA e PIPA forem aprovadas, esses sites deverão não só bloquear o acesso aos endereços considerados ilegais pelas normas de propriedade intelectual que esses atos definem, mas também deletar, em cinco dias, todas as referências feitas a esses conteúdos.
Não se engane pensando que isso é problema dos americanos e suas empresas. As empresas são nacionais, mas a internet é global. O Facebook poderia ser responsabilizado pelo remix da capa da Vogue que fizemos na seLecT #1, pois a disponibilizamos em nossa página hospedada nessa rede social.
O Google teria que bloquear nosso endereço, porque linkamos o UbuWeb, caso se considerasse que esse arquivo cultural infringe propriedade intelectual de outrem. E por aí vai, com escalas cada vez mais assustadoras.
Como dizia o cineasta Ingmar Bergman: "É como um ovo de serpente. Através da fina membrana, pode-se ver o réptil inteiramente formado.”
Em contraposição a essa ameaça, ativistas do mundo todo, tendo a frente o site reddit e também corporações do porte do Google e Facebook, preparam um apagão da internet no dia 18.
O espectro de violência embutidos em SOPA e PIPA é algo muito maior do que censura e vai além da vigilância planetária. É o que o filósofo Gilles Deleuze chamava de instauração da Sociedade de Controle.
Nesse tipo de sociedade não é mais necessário um poder central controlador de tudo e todos, do tipo do Big Brother imortalizado pelo clássico 1984 de George Orwell. Todos vigiam todos, distribuindo-se o poder de controlar, capilarmente, pelo tecido social.
Mais grave: todos passam, a priori, a ser culpados antes mesmo de cometer qualquer delito.


Texto 2

Você acredita que proibir perfis nas redes sociais que alertam sobre blitzes traz resultados positivos para o trânsito?

SIM
Em qualquer área, a administração pública nunca será suficientemente competente. Além de todas as dificuldades e imperfeições, os órgãos de trânsito têm que lutar contra um grupo que dificulta o seu trabalho, como se a fiscalização não fosse feita para o bem da coletividade. Tais grupos, portanto, se não punidos ou pelo menos desestimulados, contribuem para a violência no trânsito. Certamente, teríamos melhores resultados caso perfis com esse desserviço fossem retirados do ar. Dessa forma, motoristas tomariam mais cuidado com a combinação álcool e volante, evitando-a. Mas, tendo certeza de que haverá a informação para ajudá-lo a fugir da blitz, claro que ele se encoraja a sair, beber e dirigir. Por outro lado, a administração pública tem que aperfeiçoar seus mecanismos para não ficar sempre tentando remediar fatos consumados. Como técnico e cidadão, acredito na importância dessa medida.
Luis Riogi Miura. Analista de trânsito e ex-diretor do Detran no DF, com passagem pelos departamentos de trânsito de Maringá (PR) e de Boa Vista (RR).

NÃO
A retirada desses perfis não passa de uma medida paliativa, que pode até ter grande repercussão na sociedade, mas, em termos de redução de acidentes, não acredito que terá influência. O trânsito é uma mudança de comportamento, uma questão de consciência, que demanda campanhas educativas massivas, não apenas no fim do ano. Fiscalização inteligente é outra medida necessária. Intensificar blitzes, abordar motoristas que estejam dirigindo de forma aparentemente inadequada, isso, sim, pode trazer resultados. A informação na rede social fará dois ou três que seriam flagrados não serem? Talvez. Mas isso não significará redução da violência no trânsito. Com boas estratégias de fiscalização, quem insiste em beber e dirigir e que não foi pego hoje será amanhã. É isso que pode resultar em queda significativa de acidentes, além de punição para os condutores infratores.

Laura Beatriz Rito.
Promotora de delitos de trânsito do Distrito Federal.

Correio Braziliense. Brasília, 08/01/2012.
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2012/01/08/interna_brasil,285585/alertas-sobre-blitzes-em-redes-sociais-estao-muito-longe-do-consenso.shtml

Texto 3

Nova política de privacidade põe Google e UE em rota de colisão
Atualizado em  1 de março, 2012 - 09:08 (Brasília) 12:08 GMT
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A empresa de internet Google adotou nesta quinta-feira uma nova política de privacidade apesar dos alertas da União Europeia de que a companhia possa estar violando leis europeias.
Com a nova política, dados coletados pelo serviço de buscas da Google podem ser compartilhadas com outras plataformas do grupo, como YouTube, Gmail e Blogger. Na prática, mais de 60 políticas de privacidade de diferentes sites do Google serão unificadas em uma só.
A Google disse que as novas mudanças podem produzir resultados de busca melhores para os usuários que levam em consideração o seu histórico de buscas.
Já a União Europeia anunciou que pretende investigar a nova política de privacidade da empresa.
O bloco europeu delegou à Comissão Nacional de Informática e Liberdade (CNIL), órgão que regula o setor na França, a tarefa de investigar o caso em nome do resto da Europa.
A CNIL não adiantou quais seriam os pontos da nova política da Google que ferem a legislação europeia, mas disse que pretende mandar uma série de perguntas ao Google até meados de março, como parte da investigação.
O órgão francês fez um apelo à Google para que a companhia adie sua decisão de adotar as novas medidas.
"A CNIL e as autoridades de informação da União Europeia estão muito preocupadas com a combinação de dados pessoais em diferentes serviços", afirma uma nota da entidade francesa.
"Eles têm grandes dúvidas sobre a legalidade e a justiça destes processos, e se eles cumprem as leis europeias de proteção de dados."
Em resposta, o conselheiro de privacidade da Google, Peter Fleischer, disse que a empresa pretende responder a todas as preocupações da CNIL.
"Como vimos diversas vezes na última semana, mesmo com nossa política de privacidade mudando a partir de 1º de março, nosso compromisso com princípios de privacidade continuam fortes como sempre", escreveu Fleischer, em um blog da empresa.
A empresa não acatou o pedido do órgão francês de adiar a implementação das medidas.

Entenda as mudanças
O modelo de negócios do Google é baseado no uso de dados coletados junto a seus usuários. Com estas informações, a Google consegue exibir publicidade direcionada aos internautas de acordo com os seus hábitos de navegação.
Até 1º de março, as informações dos usuários eram coletadas e mantidas separadamente por cada serviço Google.
Isso significa que qualquer pesquisa no YouTube não tinha impacto na publicidade que aparece nas páginas de buscas do Google ou no serviço de e-mails, Gmail.
As novas regras de privacidade não são opcionais. A única forma de o usuário evitá-las é deixando de usar os sites da Google.
As mudanças provocaram uma enxurrada de análises e recomendações em sites especializados. Uma das sugestões feitas aos usuários que não querem ser afetados pelas mudanças é entrar na parte de históricos de pesquisa de cada um dos sites, e ficar constantemente apagando tudo o que estiver ali.
No caso da página de pesquisas da Google, os dados estão em http://google.com/history” (...)


Proposta de redação A - Dissertação (UFTM, USP, Unesp, etc.)
            Dada a crescente preocupação de especialistas e da população acerca do que é feito pelas empresas do setor com a informação produzida pelos internautas ao navegar pela internet, faça uma dissertação em que você responda a seguinte pergunta:

Quais preocupações, diante desse contexto, que um internauta deve ter com os dados que disponibiliza enquanto “navega” na internet?

Instruções:
- Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
- A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
- Dê um título a sua redação.

Proposta de redação B - Carta impessoal ou argumentativa (UFU)
Sobre a questão relativa à liberdade de expressão na internet, escreva uma carta a um ministro do governo brasileiro de sua escolha, em que você defenda suas concepções a respeito dos limites para a liberdade de expressão em meios como a internet.

Instruções:
- A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
- Sua carta deverá ser assinada com José ou Josefa.

Proposta de redação C – Outros gêneros textuais - Verbete (Unicamp, UEL, UnB, UFG, etc.)
A partir das informações apresentadas nos textos acima e de seus conhecimentos sobre internet e meios virtuais, escreva três verbetes sobre os seguintes conceitos:

- Liberdade de expressão
- Privacidade na internet
- Inteligência coletiva

Instruções:
- Cada verbete deve ter no mínimo 8 e no máximo 10 linhas.