quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Propostas de carta argumentativa (Uberaba)

Propostas de carta argumentativa.





Proposta 1


Consumir é necessário, mas para evitar os impactos negativos para a sociedade e para o meio ambiente, as pessoas precisam se conscientizar. Consumo consciente é tentar aumentar os impactos positivos e minimizar os negativos. É uma contribuição voluntária, cotidiana e solidária de quem quer garantir a sustentabilidade do planeta, ou seja, o equilíbrio entre a natureza e nossas ações.


Texto 2. Aprenda a montar uma casa sustentável sem gastar muito

Atitudes simples fazem a diferença no bolso e no meio ambiente.

Na hora de construir ou reformar um imóvel, não é preciso lançar mão de ideias mirabolantes para evitar o impacto ambiental. Escolhas simples e pequenas ações podem fazer toda a diferença e contribuir significativamente para a preservação do meio ambiente.
E quando falamos em construção sustentável, não nos referimos apenas aos grandes empreendimentos. Segundo especialistas ouvidos pelo R7, qualquer um pode ter uma casa sustentável. E melhor, sem grandes investimentos. Trocar o vaso sanitário comum por um com acionamento duplo (que utiliza menos água para resíduos líquidos e mais para sólidos), por exemplo, pode significar uma economia de até 36 litros de água por dia em uma casa com três pessoas.
Substituir o ar condicionado por ventilador, consertar vazamentos, comprar eletrodomésticos com o selo A do procel (que gastam menos energia) e evitar desperdícios durante uma obra também são atitudes simples que fazem a diferença no bolso e no meio ambiente.
Segundo Vanderley John, professor associado da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo) e membro do CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável), sustentabilidade é tudo o que é viável.
- Quando falamos em sustentabilidade, devemos levar em conta os lados econômico, social e ambiental. Temos de buscar solução que englobe esse tripé.
Para John, a primeira alternativa a ser considerada é a reforma.
- Mais sustentável do que construir casa nova é reformar a antiga. Preserva aquilo que está bom, não gera muito resíduo e custa menos. O passo seguinte é respeitar a legalidade.
Para  o professor da USP, “a informalidade de fornecedores nessa área da construção civil é o grande problema da sustentabilidade. Exigir nota fiscal é a garantia de que a empresa cumpre com suas obrigações, paga impostos e respeita o meio ambiente”.


Com base nas informações dos textos acima, redija uma carta pessoal destinada a um amigo na qual você o convença a efetivar medidas ambientalmente responsáveis na própria residência.

Proposta 2

CARTA ABERTA

            A carta aberta manifesta a opinião de um grupo de pessoas, de uma entidade, sindicato, etc. diante de uma questão de interesse coletivo.
            Ela pode servir apenas para alertar, mas geralmente visa à mobilização de forma que se encontre uma solução para o problema denunciado. Dessa maneira, tem caráter argumentativo; portanto a persuasão é um elemento usado para elaborar a carta aberta.
Sua estrutura é formada por:
Título, em que se identifica o destinatário (a quem a carta se dirige).
Remetente (quem a está enviando).
Denúncia do problema e reivindicação de medidas para resolvê-lo.
Conclusão, em que se busca persuadir o interlocutor com a sugestão de soluções.
No final, antes da assinatura, pode ainda haver local e data.
            O meio pelo qual a carta aberta é divulgada depende do destinatário. Por exemplo, se o remetente pretende alertar a população mundial para o buraco na camada de ozônio, pode recorrer à internet; se o objetivo é denunciar um problema na escola, é possível utilizar um mural. Independentemente do meio, a linguagem da carta aberta costuma ser formal.

EXEMPLO


Carta aberta ao Governador do Estado de Mato Grosso

Excelentíssimo Senhor Blairo Maggi

            Diante do expressivo crescimento do setor sucroalcooleiro em Mato Grosso e das grandes apostas do estado no campo do agronegócio, denunciar irregularidades nas condições de trabalho é, além de uma luta pelo respeito aos direitos do trabalhador, uma contribuição para a conquista do mercado internacional. É sabido por todos que este se encontra mais exigente quanto a questões sociais e ambientais.
            Contrariando o Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso e em acordo com o Ministério Público do Trabalho, denunciamos a existência de trabalho escravo no estado, principalmente nas lavouras de cana. Precárias condições de trabalho, exaustão, escravidão por dívidas e baixa remuneração caracterizam a realidade dos cortadores de cana. Negar a existência dessa reincidente violação dos direitos do trabalhador é ingenuidade.
            Atraídos por promessas de melhores condições de vida, muitos nordestinos migram para as tradicionais regiões de produção de álcool, como Ribeirão Preto (a Califórnia Brasileira), ou para as regiões onde o setor sucroalcooleiro é uma grande promessa, como Mato Grosso. Infelizmente não é exagero afirmar que os migrantes são, em sua maioria, recebidos com uma pesada carga de trabalho e condições degradantes de vida. Há uma grave agressão aos direitos humanos, visto que o não cumprimento das leis trabalhistas redunda na destruição da liberdade dos indivíduos submetidos ao trabalho escravo.
            Legitimar essa prática é o mesmo que sucumbir às aspirações do agronegócio internacional e, pior, contrariar os direitos naturais dos seres humanos. No exercício do Governo do Estado, esperamos que o Senhor atue de forma veemente diante dessa incontestável realidade.

Organização Não Governamental Trabalho e Liberdade  




PROPOSTA DE REDAÇÃO

(Concurso Público UFU - Técnico em Enfermagem - 12/2010 - Situação A) 

            As pessoas costumam passar mais horas no trabalho do que em outras atividades. Como é importante que se sintam realizadas para produzir bem, as empresas já atentam para o nível de felicidade dos funcionários. A Serasa Experian, especializada em indicadores e informações financeiras, lançou um índice de felicidade. A pesquisa requeria que cerca de 1.200 colaboradores dessem notas de um a dez ao quanto estavam felizes por trabalharem na empresa, em sua área e com seu líder.
            As notas foram 8,16; 7,54 e 7,5, respectivamente. “Pessoas felizes produzem mais”, comenta Elcio Trajano, gerente-executivo de desenvolvimento humano. Para especialistas, um bom desempenho está mais ligado à identificação do empregado com os valores da empresa.
            Inspirado em uma multinacional, Diego Martins, 27, implantou “atrativos” em sua empresa de informática, a Acesso Digital.
            Os funcionários trabalham por metas. Cumprem horários flexíveis, podem trabalhar de casa, têm acesso a comida, videogame e até cerveja (após as 21h). Quando as metas são atingidas, podem ganhar uma viagem internacional.
            Outras companhias dão aos funcionários mimos como doces e refrigerantes gratuitos e espaços de convivência confortáveis e atraentes.
            Investir em benefícios e em um ambiente menos repressor, com horários mais flexíveis e boas condições de trabalho, contribui para o desempenho. Mas a satisfação que resulta dessas ações não é perene, segundo Tania Casado, coordenadora de projetos de FIA (Fundação Instituto de Administração).
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            A iniciativa de alcançar um ambiente profissional mais agradável também surge dos próprios empregados.
            Há cerca de três anos foi fundado o movimento Novo Olhar Para As Relações de Trabalho, que hoje reúne cerca de mil pessoas. Seus integrantes promovem encontros para trocar experiências e buscar sentido em suas profissões.
            Segundo os organizadores do movimento, se as pessoas estão felizes no que fazem, tendem a trabalhar melhor, seja em grande corporações ou não. E elas sabem o que faz sentido em suas vidas.
            Para divulgar as ideias do movimento, eles criaram uma rede virtual. A busca por realização profissional é comum a todos, mas nem sempre há possibilidade de custear uma consultoria ou um “coaching” (aconselhamento profissional).
            Um dos participantes, Felipe Arruda, 30, trabalhou em uma agência por dois anos até perceber sua insatisfação com a profissão. Gradualmente, transferiu-se para a área de cultura. Hoje ajuda a desenvolver artistas pouco conhecidos.
            “Colocar energia naquilo que tem sentido para você faz o trabalho ficar mais feliz. Demorei alguns anos para entender isso”, diz Arruda.
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            A felicidade no trabalho ou fora dele é particular a cada um. Esse é o consenso entre psicólogos, gestores de recursos humanos e profissionais que buscam satisfação.
            “As pessoas trabalham mais contentes se encontram sentido no que fazem”, aponta Roberto Heloani, psicólogo e professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo.
            Mas mesmo pessoas infelizes podem apresentar bom desempenho. A felicidade é medida por meio de um complexo conjunto de fatores, e não é só o trabalho que interfere diretamente nela.
            O meio familiar, a comunidade em que se mora, os anseios que a pessoa tem e a possibilidade de alcançá-los também contribuem para a possibilidade de satisfação, complementa Heloani.
            No trabalho, é mais simples: as pessoas têm necessidades de superação de metas. Isso as impulsiona e as realiza profissionalmente, segundo Tania Casado, especialista em comportamento e pesquisadora da FIA.

Folha de S. Paulo, 5 de setembro de 2010, Veículos, F3.

            Redija uma CARTA ABERTA ao Ministro da Saúde, reportando-lhe informações do texto motivador e apresentando argumentos que sustentem a ideia de que o bom desempenho e a realização profissional dependem da felicidade.

Proposta 3

TEXTO 1. A frente gay no paredão do Congresso
Vencedor do programa BBB, o deputado Jean Wyllys tenta criar uma bancada em defesa dos direitos dos homossexuais, mas esbarra na resistência dos parlamentares com aversão ao tema

A chegada do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), primeiro gay assumido a levantar a bandeira do movimento, provocou agitação no Congresso. Liderado pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), um grupo começa a se alinhar em uma bancada informal antigay. Ela é formada por deputados da Frente Evangélica, somados aos da Frente da Família e a outros que compartilham a contrariedade em ver a discussão sobre direitos homossexuais avançar.
Wyllys começou seu mandato na ofensiva. Ele vai propor um projeto de lei que institui o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, em vez de insistir apenas na regulamentação da “união civil” – termo adotado por alguns integrantes do movimento gay, para evitar a discussão no campo religioso. “Tem de ser casamento civil porque é o mesmo direito para todos”, afirma. “Quando um cônjuge morre, o parceiro da união estável só tem direito a herança se não houver nenhum herdeiro direto. Já no casamento, ele é herdeiro direto.” Sua primeira ação, como deputado, foi recolher assinaturas para a Frente Parlamentar pela Cidadania GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros).
Na semana passada, Wyllys sentiu uma pequena demonstração do incômodo gerado por sua movimentação. Menos de 24 horas depois de ter começado a percorrer a Câmara pedindo assinaturas para a Frente, sua página no Facebook foi bloqueada. Isso ocorreu porque uma série de usuários da rede fez uma ação coordenada para denunciar a página como falsa. Wyllys diz que sabia que sua presença iria provocar reação e que está preparado para o embate. Jornalista e professor universitário, ele demonstrou habilidade para o debate público quando ganhou o programa Big Brother, em 2005, contra um grupo de participantes que tinham em comum o orgulho da masculinidade. Na arena política, porém, vai enfrentar opositores mais experientes.
A principal voz na Câmara contra a discussão sobre direitos dos homossexuais é a de Bolsonaro, deputado no sexto mandato e capitão do Exército. Enquanto os representantes da Frente Evangélica e os da Família medem as palavras ao tecer críticas aos projetos que combatem a homofobia, Bolsonaro é desabrido e promete enterrar os projetos do colega (leia a entrevista).
Segundo João Campos (PSDB-GO), líder da bancada evangélica, o grupo respeitará as posições de Wyllys e de sua Frente. Um dos pontos de atrito entre eles é o material contra a homofobia, a ser distribuído pelo Ministério da Educação nas escolas. “Somos contra discriminação, mas não queremos que o governo faça apologia da homossexualidade”, diz Campos.
No Senado, a Frente Parlamentar pela Cidadania GLBT é liderada pela senadora Marta Suplicy (PT-SP), que desarquivou o projeto de lei que torna a homofobia crime. Marta e Wyllys começam a procurar parlamentares simpáticos a seus projetos. “Vamos atrás dos que se inclinam a nos apoiar, mas não têm coragem por questões eleitorais”, diz Marta. Não foi difícil mapear o inimigo. Wyllys precisa, agora, encontrar os aliados para o dia do paredão.



Jean Wyllys: “O movimento GLBT chegou”
O deputado estreante pretende propor o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, uma evolução da união civil

ÉPOCA – Qual é a pauta da Frente GLBT?
Jean Wyllys – A defesa do projeto Escola Sem Homofobia. Também vou protocolar o projeto do casamento civil (entre pessoas do mesmo sexo). Não é “casamento gay”. Isso provoca equívoco quanto à noção do sacramento. O Estado é laico, e o casamento é um direito civil. Se os homossexuais têm todos os deveres civis, então têm de ter todos os direitos. E tem o projeto que criminaliza a homofobia, desarquivado pela senadora Marta Suplicy, parte da Frente no Senado.

ÉPOCA – Como é a reação a suas ideias?
Wyllys – Meu Facebook foi tirado do ar em uma ação orquestrada. É natural que minha presença na Câmara provoque uma reação. O movimento GLBT chegou ao Congresso.

ÉPOCA – Como vê a reação contra o programa que combate a homofobia na escola?
Wyllys – É uma ignorância que persiste por má-fé. O material não ameaça os valores cristãos. Pelo contrário, ele assegura algo que é valoroso para os verdadeiros cristãos: o valor da vida e o respeito ao outro. Quem fala o contrário, fala por má-fé, porque não quer ver seus espaços de poder ameaçados.

ÉPOCA – O deputado Bolsonaro diz que o material incentiva a homossexualidade.
Wyllys – Bolsonaro é a caricatura de um deputado nostálgico de tempos sombrios de ditadura e repressão às liberdades. Às vezes penso que nem ele acredita no que diz. É mais para produzir um efeito midiático e despertar o que há de pior nas pessoas para ter ganho eleitoral. Ele faz uso da ignorância popular e dos preconceitos que são reproduzidos e dos quais as pessoas não se livram exatamente porque não há um projeto sério que radicalize na defesa dos direitos humanos no país.






Jair Bolsonaro: “Vamos fazer de tudo para enterrar”
Capitão do Exército, o deputado não reconhece a legitimidade da discussão sobre direitos dos homossexuais

ÉPOCA – Como vê a criação da Frente Parlamentar pela Cidadania GLBT?
Jair Bolsonaro – O primeiro passo para desgraçar um país é mexer na célula da família. Eles vão atacar agora o ensino fundamental, com o “kit gay”, que estimula o “homossexualismo” e a promiscuidade. Tem muito mais violência no país contra o professor do que contra homossexuais. Quando eles falam em agressões, é em horário avançado, quando as pessoas que têm vergonha na cara estão dormindo. A regra deles é a porrada e querem acusar nós, os normais, os héteros.

ÉPOCA – O senhor não teme estimular a violência com essa retórica?
Bolsonaro – Negativo. Só quero que a opção sexual se revele na intimidade do quarto, não obrigar um padre a casar um gay. O bigodudo vai dar um beijo na boca do careca, na frente dos convidados, e isso é legal?

ÉPOCA – Como vai ser o diálogo com o deputado Jean Wyllys?
Bolsonaro – Vou ter atrito com ele no campo das ideias e dos projetos, que vamos fazer de tudo para enterrar nas comissões. Se depender de mim, e de muitos outros, não vai para a frente. Em nome da família e dos bons costumes. Eles vão querer o quê? Vamos colocar um espanador na orelha? Vão vender os serviços de “homossexualismo” deles, é isso?

ÉPOCA – Se a homofobia virar crime, o senhor vai parar de criticar os gays?
Bolsonaro – Tenho imunidade para falar. Não vou medir palavras. Eu defendo a pena de morte, que é mais grave que criticar homossexual. O pessoal me chama de retrógrado, dinossauro, mas a verdade é que o Brasil está piorando desde o fim do regime militar.


Ana Aranha. Época. Ed. 666, 18/02/2011.

TEXTO 2. "O Congresso Nacional decreta:
Art. 1º. A qualquer pessoa jurídica que por seus agentes, empregados, dirigentes, propaganda ou qualquer outro meio, promoverem, permitirem ou concorrerem para a discriminação de pessoas em virtude de sua orientação sexual serão aplicadas as sanções previstas nesta Lei, sem prejuízo de outras de natureza civil ou penal.
Art. 2º. Para os efeitos desta Lei são atos de discriminação impor às pessoas, de qualquer orientação sexual, e em face desta, as seguintes situações:
I - constrangimento ou exposição ao ridículo;
II - proibição de ingresso ou permanência;
III - atendimento diferenciado ou selecionado;
IV - preterimento quando da ocupação de instalações em hotéis ou similares, ou a imposição de pagamento de mais de uma unidade;
V - preterimento em aluguel ou locação de qualquer natureza ou aquisição de imóveis para fins residenciais, comerciais ou de lazer;
VI - preterimento em exame, seleção ou entrevista para ingresso em emprego;
VII - preterimento em relação a outros consumidores que se encontrem em idêntica situação;
VIII - adoção de atos de coação, ameaça ou violência.
Art. 3º. A infração aos preceitos desta Lei sujeitará o infrator às seguintes sanções:
I - inabilitação para contratos com órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional;
II - acesso a créditos concedidos pelo Poder Público e suas instituições financeiras, ou a programas de incentivo ao desenvolvimento por estes instituídos ou mantidos;
III - isenções, remissões, anistias ou quaisquer benefícios de natureza tributária.
Parágrafo Único: Em qualquer caso, o prazo de inabilitação será de doze meses contados da data de aplicação da sanção.



PROPOSTA: Após a leitura atenta dos textos motivadores, escreva uma carta argumentativa dirigida ao deputado Jean Wyllys ou ao deputado Jair Bolsonaro na qual você defenda o seu posicionamento sobre a lei contra a homofobia.

Orientações
A) Escreva, no lugar da assinatura: Marcos ou Marcela. Em hipótese alguma escreva seu nome, pseudônimo, apelido, etc. na folha de prova.
B) Seu texto deve conter de 25 a 30 linhas.

Proposta 4


Leia com atenção os textos abaixo:

Texto 1

Especialistas apontam tendência de radicalização do terrorismo
da France Presse, em Londres

Os atentados cometidos nesta quinta-feira em Madri, que deixaram pelo menos 199 mortos e mais de 1.400 feridos, evidenciam a tendência à globalização do terrorismo e à generalização dos ataques indiscriminados, apontaram nesta sexta-feira especialistas britânicos e estrangeiros.
Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, que causaram cerca de 3.000 mortos, ficou evidente que "fabricar uma bomba camuflada numa lata de lixo não impressionará mais ninguém", declarou o especialista em temas de defesa e terrorismo, Francis Tusa.
A meta dos terroristas é alcançar "centenas, ou melhor, milhares" de mortos, considera Jonathan Eyal, diretor do Royal United Services Institute (RUSI, centro londrino de estudos sobre defesa e terrorismo), citado nesta sexta-feira pelo jornal "The Guardian".
John Gearson, professor universitário no King's College, compartilha a idéia de que os terroristas determinam objetivos cada vez mais ambiciosos. Gearson lembrou que os autores do atentado de Oklahoma City (168 mortos em 1995) haviam insistido na "necessidade de um número elevado de mortos para chamar a atenção".
Os terroristas também atacam "de maneira cada vez mais indiscriminada, com um impacto cada vez maior nas comunidades", considera Tim Dunne, analista canadense citado nesta sexta-feira pelo jornal "The Independent".
"Os terroristas estão se tornando cada vez mais ambiciosos nos seus objetivos", acrescentou. "Querem causar mais danos, sofrimento e traumatismo para captar a atenção e obrigar os governos a reagir", explicou.
Os atos terroristas "vêm aumentando há algum tempo", disse Magnus Ranstorp, da Universidade escocesa Saint Andrews.
O primeiro-ministro britânico Tony Blair exortou nesta sexta-feira seus compatriotas a permanecerem em alerta, pois o terrorismo pode atacar "todos os grandes países do mundo". A luta contra o terrorismo é "um combate não apenas da Espanha, mas de todo o mundo livre", disse o premiê.
Já Ranstorp acredita que o terrorismo "não será derrotado", já que é "impossível garantir a segurança em cada lugar do planeta".

Texto 2

Medo do terror leva Europa à paranóia
CLÓVIS ROSSI
Colunista da Folha de S.Paulo, em Madri

Na semana passada, a polícia britânica fechou a estação de metrô de Knightsbridge, a mais próxima da célebre loja de departamentos Harrods, em Londres. Uma sacola com inscrições em árabe fora encontrada na plataforma.

Minutos depois, o dono da sacola, irritadíssimo, ligou da estação seguinte para reclamar da perda ou roubo de seu pertence. Tudo leva a crer que um passageiro entrou em pânico ao ver inscrições em árabe e jogou o pacote pela janela.
Parece comédia de pastelão. Mas é um retrato acabado da paranóia que tomou conta da Europa depois dos atentados de 11 de março em Madri (190 mortos, mais de 1.800 feridos).
A paranóia já está medida em pesquisas: quase todos os britânicos (exatos 95%) acham que muito provavelmente haverá um ataque terrorista, e 1 de cada 50 pesquisados acredita que haja uma chance muito alta de que morrerá alguém de sua família ou algum amigo.
(...)

Texto 3

"A Paixão de Cristo", filme de Mel Gibson, só serve para atiçar os fundamentalismos
Editorial do Le Monde

"A Paixão de Cristo", de Mel Gibson, que estréia na França após o seu triunfo americano, é uma dupla regressão. Primeiro, no plano estético: embora ninguém possa ignorar a violência do suplício da crucifixão na época romana, nenhum profissional do cinema até então havia abordado a morte de Jesus com uma tal prevenção em favor da morbidez e da bestialidade.
Em segundo lugar, trata-se de uma regressão no plano teológico: se a violência de "A Paixão" está encharcada tanto da violência que existia no tempo de Jesus quanto da violência do mundo moderno, este culto hipertrofiado da dor é anticristão. Não há nada nos textos da tradição cristã que permita afirmar que a redenção do mundo tivesse sido medida em função dos sofrimentos suportados, ou que leve a acreditar que, ao perdoar aos seus carrascos, o Cristo tivesse se tornado cúmplice de um tal sadismo escancarado.
A regressão mais grave do filme de Mel Gibson está no seu anti-semitismo insidioso. Se houver uma vítima, existem forçosamente os seus carrascos. Nada diz no texto original da "Paixão" que o povo judeu foi coletivamente responsável pela morte de Jesus. Mas Gibson não nos poupa nem dos textos, nem dos estereótipos que, ao longo dos séculos, foram utilizados pela propaganda antijudia.
A maldição vinculada aos judeus desde o Evangelho de Mateus ("Que o seu sangue recaia sobre nós e sobre os nossos filhos!") foi mantida, apesar das críticas das organizações judias americanas. Pôncio Pilatos, o prefeito romano da Judéia, que toda a historiografia pinta como um personagem de uma crueldade repugnante, passa aqui por um gentil humanista.
Os torturadores são os ocupantes romanos, mas os que dão as ordens são os grandes sacerdotes judeus, presentes em todas as etapas do processo de Jesus e até ao pé da cruz. Quem poderá sustentar que tal filme não reforça os piores clichês sobre os judeus cúpidos, intolerantes, manipuladores, conspiradores, sedentos por sangue, o que é um cúmulo para todo judeu respeitoso da lei?
Este coquetel de culto da dor cristão e de antijudaísmo é explosivo. Ele alimentou todas as representações da Paixão na Idade Média que acabavam sempre em motins antijudeus, até aquelas que, na Bavária, faziam correr as multidões nazistas.
No momento em que o extremismo religioso está vencendo em todo lugar, no momento em que a confusão entre sagrado e violência se instala em todas as mentes, este filme pode ter efeitos devastadores, seja nas periferias onde tudo pode ser pretexto para o ódio aos judeus, seja nos países árabes (nos quais os meios de comunicação divulgaram que Iasser Arafat teria assistido ao filme de Gibson e aprovado) seja nas relações entre judaísmo e cristianismo. Com base em arrependimentos e em revisões dos textos, estas relações haviam melhorado desde o concílio Vaticano 2 (1965). Quem ainda acredita que este progresso seja uma conquista irreversível?
Como se surpreender com o fato de que os que apóiam Gibson estejam nas fileiras dos católicos tradicionalistas, os quais não têm a menor dúvida quanto à culpabilidade dos judeus na morte de Jesus? Ou ainda em meio aos protestantes evangélicos, incapazes de se desvincular de uma leitura literal das Escrituras?
Este filme alimenta as piores tendências fundamentalistas do mundo moderno.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

Lidos os textos motivadores, faça um texto dissertativo argumentativo acerca da seguinte questão:

Faça uma carta argumentativa a ser enviada à ONU em que se discuta meios para se combater e minimizar o desenvolvimento de ideias fundamentalistas no mundo.