segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Aula 1 - Teoria - Intensivão Uberaba 2011-2

Caras e caros,


Eis a teoria relativa à aula da última semana: tipologia textual e dissertação.


Grande abraço a todos,


Professor Estéfani Martins
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Tipologia textual (protótipos textuais)

“Os textos também podem ser classificados levando-se em consideração o caráter da interação entre autor e leitor, pois o autor se propõe a fazer algo, e quando essa intenção está materialmente presente no texto, através das marcas formais, o leitor se dispõe a escutar, momentaneamente, o autor, para depois aceitar, julgar, rejeitar. Sob esse ponto de vista da interação podemos também distinguir os discursos narrativos, descritivos, argumentativos.”
(Kleiman)

“Gerar um texto significa executar uma estratégia de que fazem parte as previsões dos movimentos dos outros.” (Umberto Eco)

            As tipologias textuais ou protótipos textuais são mecanismos de construção textual/discursiva, os quais são produtos de capacidades e necessidades humanas usadas na interação com o meio, com o próprio íntimo e com o outro. Além disso, são formas de apreender, interferir e apresentar a realidade. Assim, mesmo timidamente, elas podem ser vistas desde tempos primordiais nas simples ações cotidianas de contar uma história; instruir ou ordenar; dialogar; expor um determinado conhecimento; descrever um desejo ou uma nova experiência sensorial; ou ainda defender um posicionamento ou uma visão de mundo.
            Quanto a questões técnicas, são sequências linguísticas com especificidades associadas às estruturas morfológicas mais comuns usadas no texto; a determinadas escolhas sintáticas; ao maior ou menor grau de subjetividade e conotação na linguagem empregada; a como são utilizados os verbos quanto ao modo, tempo e aspecto; ao uso das pessoas do discurso; etc.
            Para essas formas elementares de expressão, foram dados os nomes de narração, injunção ou instrução, diálogo, exposição, descrição e argumentação, as quais, de certa forma, tentam exprimir a experiência humana com o texto/discurso. Tais tipos textuais organizam-se também em função da finalidade e das intenções pretendidas pelos seus usuários.
Pode-se também dizer sobre os tipos de texto que, separados ou puros, é muito difícil encontrá-los, pois é mais comum encontrarem-se misturados na maioria dos gêneros textuais com os quais tomamos contato em nosso cotidiano. Quanto a essa questão, é importante ressaltar que não há pureza na maioria dos textos produzidos pelo homem quanto à tipologia textual, mas, sim, predominância de uma em relação à outra.
            Nesse sentido, alguns estudiosos definem essas relações como uma forma de nomear e hierarquizar a interação entre as tipologias textuais a partir de características substantivas ou predominantes e adjetivas, tais como traços, recursos e ferramentas. Essas inúmeras possibilidades de interação entre as diferentes tipologias podem classificar um texto entre os mais variados gêneros textuais, são exemplos: a fábula, o conto, a dissertação, a carta, o manifesto, a crônica, a notícia, o artigo, o editorial, o sermão, etc. A seguir, seguem discussões detalhadas sobre as tipologias ou os protótipos textuais:

Tipologia textual descritiva

Descrever é perceber algo como se dele fizéssemos parte.”
(Vitório Sá)

“Entendo que para contar é necessário primeiramente construir um mundo, o mais mobiliado possível, até os últimos pormenores. Constrói-se um rio, duas margens, e na margem esquerda coloca-se um pescador, e esse pescador possui um temperamento agressivo e uma folha penal pouco limpa, pronto: pode-se começar a escrever, traduzindo em palavras o que não pode deixar de acontecer.”
(Umberto Eco)

_Transforma em linguagem aquilo que os cinco sentidos captam.
_Há a caracterização de pessoas, ambientes, objetos, sensações, etc., com a utilização dos cinco sentidos ou da imaginação criadora.
_Adjetivos, classificações, atributos e impressões são recursos descritivos obrigatórios.
_Constrói “imagensfísicas ou psicológicas de um determinado objeto, sensação, paisagem, pessoa, etc.
_O tempo verbal predominante é o presente.
_Recorte da realidade a partir de um ponto de vista físico ou ideológico.
_Amplo uso de verbos de ligação, tais como ser, estar, permanecer, parecer, ficar, continuar, virar no sentido de tornar-se, etc.
_Amplo uso de orações nominais.
_Preferência por períodos curtos e orações coordenadas.
_Amplo emprego de metáforas, comparações e outras figuras de linguagem.
_O texto descritivo prescinde de estrutura textual, a não ser pelo fato de, normalmente, ser estruturado de forma dedutiva, ou seja, parte de observações mais gerais para as mais particulares.
_A descrição pode ser objetiva ou subjetiva, o que independe do assunto do texto.
_Normalmente, transforma-se em ferramenta discursiva em textos jornalísticos, literários, científicos e didáticos.

s.f. ato ou efeito de descrever; reprodução, traçado, delimitação. 1 representação fiel; imitação, cópia, retrato. 2 representação oral ou escrita de; exposição. 3 estl lit desenvolvimento literário por meio do qual se representa o aspecto exterior de seres e coisas. 4 jur num processo, a enumeração circunstanciada, detalhada dos caracteres de algo (...). (Dicionário Houaiss Digital)

Exemplos:

            “Simão Bacamarte explicou-lhe que D. Evarista reunia condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, e excelente vista; estava assim apta para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes. Se além dessas prendas, - únicas dignas da preocupação de um sábio, D. Evarista era mal composta de feições, longe de lastimá-lo, agradecia-o a Deus, porquanto não corria o risco de preterir os interesses da ciência na contemplação exclusiva, miúda e vulgar da consorte.” (Trecho de “O Alienista” de Machado de Assis)

            “A Wikipédia é uma enciclopédia livre que está sendo construída por milhares de colaboradores de todo o mundo. Este é um site baseado no conceito de wiki, o que significa que qualquer internauta, inclusive você, pode editar o conteúdo de quase TODOS artigos acionando o link "Editar" (Nas abas de conteúdo) que é mostrado em quase todas as páginas do site.
O projeto Wikipédia foi iniciado em 15 de Janeiro de 2001, na versão em língua inglesa. Em apenas um ano de existência, esta versão já possuía quase 10.000 artigos. Até hoje já foram criados mais de 5 milhões de artigos em dezenas de línguas (246 932 artigos na versão em português). Todos os dias, centenas de colaboradores de todas as partes do mundo editam milhares de artigos e criam muitos artigos inteiramente novos.” Fonte: www.wikipedia.org.br

            “Eu não sei, olhe, é terrível como chove. Chove o tempo todo, lá fora fechada e cinza, aqui contra a sacada, com gotões coalhados e duros que fazem plaf e se esmagam como bofetadas um através do outro. Agora aparece a gotinha no alto da esquadria da janela, fica tremelicando contra o céu e se esmigalha em mil brilhos apagados, vai crescendo e balouça, já vai cair, não cai ainda. Está segura com todas as unhas, não quer cair e se vê que ela se agarra com os dentes enquanto lhe cresce a barriga, já é uma gotona que se prende majestosa e de repente zup, lá vai ela, plaf, desmanchada, nada, uma viscosidade no mármore.” (Júlio Cortázar)

Tipologia textual narrativa

“Lembrava mais do passado que do presente. Morreu empoeirado.”
(Roberto Prado)

               “Contar histórias para crianças é a arte que melhor se adapta a nossa forma de pensar: tocam o ser humano há 4000 anos e o farão no ano 6000.”
(Margaret Read Mac Donald)

“Toda história de amor só presta se tiver, como ponto final, um beijo de mulher!”
(Menotti Del Picchia)

_Respeita uma determinada sequência no relato de fatos e acontecimentos reais ou imaginários, portanto é um texto sequencial.
_Texto marcado por uma determinada cronologia de eventos e acontecimentos, ou seja, é um discurso submetido a alguma noção de temporalidade.
_Narrador, personagens, espaço, tempo e enredo são tradicionalmente elementos importantes para a caracterização do texto narrativo.
_Geralmente, respeita a seguinte estrutura textual: apresentação, desenvolvimento, clímax e desfecho ou, simplesmente, começo, meio e fim. Contudo, não é obrigatório que as partes da narrativa estejam dispostas exatamente dessa forma, além de, muitas vezes, ser comum encontrar narrativas sem apresentação ou desfecho.
_É comum a presença de personagens que, classicamente, enquadram-se na seguinte disposição: protagonista, antagonista e coadjuvante.
_Presença de um conflito na narrativa que tende ao equilíbrio ou à solução, normalmente encontrada no clímax do texto.
_Verbos de ação ou processuais são fundamentais para existência desse tipo de texto.
_Presença intensa de advérbios e locuções adverbiais.
_Discurso direto, indireto e indireto livre são amplamente empregados.
_O tempo verbal predominante é o pretérito.
_É comum a sua presença com tipologia predominante em gêneros textuais de vários tamanhos, temáticas e estruturas, tais como o romance, a novela, o micro conto, o conto, a fábula, a narrativa oral, o cordel, etc., os quais podem ser escritos admitindo-se eixos temáticos que permitem classificar as narrativas como humorísticas, de aventura, de amor, de terror, de horror, de ficção científica, etc.

s.f. ação, processo ou efeito de narrar; narrativa 1 exposição escrita ou oral de um acontecimento ou de uma série de acontecimentos mais ou menos sequenciados 2 cine tv fala que acompanha, comenta ou explica uma sequência de imagens que expõem um acontecimento ou uma série deles 3 o texto dessa fala 4 sequência de imagens que expõem ou mostram um acontecimento ou uma série deles. (Dicionário Houaiss Digital)

Exemplos:

Prólogo
Enfim, um indivíduo de idéias abertas

A coceira no ouvido atormentava. Pegou o molho de chaves, enfiou a mais fininha na cavidade. Coçou de leve o pavilhão, depois afundou no orifício encerado. E rodou, virou a pontinha da chave em beatitude, à procura daquele ponto exato em que cessaria a coceira.
Até que, traque, ouviu o leve estalo e, a chave enfim no seu encaixe, percebeu que a cabeça lentamente se abria. (Marina Colasanti, Contos de amor rasgados)

            70, 70, 70, 71, 95, zero. O coração parou. (Ricardo Barioni)

            Pensou em vender a alma. Buscou por dentro, não a encontrou. (Rosa Meire)

Dia dos namorados
Ontem. Dia dos namorados. Um casal beijava-se entregue numa praça, quando ocorreu um assalto. Horas depois, o namorado registrava a queixa em que anunciava o roubo de uma namorada. (Vitório Sá)

Fábula Curta
"Ai de mim!", disse o rato, – "o mundo vai ficando dia a dia mais estreito". "Outrora, tão grande era que ganhei medo e corri, corri até que finalmente fiquei contente por ver aparecerem muros de ambos os lados do horizonte, mas estes altos muros correm tão rapidamente um ao encontro do outro que eis-me já no fim do percurso, vendo ao fundo a ratoeira em que irei cair". "– Mas o que tens a fazer é mudar de direção", disse o gato, devorando-o. (Franz Kafka)

Era uma vez
            Olhei para o espelho. Queria que me dissesse a verdade da minha beleza e virtudes. Mas, disse-me: – Você é um nada, nunca irá existir!– joguei o espelho fora. Comprei outro.
Que se dane a verdade. Fui feliz(Dudu Oliva)

Tipologia textual injuntiva, prescritiva ou instrucional

“(...)Um ser ou uma coisa composta de diferentes partes só pode ter beleza na medida em que estas partes são dispostas numa certa ordem(...)”
(Aristóteles)

_Uso de linguagem geralmente objetiva, precisa e clara para orientar e indicar procedimentos capazes de cumprir determinadas ações.
_Tem como objetivo que o interlocutor pratique uma determinada ação requerida, desejada; cumpra meticulosamente diferentes etapas - cronologicamente ordenadas - de execução de uma ação; seja orientado sobre o que ou como fazer determinada tarefa; seja incitado à realização de um dado procedimento; etc.
_Muitas vezes, um texto injuntivo tem a seguinte estruturação: 1ª parte: descrição dos materiais e circunstâncias necessárias para a realização da uma ação; 2ª parte: enumeração de procedimentos, os quais podem ser limitados quanto ao tempo, ao espaço, à quantidade, á qualidade e a circunstâncias a ater-se para o adequado desenvolvimento de algum projeto, ação ou procedimento.
_As formas verbais mais utilizadas na injunção são a 3ª pessoa do modo imperativo: "Depois de quentes, mexa todos os ingredientes."; o presente do indicativo com sujeito indeterminado: "Depois de quentes, mexe-se todos os ingredientes."; o infinitivo: "Depois de quentes, mexer todos os ingredientes.".
_Uso frequente de advérbios de modo e de negação.
_O enunciado é feito na perspectiva do fazer posterior ao tempo da enunciação.
_São exemplos de gêneros textuais em que essa tipologia textual é predominante: os manuais de instrução, as receitas culinárias, as constituições, os regimentos, etc.

s.f. 1.ato de injungir, de ordenar expressamente uma coisa; ordem precisa e formal. 2.influência coercitiva de leis, regras, costumes ou circunstâncias; imposição, exigência, pressão. (Dicionário Houaiss)

Exemplos:

Berinjela recheada com atum

Ingredientes:
1 berinjela;
1 lata de atum ralado;
1 pão francês;
50g de queijo ralado (gruyère);
1 colher (sobremesa) de manteiga;
Sal, pimenta-do-reino e azeite.

Preparo:
Corte a berinjela ao meio no sentido do comprimento. Divida cada metade em três partes e retire o miolo. Tempere e leve ao forno preaquecido a 180° por 10 min.

Para a crosta:
Bata no liquidificador o pão picado, o queijo e metade da manteiga. Retire a berinjela do forno, recheie com o atum (escorrido) e cubra com queijo. Volte ao forno até dourar. Sirva com salada.

Fonte: http://www.estadao.com.br/paladar

Preâmbulo às instruções para dar corda ao relógio
Pensa nisto: quando te oferecem um relógio, oferecem-te um pequeno inferno florido, uma prisão de rosas, um calabouço de ar. Não te dão somente o relógio, muitos parabéns, que te dure muitos e bons, é uma ótima marca, suíço com não sei quantos rubis, não te oferecem somente esse pequeno pedreiro que prenderás ao pulso e passeará contigo. Oferecem-te -- ignoram-no, é terrível ignorá-lo -- um novo bocado frágil e precário de ti mesmo, algo que é teu mas não é o teu corpo, que tens de prender ao teu corpo com uma correia, como um bracito desesperado pendente do pulso. Oferecem-te a necessidade de lhe dar corda todos os dias, a obrigação de dar corda para que continue a ser um relógio; oferecem-te a obsessão de ver as horas certas nas montras das joalharias, o sinal horário na rádio, o serviço telefônico. Oferecem-te o medo de o perder, de seres roubado, de que caia ao chão e se parta. Oferecem-te uma marca, a convicção de que é uma marca superior às outras, oferecem-te a tentação de comparares o teu com os outros relógios. Não te oferecem um relógio, és tu o oferecido, a ti oferecem para o nascimento do relógio.

Instruções para dar corda ao relógio

Lá bem no fundo está a morte, mas não tenha medo. Segure o relógio com uma mão, com dois dedos na roda da corda, suavemente faça-a rodar. Um outro tempo começa, perdem as árvores as folhas, os barcos voam, como um leque enche-se o tempo de si mesmo, dele brotam o ar, a brisa da terra, a sombra de uma mulher, o perfume do pão.
Quer mais alguma coisa? Aperte-o ao pulso, deixe-o correr em liberdade, imite-o sôfrego. O medo enferruja as rodas, tudo o que se poderia alcançar e foi esquecido vai corroer as velas do relógio, gangrenando o frio sangue dos seus pequenos rubis. E lá bem no fundo está a morte, se não corrermos e chegarmos antes para compreender que já não interessa nada. (Julio Cortázar)

Tipologia textual expositiva ou explicativa

“O escritor curto em idéias e fatos será, naturalmente, um autor de idéias curtas, assim como de um sujeito de escasso miolo na cachola, de uma cabeça de coco velado, não se poderá esperar senão breves análises e chochas tolices.” (Rui Barbosa)

_Uso da linguagem com o intuito de explanar, de fazer entender ou conhecer determinado assunto, de enumerar, de definir, ou seja, de explicar determinado tema com a pretensão de ser imparcial para que o leitor, o ouvinte ou o interlocutor possa informar-se sobre o assunto exposto.
_Há certo distanciamento do autor do texto em relação ao assunto por ele abordado, o que pode produzir um caráter razoavelmente imparcial ao texto.
_Presença intensa de orações coordenadas explicativas e subordinadas adjetivas explicativas.
_Predomínio da ordem direta na construção das orações e frases.
_Na maioria das vezes, a exposição das ideias e fatos respeita uma temporalidade lógica.
_A norma padrão é normalmente exigida na confecção desse tipo de texto, em especial, nos escritos.
_Uso de conectivos de esclarecimento, reiteração ou reformulação com o intuito de facilitar, esclarecer e explicar mais detalhadamente o conteúdo do texto (isto é, ou seja, em outras palavras, etc.).
_Emprego de exemplificações (por exemplo, a saber, etc.).
_Pode-se fazer uso de comparações e analogias para facilitar a compreensão das ideias expostas no texto.
_É possível encontrar textos expositivos construídos com mais de uma explicação sobre um mesmo assunto, com o intuito de que, pela enumeração de diversos pontos de vista sobre tal tema, um determinado interlocutor se informe para melhor produzir suas próprias conclusões sobre o assunto em questão.
_É um texto com preocupações informativas.
_São exemplos dessa tipologia textual a notícia, muitas dissertações, o livro didático, alguns documentos científicos, etc.

s.f. 1. apresentação organizada de um assunto, oralmente ou por escrito; palestra, explanação. 1.1 ação de declarar, de manifestar. (Dicionário Houaiss)

Exemplos:

De onde vem a expressão rock and roll?
A expressão, que literalmente significa "balançar e rolar", fazia parte da gíria dos negros americanos desde as primeiras décadas do século XX, para referir-se ao ato sexual. Assim, ela já aparecia em várias letras de blues e rhythm’n’blues como "Good Rockin’ Tonight" (1947), de Roy Brown - antes de ser adotada como nome do novo estilo musical, que surgiu nos anos 50, com Bill Halley e Elvis Presley, e consistia basicamente na fusão desses ritmos negros com a branquela música country. Esse batismo costuma ser atribuído ao disc-jóquei americano Alan Freed (1922-1965), cujo programa de rádio foi um dos principais responsáveis pela popularização da nova onda, altamente dançante, que logo contagiou toda a juventude do país e do mundo.
Na década de 60, o rótulo foi abreviado para rock, para abranger as mudanças provocadas por artistas como Bob Dylan e Beatles, abrindo um leque de infinitas variações: rock psicodélico, rock progressivo, folk rock, hard rock, heavy metal etc etc. A partir daí, o termo rock’n’roll passou a significar exclusivamente o estilo original, característico da década de 50.

Tipologia textual argumentativa

"Nada é mais perigoso do que uma idéia quando se tem apenas uma."
(Émile-Auguste Chartier)

"Não é triste mudar de idéias, triste é não ter idéias para mudar."
(Barão de Itararé)

_Defesa de um ponto de vista acerca de algum assunto, ideia ou conceito.
_Utilização da linguagem com o objetivo de, por meio de exposição de fatos, ideias e conceitos, chegar a conclusões lógicas e verossímeis que possam convencer alguém sobre um determinado posicionamento ou opinião.
_Uso de recursos lógicos com a intenção de fazer convencer o leitor ou o ouvinte de um determinado ponto de vista.
_Emprego de recursos retóricos para cumprir os objetivos argumentativos do texto.
_Pode empregar até mesmo recursos emotivos com o intuito de convencer alguém.
_Podem ser empregados recursos denotativos ou conotativos na construção de argumentos, ainda que aqueles sejam mais frequentemente utilizados.
_A presença de mais de um ponto de vista em um texto argumentativo pode ser explicada pelo recurso retórico em que, para reforçar determinada posição sobre um tema, refuta-se outras, ou seja, constrói-se um contra-argumento.
_São exemplos dessa tipologia textual o sermão, muitas dissertações científicas, as defesas orais de advogados em julgamentos, etc.

s.f. 1.arte, ato ou efeito de argumentar. 2. Derivação: por extensão de sentido. troca de palavras em controvérsia, disputa; discussão. 3. Rubrica: termo jurídico. conjunto de idéias, fatos que constituem os argumentos que levam ao convencimento ou conclusão de (algo ou alguém). 4. Rubrica: literatura, estilística. no desenvolvimento do discurso, corresponde aos recursos lógicos, como silogismos, paradoxos etc. ger. acompanhados de exemplos, que induzem à aceitação de uma tese e à conclusão geral e final. (Dicionário Houaiss)

Exemplos:

“Odeio os indiferentes. Como Friedrich Habel, acredito que viver significa tomar partido. Não podem existir apenas homens, estranhos a cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e partidário. Indiferença é viver sem vontade, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.
A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador, e a matéria inerte em que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos, o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor do que o peito dos seus guerreiros, porque engole nos seus sorvedouros de lama os assaltantes, os dizima e desencoraja e às vezes os leva a desistir da gesta heróica. (...)” (Antônio Gramsci)

"A poesia deixa algo em cada leitor: uma sílaba, uma metáfora, um conceito, uma visão do universo. Cada verso é de natural ambíguo, tem duas caras, como certas pessoas que eu conheço, ou cem, ou mil. As palavras não dispõem apenas de uma carteira de identidade;usam várias, como os ladrões ou os contrabandistas. Costumam sair disfarçadas, ou incógnitas, ou fantasiadas como no Carnaval. O demónio da polissemia que habita nelas como uma segunda natureza, torna-as verdadeiros camaleões, que tomam a cor da paisagem ou do instante." (Ledo Ivo)

"Creio na verdade fundamental de todas as grandes religiões do mundo. Creio que são todas concedidas por Deus e creio que eram necessárias para os povos a quem essas religiões foram reveladas. E creio que se pudéssemos todos ler as escrituras das diferentes fés, sob o ponto de vista de seus respectivos seguidores, haveríamos de descobrir que, no fundo, foram todas a mesma coisa e sempre úteis umas às outras."  (Mahatma Gandhi)

Tipologia textual dialogal ou conversacional

"A leitura torna o homem completo; a conversação torna-o ágil;  e o escrever dá-lhe precisão."
(Francis Bacon)

“Conversa com aqueles que possam fazer-te melhor do que és.” (Sêneca)

_Texto produzido por, ao menos, dois interlocutores que falam preferencialmente sob a lógica dos turnos, ou seja, um por vez.
_Quanto ao tamanho, não se pode prevê-lo, visto que um diálogo pode se dar num rápido encontro ou mesmo num debate em um programa como “Café filosófico” ou “Diálogos impertinentes”.
_Uso recorrente de elementos fáticos.
_Recepção imediata do ato comunicativo.
_Muitos turnos de conversação organizados sob a lógica da pergunta e da resposta.
_Presença constante de sinais gráficos que almejam reproduzir alguns recursos inerentes à oralidade, tais como as reticências, os sinais de pontuação de entoação, onomatopeias, etc.
_Situação comunicativa construída na perspectiva de uma interação entre os interlocutores. _São exemplos a conversa telefônica, o debate, a entrevista, etc.

s.m. 1  fala em que há a interação entre dois ou mais indivíduos; colóquio, conversa. 2 contato e discussão entre duas partes em busca de um acordo 3 conjunto das palavras trocadas pelas personagens de um romance, filme etc.; fala que um autor atribui a cada personagem 4 obra em forma de conversação com fins expositivos, explanatórios ou didáticos. (Dicionário Houaiss)

Exemplos:

Casal é tudo igual
Luís Fernando Veríssimo

Ele: – Alô?
Ela: – Pronto.
Ele: – Voz estranha… Gripada?
Ela: – Faringite.
Ele: – Deve ser o sereno. No mínimo tá saindo todas as noites pra badalar.
Ela: – E se estivesse? Algum problema?
Ele: – Não, imagina! Agora, você é uma mulher livre.
Ela: – E você? Sua voz também está diferente. Faringite?
Ele: – Constipado.
Ela: – Constipado? Você nunca usou esta palavra na vida.
Ele: – A gente aprende.
Ela: – Tá vendo? A separação serviu para alguma coisa.
Ele: – Viver sozinho é bom. A gente cresce.
Ela: – Você sempre viveu sozinho. Até quando casado só fez o que quis.
Ele: – Maldade sua, pois deixei de lado várias coisas quando a gente se casou.
Ela: – Evidente! Só faltava você continuar rebolando nas discotecas com as amigas.
Ele: – Já você não abriu mão de nada. Não deixou de ver novela, passear no shopping, comprar jóias, conversar ao telefone com as amigas durante horas…
… Silêncio ….
Ela: – Comprar jóias? De onde você tirou essa idéia? A única coisa que comprei em quinze anos de casamento foi um par de brincos.
Ele: – Quinze anos? Pensei que fosse bem menos.
Ela: – A memória dos homens é um caso de polícia!
Ele: – Mas conversar com as amigas no telefone…
Ela: – Solidão, meu caro, cansaço… Trabalhar fora, cuidar das crianças e ainda preparar o jantar para o HERÓI que chega à noite…Convenhamos, não chega a ser uma roda-gigante de emoções…
Ele: – Você nunca reclamou disso.
Ela: – E você me perguntou alguma vez?
Ele: – Lá vem você de novo… As poucas coisas que eu achava que estavam certas… Isso também era errado!?
Ela – Evidente, a gente não conversava nunca…
Ele: – Faltou diálogo, é isso? Na hora, ninguém fala nada. Aparece um impasse e as mulheres não reclamam. Depois, dizem que faltou diálogo. As mulheres são de Marte.
Ela: – E vocês são de Saturno!
…Silêncio…
Ele: – E aí, como vai a vida?
Ela: – Nunca estive tão bem. Livre para pensar, ninguém pra me dizer o que devo fazer…
Ele: – E isso é bom?
Ela: – Pense o que quiser, mas quinze anos de jornada são de enlouquecer qualquer uma.
Ele: – Eu nunca fui autoritário!
Ela: – Também nunca foi compreensivo!
Ele: – Jamais dei a entender que era perfeito. Tenho minhas limitações como qualquer mortal..
Ela: – Limitado e omisso como qualquer mortal.
Ele: – Você nunca foi irônica.
Ela: – Isso a gente aprende também.
Ele: – Eu sempre te apoiei.
Ela: – Lógico. Se não me engano foi no segundo mês de casamento que você lavou a única louça da tua vida. Um apoio inestimável…Sinceramente, eu não sei o que faria sem você. Ou você acha que fazer vinte caipirinhas numa tarde para um bando de marmanjos que assistem ao jogo da Copa do Mundo era realmente o meu grande objetivo na vida?
Ele: – Do que você está falando?
Ela: – Ah, não lembra?
Ele: – Ana, eu detesto futebol.
Ela: – Ana!? Esqueceu meu nome também? Alexandre, você ficou louco?
Ele: – Alexandre? Meu nome é Ronaldo!
…Silêncio…
Ele: – De onde está falando?
Ela: – 578 9922
Ele: – Não é o 579 9222?
Ela: – Não.
Ele: – Ah, desculpe, foi engano.
Depois de um tempo ambos caem na gargalhada.
Ele: Quer dizer que você faz uma ótima caipirinha, hein?
Ela: – Modéstia à parte… Mas não gosto, prefiro vinho tinto.
Ele: – Mesmo? Vinho é a minha bebida preferida!
Ela: – E detesta futebol?
Ele: – Deus me livre… 22 caras correndo atrás de uma bola… Acho ridículo!
Ela: – Bem, você me dá licença, mas eu vou preparar o jantar.
Ele: – Que pena… O meu já está pronto. Risoto, minha especialidade!
Ela: – Mentira! É o meu prato predileto…
Ele: – Mesmo! Bem, a porção dá pra dois, e estou abrindo um Chianti também. Você não gostaria de…
Ela: – Adoraria!
Ele dá o endereço.
Ela: – Nossa, tão pertinho! São dois quarteirões daqui.
Ele: – Então? É pegar ou largar.
Ela: – Tô passando aí, Ronaldo.
Ele: – Combinado, vizinha.

            – no caixão...
            – Sim, paizinho.
            – ...não deixe essa me beijar. (Dalton Trevisan)

            Respostas a uma entrevista:
            - Qual o maior poeta brasileiro atual?
            - Deixa disso. Nenhum poeta é cavalo de corrida para ser obrigado a chegar em primeiro lugar. (Mario Quintana)

Gêneros textuais – Dissertação

                              “O fato de uma opinião ser amplamente compartilhada não é nenhuma evidência de que não seja completamente absurda; de fato, tendo-se em vista a maioria da humanidade, é mais provável que uma opinião difundida seja tola do que sensata.”
(Bertrand Russell)

“O que não sabe é um ignorante, mas o que sabe e não diz nada é um criminoso.”
(Bertolt Brecht)

Introdução para a teoria de gêneros textuais

"A comunicação verbal só é possível por algum gênero textual."
(Marcuschi)


            Gêneros textuais são meios de se comunicar produzidos a partir de necessidades de interação social, econômica, estética e política do homem, produto de inter-relações perceptíveis e relativamente estáveis entre as tipologias textuais. São criados a partir de processos históricos, sociais e coletivos, ainda que possam ser marcados por características e preferências individuais daqueles que os utilizam para se comunicar. São ferramentas de comunicação, portanto, moldáveis pelas escolhas individuais, mas também pelo processo histórico e de transformações pelo qual toda sociedade, especialmente as mais industrializadas e modernas, passam.
            Os gêneros textuais abarcam desde a simples correspondência informal enviada a um amigo até o ensaio escrito por um crítico de arte. Enfim, a diversidade de gêneros textuais que permeiam e definem as formas de comunicação humana, particularmente a escrita, multiplicaram-se nos últimos anos com o advento da internet e com as múltiplas fronteiras ultrapassadas ou ignoradas por produtores de textos e artistas menos preocupados com a pureza e a fôrma de um gênero textual e mais com a mensagem a ser comunicada, ou seja, na atualidade, tais modalidades textuais passaram mais frequentemente a ser eventos de fronteira e submetidos às necessidades de uma ideia ou conceito do que uma exigência formal sobre como se comunicar.

Gênero textual - Dissertação

Dissertação é um gênero textual produto das interações entre certas tipologias textuais, em especial a argumentação e a exposição, ainda que descrição e narração possam ser usadas como recursos para construção particularmente de argumentos. Esse gênero textual é empregado de forma regular para comunicar e documentar debates de cunho científico, acadêmico, estético, etc., com o intuito de comunicar a posição de alguém sobre determinado tema de forma organizada e respeitosa de princípios do pensamento lógico e formal.

Estrutura textual dissertativa

            A estrutura textual é uma forma pré-concebida de organizar ideias em um texto. Um dos gêneros textuais mais dependentes formalmente dessa premissa é a dissertação. Isso ocorre muito em função do caráter científico dela, o que exige procedimentos organizacionais para que a tese defendida e exposta na dissertação seja mais compreensível para o leitor. A estrutura textual dissertativa, que é base para a maioria dos textos argumentativos de concursos, é dividida em introdução, desenvolvimento e conclusão.

:::Introdução: apresentação da hipótese

Exposição sucinta do assunto a ser abordado no texto, que pode ser construída com auxílio de uma exposição breve acerca do assunto, de uma opinião pessoal, de uma descrição, de uma narração, etc. É importante que qualquer uma dessas escolhas comunique de forma clara e explícita o tema do texto em questão e o enfoque dado a ele pelo autor.
            É fundamental que a introdução esclareça para o leitor sobre qual assunto será lido, se possível, com a focalização do tema, ou seja, o recorte temático a ser discutido pelo autor.
Pode também ser o momento de, explicitamente, o autor do texto – mais que informar e enfocar – expor uma opinião clara e concisa que norteará e justificará os argumentos utilizados no desenvolvimento, o que muitos chamam de hipótese, até porque ainda é uma afirmação carente de comprovação a ser construída no desenvolvimento, o qual a sucede e defende.

Tipos de introdução para o texto dissertativo

_Conceito/opinião: caracterização sintética do assunto a ser tratado, delimitando-o e explicitando a opinião do autor acerca do tema.

Exemplo: “A falta de interesse pelas políticas públicas por parte da maioria das lideranças políticas, a corrupção na polícia e a miséria de parte expressiva da população brasileira auxiliaram, decisivamente, na consolidação do auto-proclamado poder paralelo. Esse fenômeno se soma a muitos outros para denunciar a calamidade por causa da qual a sociedade sofre e a incompetência do poder estatal nas comunidades menos favorecidas do Brasil.”

_Comparação: estabelece pontos de semelhança entre elementos diversos. Modo associativo e analógico de iniciar a discussão de um tema, fazendo até mesmo que o leitor possa ter contato com pontos de convergência entre o assunto do texto e outros temas além do senso-comum.

Exemplo: “O poder paralelo não é um problema social e de segurança pública exclusivo de países subdesenvolvidos e pobres, ele também assola os EUA, a Itália, a Rússia e o Japão. Estes países têm um ou vários grupos criminosos extremamente organizados atuantes em seu próprio território, com uma autonomia, algumas vezes, maior do que a do Comando Vermelho (CV) e a do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Brasil.”

_Indagação (perguntas): sequência de perguntas que, ao mesmo tempo, informa os pontos do tema que serão abordados no texto e faz questionamentos pertinentes os quais nortearão a argumentação posterior.

Exemplo: “Qual a razão para a existência de organizações criminosas tão ou mais poderosas do que o Estado brasileiro? O que as mantém tão atuantes? Como se consolidou na sociedade brasileira esse poder paralelo? Eis as perguntas mais comuns feitas dos bares da periferia até as salas das universidades. Em resumo, como o poder paralelo suplantou o estatal sem que a sociedade civil percebesse a tempo?”

_Consideração histórica: apanhado dos principais pontos ao longo da trajetória histórica do tema escolhido que possam elucidar as razões, as consequências, os fatos, etc. responsáveis pela situação atual que envolve e é envolvida pelo assunto do texto.

Exemplo:O poder paralelo tem raízes em tradições seculares na Itália e no Japão, por exemplo. Nesses lugares, a despeito das ações criminosas, ele cresceu com o referendo de grande parte da população carente, sem heróis e pouco educada, além disso, contou com períodos de ausência do Estado em relação a políticas públicas e sociais. Nesse hiato, no qual, sob outras condições, o caso brasileiro também está inserido, desenvolveu estrutura de empresa e afirmou-se como parte da sociedade que não pode, infelizmente, ser ignorada.”

_Enumeração de ideias, impressões ou fatos: uso de exemplos claros, precisos e contundentes, normalmente de conhecimento público, os quais conduzirão as discussões posteriores ou serão recuperados em outras passagens do texto.

Exemplo: “A criação de leis, a imposição de toque de recolher, o controle severo e ditatorial da vida das pessoas e o poder de executor de penas são atribuições agora de um poder paralelo nas periferias brasileiras. As organizações criminosas são responsáveis por tornar a vida em muitas cidades, especialmente para os mais pobres, caótica e violenta.”

_ Citação: opinião decorrente de experiência relatada (citação informal) ou de uma passagem de livro, revista, etc. (citação formal).

Exemplo: “ ‘Paz sem voz, não é paz, é medo.’. O verso contundente retirado de uma música do grupo O Rappa oferece uma explicação para o assombro chamado poder paralelo; notícia na mídia, terror para as comunidades mais pobres e ameaça onipresente para as mais favorecidas. Essa é a resposta para os séculos de omissão e silêncio das autoridades e dos cidadãos ‘cordiais’ da sociedade brasileira.”

:::Desenvolvimento: comprovação da hipótese (argumentação)

Fundamentação racional e organizada dos pontos de vista do autor por intermédio de argumentos validados pela razoabilidade, pela ciência ou pela experiência coletiva. Tal procedimento confere ao texto dissertativo a condição de espaço privilegiado de debate sobre as principais questões de qualquer tempo.
É no desenvolvimento que se mede a capacidade intelectual e cultural do autor do texto para, a partir de raciocínios, fatos e analogias verossímeis, defender seu ponto de vista a respeito de um determinado assunto.
Nessa parte do texto, é muito importante o uso de recursos retóricos capazes de dar mais visibilidade e contundência para o melhor da argumentação presente no texto.
            Sob uma perspectiva mais formal e mais conectada às necessidades daqueles que precisam escrever textos argumentativos escritos, é importante perceber as diferentes formas de construir argumentos. Tais estruturas lógico-discursivas podem ser divididas em tipos, em função da técnica argumentativa empregada como meio de dar solidez e coerência a um determinado argumento, o que, em última instância, deverá contribuir positivamente para a defesa de uma tese, proposição ou ponto de vista. Dessa maneira, eis alguns tipos de argumentos:

_Causa e consequência: principal meio lógico-discursivo empregado em textos argumentativos para construir um argumento. Baseia-se na enunciação de uma causa e na discussão sobre as potenciais consequências dessa afirmativa.

Exemplo: “O que é preciso lembrar é que a consolidação da indústria cultural brasileira trouxe com ela uma segmentação do mercado que não pode ser evitada. Ainda mais, porque essa segmentação levou a uma segregação por parte dos setores dominantes da indústria daquela parcela da MPB comprometida com a conservação e renovação da tradição da canção.” (Coletivo MPB, em “A morte e a morte da canção”)

_Exemplificação: o exemplo, tomado como fidedigno à realidade, é um dos mais potentes mecanismos argumentativos, visto que faz com que o argumento se torne mais sólido, em princípio, porque se sustenta em fatos demonstrados com isenção. Exemplos podem ser construídos de várias formas, desde a simples utilização de fatos jornalísticos de conhecimento amplo até o uso de abordagens estatísticas com as devidas referências capazes de atestar a elas a necessária confiabilidade.

Exemplo: “A amnésia e recusa em aceitar responsabilidades históricas, tão frequentes entre as potências européias, é rara em países que foram derrotados de forma tão contundente como aconteceu com o Japão. Ainda mais estranho é que essa insensibilidade em relação às vítimas estrangeiras seja compatível com Abe e seu governo, que fizeram do caso dos 16 cidadãos japoneses sequestrados nos anos 1970 e 1980 pelos serviços secretos norte-coreanos, um de seus principais temas diplomáticos.” (Rafael Poch, La Vanguardia)

_Indução: esse tipo de argumento fundamenta-se em informações relativas a particularidades ou a detalhes acerca do assunto em questão (estatísticas, dados, etc.), com o intuito de induzir o leitor a concordar com conclusões generalistas, sempre em sintonia com a tese defendida ao longo do processo argumentativo.
São muitos os problemas potenciais dessa estratégia argumentativa, tais como a insuficiência e a confiabilidade dos dados para serem acatadas determinadas conclusões a partir deles; a escolha tendenciosa dos dados utilizados; o uso “viciado” ou mesmo mal intencionado dos dados a fim de forçar uma conclusão impossível segundo parâmetros racionais e científicos; etc.

Exemplo: “No Brasil, o Funk popularizou-se com os bailes da pesada organizados pelos DJs Big Boy e Ademir Lemos nos anos 70, no Canecão, com a popularização de alguns artistas como Tony Tornado. Na época, a música era conhecida como soul, shaft ou soul-funk, derivando depois para simplesmente funk. Os bailes eram conhecidos como bailes black.” (Manoela Ebert)

_Dedução: Em tese, a dedução deve ser entendida como o contrário da indução. Normalmente, a argumentação dedutiva é a mais comum no discurso científico, ou seja, naqueles textos ou debates que pretendem ser obras abertas para a crítica e a análise de quaisquer pessoas interessadas neles.

Exemplo: “Os novos paradigmas [da música brasileira] parecem se concentrar e se encontrar todos no extremo norte do País, na pujante cena musical de Belém do Pará. Assim o antropólogo Hermano Vianna descreveu o ambiente das ‘festas de aparelhagem’ que forjaram o gênero ‘tecnobrega’, uma convergência mestiça de ritmos brasileiros e caribenhos, música tradicional, ‘cafona’ e eletrônica, romantismo de Roberto Carlos e tecnologia de DJs: ‘Quando as novidades são apresentadas, os fãs-clubes das aparelhagens vão ao delírio, com braços para cima, como se estivessem saudando a aparição de uma divindade, o totem da tribo eletrônica da periferia de Belém’.” (Pedro Alexandre Sanches, em “A música fora do eixo”)

_Perguntas, questionamentos:  o uso de perguntas como norteadoras de um argumento tem como mais recorrente objetivo tornar a ordem das ideias em um texto mais fácil de ser compreendida, já que a relação entre pergunta e resposta é mais natural para quaisquer leitores, o que facilita o entendimento do leitor.
            É importante apenas que sejam evitadas perguntas muito elaboradas que não possam ser respondidas por falta de discussão sobre o assunto pelo autor ou mesmo porque o espaço médio do parágrafo não comportaria a resposta.

Exemplo: “Dentro desse contexto, até quando vamos esperar para que um novo Nirvana, um novo Sex Pistols e um novo Beatles apareça? Parece impossível, mas não é. Se não me falha a memória, o último grande movimento que realmente redirecionou o ‘rock and roll’ para um caminho até agora ilimitado foi o ‘grunge’. Conhecido após a ascensão do Nirvana, no começo da década de 90, mas impulsionado anteriormente por bandas como Mother Love Bone, L7, Mudhoney e, posteriormente, por Pearl Jam, Sound Garden, Stone Temple Pilots e Alice In Chains, essa corrente trouxe uma nova forma peculiar de se fazer rock, juntamente com toda uma energia acumulada de uma geração (dos anos 80) completamente angustiada e sem rumo.” (Marina Castellan Sinhorini)

_Analogia (comparação, relação por semelhança): analogias e comparações são construídas a fim de, por semelhança, propor que determinadas causas ou consequências para um fato sirvam para se entender questão semelhante noutro contexto. Tal prática tem como intuito evidenciar diferenças ou semelhanças capazes de contribuir no processo argumentativo do texto no sentido de se construir uma tese sólida e confiável.
Um dos senões desse mecanismo retórico são as inadequações quanto aos universos comparados que, em alguns casos, podem denunciar intenções de se construir especialmente semelhanças entre pontos em que foram ignoradas especificidades responsáveis por torná-los, muitas vezes, tão diferentes que eles se tornam incomparáveis.

Exemplo: “A música jovem brasileira dos anos sessenta foi marcada, principalmente, pelos movimentos Jovem Guarda e Tropicália, ambos fundamentais para o desenvolvimento de uma linguagem musical jovem no país. A Jovem Guarda, diretamente derivada do rock, apesar de uma certa resistência inicial, significou a mais profunda tradução da invasão britânica, patrocinada pelos Beatles, Rolling Stones e companhia. A Tropicália, por sua vez, mais ampla, introduziu a guitarra na tradicional MPB e o discurso político no rock, alargando os horizontes da música brasileira.” (Fernando Rosa, em “História do rock nacional”)

_Discurso de autoridade, citação (recorrência ao testemunho de alguma autoridade no assunto em questão): nesse procedimento, destaca-se o uso, geralmente, de citação ou da paráfrase assumida das ideias de uma autoridade no tema em questão que possa conferir credibilidade ao posicionamento do autor do texto.
Um dos problemas mais comuns encontrados em argumentos sustentados por citações é a escolha equivocada do recurso intertextual ou do autor dele, o que pode produzir inadequação do aforismo em relação à idéia defendida no argumento, invalidação do argumento por o aforismo ser improcedente, etc. Exemplo:

“Sobre as origens africanas do samba, veja-se que, no início do século XX, a partir da Bahia, circulava uma lenda, gostosamente narrada pelo cronista Francisco Guimarães, o Vagalume, no clássico “Na roda do samba”, de 1933, segundo o qual o vocábulo teria nascido de dois verbos da língua iorubá: “san”, pagar, e “gbà”, receber. Depois de Vagalume, muito se tentou explicar a origem da palavra, alguém até lhe atribuindo uma estranha procedência indígena. Mas o vocábulo é, sem dúvida, africaníssimo. E não iorubano, mas legitimamente banto.” (Nei Lopes, em “A presença africana na música popular brasileira”)

:::Conclusão: resumo, reafirmação, proposição de solução ou síntese das ideias do texto

Consiste na enunciação de uma tese defendida ao longo de toda ou de parte da dissertação por meio do desenvolvimento organizado em função de posturas argumentativas que permitem ao autor do texto reafirmar, resumir ou concluir o que disse ao longo dele. Tal procedimento só é possível graças à pertinência e à qualidade dos argumentos e das ideias concatenadas ao longo do desenvolvimento.
Como resultado desses argumentos, também se pode apresentar, na conclusão, uma solução viável para a questão quando solicitado ou quando o autor julgar possível ou condizente com a discussão. É importante lembrar que as soluções apresentadas pelo autor não devem sermágicas”, ou seja, devem possuir uma viabilidade concreta.
A conclusão é o momento em que o autor ratificará seu julgamento acerca do assunto sobre o qual dissertou. Por isso, nessa parte do texto, não são possíveis perguntas destinadas ao leitor, até porque, no caso de processos seletivos, ele é um corretor com o qual não se pode estabelecer qualquer tipo de comunicação.
Por causa da função clara e restrita que a conclusão tem em relação ao restante do texto, que é, em última análise, reafirmar, sintetizar ou ressaltar as passagens mais importantes dele, não há razão alguma para informações novas serem incluídas justamente nessa parte da estrutura de um texto dissertativo.