terça-feira, 18 de outubro de 2011

Intertextualidade




“...escrever, pois, é sempre reescrever, não difere de citar. A citação, graças à confusão metonímica a que preside, é leitura e escrita, une o ato de leitura ao de escrita. Ler ou escrever é realizar um ato de citação.”
(Antoine Compagnon)

“Se todo texto é só uma série de citações anônimas, não susceptíveis de atribuições, por que então assinar um texto defendendo essa intertextualidade absoluta? Se o texto moderno, segundo Barthes, essa ‘citação sem aspas’, por que deveria ficar ligado a um nome, uma vez que esse nome não poderia, de modo algum, atestar ou indicar a origem?”
(Michel Schneider)

“A intertextualidade tornou-se, hoje, um conceito operatório indispensável para a compreensão da literatura. Ele caracteriza o romance moderno como dialógico, isto é, como um tipo de texto em que as diversas vozes da sociedade estão presentes e se entrecruzam, relativizando o poder de uma única voz condutora. Mikhail Bakhtin compara a intertextualidade à língua, dizendo que esta “não é propriedade de algum indivíduo em particular, nem é, por outro lado, um objeto independente da existência dos indivíduos”. Exatamente no espaço dos intercâmbios, dos conflitos, das vozes que se propagam e se influenciam sem cessar situa-se a linguagem como processo social. A linguagem, em qualquer de suas manifestações, teria uma base relacional, interacional, ao processar-se entre os indivíduos de uma sociedade.”
(Juan Bordenave)

“(...) todo texto se constrói como mosaico de citações, todo texto é absorção e transformação de um outro texto.”
(Julia Kristeva)

            A intertextualidade, como a própria palavra já denuncia, é a relação estabelecida entre textos diferentes com o intuito de compor matéria “nova” a partir de conhecimento anterior. Essa prática é inerente a qualquer produção linguística humana, visto que produzimos linguagem a partir de referências, modelos e padrões que nos precedem, os quais são em algum sentido formadores da nossa experiência como usuários de uma dada linguagem.
            Dessa forma, é impossível afirmar que algum texto nasce alheio a referências constituintes de sua forma e conteúdo, ou seja, não há autonomia textual no tocante ao fato de alguém produzir um texto inédito em todas as suas peculiaridades linguísticas. Isso seria se não impossível, irrealizável, já que ele se tornaria incompreensível.
            Além disso, pode-se até dizer que a intertextualidade realiza-se também no exercício da leitura, porque parte das intertextualidades comunicadas conscientemente ou não pelo autor de um texto também podem ou não ser entendidas pelo leitor, visto que, para reconhecê-las, é fundamental o conhecimento do leitor sobre tais referências. Além disso, o leitor pode atribuir ao texto padrões de intertextualidade que mesmo o autor dele desconhece, o que confere ao texto e a qualquer forma de comunicação humana o título de obra sempre inacabada ou aberta, dependente do olhar temporal, espacial e circunstancial em relação ao outro e ao dinamismo entre o que se fala ou escreve e o que se ouve ou lê. Michel de Montaigne bem definiu essa relação no famoso aforismo: “A palavra é metade de quem a pronuncia e metade de quem a escuta.”
            A intertextualidade está, portanto, presente tanto na produção como na recepção da vasta experiência cultural humana da qual somos ao mesmo tempo assunto, meio, emissor, receptor e analista. Tal multifacetado processo faz crer na onipresença da intertextualidade como formadora de discursos e como auxiliar na interpretação deles. Eis a prática, por muitas vezes arte, de poemas serem precedidos de aforismos, de propagandas apropriarem-se de músicas famosas, de filmes dialogarem com outros filmes, de obras de arte serem inspiradas em outras manifestações artísticas, etc., ou seja, dos textos estabelecerem relações entre si, por serem construídos por uma rede de associações mútuas, constantes e inesgotáveis. Como é o caso do exemplo: “Quando voltou do cinema, a família ainda agonizava.” (Idelber Avelar)

Podem ser destacados seis tipos de intertextualidade explícita:



1 - Epígrafe

“Sinto que meu copo é grande demais para mim, e ainda bebo no copo dos outros.”
(Mário de Andrade)

A epígrafe constitui um texto breve ou parte dele introdutório a outro, como forma de abertura de um poema, um ensaio, um conto, uma tese, etc. Comumente, serve de resumo, síntese ou introdução às informações seguintes, até porque é escrito logo abaixo do título da obra ou em página a parte.

Epitáfio Dark nº 1

“Existem coisas conhecidas e coisas desconhecidas, entre elas estão as portas.”
(Jim Morrison)

“Se as portas da percepção fossem abertas, tudo pareceria aos homens como realmente é, infinito.”
(Willian Blake)

me sinto
fora de foco
in loco
foto pose finale
no hotel del leito louco
outra lacraia sem apoio
mas me sinto
o sentido nato de escroto
leite de porco & corvo
aborto nesta ilustração de tinteiro absorto
absurdo espanto & destôo
gota e gota

(Sérgio Luiz Blank)

2 - Citação

“Somos feitos de citações.”
(Gustave Flaubert)

A citação é uma transcrição de texto alheio, marcada por aspas. A citação pode ser usada como meio para, ao se fazer referência às ideias do outro tal qual ele as enunciou, legitimar a tese ou abordagem argumentativa do texto que a  contém, ou seja, é base para o argumento de autoridade: citar o pensamento alheio como forma de autenticar um ponto de vista sobre o quer que seja.

“O mangue beat pode ser classificado como um típico fenômeno pós-moderno de hibridismo cultural, caracterizado por uma assimilação da cultura hegemônica decorrente dos processos de globalização, porém de uma forma negociada, resgatando e preservando as raízes de uma identidade regional como forma de resistência ao caráter homogenizador desses mesmos processos. Segundo Leão: ‘O consumo de signos estrangeiros não se configura como recepção passiva, despolitizada, mas como apropriação que instaura o espaço da mediação cultural, onde a hegemonia vai ser desafiada.’” (Luciano de Azambuja)

3 - Paráfrase

“...um texto é sempre depositário de elementos vindos de outros textos, o que vem apontar então para o caráter intertextual que deverá ter sua leitura.”
(Jacques Derrida)

A paráfrase é a reprodução de um texto, aqui chamado original, com outras palavras, com outros recursos linguísticos, porém com o objetivo de manter integralmente as informações comunicadas no texto fonte, ou seja, é a versão de um dado texto no seu próprio idioma. Pode também ter o intuito de tornar mais claro e objetivo o que se comunicou em um texto anterior no tempo. Dessa forma, configura-se como um tipo de reescritura de um texto pré-existente, ou seja, uma forma de traduzir em que não se altera o idioma em nenhum momento do exercício de intertextualidade. São exemplos:

Moralmente, é tão condenável não querer saber se uma coisa é verdade ou não, desde que ela nos prazer, quanto não querer saber como conseguimos o dinheiro, desde que ele esteja na nossa mão.” (Edmund Way Teale)
Eticamente, tal como ignorar o que é verdadeiro, em troca de satisfação pessoal, é igualmente questionável ignorar a origem de uma riqueza, desde que ela seja de nossa propriedade.

“O universo não foi feito à medida do ser humano, mas tampouco lhe é adverso: é-lhe indiferente.” (Carl Sagan)
O cosmo não foi concebido tendo como parâmetro o homem, porém não se opõe a ele: é apenas insensível a sua presença.

4 - Paródia

“A paródia é a carnavalização da vida.”
(Vitório Sá)

A paródia é um mecanismo de apropriação do texto alheio a fim pervertê-lo com a ajuda da ironia, do escracho, da crítica, em lugar de ratificar as ideias dele, como é o caso da paráfrase. Pode ser construída sutil ou escancaradamente. A paródia é especialmente comum em filmes, em músicas e na literatura. São exemplos os filmes “A vida de Brian” e “Todo mundo em pânico”, que fazem paródias, no primeiro caso, da vida de Jesus Cristo e, no segundo, de vários filmes de terror. Pode-se citar também a obra de bandas como “Língua de Trapo” e “Mamonas Assassinas”. Na literatura, tal como na arte, são muitos os exemplos, eis talvez o mais conhecido:

Exemplo 1

Canção do exílio

Kennst du das Land, wo die Citronen blühen,
Im dunkeln Laub die Gold-Orangen glühen?
Kennst du es wohl? — Dahin, dahin!
Möchtl ich... ziehn. *
(Goethe)

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

(Gonçalves Dias. Coimbra - julho 1843)

* - "Conheces a região onde florescem os limoeiros ?
laranjas de ouro ardem no verde escuro da folhagem;
conheces bem? Nesse lugar,
eu desejava estar" (Mignon, de Goethe)

Canção do exílio facilitada

lá?
ah!
sabiá...
papá...
maná...
sofá...
sinhá...

cá?
bah!

(José Paulo Paes)

Minha terra não tem palmeiras …
E em vez de um mero sabiá,
Cantam aves invisíveis
Nas palmeiras que não há.

Minha terra tem refúgios,
Cada qual com a sua hora
Nos mais diversos instantes …
Mas onde o instante de agora?

Mas a palavra “onde”?
Terra ingrata, ingrato filho,
Sob os céus de minha terra
Eu canto a Canção do Exílio.

(Mário Quintana)

Exemplo 2

Amor à Terra

Laranja na mesa.
Bendita a árvore
que te pariu.

(Poema atribuído à Clarice Lispector)

5 - Tradução

“Quem não conhece línguas estrangeiras não sabe nada a respeito da sua própria.”
(Goethe)

“Qualquer bobagem em francês soa como uma dessas verdades inapeláveis e eternas.”
(Nelson Rodrigues)

A tradução é a versão de um texto em outro idioma, está no contexto da intertextualidade já que, ao transpor qualquer texto, especialmente os literários, para um outro idioma, pode ocorrer de duas traduções serem divergentes em alguns pontos. Isso ocorre em virtude das muitas interpretações que expressões populares, incompatibilidades vocabulares, ironias, metáforas, polifonias, etc., podem permitir. Certamente, por isso, George Borrow, bem definiu o ato de traduzir com o aforismo: “Toda tradução é, no melhor dos casos, um eco.”. A seguir, veja algumas traduções do famoso poema “O Corvo”, do escritor inglês Edgar Allan Poe:

“Once upon a midnight dreary, while i ponde-red
weak ande weary
Over many a quaint and curious volume of for-got-
tem lore, while i modded, neraly napping, su-ddenly
there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at may
chamber door
Only this and nothing more.” (Edgar A. Poe)

1

“Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais
‘Uma visita’ eu me disse, ‘está batendo a meus umbrais
E só isto, e nada mais.” (Tradução de Fernando Pessoa)

2

“Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho
E disse estas palavras tais:
‘É alguém que me bate à porta de mansinho:
Há de ser isso e nada mais.” (Tradução de Machado de Assis)

6 - Alusão

A alusão é toda referência direta ou indireta, intencional ou não, ao título de uma obra, um personagem, uma situação descrita numa obra, etc., pertencente ao mundo do literário, do artístico, do mitológico, etc., e que seja potencialmente do conhecimento do interlocutor. Machado de Assis é bom exemplo desse tipo de intertextualidade quando, dentre outras ocasiões em muitos de seus livros, alude a Otelo, personagem da obra de Shakespeare, em seu livro dom Casmurro como uma forma de comparação entre os dramas vividos por aquele e por Bentinho nas obras em questão.

“No filme “Matrix”, o ator protagonista Keanu Reeves guarda seus programas de paraísos artificiais no fundo falso do livro “Simulacros e Simulação”, de Baudrillard. Keanu leu o livro e adorava citá-lo em suas entrevistas, mas Baudrillard não gostava do filme. Dizia que se inspiraram nele, mas não o compreenderam.” (Revista Época)

“Jantei fora. De noite fui ao teatro. Representava-se justamente Otelo, que eu não vira nem lera nunca; sabia apenas o assunto, e estimei a coincidência. Vi as grandes raivas do mouro, por causa de um lenço, — um simples lenço! — e aqui dou matéria à meditação dos psicólogos deste e de outros continentes, pois não me pude furtar à observação de que um lenço bastou a acender os ciúmes de Otelo e compor a mais sublime tragédia deste mundo. Os lenços perderam-se, hoje são precisos os próprios lençóis; alguma vez nem lençóis há, e valem só as camisas. Tais eram as idéias que me iam passando pela cabeça, vagas e turvas, à medida que o mouro rolava convulso, e Iago destilava a sua calúnia. Nos intervalos não me levantava da cadeira; não queria expor-me a encontrar algum conhecido. As senhoras ficavam quase todas nos camarotes, enquanto os homens iam fumar. Então eu perguntava a mim mesmo se alguma daquelas não teria amado alguém que jazesse agora no cemitério, e vinham outras incoerências, até que o pano subia e continuava a peça. O último ato mostrou-me que não eu, mas Capitu devia morrer. Ouvi as súplicas de Desdêmona, as suas palavras amorosas e puras, e a fúria do mouro, e a morte que este lhe deu entre aplausos frenéticos do público.” (Machado de Assis, Dom Casmurro)

Assim como as filhas de sua madrasta, a Gata Boralheira calça 34.
(J. Novelino)

Depois do beijo do príncipe, a Bela Adormecida começou a ter insônia.
(J. Novelino)

Epitáfio Para o Sec. XX

1. Aqui jaz um século
onde houve duas ou três guerras
mundiais e milhares
de outras pequenas
e igualmente bestiais.

2. Aqui jaz um século
onde se acreditou
que estar à esquerda
ou à direita
eram questões centrais.

3. Aqui jaz um século
que quase se esvaiu
na nuvem atômica.
Salvaram-no o acaso
e os pacifistas
com sua homeopática
atitude
-nux vômica.

4. Aqui jaz o século
que um muro dividiu.
Um século de concreto
armado, canceroso,
drogado,empestado,
que enfim sobreviveu
às bactérias que pariu.

5. Aqui jaz um século
que se abismou
com as estrelas
nas telas
e que o suicídio
de supernovas
contemplou.
Um século filmado
que o vento levou.

6. Aqui jaz um século
semiótico e despótico,
que se pensou dialético
e foi patético e aidético.
Um século que decretou
a morte de Deus,
a morte da história,
a morte do homem,
em que se pisou na Lua
e se morreu de fome.

7. Aqui jaz um século
que opondo classe a classe
quase se desclassificou.
Século cheio de anátemas
e antenas,sibérias e gestapos
e ideológicas safenas;
século tecnicolor
que tudo transplantou
e o branco, do negro,
a custo aproximou.

8. Aqui jaz um século
que se deitou no divã.
Século narciso & esquizo,
que não pôde computar
seus neologismos.
Século vanguardista,
marxista, guerrilheiro,
terrorista, freudiano,
proustiano, joyciano,
borges-kafkiano.
Século de utopias e hippies
que caberiam num chip.

9. Aqui jaz um século
que se chamou moderno
e olhando presunçoso
o passado e o futuro
julgou-se eterno;
século que de si
fez tanto alarde
e, no entanto,
-já vai tarde.

10. Foi duro atravessá-lo.
Muitas vezes morri, outras
quis regressar ao 18
ou 16, pular ao 21,
sair daqui
para o lugar nenhum.

11. Tende piedade de nós, ó vós
que em outros tempos nos julgais
da confortável galáxia
em que irônico estais.
Tende piedade de nós
-modernos medievais-
tende piedade como Villon
e Brecht por minha voz
de novo imploram. Piedade
dos que viveram neste século
per seculae seculorum.

(Affonso Romano de Sant’Anna)

Mecanismos de construção da paráfrase

A paráfrase é uma interpretação ou tradução de um texto original, na qual o autor desse meta ou intertexto mantém as ideias do texto fonte quase intactas, preocupando-se em reescrevê-las com o intuito de manter o máximo possível do sentido original. Também pode ser entendida como uma forma de interpretar e explicar um texto (trecho, aforismo, etc.), com o objetivo de torná-lo mais inteligível ou mais fácil de ser compreendido.
É feita com intenção elogiosa, supondo-se assim admiração por parte de quem parafraseia pelo texto original, ou seja, é a reescritura de um texto sem ou com pouca alteração de sentido. Vários recursos podem ser utilizados para se parafrasear um texto. Dentre eles destacam-se:

1) Emprego de sinônimos.
Exemplos: O Brasil é visto como uma espécie de alternativa futura para sanar a crise do petróleo.
            O maior país da América Latina é percebido feito um tipo de opção futura para resolver o problema do principal combustível fóssil.

2) Emprego de antônimos, com apoio de uma expressão com valor negativo e vice-versa.
Exemplos: O sucesso de muitas bandas deve-se ao investimento maciço de gravadoras na divulgação pela internet do trabalho delas.
            A realização de não poucos grupos musicais atribui-se ao aporte substancial de empresas do mercado fonográfico na distribuição pela rede de computadores da produção daquelas.

3) Utilização de termos anafóricos, isto é, que retomam outros anteriormente mencionados no texto.
Exemplos: A violência, no século XX, mostrou-se como um dos mais preocupantes problemas das grandes cidades brasileiras. A violência incentivou um novo negócio nessas cidades, a área de segurança privada.
            A segurança pública, no século XX, foi vista como uma das mais graves questões das metrópoles do Brasil. Essa preocupação fomentou um ramo comercial inovador nessas grandes aglomerações de pessoas, o setor da segurança particular.

4) Troca de termo verbal por nominal, e vice-versa.
Exemplos: É necessário mais investimento privado na produção cinematográfica brasileira, além, é claro, dos cidadãos comuns verem os filmes de produção nacional.
            Há a necessidade de que as empresas particulares invistam mais no cinema brasileiro, além, obviamente, das pessoas passarem a assistir películas produzidas no Brasil.

5) Mudança de voz verbal.
Exemplos: Os governantes debatem a abertura dos arquivos da Ditadura Militar no Brasil.
            A disponibilização dos documentos do período militar brasileiro foi debatida por membros do Governo.

Obs.: se o sujeito for indeterminado (verbo na terceira pessoa do plural sem o sujeito expresso na frase), haverá duas mudanças possíveis.
Exemplos: Plantaram uma roseira. (voz ativa)
            Uma roseira foi plantada. (voz passiva analítica)
            Plantou-se uma roseira. (voz passiva sintética)

6) Troca de discurso.
Exemplos: Certa vez, um sábio, desses que ignoramos, disse: - Triste será o tempo em que a razão for medida pela quantidade de pólvora que se poderá comprar. (discurso direto)
            Certa vez, um sábio, desses que ignoramos, disse que triste seria o tempo em que a razão fosse medida pela quantidade de pólvora que se poderia comprar. (discurso indireto)

7) Troca de locuções por palavras e vice-versa.
Exemplos: O homem da cidade não conhece os sinais da natureza que indicam chuva, frio ou calor.
            O homem urbano desconhece os sinais naturais indicadores de tempo chuvoso, frio ou quente.

:::::Informações importantes para a construção da paráfrase

1. Utilizar a mesma ordem de ideias adotada no texto original.
2. Não omitir nenhuma informação fundamental para a construção do texto original.
3. Não tecer comentário algum a respeito de qualquer informação ou ponto de vista presente no discurso parafraseado.
4. Manter marcas chamadas de não-parafraseáveis presentes no texto original na paráfrase, ou seja, datas, nomes de lugar e pessoa, números, etc. não devem ser parafraseados.
5. Ao parafrasear o texto, deve-se respeitar a norma culta.
6. Ler com extrema atenção o texto original antes de parafraseá-lo.
7. Cuidado para não fazer um resumo ao invés de uma paráfrase, o intuito é transpor todas as ideias presentes no texto original, e não só as mais importantes.

Veja abaixo exemplos de paráfrases:

“Se você perguntar o porquê das coisas, logo estarão perguntando o porquê de você.” (Anônimo)
As pessoas que são autônomas e críticas na sociedade, rapidamente, tornam-se indesejáveis.

“Não fui chamado a dar as mãos a Hitler, mas também nunca me convidaram para cumprimentar o presidente americano na Casa Branca.” (Jesse Owens)
Nunca fui cumprimentado pelo chefe do 3º Reich, da mesma forma que jamais recebi felicitações do presidente estadunidense.

“Tentei alfabetizar as crianças, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria, não consegui. Mas eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.” (Darcy Ribeiro)
Pensei em métodos mais eficientes de alfabetização. Lutei pela causa indígena. Pus-me a trabalhar pelo ensino superior, fracassei. Entretanto, eu odiaria ser aquele que me derrotou.

Hoje, consigo perceber que nossa tecnologia ultrapassou nossa humanidade.” (Albert Einstein)
Atualmente, percebo, enfim, que os aparatos tecnológicos avançam mais rápido do que os sentimentos que nos fazem humanos.

"Os homens são porcos que se alimentam de ouro." (Napoleão Bonaparte)
A humanidade alimenta-se da ganância por riquezas.

“A vantagem do capitalismo sobre o socialismo é que, no capitalismo, os resultados são melhores do que as intenções; e, no socialismo, é o contrário.” (Winston Churchill)
O sistema capitalista é superior ao socialista, porque, naquele, o produto é melhor do que as motivações; já, neste, é o inverso.

“Sou talvez a visão que alguém sonhou, alguém que veio ao mundo para me ver e jamais na vida me encontrou.” (Florbela Espanca)
Talvez eu seja a imagem que alguém idealizou, uma pessoa que viveu com o intuito de me encontrar, mas nunca me achou.

“O ser humano, por um lado, é semelhante a muitas espécies animais, em luta contra a própria espécie; mas, por outro lado, entre as milhares de espécies que assim lutam, é o único em que a luta é destrutiva... O ser humano é o único que assassina em massa, é o único que não se adapta à sua própria sociedade.” (Jan Tinbergen)
O homem, de certa forma, é parecido com muitos outros animais, travando uma batalha contra os da mesma espécie, mas, sob outro ponto de vista, entre as inúmeras espécies que travam essa batalha diária, somos os únicos em que o embate é negativo...O homem é o único animal capaz de genocídios, é o único animal não adaptado ao seu próprio sistema social.

“A verdadeira liberdade é um ato puramente interior, como a verdadeira solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até num cárcere, e a estar sozinhos até no meio da multidão.” (Massimo Bontempelli)
Estar realmente livre de qualquer forma de controle é uma medida estritamente íntima, feito o ato incontestável de estar só: temos o dever de nos sentirmos libertos mesmo numa prisão, além de aprendermos a estar sós mesmo no meio de inúmeras pessoas.

“Praticamente qualquer um pode suportar a adversidade, mas se quer testar o caráter de alguém, dê-lhe poder !” (Abraham Lincoln)
Quase todas as pessoas podem agüentar uma situação desagradável, entretanto, porém, caso você queira testar os preceitos morais de alguma pessoa, coloque-a numa posição privilegiada quanto ao poder em relação às outras.

“Cem vezes por dia eu me lembro que minha vida interior e minha vida exterior dependem do trabalho que outros homens estão fazendo agora. Por causa disso, preciso me esforçar para retribuir pelo menos uma parte dessa generosidade - e não posso deixar nenhum minuto vazio.” (Albert Einstein)
Recordo-me uma centena de vezes diariamente que minha intimidade e minha existência em sociedade são dependentes do esforço praticado por muitos homens neste momento. Em função dessa constatação, é necessário que eu me dedique com o intuito de fazer jus ao menos a uma parcela desses atos generosos, portanto não tenho o direito de deixar nenhum tempo sem alguma atividade.

“Não há sentido em orar como um santo pela manhã e viver como um bárbaro o resto do dia.” (Alexis Carrel)
Não existe razão em rezar tal qual um beato ao amanhecer e durante o restante do dia comportar-se como um selvagem.

“Se um homem bate na mesa e grita, está impondo controle. Se a mulher faz o mesmo, está perdendo o controle.” (Bárbara Soares)
Caso um homem grite e dê um soco num móvel, dirão que ele está controlando uma situação. Caso a mulher faça o mesmo, dirão que ela está descontrolando-se.

“Quando a última das árvores for cortada, quando o último rio for poluído, quando o último peixe for pescado, aí sim eles verão que dinheiro não se come.” (Chefe da tribo Sioux)
No momento em que a derradeira planta for eliminada, no momento em que o derradeiro manancial estiver sob os efeitos da poluição e não houver mais o que pescar, então o homem branco perceberá que cédulas e moedas não são possíveis de se comer.

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