domingo, 29 de maio de 2011

16ª lista de indicações - Discussão na semana de 6 a 11 de junho de 2011 (P6 e simulados - Uberlândia)


Caras e caros,


Mais um a lista repleta de questões importantes do nosso tempo. Aconselho atenção, para muito além do que cai nas nossas provas, ao caso das denúncias contra a Fifa e a CBF, além dos desdobramentos do novo Código Florestal, além evidentemente da acusação de enriquecimento ilícito do Ministro Palocci da casa Civil.

Abraços,

Professor Estéfani Martins
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1 - 2º anos, 3º anos e PV
Mais sobre a Lei que combate a homofobia e sobre o famoso kit

2 - 2º anos, 3º anos e PV
O "jeitinho" chinês e a internet

3 - 2º anos, 3º anos e PV
Sobre a educação para seus filhos

4 - 2º anos, 3º anos e PV
Sobre a educação para seus filhos 2
Rotas variadas
Sistemas de outros países oferecem múltiplas trajetórias escolares. Em alguns casos, no entanto, alunos ficam confinados a uma educação utilitária

Coreia do Sul, Estados Unidos, França e Inglaterra. Quatro sistemas educacionais distintos com um ponto em comum: todos têm parte do ensino regular reservado para a escolha de disciplinas eletivas, tal como o Ministério da Educação brasileiro propõe que o ensino médio nacional se estruture. Os sistemas dos quatro países também estabelecem formas de articulação com a educação profissional, porém em alguns casos as aulas dessa área somente aproximam o aluno da experiência, pois têm como objetivo principal a passagem para o ensino superior. A oferta dos cursos que preparam para o mercado de trabalho acontece, então, após a conclusão do 2º grau.

No entanto, tal como aqui, repete-se a lógica de que alunos com melhores notas e mais recursos financeiros podem ir mais longe. Um exemplo é o ensino profissionalizante, que corresponde à formação tecnológica brasileira. Na maioria das vezes frequentado pelas camadas mais pobres, seu diploma geralmente é considerado de uma categoria inferior ao universitário.

A grande diferença é que as classes nesses países não são tão desiguais como no Brasil e mesmo as mais baixas têm um poder de consumo relevante. Segundo Cândido Gomes, os governos sustentam a tese de que não cabe à educação ser a principal protagonista na diminuição das diferenças sociais. "Eles procuram oferecer condições de vida mais justas através de impostos mais baixos, serviços públicos mais eficientes e outros mecanismos, para que isso reflita na qualidade da educação, e não o caminho inverso", ressalta.

Onde estudam os alunos do ensino médio
Na Coreia do Sul, apesar de ter reconhecidamente um dos melhores sistemas de educação do mundo, o ensino médio não é gratuito. Mesmo as escolas públicas cobram uma taxa, em média R$ 1.500 por ano.

O processo de admissão nas escolas públicas sul-coreanas de 2º grau é variado. Em alguns colégios da capital Seul e de Pusan, segunda cidade do país, por exemplo, a seleção é feita com base na análise do histórico dos anos finais do ensino fundamental. Já em Taegu e Taejon, no centro do país, além da análise, há também exames de seleção. Segundo dados do governo, 55% dos alunos frequentam a rede pública no ensino médio, o restante estuda em instituições particulares.

Na França, dos quase 12 milhões de estudantes do país, 10 milhões estão em colégios públicos gratuitos. Lá, as instituições do ensino médio também podem selecionar estudantes com base no histórico escolar da última parte do ensino fundamental, o Collège. Porém isso acontece quando a demanda é maior que a oferta. Caso contrário, o estudante tem liberdade para escolher a instituição que desejar.

Já nos Estados Unidos e na Inglaterra, o ingresso é baseado somente na região em que a pessoa mora e a grande maioria estuda em escolas públicas gratuitas: 85% e 90%, respectivamente. A maior parte dos alunos americanos, entretanto, muda de escola quando passa de uma etapa para outra, enquanto os ingleses costumam cursar o fundamental e o médio no mesmo lugar.

Em sala de aula
O sistema inglês é dividido em fases, as key stages. O 2º grau compreende os key stages 3, com três anos, e 4, com dois anos. A grade obrigatória do último ensina matemática, educação sexual, cidadania, ensino religioso, inglês, ciências, educação física, tecnologia da informação e duas matérias voltadas ao mundo profissional: careers education (educação de carreiras) e work-related learning (aprendizado referente ao trabalho).

As aulas de career education têm base teórica e abordam as tendências no mercado de trabalho, possíveis oportunidades de atuação e técnicas de entrevista, orçamento e planejamento de carreira. O segundo caso se trata de um estágio profissional. Para que isso aconteça, as escolas mantêm parcerias com diferentes organizações e o aluno pode escolher uma na área que preferir.

Ele também pode optar por uma empresa com a qual já tenha algum tipo de vínculo empregatício ou contato, desde que tenha a aprovação da sua instituição de ensino. No ambiente de trabalho o aluno é orientado por um profissional da companhia, designado para a função, que também é responsável pela sua avaliação. Por volta de 550 mil vagas são ocupadas anualmente.

Mas mesmo promovendo um contato direto com o trabalho, essa disciplina não tem o objetivo de habilitar para uma função específica. Serve para que o aluno conheça áreas em que ele pode ter uma ocupação futura. Nesses casos, os estágios são de curta duração. Além das disciplinas obrigatórias, as escolas também precisam oferecer cursos opcionais nas áreas de artes, design e tecnologia, humanas e línguas estrangeiras. A oferta muda de acordo com a instituição, mas as mais habituais são design gráfico, economia, eletrônica, psicologia, fotografia, dança, sociologia, japonês e italiano.

Apesar de esses cursos não serem estruturados para tal finalidade, é possível entrar no mercado de trabalho com eles. Mas só depois de obter o General Certificate of Secondary Education (GCSE), uma qualificação acadêmica para todos os alunos do ensino médio britânico, os alunos se formam. Na Inglaterra esse certificado abrange as notas em testes anuais que avaliam, entre as disciplinas da grade obrigatória, matemática, cidadania, ensino religioso, inglês, ciências, educação física e tecnologia da informação.

O aluno também precisa fazer exames para os cursos opcionais escolhidos. Os resultados influem na possibilidade de ele conseguir um trabalho. Um estudante que fez eletrônica, por exemplo, pode entrar em uma empresa do ramo, caso tenha boas notas no GCSE. A maioria, no entanto, utiliza o certificado para continuar os estudos após o término do secundário. Em 2007, esse foi o rumo de 86% dos formados com idade entre 16 e 17 anos, conforme dados do governo britânico.

Generalistas e vocacionais
No caso do ensino médio sul-coreano, há dois tipos de instituição: a vocacional, que forma para o mercado, e a generalista, onde estudam 75% dos alunos. A etapa dura três anos e o primeiro tem, obrigatoriamente, a mesma base curricular nas instituições generalistas e vocacionais. Ela é composta por 10 disciplinas fixas - coreano, matemática, inglês, música, estudos sociais, educação física, ciências, ética, artes e um curso prático (economia doméstica ou informática). Há também horários reservados para as chamadas atividades especiais e independentes, que oferecem aulas de estudos ambientais, uma segunda língua estrangeira e de reforço ou que aprofundam os temas ensinados em sala de aula.

No segundo ano, os alunos das escolas generalistas decidem se continuam os estudos nas categorias humanas/estudos sociais ou ciências. Dependendo da escolha, algumas das disciplinas fixas têm a carga horária reduzida em prol das eletivas. Um aluno que escolhe seguir o caminho de humanas/estudos sociais, terá uma grade em que matemática, música e ciências ocupam menos espaço, podendo preencher o tempo com matérias como gramática, geografia mundial e história moderna da Coreia do Sul. No caso de ciências, estudos sociais e coreano cedem espaço a física, química e estatística.

Já a área vocacional se divide entre agricultura, indústria, comércio, pescaria e economia doméstica. Nesse caso porém, como as escolas costumam ser especializadas em uma das categorias, os alunos optam logo ao entrar no ensino médio. As dez matérias comuns continuam a ser ensinadas até a conclusão do segundo grau, mas com carga menor.

Os estudantes despendem entre 40% e 60% do tempo em aulas teóricas e práticas específicas de um dos cursos disponíveis no segmento escolhido. Uma das alternativas para um aluno de agricultura, por exemplo, é estudar os processos alimentares. Ele tem de frequentar disciplinas como ciência dos alimentos e técnicas de processamento dos alimentos. Em indústria, alguns dos possíveis cursos são engenharia eletrônica e metalurgia. Nesses casos o estudante tem de cursar, respectivamente, circuitos eletrônicos e manufaturação de metais, entre outras.

Porém, mesmo com as ofertas do vocacional, o grande interesse dos jovens é o ensino superior. Um dado do governo sul-coreano apontou que, em 2007, 71,5% dos estudantes da área profissionalizante se matricularam em um curso universitário, enquanto apenas 20% entraram no mercado de trabalho.

França: diferentes oportunidades
A França também divide o ensino médio por áreas. Os alunos precisam escolher entre o générale, o technologique ou professionnel ao entrar nessa etapa. Os dois primeiros duram três anos e acontecem nos mesmos liceus. No primeiro ano, francês, matemática, língua estrangeira, história e geografia, física e química, ética, educação física e economia são matérias comuns para alunos dos dois cursos. Há também uma série de disciplinas preparatórias para a via escolhida (latim, história das artes, informática e sistemas de produção são alguns exemplos), das quais uma é eletiva e uma opcional.

Depois, no segundo e terceiro anos, os alunos passam a ter aulas de acordo com as áreas de especialização. No générale, precisam escolher entre as áreas de socioeconomia, literatura e científica. No technologiquesão ciências e tecnologias de laboratório, ciências e tecnologias industriais, ciências e tecnologias da gestão, ciências e tecnologias da saúde e do social, técnicas da música e da dança, hotelaria ou ciências e tecnologias de agronomia e vida.

A terceira opção, o professionnel, leva diretamente ao mercado de trabalho. Ela é composta de três diplomas e, dependendo daquele que se conquistar, as perspectivas podem ser campos de atuação em cargos de diferentes níveis. O primeiro - e de nível mais baixo - é o Certificat d'Aptitude Professionnel (CAP). Ele pode ser obtido após dois anos de estudos e sua grade oferece aulas teóricas e práticas dos mais de 200 cursos possíveis, como carpintaria, cabeleireiro e alfaiataria.

O Brevet d'Enseignement Professionnel (BEP) funciona como o CAP, mas é considerado um diploma intermediário, pois tem um ano a mais de estudo específico, considerado uma especialização. Estudantes com o CAP podem realizar o ano extra e obter esse diploma . E há o Baccalauréat Professionnel (BP), com duração entre três e quatro anos. Há mais de 80 cursos em 19 campos e é o único nessa via que ensina as disciplinas comuns - francês, matemática e língua estrangeira. Com o BP, estudantes conseguem entrar em uma instituição de ensino superior, ainda que seu direcionamento também seja o trabalho. Algumas das áreas mais procuradas são produção mecânica, eletrotécnica e manutenção industrial. Estudantes com o CAP e o BEP também têm a alternativa de voltar aos estudos para alcançar esse diploma.

Em 2009, segundo dados do governo francês, dos alunos que entraram no 2º grau, 286 mil se matricularam na via générale, enquanto 131 mil foram para technologique. No professionnel, ingressaram 146 mil estudantes em cursos para tirar o CAP, 170 mil para o BEP e 120 mil o BP.

Prova de fogo
Para entrar na universidade coreana, os alunos precisam realizar um exame anual, o Suneung, ou College Scholastic Ability Test (CSAT). As notas do exame e o histórico escolar do ensino médio são determinantes para entrar em uma universidade, universidade industrial, universidade de educação ou em um junior college.

Alunos provenientes das escolas técnicas podem tentar vagas nos três últimos tipos de instituição, mas há um esforço do governo sul-coreano para direcioná-los para as junior colleges, através de reservas de vagas que chegam a 50%. Todas essas unidades são pagas. As públicas cobram em média US$ 2,5 mil por ano e as particulares US$ 4,5 mil.

Elas funcionam como as norte-americanas e seu diploma é considerado inferior. Depois de formado é possível tentar a transferência para a universidade industrial ou de educação, mas cerca de 80% dos alunos vão para seus campos de atuação. Os cursos mais visados estão nas áreas de ciências sociais e engenharia.

No sistema francês, os alunos que querem ir para uma universidade precisam fazer  um exame anual, o Baccalauréat, ou Bac. Ele é dividido de acordo com as áreas das três vias. A aprovação permite a entrada em uma universidade ou nas grandes écoles, instituições que oferecem cursos superiores de áreas específicas.

As universidades francesas têm uma política de não seleção, ainda que seja comum os cursos exigirem o Bac de determinada área para entrar. Elas são pagas, mas a taxa anual é simbólica, em média US$ 250. Já asgrandes écoles, consideradas melhores e mais elitistas, exigem exames criteriosos de qualificação e seu valor varia entre US$ 7 mil e US$ 14 mil anuais. (Filipe Jahn)


5 - 2º anos, 3º anos e PV
Internet e o nosso tempo
Diretor do "New York Times" diz que internet deixa as pessoas burras; você concorda?
El País
Christian Stöcker

A demonização das ferramentas, não apesar de sua utilidade, mas por causa dela, é um dos argumentos falsos mais ridículos no debate recente sobre a internet e a digitalização. Calculadoras de bolso diminuíram nossas habilidades matemáticas, dizem alguns, tornando-nos menos capazes de fazer cálculos de cabeça do que, digamos, eram as pessoas nos anos 50.
A internet nos torna burros. Ela nos rouba a alma, esvazia nossas personalidades e reduz nosso tempo de atenção. Essa ideia nonsense agora está sendo expressa por uma fonte inesperada: Bill Keller, diretor executivo do New York Times, jornal que sabe bem como usar a rede.
Os discos rígidos dos computadores e cartões SD dos telefones celulares estão roubando o resto da capacidade de memorização que a maldita mídia impressa já nos havia tirado. No momento, os sistemas de GPS estão destruindo nosso senso de direção. Ah, as muitas formas como as máquinas estão nos privando de pensar e fazendo com que nossos cérebros murchem. “Estamos terceirizando nossos cérebros”, escreveu o editor executivo do New York Times Bill Keller na última quarta-feira. De acordo com sua lógica, resolver problemas do mundo real – fazer contas, armazenar informação e encontrar o caminho nas ruas – é um passo na direção errada, porque isso nos deixa cada vez mais com os cérebros flácidos.
O lamento de Keller sobre nossas capacidades cognitivas e habilidades mostra o absurdo que é quando alguém estende seus argumentos um pouco mais para o passado. Hoje, muito poucas pessoas sabem fazer cestas, assar pão ou arar a terra com um boi, um rastelo ou um arado. Na verdade, só o esforço físico de arar um campo seria demais para nós. Todos na Alemanha leram críticas suficientes nos últimos anos sobre os beneficiários de seguro social que simplesmente não estavam à altura da difícil tarefa de colher aspargos ou pepinos.
Mas o fato é que a maior parte da população economicamente ativa dificilmente seria capaz de fazer essas tarefas ou outras similares. Não há dúvidas de que um fazendeiro do século 18 era mais forte do que nós somos hoje, e que ele provavelmente era capaz de suportar a dor sem reclamar tanto (e, por isso, também tinha uma vida bem mais curta). Isso sugere que o declínio da humanidade deve ter começado com a invenção do maquinário agrícola movido a vapor, ou com o uso dos cavalos de carga.
Criticar o progresso tecnológico levando em conta as maneiras pelas quais ele facilita nossas vidas é tanto absurdo quanto reacionário. E, no entanto, esta atitude expressa de forma aberta e clandestina, está ganhando força mais uma vez. Isso acontece por causa da velocidade com a qual a tecnologia digital está mudando o mundo atualmente, o que alguns veem como uma experiência dolorosa.
A digitalização parece ser percebida como algo mais tortuoso quanto mais tarde ela entra na vida de uma pessoa. Apenas como um parêntese: está cientificamente provado que a capacidade do ser humano se ajustar às mudanças começa a declinar rapidamente por volta dos 35 anos.
O experimento masoquista de Keller
Bill Keller nasceu em 1949. À primeira vista, sua revolta contra o mundo digitalizado parece tão surpreendente porque, como ele mesmo escreve, seu próprio jornal, o New York Times, “abraçou as novas mídias com um estilo criativo e vencedor de prêmios”. O jornal foi um dos primeiros a criar o cargo de “editor de mídias sociais” para profissionalizar a interação entre o site do New York Times e as redes sociais como o Facebook e Twitter. Na verdade, o Times é visto como um modelo de jornalismo online.
O próprio Keller usa o Twitter. Para escrever o artigo, ele fez o que chamou de “uma espécie de experimento masoquista”, no qual tuitou “#OTwitterDeixaVocêBurro. Discuta”, e esperou para ver o que acontecia. Como era de se esperar, a maioria dos twiteiros discordaram de Keller. Essa, a propósito, é a mesma maneira como as pessoas no mundo offline na Alemanha reagiriam se dissessem a elas que são ou estão se tornando burras: elas ficariam irritadas. É um experimento fácil. Qualquer um pode tentar: basta entrar num bar esportivo, numa biblioteca, ou numa aula de samba e gritar em alto e bom som: “o futebol, a leitura ou o samba deixam as pessoas burras! Discutam!”
Em contraste com o resultado presumível desses experimentos do mundo real, o tweet de Keller, surpreendentemente, não desencadeou apenas rejeição. Na verdade, como ele escreveu, também “produziu alguns poucos momentos de ironia” e “alguns pontos honestamente óbvios”, incluindo a observação: “depende de quem você segue”. O professor de jornalismo Jeff Jarvis, a quem Keller não citou em seu artigo, respondeu a ele pelo Twitter: “Bill. O NYT não nos diz mais o que discutir. O Twitter sim. ;-)”
Entretanto, Keller concluiu, baseado em sua avaliação pessoal das reações ao seu tweet: “quer o Twitter deixe ou não as pessoas burras, ele certamente faz com que algumas pessoas inteligentes pareçam burras.”
O preço da inovação
Keller diz temer que desta vez o preço da inovação possa significar perder “uma parte de nós mesmos”, uma preocupação que ele descreve com as objeções usuais e costumeiras à comunicação digital: ela não é nada “social”, ela apenas nos distrai, promove formas de comunicação rasas e triviais e, pior que isso, ameaça “nossa capacidade de refletir, nossa busca por significado, a empatia genuína, um senso de comunidade conectado por algo mais profundo do que comentários sarcásticos ou afinidade política”.
O motivo real para essa posição surpreendente do jornalista em relação às redes sociais atuais foi aparentemente uma experiência com sua filha de 13 anos. Ele conta que ele e sua mulher recentemente permitiram que a garota abrisse uma conta no Facebook. “Dentro de poucas horas ela já tinha 171 amigos, e eu me senti um pouco como se tivesse dado à minha filha um cachimbo de crack.”
É possível imaginar como Keller pode ter recontado essa experiência para um grupo de editores sêniores do New York Times, que também devem ter tido experiências similares com seus filhos, e como o debate subsequente, permeado de piadas e interjeições, eventualmente levou alguém a sugerir que ele escrevesse algo sobre o assunto, porque isso simplesmente precisava ser dito.
É quase um fato reconhecido que os pais cujas filhas de 13 anos descobriram uma nova paixão, seja ela o hipismo ou Justin Bieber, geralmente observam algo semelhante ao que Keller, de 62 anos, experienciou com sua filha: um fascínio incompreensível e excessivo por um objeto aparentemente trivial. O fato de o editor executivo do New York Times ter usado isso como uma oportunidade para diagnosticar um efeito possivelmente destruidor da alma provocado pela mídia social sugere muita angústia guardada em relação ao presente (e relativamente pouca confiança em sua própria filha).
Geração internet
O jornalista não fornece provas para seus vastos temores, a não ser seu desconforto pessoal. A filha de 13 anos de Keller provavelmente conhece a maior parte de seus 171 amigos do Facebook pessoalmente. Muitos estudos nos Estados Unidos e Alemanha mostraram que, na maior parte dos casos, as redes sociais na verdade refletem os ambientes sociais reais dos usuários jovens. Isso não se aplica da mesma forma aos editores executivos de jornais de 62 anos de idade.
As pessoas acima de 50 anos têm uma desvantagem crítica em comparação com aquelas abaixo dos 40 (a grosso modo) no que diz respeito à internet comunicativa: a maioria delas as conheceu como uma ferramenta de trabalho sem alegria, escrevendo seus primeiros e-mails para colegas de trabalho ou para o chefe, e não para uma garota por quem estão secretamente apaixonados. Eles tiveram contas no Facebook antes de sentir que deveriam, não porque é ele um canal para seus amigos se comunicarem uns com os outros. E eles se comunicam, pelo Twitter, por exemplo, com completos estranhos. Não é terrivelmente surpreendente que esse tipo de comunicação produza conversas que alguns caracterizam como “vazias”, “não sociais” ou “triviais”.
O fato de que essas pessoas sintam que falta qualidade nas conversas provavelmente tem mais a ver com seu trabalho do que com a internet. É tão impossível tirar conclusões gerais sobre os efeitos da mídia social na vida espiritual da humanidade a partir dessa noção como é impossível tirar conclusões gerais sobre a utilidade das polias para o diâmetro médio do bíceps do homem moderno.
Tradução: Eloise De Vylder

6 - 3º anos e PV
Entrevista com o fundador do Wikileaks

7 - 3º anos e PV
Uma primavera também europeia ou quando o problema está mais perto do que se possa querer