domingo, 1 de maio de 2011

12ª lista de indicações - Discussão na semana de 9 a 14 de maio de 2011 (P2)

Caras e caros,


Segue a lista destinada à P2, esta será a primeira com 8 textos para os alunos do terceiro ano e 6 para os dos segundo. A cada bimestre, um texto a mais será incluído na lista. Lembro aos alunos de Uberlândia que as listas 10 e 11 não serão usadas em nenhuma das provas P. Aos de Uberaba, lembrem-se que a próxima prova será sobre as listas 9, 10 e 11. Boa leitura a todos.


Abraços,

Professor Estéfani Martins

Facebook e Orkut - Estéfani Martins

1 - 2º anos, 3º anos e PV

Sobre a batalha entre as redes sociais
http://blogs.estadao.com.br/rodrigo-martins/2011/04/28/orkut-e-lider-mas-estaciona-facebook-dispara-e-cresce-5-vezes-mais-que-twitter/


2 - 2º anos, 3º anos e PV
Brasil feminino
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/04/29/em-dez-anos-populacao-feminina-superou-a-masculina-em-4-milhoes.jhtm


3 - 2º anos, 3º anos e PV
Sobre o real destino da realeza

O novo casal real tem o privilégio de saber qual será o seu destino

Anne Applebaum


Há um mês, eu disse a uma amiga britânica que poderia visitar Londres em 29 de abril. “Você não pode vir aqui no dia 29”, ela me disse. “É o dia do casamento.” Eu lhe disse que não fui convidada para um casamento.
Então eu me lembrei. Ah, sim, aquele casamento.
Não que minha amiga estivesse interessada no casamento de Catherine Middleton e do príncipe William de Gales, é claro: ela estava apenas preocupada com o trânsito. Mas começamos a falar sobre o casamento assim mesmo –e, como se revelou, nós duas tínhamos opiniões. Nós concordamos que Kate sempre consegue parecer feliz na televisão, o que não é fácil. Nós também concordamos que ele tem um cabelo excelente. Nós sentíamos que o príncipe William parece um jovem sério e que era uma pena que teria que esperar tanto para ter um emprego de verdade. Nós imaginamos que o vestido da noiva seria modesto, ao menos em comparação ao modelo escolhido há tanto tempo pela mulher que teria sido sua sogra. Minha amiga não acompanha a realeza e nem é leitora de tabloides. Nem eu. Todavia, sem nem mesmo tentar, nós duas tínhamos absorvido um bocado de informação sobre essas duas pessoas, sem nunca ter encontrado nenhuma das duas. Nós estávamos familiarizadas com a irmã de Kate, Pippa. Nós vimos fotos do vestido transparente que Kate usou certa vez em um desfile de moda estudantil. Nós sabíamos que William tem um diploma de geografia.
Mas também estávamos falando sobre eles em um tom diferente daquele que usaríamos se estivéssemos falando sobre, digamos, Madonna ou Tony Blair. Nem Kate e nem William concorreram a algum cargo público e nem irão. Eles nunca prometeram nada a ninguém –nem reduzir impostos, nem melhorar o atendimento de saúde– de modo que não há motivo para considerá-los decepcionantes. Eles nunca compuseram uma canção pop e nem apareceram em um filme, de modo que não há sentido em reclamar que são superestimados, estão em decadência ou desafinados.
Os únicos tipos de celebridades que poderiam lembrar são os astros de reality shows. Como as garotas que vão se sentar em ilhas desertas, Kate optou conscientemente em participar de uma novela há muito em exibição e bastante pública.
Mas a semelhança é superficial. Os participantes de “No Limite” ou “Big Brother” podem acabar caindo na obscuridade se quiserem, mas Kate se comprometeu a esta narrativa televisiva particular pelo restante de sua vida.
Na verdade, não foi talento, ambição, inteligência ou mesmo riqueza que tornaram William famoso, mas sim o destino –um acidente de nascimento. Kate agora compartilhará esse destino, e isso, eu reconheço, é exatamente o que torna o casamento dela tão interessante de se ler a respeito, de se escrever a respeito e discutir. Diferente da sorte, que vem e vai, o destino é permanente. Diferente da fortuna, que pode ser boa ou ruim, o destino não é nenhum dos dois: ele apenas é. Você pode lamentar pelo príncipe William, por ter que viver sua vida em público. Ou pode invejá-lo, porque será o rei da Inglaterra. Faça sua escolha –mas seja qual for, os detalhes são atraentes.
O destino também é arcaico. Nós lemos a respeito dele na mitologia grega, ou em Shakespeare. No mundo moderno, meritocrático, nós estamos acostumados às pessoas conquistarem seu poder ou sua celebridade, de um jeito ou de outro. Mas o príncipe William é uma daquelas poucas pessoas na Terra que nasceram com verdadeira autoridade política. Mesmo que nunca faça nada a respeito, ele algum dia se tornará o chefe de um Estado relativamente importante. E mesmo que queira viver uma vida completamente diferente, ele não poderá. Caso abdicasse, como fez seu tio-bisavô, esse fato o definiria e o assombraria pelo restante de sua vida. Neste sentido, ele realmente é diferente da maioria de nós. Nenhum de nós sabe exatamente que rumo nossa vida tomará, mas William tem uma melhor ideia do que a maioria –e agora Kate também.
De fato, uma das coisas que ambos sabem com certeza é que milhões de pessoas que nunca viram agora estão falando sobre o cardápio do jantar de casamento deles, sobre a lista de convidados de sua cerimônia, e sobre o hotel no qual passarão sua lua-de-mel. E aqui está o que gosto a respeito deles: parece que eles decidiram curtir juntos assim mesmo. Por esse motivo apenas, eu ergo uma taça para brindar a felicidade do casal.


(Anne Applebaum é colunista do “Washington Post” e da revista “Slate”. Seu mais recente livro é “Gulag”.)
Tradução: George El Khouri Andolfato



4 - 2º anos, 3º anos e PV
Sobre o senso comum, o bom senso e o consenso

No sul da Itália, um vilarejo abandonado recomeça a vida acolhendo imigrantes

Le Monde
Salvatore Aloïse
Enviado especial a Riace (Itália)



Ele é chamado de “vilarejo dos migrantes”. Quando se chega à pequena praça de Riace, esse vilarejo dos confins da Calábria situado sobre uma colina perto do litoral, logo se entende por quê. As meninas que correm aos gritos, nessa tarde quase estival, são etíopes, eritreias ou somalis. Assim como suas mães que as vigiam a partir do ateliê de costura, um pouco mais adiante. Não é à toa que na entrada de Riace a placa indica “cidade anfitriã”, e que há alguns dias, o “L’Osservatore Romano”, jornal do Vaticano, citou esse vilarejo como um exemplo a ser seguido no tratamento com os imigrantes.
Como os tunisianos que chegaram nas últimas semanas a Lampedusa foram rejeitados, o prefeito de Riace, Domenico Lucano, informou ao governo que seu vilarejo estava disposto a acolher uma parte deles. Cerca de quarenta vilarejos dos arredores também se dizem disponíveis para seguir os passos de Riace no caminho da solidariedade escolhido em um dia de julho de 1998.
Nesse dia, uma embarcação com 300 curdos a bordo naufragou na costa. Os habitantes não pensaram duas vezes e abriram suas portas. E então tiveram o estalo. Esses estrangeiros vindos do mar eram uma dádiva para um vilarejo em vias de despovoamento. Riace, como tantos vilarejos calabreses, foi abandonado por seus habitantes, que partiram em busca de fortuna em outros lugares.
O vilarejo, que possuía mais de 2.500 pessoas no passado, passou a abrigar não mais que algumas centenas. A descoberta, em 1972, dos Bronzes de Riace, duas esculturas gregas do século 5 a.C., foi a enésima decepção. As estátuas foram para o museu de Reggio di Calábria,  juntamente com os turistas que poderiam correr para cá e contribuir para conter a emigração.
Riace entendeu então que sua riqueza residia no recebimento de estrangeiros. O vilarejo preencheria o vazio deixado por seus emigrantes que partiram para o Canadá ou para a Austrália com esses imigrantes que também vieram de longe. “Um futuro era possível, com uma nova coesão social. As pessoas estavam indo embora, a escola havia fechado, os serviços básicos começavam a faltar. Perguntávamos de que servia programar mais obras públicas, ou mesmo manter vivo um vilarejo que se esvaziava aos poucos. Ora, com esses recém-chegados, a esperança poderia renascer”, explica o prefeito.
Sentados no café ou nos degraus da igreja, os moradores parecem acostumados a uma situação que agora lhes parece normal. “Nós nos repovoamos bem, mas posso lhe dizer que a vila estava literalmente morta”, diz, satisfeito, um deles. Um outro morador concorda, olhando as crianças correndo pelas ruelas: “Para nós, são todos netos.”
Uma associação se encarregou de localizar as moradias vazias e consertá-las para acolher os refugiados. Estes não são abandonados à sua sorte. Enquanto não chegam as subvenções para os solicitadores de asilo que atrasam sistematicamente, cupons sob a forma de moeda local, com a efígie de Gandhi, Luther King ou Che Guevara, circulam livremente pelo vilarejo. No momento em que o dinheiro chegar, as lojas pedirão para ser pagas diretamente à administração.
Enquanto esperam pela definição de seu status, os refugiados ocupam seu tempo com lucro. O silêncio das ruas é quebrado por oficinas de costura, de marcenaria, de cerâmica, de vidraçarias que foram abertas em virtude de um plano regional para a inserção dos imigrantes. A ideia é transmitir aos imigrantes as tradicionais profissões da região.
Empregada na vidraçaria, Lubaba chegou da Etiópia há três anos, depois de uma longa jornada. Na Líbia, ela havia embarcado para Lampedusa, antes de começar uma outra viagem pelos abrigos italianos, dessa vez. Até Riace, onde ela decidiu, enfim, ficar. “Tenho moradia, tenho do que viver, estou aprendendo uma profissão e minha filha nasceu aqui”, explica.
Seis mil refugiados passaram pelo vilarejo ao longo dos anos. Embora muitos deles voltem a partir, outros permanecem e tentam criar suas próprias oficinas ou comércios. Uma escolha que não é fácil, como pôde constatar essa afegã que abriu Os Tricôs de Herat (cidade afegã) depois de ter fugido de seu país com seus dois filhos após a morte de seu marido. “Nós temos o que comer graças àquilo que consigo vender, mas é difícil. No inverno é melhor, mas no verão tive dificuldades com os tricôs de lã”, explica ela enquanto trabalha sob o olhar de sua filha Faeze.
Esta última não tem dúvidas. Seu futuro está aqui. Em seu italiano de forte sotaque calabrês, ela diz se sentir “como os outros na escola”. Mais de 200 refugiados como ela e os membros de sua família optaram por ser os novos cidadãos de Riace.
Tradução: Lana Lim


5 - 2º anos, 3º anos e PV
Sobre o futuro das crianças e da comida

Estados Unidos vão aumentar restrição a propagandas de alimentos para crianças

The New York Times
William Neuman


Matt Richtel, em São Francisco, contribuiu para esta matéria.


Será que o Tucano Sam (Toucan Sam, o mascote dos sucrilhos Froot Loops) terá o mesmo destino do Camelo Joe (Joe Camel, o mascote dos cigarros Camel)?
O governo dos Estados Unidos propôs na quinta-feira (28) novas e abrangentes diretrizes que poderão obrigar a indústria de alimentos a modificar a forma como faz propaganda de sucrilhos, refrigerantes, lanches, refeições de restaurantes de fast-food e outros alimentos para crianças.
Mencionando uma epidemia de obesidade infantil, os reguladores selecionaram como alvo uma ampla gama de táticas utilizadas para fazer propaganda de alimentos com altos teores de açúcar, gordura ou sal para crianças, incluindo o uso de personagens de desenhos como o Tucano Sam, e o vivamente colorido mascote da Froot Loops, que aparece em comerciais de televisão e jogos online, bem como em caixas de sucrilhos.
Os reguladores estão dizendo aos fabricantes de alimentos e às companhias de restaurantes que façam uma escolha: ou tornem os seus produtos mais saudáveis ou parem de fazer propagandas deles para as crianças.
“O Tucano Sam pode vender alimentos saudáveis ou prejudiciais à saúde”, diz Dale Kunkel, professor de comunicação da Universidade do Arizona, que estuda o marketing dos alimentos infantis. “Isso obriga o Tucano Sam a ficar associado aos produtos saudáveis”.
As diretrizes, divulgadas pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos, englobam uma ampla gama de iniciativas de marketing, incluindo propagandas de televisão e em mídia impressa, websites, jogos online que funcionam como propagandas camufladas, sites de mídia social, veiculação de produtos em filmes, o uso de personagens de filmes em promoções paralelas e comidas para crianças vendidas em restaurantes especializados em fast-food.
A inclusão de mídia digital nas diretrizes, como por exemplo jogos baseados em produtos alimentícios, representa uma das tentativas mais vigorosas do governo até o momento de fazer frente à amplitude das propaganda para crianças no universo online, o que os defensores da saúde infantil dizem que é um problema crescente.
A ideia é que as diretrizes tenham caráter voluntário, mas as companhias provavelmente enfrentarão uma grande pressão para adotá-las. As companhias que decidirem participar terão de cinco a dez anos para fazer com que os seus produtos e propagandas atendam às exigências.
“Existe nitidamente uma demanda escondida por trás da luva de veludo que é a apresentação desse projeto como uma iniciativa voluntária”, diz Dan Jaffe, vice presidente da Associação Nacional de Publicitários, um grupo que representa clientes como a Kraft Foods e a Campbell Soup.
Ao vincular explicitamente as propagandas à obesidade infantil, o governo está sugerindo que existe um lado mais sombrio nas figuras engraçadinhas como o Cap'n Cruch, os elfos Keebler, Ronald McDonald e os personagens de filmes e de televisão que são usados para promover a venda de alimentos. Isso faz também com que surja a possibilidade de que esses personagens acabem tendo o destino do Camelo Joe, o personagem de desenho utilizado para promover os cigarros Camel, que foi retirado de cena em meio às alegações de que ele tinha como objetivo fazer com que as crianças se sentissem atraídas pelos cigarros.
“A nossa proposta cobre de fato todas as formas de marketing para crianças. As embalagens de produtos e os temas e imagens nas caixas de sucrilhos atraem tremendamente o público infantil”, afirma Michelle Rusk, uma advogada que trabalha na comissão de comércio. “O objetivo é encorajar as crianças a comer mais alimentos saudáveis porque a obesidade infantil se constitui em uma enorme crise de saúde”.
Em 2006, a Comissão Federal de Comércio anunciou que as companhias de alimentos gastavam quase US$ 2,3 bilhões (R$ 3,6 bilhões) com propagandas dirigidas às crianças.
A indústria de alimentos imediatamente criticou a proposta, alegando que já tomou medidas significativas no sentido de melhorar as receitas e modificar a maneira como faz propaganda para o público infantil.
A Kellogg, a companhia que fabrica os sucrilhos Froot Loops, disse em uma declaração que iria rever a proposta e que se compromete a melhorar “as credenciais nutricionais” dos seus produtos.
“Nós temos critérios bastante específicos, baseados em uma análise ampla de relatórios científicos, que determinam quais produtos serão objetos de propaganda dirigida a crianças e como será feita essa propaganda”, declarou a companhia.
A Kellogg já reduziu o teor de açúcar e acrescentou cereais integrais a vários dos seus sucrilhos.
Scott Faber, vice-presidente da Associação dos Fabricantes de Alimentos Vendidos em Supermercados, um grupo que representa os fabricantes de alimentos, diz que as propagandas de comidas embaladas veiculadas na televisão e direcionadas para crianças de dois a 11 anos sofreram uma redução significativa desde 2004, e que as propagandas exibidas com maior frequência são aquelas de tipos de alimentos mais saudáveis. Segundo ele, as companhias também modificaram diversas receitas para reduzir o sal, o açúcar e a gordura e para acrescentar ingredientes saudáveis, como cereais integrais. “O ritmo da reformulação vai aumentar, não como resultado dos princípios que foram anunciados hoje pelo governo, mas sim porque os consumidores estão exigindo mudanças no mercado”, explicou Faber.
Muitas companhias de alimentos participam de uma iniciativa liderada pelo setor, a Iniciativa de Propagandas de Alimentos e Bebidas para Crianças, com o objetivo de restringir parte das atividades de marketing na área. Mas cada companhia que participa tem permissão para estabelecer os seus próprios critérios nutricionais, o que, segundo os críticos, prejudica a eficácia do programa.
Os reguladores dizem que é importante que a indústria alimentícia como um todo adote um conjunto uniforme de padrões.
As diretrizes foram criadas a pedido do congresso e redigidas pela comissão, pela Administração de Alimentos e Remédios dos Estados Unidos, pelo Departamento de Agricultura e pelo Centro para a Prevenção e o Controle de Doenças. Os reguladores afirmaram que terão que ouvir comentários e cogitar mudanças antes de apresentarem um relatório final ao congresso.
As diretrizes determinam que todos os alimentos que sejam objeto de propaganda para crianças atendam a duas exigências básicas. Eles terão que incluir certos ingredientes saudáveis, como cereais integrais, frutas frescas e verduras e legumes, ou leite de baixo teor de gordura. E eles não poderão conter quantidades de açúcar, gorduras saturadas e sal que sejam prejudiciais à saúde.
A exigência relativa ao açúcar estabeleceria um limite de oito gramas de açúcar acrescentado por porção, o que é bem menos do que contêm os sucrilhos populares atuais. O Froot Loops e o Cap'n Crunch, por exemplo, contêm 12 gramas de açúcar por porção.
As restrições relativas ao sal são particularmente estritas, e as companhias terão dificuldade em fazer com que vários alimentos embalados vendidos atualmente nos supermercados atendam a essas exigências. Em um período inicial de reajuste, as diretrizes recomendam que vários alimentos não contenham mais do que 210 miligramas de sódio por porção, e que vários pratos e refeições, incluindo tanto comidas servidas em restaurantes quanto alimentos embalados, não contenham mais do que 450 miligramas. Uma lata de 425 gramas de ravióli de carne bovina Chef Boyardee, por exemplo, atualmente oferece duas porções, cada uma delas com 750 miligramas de sódio. As restrições ao sódio se tornariam mais rígidas com o passar do tempo.
As agências federais admitiram que “uma grande proporção dos produtos alimentícios atualmente no mercado não atenderia a esses requerimentos”.
As diretrizes vão se aplicar tanto aos alimentos para crianças jovens quanto àqueles para adolescentes. A indústria alegou que deveria haver maior flexibilidade em relação aos alimentos para adolescentes, e Rusk disse que as agências avaliarão tais argumentos.
Margo Wootan, diretora de políticas de nutrição do Centro para a Ciência no Interesse Público, um grupo de defesa do consumidor, prevê que as diretrizes obrigarão diversas companhias a aceitar grandes restrições e a melhorar as receitas dos seus alimentos.
“Com toda essa preocupação com a obesidade infantil, eu creio que existe muita pressão sobre as companhias para que estas façam a coisa certa e sigam esses padrões”, disse Wootan.
Jeffrey Chester, diretor executivo do Centro para a Democracia Digital, um grupo dedicado à pesquisa do marketing na Internet dirigido a crianças, diz que a proposta da Comissão Federal de Comércio poderá ter vastas implicações.
“A questão da obesidade de crianças e adolescentes colocou o marketing digital na alça de mira das agências reguladoras”, afirma Chester.
Tradução: UOL


Sobre a privacidade em tempos digitais

Privacidade de informações é colocada à prova em processo na Suprema Corte

The New York Times
Natasha Singer

Agora podemos acrescentar a essa lista, que preocupa bastante os cidadãos comuns, as grandes corporações da área de dados e informações sobre os consumidores.
Esta não foi uma boa semana para aqueles que prezam a sua privacidade. Primeiro nós ficamos sabendo que a Apple e o Google vêm usando os nossos smartphones para coletar dados relativos à nossa localização. A seguir a Sony admitiu que a sua rede PlayStation sofreu um ataque de hackers – o último episódio em uma série preocupante de acessos indevidos a dados pessoais.
Qualquer pessoa em sã consciência sabe que praticamente tudo o que existe sobre todo indivíduo – o que ele compra, aonde ele vai – tem um valor para alguém. E quanto mais nós vivemos no mundo online, mais as companhias ficam sabendo a nosso respeito.
Mas até que ponto os outros têm o direito de compartilhar e vender tais informações? Esse é ponto central de um processo legal envolvendo mineração de dados que foi apresentado à Suprema Corte dos Estados Unidos na última terça-feira.
O processo, conhecido como Sorrel v. IMS Health, diz respeito à privacidade de informações de saúde: em 2007 o Estado de Vermont baixou uma lei que permite que os médicos decidam se farmácias específicas podem, para fins de marketing, vender registros relativos a receitas vinculando os nomes desses profissionais aos tipos e quantidades de medicamentos prescritos. Os legisladores estaduais aprovaram a lei depois que a Sociedade Médica de Vermont afirmou que esse tipo de marketing invadia a privacidade dos médicos e poderia exercer demasiada influência na prescrição de medicamentos.
Mas três firmas de informações da área de saúde, incluindo a IMS Health e a Verispan, juntamente com um grupo da indústria farmacêutica, contestaram a lei, alegando que ela restringiria a liberdade de expressão comercial. De acordo com a IMS Health, o acesso aos registros relativos às receitas médicas ajuda as companhias farmacêuticas a fazer propaganda de forma mais eficiente voltada para aqueles médicos cujos pacientes mais iriam se beneficiar de drogas específicas.
Agora os juízes decidirão se a lei de Vermont é constitucional ou não.
Mas com as recentes manchetes sobre invasão de privacidade – o ataque de hackers ao PlayStation se seguiu a uma recente invasão do banco de dados da companhia de marketing online Epsilon, em uma ação que expôs endereços de e-mail de clientes do Citibank, da Walgreens, da Target e de outras companhias –, o processo de Vermont está se inserindo em uma discussão muito mais ampla sobre a proteção do consumidor e o consentimento bem informado.
O processo traz à tona questões relativas à coleta, ao gerenciamento, ao armazenamento, ao compartilhamento e à venda de todos esses dados. E, segundo os defensores da privacidade do cidadão, é também igualmente importante o fato de ele fazer com que se questione se as firmas detentoras de dados estão protegendo adequadamente essas informações.
As pessoas geralmente não têm muito controle sobre quem coleta e vende informações sobre elas. Além do mais, diz Christopher Calabrese, assessor legislativo da União para Liberdades Civis Americanas, elas também não sabem sequer os nomes das empresas de dados que compilam todos esses perfis eletrônicos.
Assim, os defensores do consumidor estão tendo as atenções voltadas para as grandes corporações do setor de informações.
“Se não houver uma intervenção governamental, a Internet poderá em breve sofrer uma transformação, deixando de ser uma biblioteca e um local de lazer para tornar-se um aquário”, afirmou Calabrese em março, diante de uma comissão de inquérito do senado norte-americano sobre a privacidade do consumidor. “E nós poderemos também acabar abrindo mão involuntariamente de valores básicos referentes a privacidade e autonomia”.
Existem algumas legislações, como a Lei de Proteção à Privacidade de Vídeo, que proíbe as empresas de divulgarem registros pessoalmente identificáveis, como históricos de aluguel de vídeos, sem o consentimento do consumidor. A Aliança de Propaganda Digital, uma coalizão de grupos de marketing online, criou no ano passado um programa que notifica os consumidores a respeito do rastreamento online e permite que esses indivíduos evitem as propagandas a eles direcionadas.
A lei de Vermont representa uma espécie de bloqueio de chamadas de telemarketing para os médicos que podem desejar ser visitados por vendedores da indústria farmacêutica, mas que não desejam que as empresas façam marketing de remédios com base nos seus históricos de prescrição de medicamentos.
A prática de marketing se torna possível porque as farmácias, que são obrigadas por lei a coletar informações detalhadas sobre os remédios que vendem mediante a apresentação de receitas médicas, podem vender registros de receitas emitidas por médicos específicos às firmas de bancos de dados (segundo regulamentações federais relativas à privacidade, as informações pessoais sobre pacientes, como nomes e endereços, têm que ser removidas dos registros antes que estes possam ser comercializados para fins de marketing). Firmas como a IMS Health, a seguir, combinam os registros, e os representantes das indústrias farmacêuticas com frequências os utilizam para adequar as suas apresentações a cada médico específico.
A preocupação central é com a privacidade – tanto dos médicos quanto dos pacientes. Embora as farmácias removam os nomes dos pacientes antes de venderem os registros, esses nomes são substituídos por códigos únicos que rastreiam os pacientes no decorrer do tempo, determinando os consultórios médicos que eles visitaram, segundo a queixa judicial feita em Vermont. Isso significa que as empresas de dados podem criar um perfil que inclui as receitas médicas de determinado indivíduo bem como os nomes das farmácias e as datas em que este indivíduo pegou os medicamentos, diz Latanya Sweeney, uma professora de ciência da computação da Universidade Harvard.
“Esse processo acaba resultando na criação de um perfil detalhado de receitas médicas de cada indivíduo”, alerta Sweeney, cuja pesquisa sobre reidentificação de dados foi citada vários vezes no decorrer do processo. “Esses perfis ampliados tendem a ser bem individualizados”.
Segundo ela, o temor é que, especialmente em um Estado pequeno como Vermont, um registro de receitas médicas sem nomes possa teoricamente ser suficiente para a identificação de um indivíduo que pode não desejar que outras pessoas saibam que ele toma, por exemplo, remédios antidepressivos. Além do mais, argumenta Sweeney, os mineradores de dados poderiam aglutinar esses arquivos a informações públicas, como registro eleitoral e de altas hospitalares, a fim de vincular receitas médicas a pessoas específicas.
Sweeney diz que a regulamentação federal da privacidade de dados de saúde não protege os registros dos pacientes depois que estes são reidentificados. E a lei tampouco proíbe a reidentificação.
Mas a IMS Health afirma que não está ciente de nenhum caso de pacientes cujos registros de receitas médicas foram identificados desta forma de acordo com as regras federais. A companhia diz que criptografa duplamente a identidade de cada paciente e fornece as chaves criptográficas a uma outra firma – o que, segundo Kimberly Gray, diretora de privacidade da IMS Health, significa que nenhuma parte isolada é capaz de decodificar por si própria os arquivos.
A companhia geralmente vende relatórios combinados que mostram como vários pacientes receberam um determinado remédio de um determinado médico, sem entretanto revelar as farmácias específicas que os pacientes frequentam, diz Gray. Ela afirma que a IMS nunca utiliza informações públicas ou conjuntos de dados externos para tentar reidentificar os pacientes, e quando a empresa fornece históricos criptografados dos pacientes a terceiros para fins de pesquisa, ela proíbe essas firmas de tentar fazer tal coisa.
“Nós jamais desejaríamos reidentificar alguém”, diz Gray. “Nada de bom pode advir disso”.
Mesmo assim, é difícil impedir que as pessoas tentem reidentificar pacientes, diz Lee Tien, advogado da Electronic Frontier Foundation, um grupo de defesa das liberdades civis digitais que apoia a iniciativa de Vermont. Segundo ele, seria mais fácil se o congresso aprovasse uma lei que fosse além daquela de Vermont, dando às pessoas o direito de fornecer ou não o seu consentimento para que os seus registros criptografados de receitas médicas fossem comercializados para fins de marketing.
“Em Vermont, o médico pode decidir”, diz Tien. “Mas nós preferiríamos que o paciente pudesse dizer: 'Não vendam os meus dados'”.
Tradução: UOL



8 - 3º anos e PV
Sobre acordos, diplomacia e comércio
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110501/not_imp713143,0.php