domingo, 17 de abril de 2011

Proposta de redação 2011-S9 (3º anos - Uberaba)

Faça uma dissertação argumentativa de 25 a 30 linhas em que você exponha seu ponto de vista, apresentando argumentos que o fundamentem, a partir do tema a seguir:

Quais são as variáveis a se considerar quando da escolha profissional por um jovem?

Seguem abaixo alguns aspectos envolvidos no tema. Utilize-os apenas para sua reflexão. Não os copie.

"A equação de uma escolha profissional bem feita possui duas incógnitas que precisam ser simultaneamente resolvidas. (...) A primeira é vocacional (...). A segunda incógnita é o lado financeiro."
            (Eduardo Gianetti, "A arte de escolher uma profissão". Folha de S. Paulo, 19/março/1998)

"O jovem Charles não sabia o que fazer na vida. Na falta de opção, acabou cedendo à vontade do pai, que era médico, e matriculou-se no curso de medicina em Edimburgo. Não funcionou. Abandonou o curso e seguiu para a Universidade de Cambridge, onde pretendia preparar-se para uma carreira no clero anglicano. O seu desempenho acadêmico, porém, foi medíocre. (...) Formado e sem rumo, Charles decidiu aceitar o posto de naturalista a bordo de um navio que passaria cinco anos pelos mares do sul. O pai, contudo, era radicalmente contra a idéia (...) e ele foi viajar graças a um tio que aplacou a fúria paterna. Assim Darwin se fez (...)."
            (Eduardo Gianetti, "A arte de escolher uma profissão", cit.)

"Os donos de grandes fortunas passam a idéia de que toda riqueza é montada à custa de grande disposição para o trabalho. (...) Alardeiam uma suposta igualdade de oportunidades, pretendendo impor a todos um modelo de sucesso e felicidade que aparentemente diz respeito a eles próprios."
            (Paulo Sérgio do Carmo, "A ideologia do trabalho")

"Os que querem trabalho sempre o encontram. Se aceitarem o preço que se oferecerá por seu trabalho."
            (Estatuto dos Artífices da Inglaterra, 1563, apud P. S. Carmo. "A ideologia do trabalho", cit)

Escolhendo uma profissão

Todo jovem tem de tomar pelo menos duas grandes importantes decisões na vida. A escolha da profissão e a do cônjuge. A maioria estuda e namora o futuro cônjuge nos mínimos detalhes, mas escolhe e descarta dezenas de profissões com uma única frase. Muitos passarão mais tempo no emprego do que com o marido, a esposa e a família. Quando chegarem em casa, todos já estarão dormindo.
Como melhorar a escolha da profissão com a mesma dedicação com que se escolhe um cônjuge?
1. Namore também sua profissão. Se seus pais possuem um conhecido que exerça uma profissão, peça permissão para acompanhá-lo por algumas semanas para sentir como é seu dia-a-dia. Mesmo que tenha de ficar nos corredores, você verá o ambiente, sentirá um pouco a rotina diária. Assista a uma semana de aulas em sua futura faculdade. Comece a explorar as variantes da profissão, descubra as linhas de pensamento, os estilos. Quem são as "feras" dessa área e como são os estilos de vida. Combinam com o seu?
2. Não se apresse. Se você estiver na dúvida quanto à escolha da profissão, tire um ano mochilando pelo mundo afora. É preferível "perder" um ano a perder toda uma vida profissional. A escolha da profissão precisa ser cuidadosa, porque hoje em dia é mais fácil trocar de cônjuge que de profissão. Aos 32 anos você não terá mais disposição para prestar um novo vestibular. Essa pressão da sociedade e dos pais para uma escolha imediata vem do tempo em que a expectativa de vida de um adulto era de somente quarenta anos. Hoje a expectativa média de vida é de 82 anos. Um ano ou dois não farão a mínima diferença.
3. O não por exclusão. Nossa tendência é sempre achar algum defeito numa idéia nova. "Engenheiros sujam as mãos", "contabilidade é para tímidos", "advocacia é para quem fala bem", "finanças e economia são para especuladores". Toda profissão tem seus defeitos. Se você andou escolhendo algumas profissões por exclusão, volte atrás e pense de novo.
4. Explore o cinza. Justamente porque o estereótipo do advogado é aquele que fala bem, existe enorme falta de advogados que sejam bons em matemática. Por isso, advogados tributaristas, os que mexem com números, são muito bem pagos no Brasil.
5. Não confunda interesse com proposta de vida. Todos nós deveríamos ter interesse em história e filosofia. Espero que nos fins de semana vocês leiam esses temas, e não mais um livro técnico. Todo mundo deveria estudar um pouco de economia, psicologia e direito, mas nem todos irão querer estudar essas matérias a vida inteira. O simples interesse não é suficiente para fazer de você um profissional dedicado e totalmente comprometido para o resto da vida. Uma fã do pianista Arthur Moreira Lima disse que daria a vida para tocar como ele. "Pois eu dei a minha vida", respondeu Moreira Lima. Se você está disposto a dar sua vida por história ou filosofia, aí não é um mero interesse, é sem dúvida uma vocação. Portanto, vá em frente. Se você escolher uma profissão no par-ou-ímpar, lembre-se de que poderá estar tirando a vaga de alguém que tem vocação, a vaga de um futuro Moreira Lima.
Faça um favor à sociedade e àqueles que adorariam estar em seu lugar: não tome a vaga de quem realmente precisa. A sociedade, os excluídos e seus futuros professores agradecerão efusivamente. Portanto, vá com calma. Estude a vida inteira e escolha sua profissão de uma forma profissional. Boa sorte e meus votos de sucesso.

Stephen Kanitz é administrador (www.kanitz.com.br)
Artigo Publicado na Revista Veja, edição 1781, ano 35, nº 49, 11 de dezembro de 2002.