domingo, 10 de abril de 2011

9ª lista de indicações - Discussão na semana de 18 a 20 de de abril de 2011 (P1 - Bimestre 2)

Caras e caros,


Semana para esquecer essa última. Triste ver que em nossas terras a violência supostamente  mais brutal parece emergir sem aviso, pois crianças foram assassinadas em massa, de forma calculada, torpe e sem razão, por uma pessoa pouco mais velha ao que tudo indica alvo de uma confluência entre vida escolar potencialmente traumática, insanidade geradora de ódio e enlutamento. Assim, menos para entender e mais para refletir seguem dois textos que podem ajudar-nos a digerir esse evento provocador de perplexidade e uma profunda tristeza sem nome, sem tradução e sem destino, que nos empurra para tempos incertos, mas que só a fraternidade; o respeito pela diferença; escolas como espaços de prosperidade ética, intelectual e cultural; etc., podem tornar mais leves e felizes. Parece-me um ato isolado quando reflito sobre o atirador e suas motivações, mas preocupante no que tange uma sociedade aparentemente com severas dificuldades de evitar ideias e posturas fundamentalistas, desequilibradas e radicais  e ao mesmo tempo garantir as liberdades individuais como a de expressão, de ir e vir, etc. Boa leitura para todos.


Abraço,


Professor Estéfani Martins
Facebook e Orkut - Estéfani Martins



1 - 2º anos, 3º anos e PV
Sobre os 100 dias de Dilma no poder: para uma reflexão e análise autônomas

2 - 2º anos, 3º anos e PV
Um olhar filosófico sobre o massacre de Realengo
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110410/not_imp704220,0.php


3 - 2º anos, 3º anos e PV
Sobre novelas, obviedades e "perigos"
Aposta do SBT não vale como ficção nem como documento
Enredo confunde dados históricos e direção remete a dramalhão mexicano

FERNANDO DE BARROS E SILVA
COLUNISTA DA FOLHA

Líder estudantil delicada e idealista, filha de pais comunistas, Maria Paixão (Graziela Schmitt) é a heroína da trama. Seu par romântico é José Guerra (Claudio Lins), jovem major fiel aos ideais democráticos, filho do general Lobo Guerra, da linha dura do Exército. "Maria" e "José", "Paixão" e "Guerra" -isto é "Amor e Revolução", novela sobre a luta armada que estreou na terça, no SBT.
Mais do que maniqueísta, tudo é muito primário. O principal vilão, supostamente inspirado na figura de Sérgio Paranhos Fleury, o chefe torturador do Dops (a polícia política da ditadura), se chama Delegado Aranha (Jayme Periard). Seu assistente no porão da tortura é o inspetor Fritz (Enando Tiago).
O assunto é sério, o SBT criou enorme expectativa em torno da novela, mas o resultado é uma piada.
As novelas da Globo, que nos servem de referência, também são ruins. Em "Passione", para citar um exemplo recente, havia uma mixórdia de gêneros -o pastelão farsesco, a trama policialesca, o drama social, o folhetim romântico- convivendo num mesmo enredo, obviamente desprovido de qualquer unidade dramatúrgica.
Esse Frankenstein estilístico é uma aspiração deliberada da novela global, uma fórmula com que a emissora busca atender às demandas de um público heterogêneo, que ela trata de massificar diante da tela.
"Amor e Revolução" é ruim em outro sentido. O SBT quis fazer um banquete, mas não domina a receita do suflê. Tudo é tecnicamente precário, mas não exatamente "pobre". Temos uma superprodução "trash" -ou, talvez, uma "supertrash" produção.
A direção de atores nos remete àqueles dramalhões mexicanos. Os diálogos são postiços, ginasianos e involuntariamente cômicos -uma mistura de CPC (os centros culturais do catecismo socialista dos anos 60) com "A Praça É Nossa".
Eis um exemplo: um casal de guerrilheiros veteranos está num sítio idílico, à beira da cachoeira. Jandira (Lúcia Veríssimo) se vira para Batistelli (Licurgo Spinola) e pergunta: "Você me trouxe aqui para fazer amor ou fazer a revolução?". E ele: "Os dois. O amor cria tudo, a revolução muda tudo". Os dois então se amam nas águas, na mesma toada da novela "Pantanal".
Não é só. Falta a "Amor e Revolução" aquele mínimo de verossimilhança que a ficção com pretensões históricas deveria ter. A novela começa com uma chacina de estudantes que articulavam a guerrilha numa chácara. Os assassinos são Lobo, Aranha e sua turma. Mas tudo isso se passa antes do golpe de 31 de março de 1964.
Não havia, então, guerrilha no Brasil. A tortura contra adversários da ditadura só seria adotada pelo regime de modo sistemático depois do AI-5, em 1968. "Amor e Revolução" mistura tudo no liquidificador. Não presta como obra de ficção nem tem valia como documento histórico.
Restam, além das cenas abundantes de tortura, os depoimentos de personagens reais ao final de cada capítulo, como costuma fazer Manuel Carlos. É bom que o povo que gosta do programa do Ratinho conheça os horrores de que foi capaz a ditadura.
Na novela com intenções edificantes do SBT, porém, adular a atual presidente parece mais importante do que esclarecer as massas.
Fonte: folha.com.br


4 - 2º anos, 3º anos e PV
Um olhar feminino para as redes sociais
http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/facebook_o_novo_espelho_de_narciso.html
Obs.: ler as cinco páginas.


5 - 2º anos, 3º anos e PV


Só bullying não é capaz de explicar o massacre
PARA MÉDICO, PERSEGUIÇÃO A CRIANÇA PODE SER GATILHO PARA VIOLÊNCIA EM QUEM JÁ TEM ALGUMA DOENÇA PSIQUIÁTRICA
FABIANA REWALD
DE SÃO PAULO 

Nos últimos anos, com um certo atraso em relação a outros países, os educadores brasileiros acordaram para os efeitos perversos do bullying. Mesmo assim, ainda estamos atrasados nas políticas de prevenção, que, para darem certo, devem ser constantes, e não episódicas.
A opinião é do psiquiatra infantil Gustavo Teixeira, que dá aulas a professores no Brasil e no exterior sobre o assunto.
A uma semana de lançar o "Manual Antibullying - Para Alunos, Pais e Professores" (Editora BestSeller), ele falou à Folha sobre o que pode ter levado Wellington Menezes de Oliveira a matar alunos da escola em que estudou. 


Folha - Existe uma relação entre o bullying e casos de violência como do Rio?
Gustavo Teixeira
- É claro que a gente não pode associar que toda vítima de bully- ing se tornará uma pessoa agressiva. Mas o relato na literatura mostra que muitos alvos de bullying procuram se vingar e culpam a instituição de ensino. Estão investigando isso no Rio também.
Outra questão importante é a da doença psiquiátrica. O que causa isso? Basicamente, dois fatores principais: um componente genético e imutável associado a desencadeadores ambientais. O ambiente é o que puxa o gatilho. O bullying pode ser um gatilho importante para uma doença psiquiátrica.

O que determina o bullying?Uma relação desigual de poder. Os alvos de bullying normalmente são crianças tímidas, desajeitadas, retraídas, com autoestima baixa e com dificuldade de se defender. Os agressores são pessoas extrovertidas, que se comunicam melhor, têm uma autoestima preservada. Normalmente são muito covardes e agem em bando.

Por que algumas vítimas reagem violentamente?Na grande maioria dos casos, [as vítimas de bullying] cometem suicídio ou ficam sofrendo sozinhas pelo resto da vida. Nesses poucos casos em que ocorre a reação de agressão no sentido de ir armado para a escola e cometer assassinatos em série, existe uma doença psiquiátrica.
Foi assim em Columbine e em Virginia Tech [escolas americanas alvos de ataques], parece que é o caso desse garoto no Rio. O que parece ser determinante são doenças psiquiátricas mesmo, seja esquizofrenia, sejam transtornos de personalidade antissocial. No caso do Rio, há indícios de que é um caso de esquizofrenia.

Quais são esses indícios?A impressão que dá [pela carta que ele deixou] é que existe uma quebra na personalidade. É como se ele pudesse dividir o mundo em duas partes: o mundo dos puros e o dos impuros.
E tem essa questão de conteúdo místico-religioso, de que apenas pessoas virgens poderão tocá-lo, pessoas que não fossem virgens teriam de usar luvas. Ele deixa claro que ele é virgem e tem uma predisposição para assassinar meninas. É precoce afirmar, mas é possível que haja um quadro de esquizofrenia.

A vítima pode descontar sua raiva de outra maneira?Ele pode se tornar uma pessoa agressiva com os filhos, a mulher, o cachorro, o irmão mais novo.

Como combater o bullying?Não se pode fazer um programa episódico, de um mês. O que funciona é a aplicação de políticas de forma continuada na instituição de ensino, pelo próprio sistema governamental. É uma questão de saúde pública.

As escolas brasileiras já estão dando a devida importância?Felizmente, o pessoal está começando a entender o que é. Agora, em termos de programas ocorrendo de maneira sistematizada, ainda é muito raro. São pouquíssimas instituições de ensino no país que já trabalham isso. Foi dada a largada, agora o que a gente precisa de fato é implementar essas técnicas para a gente cuidar da saúde mental das nossas crianças.

Há diferença entre o bullying nos EUA e no Brasil?Talvez a grande diferença é que os educadores lá já têm conhecimento de bullying há mais tempo, a gente está um pouquinho atrasado.



Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1004201104.htm


6 - 3º anos e PV
Sobre o futuro das revoluções árabes


7 - 3º anos e PV
Sobre os desdobramentos de um massacre
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110409/not_imp703892,0.php