quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Redação - Tema de redação 2018Nov08 - o homem pós-moderno


Tema de redação 2018Nov08

Leia atentamente os textos abaixo.

Texto 01.
“A ideia de ‘’pós-modernismo’ surgiu pela primeira vez no mundo hispânico, na década de 1930, uma geração antes de seu aparecimento na Inglaterra ou nos EUA. Perry Anderson, conhecido pelos seus estudos dos fenômenos culturais e políticos contemporâneos, em "As Origens da Pós-Modernidade" (1999), conta que foi um amigo de Unamuno e Ortega, Frederico de Onís, que imprimiu o termo pela primeira vez, embora descrevendo um refluxo conservador dentro do próprio modernismo. Mas coube ao filósofo francês Jean-François Lyotard, com a publicação "A Condição Pós-Moderna" (1979), a expansão do uso do conceito.
Em sua origem, pós-modernismo significava a perda da historicidade e o fim da "grande narrativa" - o que no campo estético significou o fim de uma tradição de mudança e ruptura, o apagamento da fronteira entre alta cultura e da cultura de massa e a prática da apropriação e da citação de obras do passado.
A densa obra de Frederic Jameson[1] "Pós-Modernismo" (1991), enumera como ícones desse movimento: na arte, Andy Warhol e a pop art, o fotorrealismo e o neo-expressionismo; na música, John Cage, mas também a síntese dos estilos clássico e "popular" que se vê em compositores como Philip Glass e Terry Riley e, também, o punk rock e a new wave"; no cinema, Godard; na literatura, William Burroughs, Thomas Pynchon e Ishmael Reed, de um lado, "e o nouveau roman francês e sua sucessão", do outro. Na arquitetura, entretanto, seus problemas teóricos são mais consistentemente articulados e as modificações da produção estética são mais visíveis.
Jameson aponta a imbricação entre as teorias do pós-modernismo e as "generalizações sociológicas" que anunciam um tipo novo de sociedade, mais conhecido pela alcunha "sociedade pós-industrial". Ele argumenta que "qualquer ponto de vista a respeito do pós-modernismo na cultura é ao mesmo tempo, necessariamente, uma posição política, implícita ou explícita, com respeito à natureza do capitalismo multinacional em nossos dias".
Vale observar que Perry Anderson, ao ser convidado a fazer a apresentação do livro de Jameson, terminou escrevendo o seu próprio “As origens da pós-modernidade”, constituindo assim uma espécie de ‘introdução’ ao conceito. Nele diz que o modernismo era tomado por imagens de máquinas [as indústrias] enquanto que o pós-modernismo é usualmente tomado por “máquinas de imagens” (p.105) da televisão, do computador, da Internet e do shopping centers. A modernidade era marcada pela excessiva confiança na razão, nas grandes narrativas utópicas de transformação social, e o desejo de aplicação mecânica de teorias abstratas à realidade. Jameson observa que “essas novas máquinas podem se distinguir dos velhos ícones futuristas de duas formas interligadas: todas são fontes de reprodução e não de ‘produção’ e já não são sólidos esculturais no espaço. O gabinete de um computador dificilmente incorpora ou manifesta suas energias específicas da mesma maneira que a forma de uma asa ou de uma chaminé” (citado por Anderson, p.105).”

Texto 02.
“O pós-moderno é muito mais a fadiga crepuscular de uma época que parece extinguir-se ingloriosamente que o hino de júbilo de amanhãs que despontam. À consciência pós-moderna não corresponde uma realidade pós-moderna. Nesse sentido, ela é um simples mal-estar da modernidade, um sonho da modernidade. É literalmente, falsa consciência, porque consciência de uma ruptura que não houve, ao mesmo tempo, é também consciência verdadeira, porque alude, de algum modo, às deformações da modernidade.” (Sérgio Paulo Rouanet, “As origens do Iluminismo”)

Texto 03.
“O mal-estar pós-moderno é visível e trivial, expressado na linguagem do cotidiano do trabalho compulsivo, muitas vezes vendido como se fosse ‘lazer’ ou ‘ócio criativo’, que gera stress, a perversão, a depressão, a obesidade, o tédio.”
“Se a modernidade prometia a felicidade através do progresso da ciência ou de uma revolução, a pós-modernidade promete um nada que pretende ser o solo para tudo.”
(Raymundo de Lima)

Texto 04.
“Tudo se tornou demasiadamente próximo, promíscuo, sem limites, deixando-se penetrar por todos os poros e orifícios.” (Slavoj Zizek)

Texto 05.
“Segundo o francês Jean-François Lyotard, a "condição pós-moderna" caracteriza-se pelo fim das metanarrativas. Os grandes esquemas explicativos teriam caído em descrédito e não haveria mais "garantias", posto que mesmo a ciência já não poderia ser considerada como a fonte da verdade.
Para o crítico marxista norte-americano Fredric Jameson, a Pós-Modernidade é a "lógica cultural do capitalismo tardio", correspondente à terceira fase do capitalismo, conforme o esquema proposto por Ernest Mandel.
Outros autores preferem evitar o termo. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, um dos principais popularizadores do termo Pós-Modernidade no sentido de forma póstuma da modernidade, atualmente prefere usar a expressão "modernidade líquida" - uma realidade ambígua, multiforme, na qual, como na clássica expressão do manifesto comunista, tudo o que é sólido se desmancha no ar.
http://adolescentes.pbworks.com/f/comunica%C3%A7%C3%A3o.jpg
O filósofo francês Gilles Lipovetsky prefere o termo "hipermodernidade", por considerar não ter havido de fato uma ruptura com os tempos modernos - como o prefixo "pós" dá a entender. Segundo Lipovetsky, os tempos atuais são "modernos", com uma exacerbação de certas características das sociedades modernas, tais como o individualismo, o consumismo, a ética hedonista, a fragmentação do tempo e do espaço.
Já o filósofo alemão Jürgen Habermas relaciona o conceito de Pós-Modernidade a tendências políticas e culturais neoconservadoras, determinadas a combater os ideais iluministas.”

Texto 06.

Texto 07.
“A importância de Bauman está na interpretação da fluidez dos tempos pós-modernos. Bauman é duro neste aspecto, se declara um sociólogo crítico e recusa o rótulo de “pós-modernista”. Para ele, “pós-modernista” é aquele que reproduz a ideologia do pós-modernismo, que se recusa a qualquer tipo de debate, que relativiza a vida ao máximo e que, dentro dessa superrelativização, não consegue estabelecer críticas e nem formar regras para guiar a sociedade. Pós-modernista é aquele que foi construído dentro de uma condição pós-moderna, ele a reproduz e é constituído por ela. É seu arauto, seu representante inconsciente e é este posto que Bauman rejeita e nega fielmente.
A posição do autor é crítica às relações sociais atuais. Se trata de começar com uma categorização nova: modernidade líquida e modernidade sólida. Uma que representa o novo mundo, a pós-modernidade, e o outro que define a modernidade, a sociedade industrial, a sociedade da guerra-fria. Não é difícil de conseguir perceber a relação direta entre a “solidez” das relações da guerra-fria, com dois núcleos de produção dos julgamentos corretos (o capitalista, representado pelos EUA e o comunista, representado pela URSS), com duas opção distintas e antagônicas para serem “escolhidas”, ao contrário do pós-guerra fria, após a queda do Muro de Berlim e com a dissolução de qualquer centro de emissão moral, com a primazia do consumo em detrimento de qualquer ética da parcimônia e etc e etc.
A sociedade líquida é a sociedade das relações fluidas, das relações frágeis, é a sociedade em que a fixidez de uma amizade em que ambas as partes matariam e morreriam pela outra já não existe mais. Não se trata mais de uma sociedade em que os indivíduos sabem o seu destino desde o nascimento, agora estamos imersos em um espaço social onde ~teoricamente~ escolhemos nosso futuro, optamos pelo nosso destino, somos responsáveis pelo nosso fracasso. Não é mais necessário ser asiático para ser um legítimo budista, basta comprar os livros certos e assistir às aulas certas. Ninguém é, e sim está.” (Vinicius Siqueira)

Situação 2018Nov08-A - Dissertação (USP, Unesp, etc.)
Faça uma dissertação sobre quais são as principais dúvidas e dilemas do homem chamado por muitos de pós-moderno.

Instruções:
1. Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
2. A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
3. Dê um título a sua redação.

Redação - Tema de redação 2018Nov07 - conservadorismo


Tema de redação 2018Nov07

Texto 01.
“Em suas origens, o pensamento conservador pode ser concebido como uma atitude reativa em oposição às rápidas mudanças que se processavam nas sociedades europeias, entre os séculos 18 e 19, provocadas pelos movimentos revolucionários burgueses.
As revoluções burguesas provocaram a ruptura das tradições, dos costumes, dos hábitos e das crenças religiosas. Nesse contexto, enquanto uma ordem social desaba e uma nova ordem social está em construção, o conservadorismo emerge como força ideológica e política contra-revolucionária.
Em termos históricos, no entanto, é preciso considerar que os revolucionários progressistas também se tornaram conservadores, quando a sociedade capitalista (ou liberal) foi ameaçada por processos revolucionários populares.”

Texto 02.
“Na Revolução Francesa nasceram conceitos ainda usados, como direita e esquerda. Vista como marco do fim do absolutismo, inspiração para dezenas de outras rebeliões no mundo, ela instaurou na mentalidade ocidental a mitologia revolucionária, disseminada pelos séculos seguintes da Rússia a Cuba, da China à Venezuela. A revolução foi o resultado imediato do clima de contestação promovido na Europa pelo Iluminismo. Não foi preciso esperar muito para descobrir que, em nome da razão e das luzes, sob a pretensão nobre de defender os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, a tirania estava à espreita, e os crimes mais brutais eram cometidos.
Um dos primeiros a perceber isso foi o político e pensador irlandês Edmund Burke. Num panfleto publicado em novembro de 1790, Burke foi capaz de prever com uma precisão impressionante os acontecimentos dos anos seguintes: o fracasso da política econômica, os inevitáveis conflitos gerados por inovações políticas não testadas, a fratura nas Forças Armadas, com a consequente convulsão social e um banho de sangue hediondo. Obra odiada pelos marxistas, vista como fundadora do pensamento conservador contemporâneo, “Reflexões sobre a revolução na França” é leitura fundamental para qualquer um que queira entender os riscos embutidos em qualquer ideologia revolucionária e nas ambições desmedidas daqueles que, a pretexto de corrigir injustiças, desprezam todo arranjo político estabelecido e pretendem implantar o início de uma nova era. O conservadorismo de Burke permanece paradoxalmente moderno nos dias de hoje, em que estamos sujeitos a todo tipo de demagogo e populista.”

Texto 03.
“Movimentos de ruptura têm sido gestados durante séculos. Levaram à queda do Antigo Regime e ao florescimento do Estado moderno, período em que se forjou a troca da obediência cega às leis religiosas pelos questionamentos da ciência à luz da razão e a formação do Estado de direito. Entretanto, adventos recentes, como a revolução digital, deram a esses movimentos ritmo e intensidade inéditos, na leitura da psicanalista Viviane Mosé, doutora em filosofia pela UFRJ e diretora da Usina Pensamento. ‘Como no Renascimento, o momento atual é difícil. Vivemos a revolução do compartilhamento. É uma explosão de trocas e possibilidades. As coisas deixaram de ser binárias, e isso quebra estruturas, além de trazer muita angústia.’
Nos momentos de desestruturação, explica Viviane, as pessoas buscam uma âncora movidas pelo medo e pela sensação de insegurança: ‘Há tendência ao conservadorismo, na tentativa de retornar a um modelo anterior, mas que não voltará.’ Como diz Maria Homem, que atua no Núcleo de Pesquisa Diversitas da USP e possui experiência nas áreas de psicanálise, cultura e estética, ‘há tendência em recusar o presente considerado caótico, maluco, deturpado e corrupto, que só tem 'bandido, gay, música indecente'. É uma sensação psíquica de desamparo e medo, daí se almeja uma ordem imaginária’.”

Proposta 2018Nov07-A - dissertação (USP, Unesp, etc.)
Escreva uma dissertação em que você defenda sua posição a respeito da seguinte afirmação:

A sociedade brasileira é natural e amplamente conservadora.

Instruções:
- Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
- A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
- Dê um título a sua redação.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Redação - Tema de redação 2018Nov06 - transumanismo


Tema de redação 2018Nov06

Texto 01.
“Claro que esse momento ia chegar. Usar microchips para tornar nossa memória infinita (não falei melhorar, percebeu!?). Usar hardwares para não precisar dormir, não precisar comer e ter a melhor performance nos esportes do mundo transformando seres humanos em ciborgues imortais. E se der para fazer mais sinapses e aproveitar todo o potencial do nosso cérebro com pequenas pílulas? Tudo isso podia ter saído de um filme ou uma série que ia ser super sucesso, mas quando vivemos na realidade a perspectiva tem de mudar um pouco. E essa realidade tem nome: transumanismo. É abreviado por H+ ou h+.
Esse movimento de super-humanos faz bastante sentido, afinal, o maior objetivo é transformar a condição humana por meio do desenvolvimento de tecnologias. Assim, alcançaríamos a era do pós-humano, já que nossas capacidades intelectuais, físicas e psicológicas serão amplamente melhores. Nada de envelhecimento, sofrimento ou morte. Sim, meu povo, já já a evolução biológica vai rodar em background..”

Texto 02.
“Usar a tecnologia para que ela nos permita "viver para sempre" parece uma possibilidade distante, mas, acredite, já há quem esteja trabalhando para que isso se torne realidade em menos tempo do que talvez imaginemos.
O empresário Elon Musk, por exemplo, está trabalhando em um projeto para conectar o cérebro humano a um computador. A ideia é "libertar" o cérebro do corpo, quando este estiver envelhecido, e abrir a porta para uma vida digital...eterna.
Esta e outras tecnologias fazem parte de um movimento chamado ‘transumanismo’, que defende o uso da tecnologia e da inteligência artificial para melhorar a qualidade da vida humana.
Trata-se de usar a tecnologia para aprimorar nosso estado intelectual, físico e psicológico, por meio, por exemplo, do chamado "mind-upload", expressão criada dentro dessa filosofia para se referir à "transferência da mente" humana para um computador.
Os cientistas dizem que copiar a mente de alguém, suas memórias e personalidade em um computador é possível, em teoria - mas o cérebro tem muitos mistérios.
Ele têm 86 bilhões de neurônios, uma rede produzindo pensamentos via cargas elétricas..”

Texto 03.
“A junção do humano com a máquina é conhecida como “transumanismo”. Tema de vários livros e filmes de ficção científica, hoje é um tópico essencial na pesquisa de muitos cientistas e filósofos. A questão que nos interessa aqui é até que ponto essa junção pode ocorrer e o que isso significa para o futuro da nossa espécie.
Será que, ao inventarmos tecnologias que nos permitam ampliar nossas capacidades físicas e mentais, ou mesmo máquinas pensantes, estaremos decretando nosso próprio fim? Será esse nosso destino evolucionário, criar uma nova espécie além do humano?
É bom começar distinguindo tecnologias transumanas daquelas que são apenas corretivas, como óculos ou aparelhos para surdez. Tecnologias corretivas não têm como função ampliar nossa capacidade cognitiva: só regularizam alguma deficiência existente.
A diferença ocorre quando uma tecnologia não apenas corrige uma deficiência como leva seu portador a um novo patamar, além da capacidade normal da espécie humana. Por exemplo, braços robóticos que permitem que uma pessoa levante 300 quilos, ou óculos com lentes que dotam o usuário de visão no infravermelho. No caso de atletas com deficiência física, a questão se torna bem interessante: a partir de que ponto uma prótese como uma perna artificial de fibra de carbono cria condições além da capacidade humana? Nesse caso, será que é justo que esses atletas compitam com humanos sem próteses?
Poderia parecer que esse tipo de hibridização entre tecnologia e biologia é coisa de um futuro distante. Ledo engano. Como no caso do celular, está acontecendo agora. Estamos redefinindo a espécie humana através da interação – na maior parte ainda externa – com tecnologias que ampliam nossa capacidade.
Sem nossos aparelhos digitais – celulares, tabletes, laptops – já não somos os mesmos. Criamos personalidades virtuais, ativas apenas na internet, outros eus que interagem em redes sociais com selfies arranjados para impressionar; criações remotas, onipresentes. Cientistas e engenheiros usam computadores para ampliar sua habilidade cerebral, enfrentando problemas que, há apenas algumas décadas, eram considerados impossíveis. Como resultado, a cada dia surgem questões que antes nem podíamos contemplar.”
Fonte: (Folha de S.Paulo, 01.02.2015. Adaptado.)

Proposta 2018Nov06-A - dissertação (USP, Unesp, etc.)
Em uma dissertação, defenda a necessidade ou não de haver limites para o que se convencionou chamar atualmente de “transumanismo”.

Instruções:
- Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
- A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
- Dê um título a sua redação.

Redação - Tema de redação 2018Nov05 - aculturações e catequizações


Tema de redação 2018Nov05

Texto 01.
“Estou assustado. Olhando o pôr-do-sol , que é lindo — e pensando se será a última vez que verei isso." Após a repercussão mundial da história do assassinato de John Allen Chau, de 26 anos, ojornal The Washington Post teve acesso ao diário escrito pelo missionário antes de ele ser morto por habitantes de uma tribo isolada que vivem na Ilha Sentinela do Norte, localizada no Oceano Índico entre Índia e Myanmar.
O diário, que tem 13 páginas e foi escrito com caneta e lápis, foi deixado por Chau para um dos pescadores que o transportou à ilha de modo ilegal — a região, sob administração da Índia, é protegida para preservar o modo de vida local e proteger seus membros de possíveis doenças trazidas por visitantes. De acordo com reportagem do The Washington Post, as anotações estão agora sob posse da mãe do missionário morto.
Em seu relato, Chau afirmava que queria pregar o cristianismo aos habitantes da comunidade tradicional. Para não chamar a atenção das autoridades, ele embarcou com pescadores pela noite e, após ser levado a um local próximo da ilha, percorreu o trecho final com um caiaque. Ele carregava itens como tesouras, alfinetes e peixe, que seriam presenteados aos membros da tribo. De acordo com o diário, ao entrar em contato com os habitantes, ele começou a cantar hinos de louvor, mas foi surpreendido por um jovem que atirou uma flecha em sua direção — Chau relatou que a seta atingiu sua Bíblia. "Estou assustado", escreveu o homem em seu último registro.”

Texto 02.
“A palavra descobrimento, empregada com relação a continentes e países, é um equívoco e deve ser evitada. Só se descobre uma terra sem habitantes; se ela é ocupada por homens, não importa em que estágio cultural se encontrem, já existe e não é descoberta. Apenas se estabelece seu contato com outro povo. A expressão descobrimento implica em uma idéia imperialista, de encontro de algo não conhecido; visto por outro que proclama sua existência, incorporando-o ao seu domínio, passa a ser sua dependente.
Tornou-se comum o uso da expressão para os movimentos realizados no fim da Idade Média e começos da Idade Moderna, quando se verifica o maior expansionismo assinalado na história. Falou-se fartamente de descobrimentos realizados pelos portugueses e espanhóis na costa ocidental da África e em ilhas do Oceano Atlântico. E multiplicam-se as datas de revelação de realidades geográficas ou humanas, desde a ilha de Porto Santo, em 1418, a dezenas de outras, bem como acidentes do litoral do continente africano. Alguns acontecimentos tiveram enorme ressonância, como a passagem do extremo sul, chamada Cabo das Tormentas ou Cabo da Boa Esperança, em 1488, por Bartolomeu Dias, desfazendo-se uma das lendas da geografia medieval. Ou a de Cristóvão Colombo, genovês a serviço da Espanha, em 1492, com a revelação do Novo Mundo ou da América. A do português Vasco da Gama, que chegaria à Índia em 1498, agora pela via marítima. Entre 1519 e 1522 é feita a primeira viagem de circunavegação, iniciada pelo português Fernão de Magalhães e concluída por Sebastian del Cano.” (Francisco Iglésias)

Texto 03.
“Achar que a homogeneidade da sociedade é a chave para explicar o desenvolvimento das nações não parece ser um caminho promissor. Além disso, é perigoso. Por isso mesmo, vou insistir no assunto. Afinal, são temas caros ao desenvolvimento e à própria história do Brasil, mas muito difíceis de serem relacionados empiricamente.
A partir da literatura científica, sabemos que o multiculturalismo, a diversidade étnica, contribui para que um país tenha uma vasta gama de pessoas com diferentes habilidades, nível educacional e posse de bens que facilitam a inovação e aumentam a produtividade da economia. Ao mesmo tempo, há registros de que diversidade étnica está associada com políticas públicas ineficientes, instituições menos inclusivas e conflitos derivados do ódio baseado nas próprias diferenças entre os grupos existentes.  Por exemplo, a fragmentação etnolinguística tem correlação negativa com o desempenho econômico em diversas dimensões, com exceção em países mais ricos.”

Texto 04.
“Como a crença da Igreja à época era a de que o demônio havia se instalado no Novo Mundo, a resistência dos indígenas ao pensamento europeu era vista pelos missionários como prova da ação do diabo. Daí, a frequente menção a essa figura nos relatos dos jesuítas e a obsessão dos religiosos de identificar traços demoníacos nas crenças nativas. “É nesse cenário de ‘demonização’ das deidades indígenas que os padres operaram uma metamorfose nas entidades espirituais que causavam danos na figura cristã do diabo”, diz Carvalho.
Nessa transformação, porém, o conceito cristão experimentou mudanças relevantes. Os índios incorporaram o demônio como uma divindade a mais em seu panteão ou simplesmente passaram a chamar de diabo certos espíritos malignos já conhecidos. Para os missionários, era difícil evitar deslocamentos no significado do termo “demônio” devido à estratégia linguística que eles adotavam. Para enaltecer as noções cristãs, diz Carvalho, “os jesuítas preferiam manter em espanhol os termos positivos e centrais para a Igreja, como Deus, sacramentos etc., e lançar mão das palavras nativas para descrever o negativo”. Tamanha sutileza, porém, acarretava essas consequências inesperadas, que incluíam o hábito de alguns nativos de usarem os termos negativos para se referir aos próprios colonizadores.”

Proposta 2018Nov05-A - dissertação (USP, Unesp, etc.)
Faça uma dissertação argumentativa sobre a seguinte pergunta:

Qual a sua opinião sobre a catequização ou outros processos de aculturação de povos, como é o caso dos autóctones, por exemplo?

Instruções:
- Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
- A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
- Dê um título a sua redação.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Redação - Tema de redação 2018Nov04 - morte


Proposta 2018Nov04

Texto 01.
“Quem é que quer flores depois de morto?” (J. D. Salinger)

Texto 02.
“O cadáver é que é o produto final. Nós somos apenas a matéria prima.” (Millôr Fernandes, escritor brasileiro)

Texto 03.
“Nossa existência não é mais que um curto circuito de luz entre duas eternidades de escuridão.” (Vladimir Nabókov)

Texto 04.
“Quem não tem medo da vida também não tem medo da morte.” (Arthur Schopenhauer)

Texto 05.
"Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver." (Ariano Suassuna)

Texto 06.
“Libertação

A morte é a libertação total:
A morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapato.” (Mário Quintana, 1906-1994, poeta gaúcho)

Texto 07.
"Nós temos um limite, muito desencorajador e humilhante: a morte. É por isso que nós gostamos de todas as coisas que nos parecem ilimitadas e, portanto, sem fim. É uma forma de fugir dos pensamentos sobre a morte. Nós gostamos de listas porque não queremos morrer." (Umberto Eco)

Proposta 2018Nov04-A - dissertação (USP, Unesp, etc.)
Faça uma dissertação argumentativa sobre a seguinte pergunta:

Qual a razão para a existência de um medo ancestral da morte, sobretudo, na cultura ocidental?

Instruções:
- Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
- A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
- Dê um título a sua redação.

Redação - Tema de redação 2018Nov03 - vida


Proposta 2018Nov03

Leia atentamente os textos abaixo.

Texto 01.

Texto 02.
“Desde sempre, e sem uma resposta satisfatória, as pessoas se perguntam quando começa a vida humana - o que teria implicações importantes na discussão sobre aborto, métodos contraceptivos e fertilização in vitro. Alguns argumentam que, desde o momento em que o espermatozoide fecunda o óvulo - processo que dá início à gestação -, já podemos considerar que há início da vida. Outros defendem que é preciso um coração pulsando e um cérebro funcionando, ou seja, a presença de sistema circulatório e nervoso - em torno do segundo mês de gestação -, para que o feto seja considerado um ser vivo. Entretanto, chegar a um conceito sobre vida parece impossível, porque esse debate é influenciado por valores religiosos, políticos e morais.”

Texto 03.
“A fecundação é um longo processo, de cerca de 12 horas, que começa com o reconhecimento específico e a ativação mútua dos gametas paterno e materno, maduros, e no meio adequado. A partir da região em que o espermatozoide alcança o ovulo, produz-se uma liberação de íons de cálcio que se difundem como uma onda, até a área oposta. Esta região do óvulo em fecundação será o dorso do embrião e o eixo dorso-ventral seguirá a direção da onda de cálcio. Perpendicular a ele, estabelece-se o eixo cabeça-extremidade. A concentração de íons de cálcio no espaço celular do óvulo que está sendo fecundado regula os processos que ocorrem ao longo do tempo da fecundação. O processo essencial que se regula por estes sinais moleculares é a estrutura do DNA, que, além de ser mais que a soma dos DNA do seu pai e da sua mãe, tem os cromossomos alinhados segundo os eixos corporais para dar lugar, sem solução de continuidade, ao embrião de duas células.” (Natalia López Moratalla, catedrática de Bioquímica da Universidade de Navarra)

Texto 04.
“Existem cinco argumentos que impedem a certeza científica que desde a fecundação há pessoa humana: 1) A grande maioria dos zigotos não se implanta no útero. A pergunta é: Será possível que a natureza desperdiça tantas pessoas ao eliminar tantos zigotos? 2) Antes da nidação, não existe individualização não se pode falar de pessoa. 3) Para que haja pessoa, requerem-se também informações operativas exógenas, e a informação que possui o zigoto é operativa para gerar os processos ulteriores do desenvolvimento. 4) Entre o zigoto e a pessoa futura, não existe relação física contínua como da potência ao ato, porque o zigoto sozinho é potência em termos de informação genética; se não entram em jogo muitos elementos exógenos, a potência que é o zigoto nunca passará a ser ato; somente com 6 a 8 semanas, o embrião terá as características de formação física e fisiológicas; 5) O processo do zigoto para a pessoa futura não é um contínuo físico senão um desenvolvimento em continuidade, porque no período inicial embrionário (6 a 8 semanas) sucedem importantíssimas e decisivas mudanças qualitativas.”
(Alberto D. Munera)

Proposta 2018Nov03 - Dissertação (USP, Unesp, etc.)
Faça uma dissertação sobre a seguinte pergunta:

Se a morte é comumente entendida como a falência do sistema nervoso, inclusive para muitos sistemas jurídicos, esse critério também pode ser usado para determinar a vida humana?

Instruções:
1. Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
2. A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
3. Dê um título a sua redação.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Redação - Tema de redação 2018Nov02 - futuro


Tema 2018Nov02

Leia atentamente os textos abaixo.

Texto 01.
“Não adianta prever males futuros. Batatas apodrecem.” (Millôr Fernandes, escritor brasileiro)

Texto 02.
“O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro.” (Mário Quintana, 1906-1994, poeta gaúcho)

Texto 03.
“Futuro - esse período de tempo no qual os nossos negócios prosperam, os nossos amigos são verdadeiros e a nossa felicidade está garantida.” (Ambrose Bierce, jornalista norte-americano)

Texto 04.
"Nosso futuro é como o dos passageiros em um barquinho de passeio navegando tranquilamente sobre as cataratas do Niagara, sem saber que os motores em breve sofrerão pane.” (James Lovelock, cientista britânico)

Texto 05.
"Nossa época é a primeira a prestar tanta atenção no futuro - o que é irônico, considerando que podemos não ter futuro nenhum." (Arthur C. Clarke, 1917-2008, escritor britânico.)

Texto 06.
“Não quero futuro nenhum, quero ter um presente. Isso, sim, me parece mais valioso. Um futuro só se tem quando não se tem presente nenhum, e, quando se tem um presente, aí a gente se esquece até de pensar no futuro.” (Robert Walser, “Os irmãos Tanner”)

Proposta 2018Nov02-A - Dissertação (USP, Unesp, etc.)
O futuro aparentemente sempre foi uma obsessão da humanidade, tanto que incontáveis grandes nomes da produção intelectual das mais diversas regiões e eras dedicaram-se a prevê-lo, antevê-lo, comentá-lo, etc. Entretanto, ao longo do século XX, a maioria das considerações sobre o porvir foi ficando cada vez mais pessimista, amarga e desesperançada. Em função dessas considerações, faça uma dissertação argumentativa em que você discuta como ocorreu o que pode ser definido metaforicamente como o fim do futuro.

Instruções:
1. Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
2. A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
3. Dê um título a sua redação.

Redação - Tema de redação 2018Nov1 - adolescência tardia


Tema de redação 2018Nov1

Texto 01.
“Foram os romanos que definiram o termo ‘adulescentia’, que significa ‘crescimento’ e era usado para abranger meninos e meninas entre 15 e 30 anos. O prolongamento da adolescência se justificava pelo poder do ‘patria potestas’ em Roma, que conferia ao pai o poder sob seus filhos até sua própria morte e assim evitava qualquer revolta contra o líder da família.”

Texto 02.
“O termo ‘adolescência’ vem do latim ‘adulescens’ ou ‘adolescens’ – particípio passado do verbo ‘adolescere’, que significa crescer. No entanto, o conceito de adolescência enquanto um período particular da vida de um indivíduo, situado entre a infância e a vida adulta, é recente na história da humanidade. De acordo com a psicanalista Luciana Gageiro Coutinho, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF) e autora do livro ‘Adolescência e errância – destinos do laço social no contemporâneo’ (editora Nau, 2009), contemplado pelo programa Apoio à Editoração da FAPERJ (APQ3), o conceito de adolescência só foi criado pela cultura ocidental no final do século XIX, motivado pela ética individualista romântica.
Na obra, a autora empreende um longo percurso para explicar como a adolescência foi percebida no decorrer de vários períodos históricos, desde a Antiguidade clássica, passando pela Idade Média, pelo período romântico, que acompanhou o advento das revoluções burguesas, até chegar à modernidade. ‘A adolescência é um fato cultural, pois o modo como cada sociedade lida com os seus jovens é particular e articulado a todo o seu contexto sociocultural e histórico. A passagem da infância à maturidade, vivenciada como a ‘crise adolescente’, é um produto típico da nossa civilização’, afirma Luciana, acrescentando que em outras épocas não existia um tratamento social diferenciado aos adolescentes.”

Texto 03.
A adolescência é definida como um período biopsicossocial que compreende, segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS (1965), a segunda década da vida, ou seja, dos 10 aos 20 anos. Esse também é o critério adotado pelo Ministério da Saúde do Brasil (Brasil, 2007a) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (Brasil, 2007b). Para o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, o período vai dos 12 aos 18 anos (Brasil, 2007c). Em geral, a adolescência inicia-se com as mudanças corporais da puberdade e termina com a inserção social, profissional e econômica na sociedade adulta (Formigli, Costa & Porto, 2000).
As mudanças biológicas da puberdade são universais e visíveis, modificando as crianças, dando-lhes altura, forma e sexualidade de adultos. À primeira vista, a adolescência apresenta-se vinculada à idade, portanto, referindo-se à biologia – ao estado e à capacidade do corpo (Santos, 2005). Essas mudanças, entretanto, não transformam, por si só, a pessoa em um adulto. São necessárias outras, mais variadas e menos visíveis, para alcançar a verdadeira maturidade (Berger & Thompson, 1997) – mudanças e adaptações que dirigem o indivíduo para a vida adulta (Bianculli, 1997). Essas incluem as alterações cognitivas, sociais e de perspectiva sobre a vida (Martins, Trindade, & Almeida, 2003; Santos, 2005). A adolescência é uma época de grandes transformações, as quais repercutem não só no indivíduo, mas em sua família e comunidade.”

Texto 04.
“A Organização Mundial de Saúde (1975), no plano internacional, define adolescência pelo referencial cronológico como um período da vida que vai dos 10 a 19 anos, envolvendo, assim, a puberdade, que é um fenômeno universal e tem um ritmo que varia de indivíduo para indivíduo, mas previsível de acordo com os parâmetros próprios da espécie. Hoje se fala em adolescência precoce, quando está anterior ao aparecimento das características indicadas da puberdade, e também se define uma adolescência tardia, que se observa pela manutenção desse período, quando, pelos critérios biológicos, o indivíduo já um adulto. As definições cronológicas esbarram na realidade cultural e temporal.”

Proposta 2018Nov01-A - Dissertação (USP, Unesp, Uniube, etc.)
Faça uma dissertação sobre os efeitos da adolescência tardia nas relações interpessoais, profissionais e sociais do indivíduo que mantém tais condições e peculiaridades depois dos 25 anos.

Instruções para a dissertação:
1. Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
2. A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
3. Dê um título a sua redação.